Sobre por que o Código Florestal não deve ser alterado, por Gilson Alves

Não existe discussão mais estranha no Congresso do que a do Código Florestal. A estranhíssima proposta do Aldo Rebelo de alteração do Código Fllorestal é apoiada por um amplo leque partidário que vai do PC do B, passa pelo DEM e PSDB, dá aquela passadinha fundamental no PMDB e no caminho pega gente até do PT (como o insólito e cada vez mais inacreditável Candido Vacarezza).

O governo parece não querer a aprovação da legislação, mas sem melindrar os ruralistas – que bancam campanhas eleitorais suficientes para parar as duas casas do Congresso Nacional. Ao mesmo tempo, não quer um código desastroso para o meio ambiente, para os cofres públicos e para as urnas – não nos centros rurais, mas onde se concentra uma parte significativa dos eleitores: as grandes cidades. A ministra do Meio Ambiente, o líder do PT, Paulo Teixeira, outros deputados do partido, P-Sol e PV trabalham contra o o texto do Aldo Rebello e tentam manter a legislação atual junto com outros representantes da política nacional e atores dos movimentos sociais,
 
Chamamos o nosso chapa, o Gilson, que já havia falado sobre o assunto pra ver se entendos esse angu de caroço. No texto, ele defende que as alterações ao texto do Aldlo – propostas pelo governo – são tímidas e desinformadas demais. Tendo a concordar, mas a mobilização social sobre o assunto continua muito fraca, pouco organizada e com um tom de lamento conformado. Sem sacudir a população, as chances do Congresso aprovar  o projeto do Aldo Rebelo como está são grandes. Avante pessoal, tá na hora de nos organizarmos para manter a lei como ela já é. 
 
Só esperando...
Só esperando...

Sobre porque o Código Florestal não deve ser alterado

Como é de conhecimento geral, as conversas sobre o Código Florestal chegaram a dois minutos pra meia noite, a se considerar o Relógio do Apocalipse. Em outra oportunidade me manifestei contra a proposta, de forma mais ou menos veemente, e pra não deixar a coisa esfriar (malgrado os rumores de que a votação agora vai), trago outras considerações.

Se da vez anterior minhas preocupações se baseavam apenas no texto proposto pelo deputado Aldo Rebello, desta vez me preocupam também as ditas “alterações” cobradas pelo governo. Segundo a liderança do PT na Câmara, em tese haveriam duas discordâncias: a anistia para desmatamentos até 2008 e a inexigência de Reserva Legal para propriedades com menos de 04 módulos fiscais. Em nossa avaliação tais “contribuições” mostram um grande despreparo na avaliação dos impactos que serão trazidos pelo novo texto.

Do falso conflito Código Florestal X pequenas propriedades

Ao se olhar o texto em vigência, notam-se várias concessões às pequenas propriedades: nas propriedades familiares a soma de áreas de preservação permanente (APP) e reserva legal (RL) não devem ultrapassar 25% nas regiões fora da Amazônia Legal, a não ser que esse percentual implique em novos desmatamentos. Explico: suponhamos que determinada propriedade improdutiva venha ser alvo de um desmembramento (divisão) para fins de transformação em uma ou mais pequenas propriedades. Vamos supor ainda que esta propriedade fosse formada por pastagens abandonadas, sem desenvolvimento florestal significativo. Assim, o proprietário iria proteger as áreas de preservação, e caso elas atingissem 25% da área, a RL seria averbada sobre a APP, mantendo a proporção.

Ainda assim, as APP de propriedades familiares podem ser utilizadas para implantação de plantios consorciados com o uso de itens arbóreos, no que se convenciona chamar de “sistemas agroflorestais”. Assim, demonstramos alguns dos benefícios que foram trazidos em auxílio à produção familiar, como forma de apontar que este não seria exatamente o melhor debate, pelo menos no momento. Em outras palavras, há releventes dispositivos no Código Florestal que buscam assegurar a viabilidade das propriedades rurais familiares. Outros ainda podem ser citados, como a gratuidade da averbação e os incentivos fiscais previstos no Código, mas isso pode ser discutido em outro momento.

Art 1

IV – utilidade pública:

b) as atividades de manejo agroflorestal sustentável praticadas na pequena propriedade ou posse rural familiar, que não descaracterizem a cobertura vegetal e não prejudiquem a função ambiental da área;

Art. 16

§ 3o  Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas.

§ 6o  Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a:

III – vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas “b” e “c” do inciso I do § 2o do art. 1o.

