A regra e a exceção, por Jean-Luc Godard

O filme aí em cima tem texto, narração e direção de Jean-Luc Godard. Está na Bienal e merece atenção e reflexão em uma situação em que a arte vive de uma necessidade de se adequar aos meios, aos estudos acadêmicos, a um discurso de mercado.

O Je Vous Salue Sarajevo está bem na entrada da Bienal de São Paulo, que tem mais um monte de coisas muito boas, principalmente para assistir. Nesse período de falta de tempo para escrever posts mais consistentes, vale muito a pena ver o vídeo pra puxar um papo aí na caixa de comentários. Segue o texto narrado por Godard na íntegra:

De certa forma, medo é a filha de Deus, redimida na noite de sexta-feira santa. Ela não é bela, é zombada, amaldiçoada e renegada por todos. Mas não entenda mal, ela cuida de toda agonia mortal, ela intercede pela humanidade.

Pois há uma regra e uma exceção. Cultura é a regra. E arte a exceção. Todos falam a regra: cigarro, computador, camisetas, TV, turismo, guerra. Ninguém fala a exceção. Ela não é dita, é escrita: Flaubert, Dostoyevski. É composta: Gershwin, Mozart. É pintada: Cézanne, Vermeer. É filmada: Antonioni, Vigo. Ou é vivida, e se torna a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo. A regra quer a morte da exceção. Então a regra para a Europa Cultural é organizar a morte da arte de viver, que ainda floresce.

Quando for hora de fechar o livro, Eu não terei arrependimentos. Eu vi tantos viverem tão mal, e tantos morrerem tão bem.”

7 comentários sobre “A regra e a exceção, por Jean-Luc Godard

  1. Parece um trecho de Histoire(s) du cinéma (http://en.wikipedia.org/wiki/Histoire(s)_du_cinéma). Talvez seja, não me lembro, essa obra é tipo o Ulisses do Godard. Acho q vc deveria ver, Tiago, já que tá pensando a imagem como uma coisa que pode ser um bem, um artefato, uma arte qualquer, uma arte específica, uma letra, um poema, um detrito.
    O Godard é o único cara que faz o que ele faz.
    Aliás, tou afinzão de ver o último filme dele…

  2. Godard ainda é exceção, no mundo das regras do cinema.
    Continuando seu trabalho de luto e melancolia, mas sem entregar os pontos, lançou o “Filme Socialismo”.
    O velhinho fará 80 anos na próxima sexta, vivo e chutando.
    Je Vous Salue, Godard!

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