Cinco perguntas para Yoani Sánchez

Esse blog jamais integraria linchamento de quem quer que fosse, mas achamos que a blogueira cubana Yoani Sánchez podia, para remover a sombra da dúvida sobre sua atuação e apaziguar os ânimos em sua passagem pelo Brasil rumo a turnê mundial, responder a algumas perguntas:

(1) se é verdade que, no seu retorno a Cuba em 2004 depois de dois anos na Suiça, recebeu de fonte não identificada cerca de 250 mil dólares, e se esse valor está de algum modo relacionado à sua militância;

(2) em caso positivo, se a origem dessa quantia pode ser revelada sem constrangimentos de ambas as partes;

(3) se é verdade e se não há nenhum motivo para ocultar as visitas que mantinha ao então chefe da seção de interesses norte americanos (SINA) em Havana, Michel Parmly, documentadas e divulgadas pelo Wikileaks;

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Sede da Sección de Intereses de los Estados Unidos (SINA) em Havana, Cuba, ou a lanhouse de Yoani?

(4) se ela sabe que as respostas de sua suposta entrevista com Obama foram redigidas não pelo presidente norte americano mas por um funcionário da mesma SINA;

(5) se ela recebe suporte técnico e financeiro para manter seu blog e conta de twitter cuja escalas seriam inviáveis com o acesso precário de que alegadamente dispõe em Cuba e se é verdade que usa recursos artificiais para inflar a quantidade de seguidores de sua conta no twitter.

17 comentários sobre “Cinco perguntas para Yoani Sánchez

  1. eu acrescentaria: se é verdade q ela recebe US$ 6 mil por mês da SIP. Se sim, para fazer o que? (Acho louvável q ela tenha um trabalho, mas seria interessante q a gente soubesse qual é esse trabalho).

  2. Muito boa a postagem. Será que o destino final da blogueira é Langley?
    Acho curioso que serviços de inteligência, contrainteligência, informação, vacina não sejam mais motivo de discussão. Eles estão aí, como na guerra fria.

  3. Bom, jay, se não deixarem moça falar, ela não tem como responder. De qualquer forma, não seria a primeira (nem a última) pessoa q se aproveita dos interesses de um governo estrangeiro para tentar mudar algo em seu país.

  4. ouvi dizer tb q o Redson do colera dava mil reais pro Jello Biafra fazer poesia anti-americana, tipo o Lula paga pro Mano Brown falar do Alckmin

  5. carlinhos, certeza. mas acho que ela faz mais propaganda que militância ou ativismo. e existem maneiras e maneiras de promover transformação e de fazer alianças. e delao, a ideia é justamente desanuviar essa história e separar boato de fato né. e nem tinha real na época do cólera po

  6. Lenin chegou à estação Finlândia num trem blindado cedido pelo governo alemão, o Antigo Regime deu uma mão na independência americana, guerrilheiros brasileiros receberam treinamento em Cuba, João Paulo II trabalhou junto à CIA e por aí vai. Isso é normal.

  7. é recorrente. mas aí nego escolhe lado, e nenhuma ajuda é desinteressada, no esquema “no strings attached”. o que será que a yoani acha do embargo? de guantanamo? dissidente é uma coisa nobre, quinta coluna não.

  8. Sim, jay, mas o que ela quer e o que os EEUU querem é a mesma coisa: o fim do regime. E esse objetivo, me parece louvável. Vc tem razão, ela pode ter interesse em não criticar quem é seu aliado (se for) pode, inclusive, ter grana dos cubanos-escrotos-de-miami no meio e isso tudo pode não ser muito Kantiano. Mas, ainda assim, não parece razoável que a gente entenda como uma “traição ao seu povo” um discurso que se resume a questionar uma ditadura.