De como não há necessidade de alteração da Lei para assegurar mais áreas para a agricultura (ou maior produção agrícola)

A Sociedade Brasileira para a Promoção da Ciência (SBPC)  apresentou o estudo mais adequado para a discussão do tema, é sintético, atual e amplo. Dessa análise trazemos as informações que seguem:

Há necessidade de medidas urgentes dos tomadores de decisão para reverter o estágio atual de de-gradação ambiental. Para estancar esse quadro, as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs) deveriam ser consideradas como parte fundamental do planejamento agrícola conservacionista das propriedades. A percepção das RLs e das APPs como uma oportunidade deve ser acompanhada de políticas de Estado de apoio à agricultura que simplifiquem e facilitem os trâmites burocráticos. Para concretizar essa proposta, é indispensável uma articulação entre os órgãos federais, estaduais e municipais para a implementação da legislação ambiental, que não pode ficar sob a responsabilidade exclusiva do proprietário ou do possuidor rural. Os estados e os municípios desempenham papel importante na estruturação dos órgãos responsáveis pela regularização das RLs e APPs.

…….

Estima-se que, em razão de seu uso inadequado, existam hoje no Brasil 61 milhões de hectares de terras degradadas que poderiam ser recuperadas e usadas na produção de alimentos. Existem conhecimentos e tecnologias disponíveis para essa recuperação. Nesse sentido, destaca-se a recente iniciativa do governo federal por meio do Programa Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC), que aproveita o passivo das emissões de gases de efeito estufa e o transforma em oportunidade na produção agrícola e na prestação de serviços ambientais. Todavia, apesar do grande mérito dessa iniciativa, um esforço político muito maior faz-se necessário.

……..

Considera-se que, tecnicamente, essa opção é possível, uma vez que a produtividade da pecuária brasileira em geral é baixa e os sistemas existentes de confinamento de gado e de lavoura-pecuária poderiam ser expandidos. Além disso, o emprego de sistemas mais intensivos de produção poderia desencadear retornos econômicos superiores e ganhos líquidos para a economia do setor. O potencial representado pela liberação e pela recuperação de áreas degradadas de pastagem seria suficiente para acomodar o mais ambicioso dos cenários de crescimento na agropecuária.

De como alterações profundas e altamente impactantes estão sendo escanteadas

A grande cama de gato na alteração do Código Florestal está na alteração de dois pilares daquela Lei, quais sejam: a indisponibilidade e rigidez das áreas de interesse florestal (a APP em grau maior e a RL e grau menor), e a forma de delimitar essa área. Assim, notamos que a definição desses itens foi mantida, porém as definições de outros dispositivos de interesse foram profundamente revistos. Assim, percebe-se que até os ruralistas reconhecem a importância das APPs e RLs, desde que, claro, estejam na lua. Destacamos duas alterações substanciais, embora haja vários pontos criticáveis no texto.

No texto em vigor existe a figura do “topo de morro”, que no Texto de Aldo foi suprimida. Assim ficam passíveis de uso áreas de recarga hídrica e considerável instabilidade geológica, como os topos das montanhas. O desmoronamento dessas áreas foi um dos processos pelos quais se deu a tragédia da região de Petrópolis, uma vez que em várias das situações a movimentação do solo em áreas de topo iniciou a corrida de lama que varreu vales abaixo. Asseveramos que é uma das mais irresponsáveis alterações previstas na Lei, em nossa avaliação.

No arranjo atual, a sociedade tem um arcabouço legal que pode ser utilizado para estas situações; no texto de Aldo, ficamos dependendo das câmaras municipais e suas revisões não ou enviesadas dos Planos Diretores. Opinamos que um ítem desse, de suma importância, não pode depender da discricionaridade dos gestores e legisladores, sendo antes a motivação para o trabalho deles.

O segundo item trata do “nível mais alto” de um rio, que em nossa realidade tropical ocorre nas épocas de chuvas torrenciais. Como exemplo, tomemos o Rio Tietê, em 90% do tempo ele fica bonitinho dentro da sua calha. Ocorre que quando as chuvas aumentam, as águas extravasam e ocupam as várzeas lindeiras ao rio, num processo de formação e renovação periódica da paisagem, que tem uma implicação vital para a conservação dessas áreas. Os riscos e impactos para a ocupação dessas áreas são bastante conhecidas e  foram discutidas aqui mesmo no Guaci.

