Sobre mãos, armas, carne, vegetais e o problema da censura. Sobre a organização da sociedade e sobre “o que fazer?”. De 1964, muito apropriado para nosso momento:
29/01/2012
Amanhã, Sokkyo Trio em São Paulo
Posted by Tiago Mesquita under Uncategorized | Tags: otto bistrot, Rodrigo Montoya, Rubens Akira, Sabu Toyozumi, Sokkyo Trio, Thomas Rohrer |Leave a Comment
Para dar continuidade aos excelentes trabalhos que a improvisação livre vem prestando à cidade, amanhã teremos a apresentação do Sokkyo Trio. O concerto encerra a passagem do genial percussionista Sabu Toyozumi na América do Sul.Ele já se apresentou na cidade e surpreendeu muita gente boa, como podemos ver no blog do professor Rubens Akira e no ótimo Free Form, Free Jazz.
A apresentação é mais um dos resultados da mobilização da vanguarda da cidade em abrir o diálogo e fazer o que um organizador de shows devia sempre fazer: apresentar artistas que o curador defende para um público maior. em uma época em que o discurso de produtores parece tão institucional, é muito bom ver que ainda tem gente que só promove o que acredita ser o melhor sendo feito no mundo.
Desta vez, Sabu se apresenta com os não menos geniais Thomas Rohrer e Rodrigo Montoya. Ambos são velhos conhecidos deste site e gente com que eu aprendo sempre. Abaixo, deixo-lhes o convite, o release e um pequeno trecho de Sabu tocando
Amanha Segunda-feira, dia 30 de janeiro, encontro de improvisação livre no OTTO Bistrot com: SOOKYO TRIO: Sabu Toyozumi – erhu e percussão Thomas Rohrer – rabeca e saxofone Rodrigo Montoya – shamisen e violão Último concerto do músico japonês Sabu Toyozumi em sua turnê pela América do Sul. Sabu Toyozumi nasceu em 1943, em Yokohama. Iniciou a sua carreira nos anos 60 como baterista da lendária banda japonesa de Rock Progressivo, “Os Samurais”. Em 1970 focou-se inteiramente para a música de improvisação livre e desde então tocou e viajou ao redor do mundo com grandes músicos do gênero como Kaoru Abe, Misha Mengelberg, Wadada Leo Smith, Derek Bailey, Paul Rutherford, Sunny Murray, John Russell, Fred Frith, Takehisa Kosugi. Em 1971 se tornou membro da AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians de Chicago). No final dos anos 70 formou um duo com o saxofonista Kaoru Abe, um duo muito aclamado pela crítica da época.
http://www.geocities.jp/sabu_toyozumi
Local : OTTO Bistrot R. Pedro Taques, 129 – travessa entre Consolação e Bela Cintra 21:00hs, Entrada 5 Reais
18/01/2012
Toda revolução é um lance de dados (Straub & Huillet, 1977)
Posted by Tiago Mesquita under cinema | Tags: CCBB, Danièle Huillet, Jean-Marie Straub |[3] Comments
Em São Paulo, o ano começou ontem, com essa mostra dos filmes que Danièle Huillet e Jean-Marie Straub fizeram juntos. A mostra acontece no CCBB e se não me engano, tá tudo lá. Irei ao maior número de filmes possível.
Eles são provavelmente uns dos artistas mais influentes do século XX. Dos que trabalham em dupla, acho que sua influência só é comparável à de Bernd e Hilla Becher (mas tenho a impressão que Straub e Huillet talvez sejam mais influentes). Aliás, eles também foram alguns dos artistas que levaram o debate a partir da obra do Brecht mais longe. Tanto no aspeco da encenação como do engajamento.
Poucos filmes deles estão disponíveis no Brasil, a oportunidade, portanto é unica. Deixo como aperitivo o filme que eles fizeram sobre o Lance de dados do Mallarmé. Serve como convite para a mostra e uma provocada inocente no SOPA.
Mostra Straub-Hiillet - CCBB (Rua Álvares Penteado 112, Centro). Telefone (011) 3113-3651. De 3ª a domingo. R$ 4. Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô.