  9. carlinhos, manja a dissidência russa, cosmopolita, bem informada, altamente educada e financiada pelos berezovskis e kordokovskis da vida – que tomaram uma lambada da tigrada da SSF (a ex KGB) no final dos anos 1990 e viraram bilionários exilados que (mais ou menos como a turma que correu do irã quando chutaram o reza pahlevi) – e que assumiram uma postura ressentida e conspiradora, tentando retomar o controle do país desde londres? dá pra aplaudir os esforços dessa dissidência pra derrubar o ahmadinejad lá deles, o putin grosseiro, mafioso, corrupto, canastrão, autoritário? dá. mas até um ponto. parece um esforço pró-democrático louvável mas, meu amigo, tem um baita cheiro de vendetta, de jogo de rouba monte onde ninguém presta. e tem muitas yoanis na folha de pagamento desses caras. escrevem no new york times, na vanity fair, publicam pela random house. só fuçar que vc acha quem são.
    enfim, eu quero o que os cubanos quiserem para cuba, seja lá o que for, e não o que o miami herald, o el país e o estadão querem (posso estar errado mas eles querem alguma coisa entre o haiti e o belize). acho que é mais real e ao mesmo menor tudo isso, a yoani da vida real sendo o robert kurz da vez, só que da direita.

  10. Atormentar a Yoani deve ter um efeito libertador a quem se contorce para defender a “grande conciliação” como projeto de esquerda no Brasil

  11. Um texto interessante sobre Cuba na imprensa brasileira:

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/juliasweig/1237457-a-grande-noticia-de-cuba.shtml

    27/02/2013 – 03h00

    A grande notícia de Cuba

    JULIA SWEIG

    Não obstante a fixação da mídia brasileira por Yoani Sánchez, não é ela a grande notícia do momento vinda de Cuba. Não, a história real é que a sucessão em Havana agora tem um prazo, um nome e um rosto –ou rostos, para sermos precisos.

    “Não é um político de tubo de ensaio” é a frase empregada por um diplomata cubano na América Latina para descrever Miguel Díaz-Canel, eleito esta semana primeiro vice-presidente de Cuba e aparente sucessor de Raúl Castro.

    No domingo passado, a Assembleia Nacional Cubana ratificou o segundo e último mandato de cinco anos de Raúl Castro como presidente da República e presidente do Conselho de Estado. E elegeu ou (em alguns casos) reelegeu cinco vices.

    Há muita sobreposição entre o politburo do Partido Comunista e a liderança do Conselho de Estado, com seus 31 membros, que também é diferente do Conselho de Ministros. Por mais confusas que possam ser essas estruturas, o que Raúl Castro deixou cristalinamente claro em seu discurso inaugural de 35 minutos é que ele deixará a Presidência até no máximo fevereiro de 2018 (quando terá 86 anos).

    Ainda há dois outros “históricos” no primeiro escalão em Cuba, mas hoje duas mulheres na casa dos 50 anos ocupam o cargo de vice-presidente, e um homem de 68 anos e descendente de africanos é o novo presidente da Assembleia Nacional.

    Como eu escrevi nesta coluna este mês, a diversidade de gênero, racial, geográfica e, sim, política –o setor privado agora ocupa um lugar à mesa, e a comunidade LGBT, também– nunca foi tão pronunciada entre os 612 membros da Assembleia Nacional.

    Dentro em breve uma nova lei vai instituir limites máximos de dois mandatos de cinco anos cada para as altas autoridades, o que significa que a era da estase e da liderança personalista em Cuba chegou ao fim.

    A era pós-Castro agora tem nome e rosto. Engenheiro formado, Díaz-Canel não lutou na Serra Maestra. E tampouco é um burocrata do partido que cresceu em algum prédio de escritórios de Havana.

    Ele é conhecido como fazedor, alguém que construiu sua reputação realizando coisas em campo. O secretário-geral do partido em cada província é um pouco como um governador. E, em Villa Clara e Holguin, as duas províncias de Cuba central e oriental onde Díaz-Canel ocupou esse cargo, ele ganhou fama de ser um líder das bases, alguém que põe a mão na massa.

    Oh, você pergunta –ele pode ter nascido após a revolução de 1959, mas, se tem a bênção dos Castro, até que ponto pode ser um agente de reformas? E, depois que Raúl deixar a Presidência, Díaz-Canel terá a boa fé política necessária para tecer um consenso a partir dos interesses políticos em muitos casos conflitantes que a abertura política vai produzir?

    Minhas respostas: 1) ele parece encarnar o espectro de continuidade-transformação que é condizente com a gestão de uma transformação estável, feita por Raúl; 2) apenas o tempo dirá.
    E Yoani? Como deixou clara sua semana no Brasil, a base política dela fica fora de Cuba.

    Tradução de CLARA ALLAIN

    Julia Sweig é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, centro de estudos da política internacional dos EUA. Escreve às quartas-feiras, a cada duas semanas na versão impressa do caderno de ‘Mundo’

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