No texto de Aldo, a expressão foi alterada para “leito menor”, o que deixa as várzeas lindeiras totalmente desprotegidas, já que a Lei passará a proteger apenas esta parte pequena do rio. Nestas áreas o risco é igualmente grave, se comparadas aos topos de morro, pois se aqueles estão em posições de muita energia potencial, as várzeas apresentam uma facilidade para a ocupação, pelo acesso facilitado e nenhuma restrição de relevo. Abaixo colamos os textos, em verde o Código Florestal, em azul o Texto de Aldo.

Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:

a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será:

 Art. 3.o Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, pelo só efeito desta Lei:

I – as faixas marginais de qualquer curso d’água natural, desde a borda do leito menor, em largura mínima de:

E pra completar:

§ 3o Não é considerada Área de Preservação Permanente a várzea fora dos limites previstos no inciso I do art. 3.o, a menos que ato do Poder Público disponha em contrário.

Não bastasse tudo isso, ainda deixa os Estados com a possibilidade de reduzir as matas ciliares em 50%. A diminuição de “restrições” ambientais pode assim, ser usada como política para tornar uma Unidade da Federação mais ou menos interessante para investimentos.

Do bom debate

O bom debate sobre o assunto, na modesta opinião deste escriba, deve iniciar-se pela SUSPENSÃO imediata desse processo no mínimo atabalhoado, que consegue unir de MST, MAB, CIMI e outros movimentos sociais a Miriam Leitão  de um lado e lideranças do PT e o PSDB de outro, sem falar é claro, dos ruralistas.

Pela natureza do Código Florestal, disciplinar uso de terras, e dada a amplitude do Brasil, assente-se que uma reforma do dispositivo poderia eventualmente acontecer, a se considerar as críticas que dizem que ele trata coisas diferentes de forma igual. Partindo-se dessas premissas, entendemos que uma eventual revisão do Código seria norteada para uma maior adaptação às diferenças entre as paisagens.

Sendo assim, o primeiro passo seria a confecção do famigerado Zoneamento Econômico Ecológico (dito econômico pois englobaria a agricultura), que apontaria as fragilidades e vocações de cada região (definindo inicialmente cada uma delas), estipulando assim, maior ou menor proteção dos componentes da paisagem. O passo seguinte, seria o estabelecimento de estímulos para que as disposições do zoneamento fossem acatadas. Um desses dispositivos seria a revisão dos índices de produtividade agrícola , que é atacada pelos ruralistas.

Afinal, é mais fácil aumentar a produtividade desmatando novas áreas ao invés de investir em qualificação e tecnificação da produção. Com zoneamento e atividade agrícola adaptada às regiões, daí sim, teríamos o melhor dos mundos pra rever o CF. Outros benefícios acessórios, como o pagamento por serviços ambientais também seriam bem-vindos a discussão.

Diante do que foi dito, e nos esforçamos para não estender muito a conversa, relembro que não há garantias de que a reforma do Código trará algum ganho ambiental ou agrário. O leque de entidades que se posicionam contra a revisão é muito grande, já citamos movimentos sociais, cientistas, mas há ainda relatos de juristas, sevidores públicos, ONG’s e por aí vai. Nos posicionamos deste lado.


42 comentários sobre “Sobre por que o Código Florestal não deve ser alterado, por Gilson Alves

  1. É isso, mesmo, Gilson!
    Concordo em gênero, número e grau contigo!
    O que eu não consigo entender é como esse processo conseguiu chegar nesse ponto com tanta gente pedindo a abertura de debates sobre o tema.
    Já se mostrou por todos os lados, desde o ponto de vista da ciência, até o financiamente de campanhas, que essa proposta atende principalmente aos interesses dos grandes proprietários de terra e que no meio urbano vai ser uma desgraça! Como vc bem colocou, estão abertas as portas para a ocupação de risco!
    Eu era a favor de uma lei em forma de diretiva, com diretrizes para a construção descentralizada de parâmetros e com obrigatoriedade de, por exemplo, levantamento de dados! Mais ou menos o que vc colocou sobre o zoneamento econômico ecológico!
    Parece que não teremos tempo, né?
    Hoje vai ser um dia de coração na boca…

  2. Valeu Luciana, é tão elementar que a gente ficaria envergonhado do Congresso (neste caso), se não estivesse tão puto…

  3. Tô no aguardo aqui também!
    Eu não entendo como, com tantos pedidos, não houve abertura de debates… SBPC, movimentos sociais, todos desde o ano passado denunciando os favorecimentos, os financiamentos de campanha, a falta de debate… e NADA! Os ruralistas são muito fortes! Pior, a demora na votação não está redundando em mudanças significativas na proposta!
    Muito medo!!!