11 3113-3651/3652
twitter.com/ccbb_sp
fb.com/ccbbsp
16/01/2012
Klavierstück VI de Stockhausen, com comentários de Anthony Braxton
Posted by Tiago Mesquita under música | Tags: Anthony Braxton, Karlheinz Stockhausen |1 Comment
O contato com a música de Stockhausen modificou muito a composição de Anthony Braxton.
O compositor, saxofonista e improvisador chega a dizer que a influência do inovador alemão foi existencial e o levou a radicalizar a sua música pra caminhos diferentes de outros precursores do free jazz. Achei um depoimento do gênio falando sobre sua composição favorita.
As variações e a sintaxe de fato têm muito a ver com a música de Braxton. É muito interessante as relações que ele faz com o ritmo e sobretudo as variações de andamento.
Aqui vai tudo junto.
23/11/2011
Manta Aid
Posted by Lauro Mesquita under Artes, direito, Economia, Guaciara | Tags: amizade, andre mantelli, Artes, direito, Economia, Guaciara, mesquitareta, propaganda, quadrinhos |1 Comment
Tudo bem, tudo bem, nesse blog já passa mosca e o que tem de teia de aranha acumulada aqui e ali não está no gibi. O ano de 2011 não foi fácil pra ninguém e isso acabopu refletindo nesse abandono do Gua Gua. Mas a retomada começa agora e nada mais nobre do que dar uma força ao nosso grande amigo André Mantelli.
A alegria em pessoa Mantelli foi responsável por momentos muito felizes no Rio e são dele (e do meu chapa Alberto), as imagens de um dos dias mais felizes da minha vida.
Ele é um fotógrafo excelente e ontem foi assaltado no Rio. No roubo, subtraíram dele quase todo seu equipamento, isso bem em meio a um grande trabalho que ele faz sobre a Mata Atlântica. Por isso reproduzo o post que ele fez em seu blog. E convido todos a darem uma força em sua vaquinha.
manta aid
é verdade, como cartunista sou um excelente fotógrafo.
e é exatamente por isso que criei esta página para que aqueles que gostam das minhas imagens-histórias possam me ajudar na reconstrução de um pequeno patrimônio de trabalho.
(para quem ainda não sabe, perdi todo o meu equipamento fotográfico, que estava sem seguro, num assalto no rio)
pensei muito antes de optar em colocar este help aqui. aliás, bastaria dar o nº de uma conta. contudo achei interessante abrir valores, prestar contas e agir com transparência monitorando publicamente a evolução desta campanha. se tiverem outras sugestões, serão mais que bem-vindas.
fiz duas listas: a primeira corresponde exatamente ao que perdi, que é a meta mínima, 18 mil reais;
a segunda coloquei um ‘plus’ sobre o equipamento – vai que a galera se empolga – e tento complementar.
mas, afinal como disse lévi-strauss, ’vive-se em abundância e “nada falta a não ser o que não se tem.’
o link da ‘vaquinha’ é este aqui: http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=112370
acho que é um bom negócio pra todo mundo.
para alguns, pode ser uma oportunidade de investimento. mais ou menos como um leilão.
por exemplo.
se vc doar 20 reais pra causa, ganha um portrait de vc mesmo em formato digital que mandarei por email. não se preocupe, uma hora estaremos na mesma cidade, rs.
imagino fazer uma expo com retratos deste movimento solidário. usarei sua imagem, se autorizar.
por módicos 50 reais vc leva o mesmo retrato impresso, formato 20 x 30 cm.
doando 100, vc faz três destes últimos (mas só um seria usado naquela exibição).
500 reais a gente faz o portrait que poderá ser usado na expo + um ensaio fotográfico, com 20 fotos finais (sem impressão).
1000, vc ganha o ensaio + uma ampliação de 75 x 50 cm de foto a escolher no flickr/mantelli.
ou faça sua proposta!
mas nos ensaios não estão incluídos possíveis custos de produção, certo?
peço que espalhem, divulguem, me ajudem a romper a meta.
absolutamente tudo será revertido para uma produção fotográfica apaixonante.
