Tamanduá

Hoje, às 20 horas, abre a nova série de individuais no Centro Universitário MariAntonia. Como sempre, o programa combina artistas novos de grande interesse e os desdobramentos recentes de criadores com a carreira consolidada. Entre eles, minha querida Célia Euvaldo e Carlos Zilio. A instituição me deu a honra de escrever pela primeira vez sobre esse grande artista.

Compartilho com vocês o texto que espero ter feito justiça aos últimos trabalhos do pintor e intelectual.

Carlos Zilio (2009 - 10)

Tamanduá.

Desde que voltou a pintar esse bicho, Carlos Zilio tenta fazer sempre a mesma tela. Tal alguns escritores, que se empenham em refazer livros finalizados por eles anos atrás.  O fato das pinturas, via-de-regra, saírem diferentes umas das outras, pode ser tomado como uma virtude por quem vê. No entanto, traz a imagem, do artista que quer se repetir, se aproximar de uma imagem mental de seu trabalho e falha.

Isso é particularmente interessante em Zilio. Um artista de pintura desencantada, onde a cor não chama a atenção, não desperta os sentidos. Onde as relações entre os gestos e as formas são pragmáticas. Zilio não tenta melhorar algo insatisfatório, mas encontrar um símbolo que desaparece.

Há muito, as pinturas de Zilio são desprovidas de cor. Nos trabalhos das últimas décadas, o artista reduz a qualidade expressiva dos pigmentos e os trata não como cor, mas como massa. A pintura é gestual, mas o gesto que mexe sobre essa substância não é de espontaneidade, mas de reiteração, repetição. Algo que consegue repetir um código, mesmo que tropece deliciosamente nas falhas da mão. Mas se tratava de um vocabulário controlado, que a cada gesto sabíamos o que o artista fazia.

Em trabalhos anteriores, o artista reiterava gestos circulares. Pintava formas muito parecidas umas com as outras. Parecidas, mas não idênticas. Esses contornos se cruzavam e formavam uma trama confusa de formas. Assim,mesmo quando o esquema, a estrutura, parecia falhar, isso era simulado.

 

Carlos Zilio (2009 - 10)

Aqui, algo parece realmente escapar de técnica tão consciente. O artista retoma uma forma que sua obra havia deixado nos anos oitenta: o tamanduá. Telas sombrias, brancas ou pretas, parecem procurar nessa ausência ou excesso de luz um fantasma. Uma aparição, que surge como um borrão na tinta.  Aquele trabalho da pintura, visto como uma labuta codificada, reiterada, cotidiana, sempre conseguia construir algum sentido. Agora a codificação dos gestos da pintura, não consegue construir padrões. Tal como o sonho da razão de Goya, a técnica não encontra a figura codificada, mas produz monstros. Monstros pré-históricos.

Informações:

exposições novembro 2010
Carlos Zilio
Célia Euvaldo
Kika Nicolela
Fernanda Chieco
Luiza Baldan

abertura 11 de novembro, 20h
visitação até 16 de janeiro de 2011
terça a sexta, 10 às 21h
sábados, domingos e feriados, 10 às 18h

informações 11 3123 5201
visitas monitoradas agendamento 11 3123 5210

Rua Maria Antonia, 258 e 294, Vila Buarque, São Paulo


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