  4. Eu tb fico impressionado, mas ando assustado com o quanto a pressão social tem sido pequena. O pessoal tem mobilizado muito pouco o eleitorado das grandes cidades. É lá que está a pressão pro Código Florestal não sair. Nessas horas faz falta um PT na oposição viu, para organizar o movimento dereivindicação contra a política institucionalizada…

  5. Não sei, Lauro! Desde o ano passado vários movimentos foram feitos, muitos pedidos, debates e nada, o relatório não saiu da Câmara, não se conseguiu nenhuma abertura de diálogo após a Comissão Especial.
    Mais que isso, as audiências públicas foram ridículas e na época houve muito questionamento! Mas claro, não é um tema de mobilização popular, embora devesse ser…
    A sensação agora é de MEDO!

  6. Então, acho que não ghouve manifestação pra ganhar. O pessoal se artivccula pessimamente no setor ambiental. Tenho muitos amigos no Congresso e todos comentavam que pauta muito menos relevante consegue um calçor muito maior lá dentro.

    Sinceramente, muita gente falou de pauta ambiental no ano passado, não conseguir mobilizar todo esse grupo pra mim é atestado de incompetência.

    Moro em Brasília e quarta e quinta é dia dos grupos de pressão baixarem na Esplanada. Não vi nenhuma passeata sobre o Código Florestal nem nada que o valha.

    É o problema do PT estar no governo, falta um partido de reivindicação com capilaridade na sociedade civil. P-Sol e PV nem sonham em ser isso e a pauta foi muito apropriada por ONGs e institutos e não por movimentos, por mais que o MST tenha se esforçado.

  7. E não tem de ter medo não, ainda tem senado, Câmara de novo e sanção presidencial. Dá pra mudar a situação, mas só bafejando na câmara

  8. Pois é… na real não sei se é a falta do PT na oposição, mesmo porque não dá pra dizer que essa já foi uma bandeira empunhada pelo partido, nunca foi…
    Ontem, refletindo sobre os últimos movimentos e “acertos”, fiquei pensando se foi a melhor eestratégia adiar a votação desde a semana passada. O texto mudou, mas ficou cheio de pegadinhas, não sei se melhorou de fato, pras APPs urbanas acho que não houve grande ganho e pior, agora está com mais chance de ser aprovado…
    A ver, desânimo enorme….

  9. Tá feia a coisa, estão tentando de tudo para adiar hoje tb, daí o projeto só poderá ser votado em 10 dias, por que o Marco Maia viaja para China e Coréia do Sul.

  10. Laurose, eu não tenho essa fé de que se o projeto não for mudado agora, poderá ser depois no Senado (e na volta). Veto presidencial então, acho impossível. O que passar, tá passado.

  11. Sim, eu entendi, e também acho que o PT tem essa força, sim! Tô aqui ouvindo o debate! Estou estarrecida, ainda estou na batalha no tuiter, mas olha, sem absolutamente nenhuma esperança viu? A forma como quase todas as bancadas se colocou para a votação hj não deixa muitas dúvidas sobre o resultado!
    O Cearax já tinha me cantado a bola dessa idéia dele ontem…
    Olha, gente, chegou em péssima hora essa revisão…

  12. O problema Ceará é que se o Aldo não fizer as alterações, o Código inviabiliza o orçamento do ano que vem e ainda complica o governo em vários fóruns internacionais que começaram a poucop tempo dar ateção pra questão. O Palocci parece q já avisou que se o Aldo não acatar as alterações não tem votação hoje. Daí tem mais dez dias pra brigar.

  13. Tá tudo dominado por ali, viu? A discussão pe retórica, todos já sabem como vão votar… Mas vai ser hj, viu, Lauro? Não passou o pedido de retirada de pauta e o próprio governo votou contra……. e nem sabemos o que vai ser votado………

  14. Hoje cedo tinha uma notícia no uol que ontem retiraram o “leito menor”, mas não salvei o link.
    Na mesma notícia a bancada do PSDB ameaçava não votar mais nada enquanto não saísse o CF, demonstrando quem vai assumir a posição vaga deixada pelos demos.

  15. O que acontece é que o Duarte Nogueira, líder da bancada do PSDB, é usineiro do interior paulista e tá trabalhando pesado pelo código.

    O Vacarezza mesmo tá trabalhando contra o próprio – ao menos anunciado – interesse do governo. tá tudo muito louco e tudo que foi lido de manhã pode mudar.