(pelo menos é o que pensa o apaixonado)
obrigado de coração pela generosidade e fraternidade.
um caloroso abraço,
03/11/2011
só protesto (internacional)
Posted by Tiago Mesquita under música | Tags: Cassiber, Elvis Costello, Fugazi, Heiner Goebbels, Iceberg Slim, música, militância, política radical, Robert Wyatt, The ex |Leave a Comment
05/10/2011
Joe McPhee/TrioX na Roulette TV
Posted by Lauro Mesquita under improvisação livre, música | Tags: improvisação livre, Joe McPhee, música, militância |[3] Comments
Cada dia me interesso em quem faz da música algo tão sério quanto a própria vida e sabe que o ato de tocar pode ser confundido com o próprio viver. O Joe McPhee é um desses caras.
Recomendado pra quem ainda acha que as discussões sobre distribuição e impacto mercadológico a são menos importantes que a criação.
28/09/2011
Edson “Redson” Pozzi (1962 – 2011)
Posted by Tiago Mesquita under Punk | Tags: cólera, datas, Punk, redson |[7] Comments
Morreu ontem a noite quem talvez tenha sido o único ídolo do rock nacional que os adolescentes da minha turma, na minha cidade na época admiravam: O Redson.
Quando éramos novos, em Pouso Alegre, não éramos amigos dos meninos por estudarmos na mesma escola e nem mesmo por morarmos na mesma rua. Claro que tínhamos amigos lá e cá, mas a razão das amizades era outra. Era porque gostávamos das mesmas coisas e, mais que isso, detestávamos as mesmas coisas. Era todo mundo roqueiro, de extrema-esquerda e gostávamos do punk (que era ideia, não visual), das loucuras que conhecíamos na casa do Murilo, no Cinema moderno e nos discos que eram vendidos pela RÉR Brasil.
Por isso, detestávamos o rock nacional, heavy metal, cultura e tudo que fosse diboy.
Mas o Redson cantava no Cólera. O melhor grupo punk. Que era radcó, cantado em português paulistano, inteligível e com potresto. Todo mundo adorava.Os anos passavam, os discos do Cólera eram menos tocados e eu nunca mais escutei. Aliás, a maioria dos meus amigos também ouvia pouco.
Mas tenho certeza que ele animou muita gente a gostar de música no Brasil inteiro. Eu me sinto em dívida com ele. Por isso, uma singela homenagem.
Espero que a terra seja leve e o seu sono tranquilo.
13/09/2011
Pontapé inicial – Impressões sobre a bizarra experiência de participar do primeiro chute da Fifa para a Copa do Mundo 2014, por Maria Carolina Trevisan
Posted by Lauro Mesquita under brasil, Futebol | Tags: brasil, Copa 2014, esportes, Futebol, Geopolítica, Haile Salassie, Luis XIV, Ricardo Teixeira, VVIP |[5] Comments
Sim , sim, o blog anda meio parado e o acúmulo de tarefas dos três responsáveis por este espaço tem impossibilitado aquela atualização ágil e o debate moleque que sempre rolou nessa linda plataforma. Não temam, as coisas estão ficando mais tranquilas e acho que a alegria deve voltar a ser mais frequente por aqui. Pra começar, publicamos o texto da nossa grande amiga Carol Trevisan – que é jornalista e trabalha com iniciativas da área social – sobre sua participação no primeiro evento da Copa do Mundo de 2014 e todas as cores que o império absolutista da bola brasileira pode ter. Para ler, recortar e comentar:
Pontapé inicial – Impressões sobre a bizarra experiência de participar do primeiro chute da Fifa para a Copa do Mundo 2014, por Maria Carolina Trevisan
Rio de Janeiro, 29 de julho. Seis e meia da tarde. Hora do rush na cidade maravilhosa. Ônibus lotados, carros e pedestres se misturam a um lusco-fusco que cega. As luzes vermelhas das lanternas em fila contrastam com a Baía de Guanabara, o cheiro da maresia e uma temperatura amena, o que faz do calçadão de Copacabana o melhor lugar para se estar.
Mas era hora do compromisso. Os ônibus com convidados da Fifa para o banquete que antecede o sorteio das eliminatórias da Copa 2014 partiam do luxuoso hotel Windsor Copacabana rumo ao Pier Mauá. O convite, assinado por Joseph Blatter, presidente da Fifa, e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, sugeria como traje “bussiness atire”. Pouco a pouco os assentos foram ocupados por homens de terno-uniforme azul escuro, idênticos e com a palavra FIFA bordada no canto esquerdo do paletó. Para acompanhar, loiras perfumadas, cabelos em laquê, vestidos longos e brilhos mais adequados a casamento de princesa.
Esse foi o primeiro choque. O segundo, golpe bem mais forte, foi perceber que esse veículo cheio de desconhecidos e desimportantes seria escoltado por pelo menos quatro batedores da Polícia Rodoviária Federal, montados em uma bela Harley Davidson vintage. A população, espremida nos coletivos, era literalmente apartada para deixar passar sem atrasos tão distinguida turma. Foram pelo menos 10 desses. E assim, a Fifa, o governo e a prefeitura do Rio, começaram a mostrar que a elite brasileira, política e futebolística, é capaz de organizar uma Copa do Mundo. Deu vergonha.
Na chegada ao pier, os convidados eram recebidos com champanhe Chandon rose, caipirinhas, claro, e vários petiscos típicos de sabores irreconhecíveis. Carros pretos brilhantes, com motoristas negros brilhantes, estacionavam em uma área ultra vip (VVIP, segundo a Fifa O que seria? Very Very Important People? #medodessagente). Desembarcavam ali cartolas, ministros, prefeitos, secretários e secretários dos secretários. Perceber essa divisão entre as pessoas foi o choque número três. Mas não acabou.
Choque número quatro: com tantos VVIP, o mar seria um meio de ataque terrorista óbvio e fácil. Para evitar qualquer atentado, um barco da polícia esteve de prontidão do começo ao fim do evento, garantindo a segurança de todos nós. Enquanto isso, conversava-se, fumava-se e bebia-se a vontade. Até que as portas para o banquete foram abertas.
Cartões nominais espalhados sobre as mesas guiavam os comensais. No mapa de lugares, mais um choque: a Fifa guardou para a área de responsabilidade social uma mesa no lugar mais importante, primeira fila, cara a cara com o palco. Era a patota da “Corporate Social Responsibility” dividindo espaço com o Ministro do Esporte, Orlando Silva, o governador do Rio, Sergio Cabral, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, além de Blatter, Teixeira, Havelange, Cafu, Bebeto, entre outros. O que isso significa?
Estava, então, claríssimo que faz parte da reconstrução da imagem da Fifa dar importância à sua área de responsabilidade social. E o cheiro do poder é ludibriante. Pode mesmo embriagar a vista de quem não estiver atento e preparado. Os “privilégios” não paravam: o cardápio em português e inglês anunciava fettuccine de palmito pupunha, camarão ao gengibre com couscous marroquino, filet em crosta de ervas e haricot vert, além de mil sobremesas. E champanhe a vontade. Para nós, serviço na mesa. Para o resto, só buffet.
Havia cerca de dois mil convidados. Na mesa VIP da responsabilidade social éramos nove. Bem poucos para tamanha missão. Em meio ao rega-bofe, o “muito obrigada” em português forçado do Mr. Blatter. Assim que o jantar terminou todo o mundo saiu correndo de volta para o hotel, em um estranho movimento de fuga. Na volta, a mesma escolta vergonhosa, agressiva e, ao mesmo tempo, muito reveladora.
O sorteio
Mas o grande show aconteceria no dia seguinte, na Marina da Gloria. Gastou-se cerca de R$30 milhões, entre prefeitura e governo local, para que o sorteio das partidas preliminares da FIFA World CUP fosse um sucesso e continuasse mostrando a capacidade do país em receber o megaevento. Fui com a convicção e a esperança de que alguma coisa importante pudesse acontecer, além das bolinhas, mas decidi não mais aproveitar a carona em ônibus escoltado. As presenças ilustres contrastavam com a manifestação do lado de fora que pedia “uma Copa do povo” e “ fora Teixeira”.