    Há uma hora atrás foi convocada uma reunião de emergência no Planalto, o dia de hoje só acaba amanhã.

  16. Uai, do jeito que está qualquer reunião pra discutir a discussão é uma boa, vai ver nego esquece e acaba nem votando porcaria nenhuma…. rsrs
    Esse papo é muito sério, além de tudo ainda vai pegar mal pra caralho na comunidade internacional. Querendo ou não, nosso marco legal ambiental é um dos mais avançados do mundo, pra jogar um trem desses pela janela tem que ter muito peito.
    Essa normatização na área de proteção ambiental é uma das coisas que nos deixam a vontade pra constranger os gringos, como aconteceu em várias reuniões do G20.

    Sobre o lance do Duarte, é um forte sinal da demonização do PSDB, onde é que já se viu o partido ser capturado assim por uma liderança? O Trípoli mesmo é um que defende o CF, e até o FHC, segundo ouvi falar. Daí vai cara lá e faz o que bem entende?

  17. Nossa, tá dureza, gentem!!!
    Tudo pode acontecer, mas se ficar ali a decisão, danou-se tudo!!

  18. m amigo meu que trabalha na Câmara disse que depois da reunião da Marina com o Palocci parece que os dois combinaram de conversar com o FHC pra tentar fazer o PSDB aderir ao pedido de ampliação de debate ou de arquivamentoda pauta.

    O FHC ouviu os dois e topou falar com o PSDB. Ligou pro Duarte Nogueira – líder da bancada – que respondeu o seguinte: “me desculpe presidente, mas o senhor não consegue nenhum voto pra mim, as pessoas que eu defendo me elegem e elegem mais da metade da bancada do nosso partido, não há como retroceder na questão”.

  19. Gente!!
    Ontem, às 23h mais ou menos, tivemos uma aula de real politik na TV Câmara!
    Eu fiquei embasbacada!!
    O Paulo Teixeira fez um discurso inflamadíssimo, conclamando os deputados petistas a irem votar o Código naquele momento!
    Pouco depois chega o Aldo Rebelo, não fazendo nenhuma questão de disfarçar a quem interessa a revisão e mostrando descaradamente para todos que pouco importa quem vota nele e sim quem paga sua campanha e faz uma ode ao agronegócio!!!
    Então o líder do governo passa a falar, com toda a pinta de que vai pedir votação imediata e, de repente, pede que se adie a votação – como se tivesse um ponto eletrônico no ouvido!!! Pede à base governista que mude seu voto e recebe uma vasta vaia!!!
    Daí sobe no palanque o Paulo Teixeira e muda a indicação de voto da bancada do PT, pedindo adiamento!!!
    Daí fui dormir, porque já sabia o que ia acontecer!!
    Que uau, queria muito ser uma mosquinha pra saber o que rolou! Hoje é o dia da caça ao novo texto, pra saber como está!
    Agora, vou dizer uma coisa sobre a Câmara: que corja tá colocada ali, viu? Alá que nos ajude!!!

  20. Aliás, fazia tempo que eu não ouvia tanto discurso reacionário quanto ontem… agora é ver o novo texto e pensar nas estratégias…

  21. Lu, o Vacarezza foi com intenção de votar o texto mesmo, inclusive por que não sabia o que falar. Foram as bancadas do PT, PV e P-Sol que se articularam.

    Os técnicos do executivo identificaram uma série de modificações em relação ao texto apresentado aos líderes.

    Daí o P-Sol pediu o cancelamento, a Marina começou a agir no twitter e o Paulo Teixeira articulou com o governo. Antes do Vacarezza conclamar a saída de plenário, ele e o Henrique Eduardo Alves estavam levando um sabão do esecutivo por não terem lido a última versão e não estarem defendendo o governo.

    Daí o Aldo ficou puto e descontou na Marina, o Paulo justificou a não-votação por causa das alterações de texto, o Sibá Machado apontou a falta de decoro do discurso do Aldo, Vacarezza e Kátia Abreu ficaram com cara de cu. E eu fui dormir mais satisfeito. Agora, é pressão totral, p0or que terça-feira tem teatro de novo.

  22. Tava aqui pensando, será que valia um abaixo assinado específico sobre alguns pontos da revisão? Principalmente as reservas legais??