Para adentrar o local do evento, era necessário passar pelo controle da Polícia Militar, pelo raio x e pelo scanner de bolsas, além de deixar isqueiros ou outros objetos “perigosos” para trás. Na entrada, um corredor com estandes das cidades-sede mostrava as promessas de cada uma, seus merchandisings, marketing propositions, presentations e folders. Tudo em inglês, logicamente. O mundo do futebol internacional não fala português. Mas parece que ama o Brasil.
Soou o sinal e era momento de entrar. A TV Globo não poderia tolerar atrasos. Ventava muito e a tenda ameaçava sair voando. De novo, a elite estava ali, ocupando suas praças reservadas. E o grupo da responsabilidade social, outra vez, na primeira fileira. Foi o choque número seis: apenas dez metros nos separavam de Blatter, Grondona, Teixeira, Havelange, Pelé, Cafu, Neymar, Bebeto, Zico, Zagallo, Ronaldão, e, mais tarde, da Presidente da República do Brasil, Dilma Roussef. Não dava para acreditar.
Choque número sete: repetiu-se muitas e muitas vezes, para todos os cerca de 600 milhões de telespectadores de mais de 200 países, que a Copa do Mundo 2014 é, agora, a “Copa do Mundo da FIFA”. No Brasil, fala-se Copa do Mundo e ponto, sempre foi assim. Agora, a “Copa do Mundo da FIFA” é marca registrada e tem preço.
Os discursos que se seguiram foram elucidativos. Estava claro que Pelé (escolhido como embaixador honorário da Copa) e Teixeira não estão de amizade, que o rei é aliado de Dilma e que a presidente não dá a menor bola para Teixeira ou Blatter. As falas do governador e do prefeito do Rio mencionaram o legado da Copa e ressaltaram avanços nos campos esportivo, estrutural e econômico, na mobilidade urbana e no saneamento. Eduardo Paes passou quase perto ao dizer que “futebol não tem classe social” e que é “um meio de transformação”, porém, não disse nada sobre sua função e seu papel em um mega evento para diminuir as diferenças sociais. Mas citou o ex-presidente Lula e declarou: “o maior legado da Copa é a auto-estima do povo brasileiro”. Mas, e se o Brasil perder a Copa? Suicídio geral?? Choque número oito.
A situação melhorou quando a presidente Dilma subiu ao palco. Falou em liberdade, justiça social e paz como legados. Não era possível iniciar esse evento sem que ao menos essas palavras fossem lembradas. Em resumo: a Copa do Mundo da Fifa é uma coisa. A Copa do Mundo de Futebol, no imaginário do povo brasileiro, é outra coisa. E é de todos.
A partir daí começou o momento bolinhas, uma espécie de bingo. Estrelas como Neymar, Cafu, Ronaldo, Bebeto e Lucas sortearam a teia de jogos eliminatórios até a Copa. Os cerimonialistas vestidos de gala, Fernanda Lima e Tadeu Schmidt, apresentadores da TV Globo, anunciavam cada passo. O deslize ficou por conta de Schmidt, que equivocadamente chamou Ronaldo de Romário, sendo este último persona non grata na Fifa, a ponto de nem aparecer em nenhuma das imagens de futebol brasileiro que se mostrou. Entre um sorteio e outro, com pequenos shows nos intervalos, vídeos de pessoas como Gisele Bündchen (expert no tema), Paulo Coelho (!!) e até Oscar Niemeyer tentavam convencer os presentes da capacidade brasileira de receber a Copa, lembrando que futebol é a paixão nacional, mas esquecendo de seu componente tóxico, o ópio do povo.
Como vocês viram, saí chocada de todo esse espetáculo. Preocupada também. Mas entendi que há um espaço que precisa ser ocupado por propostas e ações e que o momento é agora. Se a Fifa está precisando da ala da responsabilidade social para mudar a sua imagem e nós queremos uma Copa do Mundo com o mínimo de efeitos sociais nocivos – queremos o contrário -, é preciso aproveitar (com olhar crítico, sempre), impôr o papel da sociedade civil e propor alguma alternativa. Porque o pontapé inicial (kick off) da Copa foi dado. Mas é o povo brasileiro que está sendo chutado.
03/08/2011
recompensa, por Fabio Zimbres
Posted by Tiago Mesquita under Sem categoria | Tags: Fabio Zimbres, quadrinhos |1 Comment