  23. Visitei ali rápido o texto Luciana. Permanece o “leito normal” e voltou o “topo de morro”. Neste último vale lembrar que consta no texto a expressão “terço superior”, que pode se tornar um problema. Na atualidade o regulamento é dado por uma resolução do CONAMA, que é bem mais específica. Ao se trazer o regulamento para dentro da Lei, em uma nova armadilha, o relator deixou muitas dificuldades para que o dispositivo seja aplicado, em serras, que é um ente diferente de um morro isolado qualquer.
    O lance dos quatro módulos perdeu força, mas continua premiando quem já desmatou, em detrimento de quem cumpriu a lei.

  24. bom, agora o que “tá pegando” é a briga Aldo versus Marina… vamos ver se mais alguém vai lembrar de ler o texto e comentar!
    Pelo que vc viu ainda tem uns problemas, né?
    Sobre a história do leito normal eu não tenho esperanças, viu? Se nem essa APP conseguimos. O bom é que alguns parâmetros da Conama 369 foram pra lei, assim como alguns problemas da lei do Minha casa Minha Vida, em especial uma questão que me pega, a definição de área urbana consolidada…

  25. O que pega nas aparências é o papelão do Aldo contra o marido da Marina, mas quem está trabalhando forte para que o texto não saia é o Palocci. Se o Vacarezza continuar nessa toada vai perder o cargo

  26. Que vergonha, a Presidente dis que quer acabar com a fome e a miséria, mas continuam autorizando a extinção do cerrado para a monocultura de eucalipto, então para que reforma do código se na prática tudo está acontecendo e autorizado pelos órgãos ambientais, é só visitar a região de Carolina e Urbano Santos no estado do Maranhão.

  27. Sim, imagino, Isabel, na verdade sabemos muito bem que o cumprimento das atuais normas do Código Florestal nunca foi bom. Sabemos também que nos últimos anos há uma pressão para tal. Para mim é óbvio que toda essa discussão pela mudança veio da pressão pela sua aplicação, não tenho dúvidas. A questão das multas e da averbação das Reservas Legais é o ponto principal. Nas cidades a discussão também começou a pegar nessa década.
    Já discutimos aqui antes que, sim, é necessário repensar alguns pontos do Código. Mas pra isso é preciso REPENSAR, e acho que é com isso que todo mundo está se batendo, queremos mais debates, mais estudos, para ver o que fazer e não simplesmente aceitar uma mudança, inda meia ESSA mudança!
    Olhem, o PV fez uma nota técnica que traz pontos importantes: http://bit.ly/m7b8Dh

  28. Engraçado que nos outros países (origem dessas ONGs ecologistas) não há essa repressão contra a produção agrícola. Já aqui no Brasil, “ecologistas” dizem que estamos “matando as pobres arvorezinhas” e “acabando com a cultura indígena”.
    Qualquer leigo pode usar sites que usam satélites para mapear fotografias no mundo como o Google Earth ou Maps Google e verá que só há mato no Brasil.
    Essa crise ambiental alarmada pelos “ecologistas tão preocupados com a natureza” é hipócrita, pois visa o retrocesso nacional beneficiando os estrangeiros.

  29. #38 sério que ocê olhou no Google Earth e não viu florestas e outras formações naturais em outros lugares? Já considerou usar óculos?

    Por outro lado, se “só” o Brasil tem “mato”, isso é claramente uma oportunidade, convenhamos.

    E ainda, acaba que só nós teremos água e biodivesidade pra prospectar, além de outros “serviços ambientais” à disposição. Utilizar áreas de interesse ecológico pra produção de comida no Brasil (não é no Japão não hein?), pra mim equivale a jogar petróleo do pré-sal no mar pra usar o “buraco”.

    Depois ocê me diz de qual país vêm as ONG’s, MST, MAB, Via Campesina, PV, PT, PSOL e outras tantas instituições que têm defendido o Código Florestal.

  30. Boa, Gilson!
    E podemos ir mais além, porque eu, olhando no Google Maps não vejo só mato no Brasil, a Bacia do Rio Tietê, por exemplo, é uma terrinha arrasada, as APPs há muito já se foram, com consequências terríveis que já visualizamos! Um vôo São Paulo Brasília também pode atestar o que estou dizendo, cadê as matas nesses 1000 quilômetros???
    Cara, falar do futuro olhando para práticas ultrapassadas do passado é demais!!! Porque não olhar para a produtividade da agropecuária em outros países ao invés de olhar para sua falta de “mato”?
    Como que é a história da pescuária brasileira, um boi por hectare? Convenhamos…
    O que eu vim mesmo perguntar é, com esse novo contexto em que se chafurdou o Palocci: e agora, José?

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