Pré-sal e desenvolvimento em 13 pontos rápidos, algumas figuras eloquentes e um filminho de encher nós brasileiros de orgulho, por Demétrio Toledo

 

Lula mandando seu recado: mais quatro anos de avanços econômicos e sociais com Dilma e aliados!

 

Mais uma vez o Demétrio faz com que este blog se torne melhor. Agora explica e desfaz algumas bobagens difundidas sobre o pré-sal. Assim que descobriram os recursos na profundidade, começaram a falar sobre a sorte do presidente Lula, como se as riquezas houvessem sido descobertas espontaneamente. O Demétrio desfez a bobagem nos debates acadêmicos, políticos e nas mesas de botequim. Disse que sem um ativismo científico do estado, típico do governo Lula, a fonte nunca teria sido descoberta. Desde então, a cada notícia publicada, checo com o representante do Guaciara em Massachussets. O texto, os links, as imagens e as legendas são do Demétrio. O cabra já virou blogueiro. RA!

  • O pré-sal, para todos os efeitos, ainda não existe. Ele precisará ser “criado” por meio de tecnologias e processos capazes de recuperar quantidades assombrosas de petróleo e gás nas condições mais adversas de exploração já enfrentadas desde as gigantescas descobertas no Mar do Norte na década de 1960.



  • A riqueza do pré-sal, essa então não apenas ainda não existe como pode nunca realizar todo o seu potencial. Maior ainda do que os desafios de desenvolver as tecnologias e processos de exploração e recuperação do petróleo e gás do pré-sal são os desafios políticos, econômicos e sociais de transformar essa riqueza potencial em motor do desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista.
  • O primeiro desafio, o desenvolvimento tecnológico e científico aplicado à exploração, beneficiamento e comercialização das riquezas do pré-sal, a Petrobrás já demonstrou que podemos vencer, como, aliás, vencemos, sob condições relativamente parecidas de dificuldades tecnológicas e produtivas, quando das descobertas das reservas nos campos de Albacora e Marlim na Bacia de Santos, na década de 1980. Enfrentar e vencer esses desafios colocou a Petrobrás na condição de líder mundial em exploração petrolífera em águas profundas.

  • O segundo desafio, transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento nacional econômico e justo, distributivo e progressista é muito mais difícil.  As dificuldades podem assumir duas ordens: a maldição dos recursos naturais e a doença holandesa. A maldição da abundância de recursos naturais refere-se à correlação negativa entre crescimento econômico e abundância de recursos naturais: quanto mais abundantes os recursos naturais, menor o crescimento econômico. A doença holandesa é mais específica, pois identifica um tipo de recurso natural (petróleo e gás) e o mecanismo causal que gera um crescimento econômico mais modesto e de menor qualidade, além de tratar de um caso histórico específico, os efeitos deletérios das descobertas de reservas petrolíferas no Mar do Norte sobre a economia holandesa. O argumento é o seguinte: a maior rentabilidade do setor de exploração do petróleo e gás, combinada aos efeitos da apreciação cambial causada pelo enxurrada de divisas externas que afluirão ao país, resultará em um movimento de fatores (capital e trabalho) dos setores manufatureiros para o setor de exploração dos recursos naturais e de serviços, diminuindo a competitividade do setor industrial exportador, deixando  no lugar uma economia especializada na extração e comercialização de recursos naturais que cedo ou tarde se esgotarão.
  • A descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte na década de 1960 oferece um raríssimo exemplo de quase-experimento nas ciências sociais: duas economias bastante parecidas – a holandesa e a norueguesa; o mesmo evento exógeno – descobertas de petróleo e gás no Mar do Norte – na mesma época – década de 1960; mas resultados muito diferentes a médio e longo prazo, com a Noruega desenvolvendo uma das sociedades mais justas e desenvolvidas do mundo , superando suas irmãs escandinavas Suécia e Dinamarca, e a Holanda emprestando seu nome a uma “doença”, feito, convenhamos, de pouco ou nenhum mérito. A figura abaixo mostra a Noruega tirando a distância dos outros dois países escandinavos, Suécia e Dinamarca, em termos de PIB per capita (Produto Interno Bruto=Gross Domestic Product), de um ridículo terceiro e último lugar até a década de 1960 até a inquestionável dianteira:

  • Como explicar resultados tão diferentes? A Noruega, ao contrário da Holanda, adotou uma abordagem que tratava a enorme riqueza a que a sociedade norueguesa teria acesso nas décadas seguintes como uma oportunidade cheia de perigos e desafios. Trataram logo de garantir que  80% da riqueza gerada pelo petróleo e gás da plataforma continental norueguesa seria propriedade da nação; ampliaram e desenvolveram a companhia estatal norueguesa de petróleo (StatOil), dando a ela primazia na exploração e desenvolvimento do setor de petróleo e gás na Noruega; deram às companhias internacionais papel secundário e auxuliar no setor petrolífero norueguês, valendo-se das parcerias para garantir transferência de conhecimento das multinacionais para as empresas norueguesas – em um processo conhecido como capacidade adaptativa, em que um país consegue se apropriar de conhecimentos de fontes externas e aplicá-los para o desenvolvimento do país; desenvolveram o setor de subsea norueguês, dedicado a tudo que diz respeito à exploração subaquática, de risers – basicamente, tubos e conexões que, como sabemos, podem ser um baita mico nas mãos erradas – até robótica e computação aplicadas à exploração de petróleo e gás – hoje em dia a norueguesa Aker Kværner é uma das maiores e mais importantes companhias do setor de subsea do mundo, setor altamente intensivo em capital e tecnologia e presente no mundo inteiro, isto é, em todo lugar onde existam desafios tecnológicos para a extração do petróleo, logo, em que os custos envolvidos, portanto os lucros potenciais, são grandes; e a criação de um fundo soberano para reter e aplicar os dividendos do setor de petróleo e gás, evitando com isso a sobrevalorização cambial e as consequências da doença holandesa e a maldição que recai sobre quase todos os países ricos em recursos naturais mas pobres em futuro.
  • O pré-sal como fronteira tecnológica da exploração do petróleo é brasileiro, é nosso, foi feito por pessoas como você e eu que têm se dedicado a fazer do nosso país um lugar melhor para todos nós. O pré-sal como fenômeno geológico é muito provavelmente mundial, isto é, as condições geológicas de presença de petróleo nas camadas de pré-sal mundo afora são muito favoráveis e existem seguramente na costa ocidental da África (países como Nigéria e Angola já exploram petróleo e gás em suas plataformas marítimas) e possivelmente no Japão, no Golfo do México e no Mar Cáspio. O país que dominar as tecnologias de exploração dessa fronteira tecnológica terá uma vantagem competitiva de pelo menos duas décadas (o tempo que levou para o Brasil desenvolver a tecnologia capaz de extrair petróleo e gás do pré-sal) em relação aos demais – e no momento esse país é o Brasil.
  • Os desafios políticos, econômicos e sociais exigem muita atenção e sentido de futuro e de nação. Como mostram as histórias de inúmeros países ricos em recursos naturais – aqueles afetados pela maldição da abundância de recursos naturais – só isso não basta, é necessário saber o que fazer com tanta riqueza.
  • O Brasil precisa evitar a todo custo a tentação de gastar as riquezas do pré-sal em atividades e ações imediatas e com alto retorno político imediato mas baixo retorno no médio e longo prazo. Para isso, é preciso que o Brasil direcione a riqueza gerada pelo pré-sal para:
  1. Investir em educação em todos os níveis, de modo a qualificar a mão de obra não apenas do setor de petróleo mas de todos os outros setores da economia brasileira, mas sobretudo como forma de ampliar as condições mínimas de uma cidadania plena;
  2. Investir em inovação em todos os setores da economia brasileira, de modo a desenvolver no Brasil um tecido produtivo intensivo em conhecimento e competitivo internacionalmente;
  3. Garantir em alto grau o retorno das riquezas do pré-sal à sociedade brasileira, tanto no investimento dos recursos em políticas públicas de educação, inovação, ciência e tecnologia como na constituição de empresas brasileiras capazes de competir internacionalmente e gerar para o país empregos e dividendos que possam ser, via tributação, redistribuídos, reduzindo as tremendas desigualdades e injutiças que ainda existem no Brasil.
  • Mas pré-sal não é apenas e nem mesmo principalmente extrair petróleo e gás do fundo do mar de modo responsável e fazer com que isso se se reverta em um desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista. Como a experiência da Noruega nos mostra, para extrairmos todos os benefícios do pré-sal e evitarmos as armadilhas e roubadas que podem vir junto, uma geração inteira terá que se empenhar no esforço coletivo para aplicar da melhor maneira possível essa enorme riqueza. Nós precisaremos nos dedicar de corpo e alma à tarefa de compreender quais os impactos dessas descobertas sobre a fauna e flora marinhas, a chamada Amazônia Azul; as profundas alterações sociais e urbanísticas que afetarão os municípios e estados mais beneficiados com os royalties do pré-sal; os movimentos demográficos, a reconfiguração do mercado de trabalho e seus impactos sobre os ambientes urbanos que tenderão a crescer naquelas áreas; os desafios ambientais envolvidos na utilização intensiva de recuros energéticos de fontes fósseis; o que fazer para não perdermos a liderança no desenvolvimento e produção de biocombustíveis; e quais as políticas sociais mais adequadas para redistribuir toda essa riqueza sem com isso colocar em risco nosso futuro, uma vez que cedo ou tarde toda essa riqueza irá acabar e teremos que ter algo para colocar no lugar. Nossa geração e a de nossos filhos serão beneficiárias dessas riquezas, mas precisamos fazer com que nossos netos e bisnetos, assim como todos os brasileiros que vieram antes nós e sofreram a tragédia de um país injusto, racista e desigual, sejam contemplados com um país melhor.
  • É preciso lembrar, por último, que as forças reacionárias da sociedade brasileira encarnadas na candidatura de José Serra e sua aliança neo-udenista com a escória mais baixa da ditadura, o PFL, prometem fazer, no que toca ao pré-sal, mas não apenas a isso, o contrário de tudo que a experiência histórica de países que se desenvolveram com qualidade recomenda.  O mesmo partido que buscou sem sucesso privatizar a Petrobrás ameaça, segundo declarações de David Zilberstajn, assessor para assuntos energéticos de Serra: acabar com a necessidade de participação da Petrobrás na operação das áreas licitadas de modo a abrir caminho para as multinacionais do petróleo e gás, entregando de mão beijada a riqueza nacional para o capital estrangeiro à moda do que se fazia à época da colônia, e depois no império e por boa parte da história da república. Nós, nossos filhos e nossos netos pagaremos caro por isso se não agirmos a tempo e decididamente. E o momento é já!
  • Este filminho é aquele que nos enche de orgulho e nos informa mais sobre o pré-sal:

35 comentários sobre “Pré-sal e desenvolvimento em 13 pontos rápidos, algumas figuras eloquentes e um filminho de encher nós brasileiros de orgulho, por Demétrio Toledo

  1. Muito bom mesmo, o texto!
    O que me preocupa, e como urbanista não poderia deixar de ser, é exatamente esse trecho: “as profundas alterações sociais e urbanísticas que afetarão os municípios e estados mais beneficiados com os royalties do pré-sal; os movimentos demográficos, a reconfiguração do mercado de trabalho e seus impactos sobre os ambientes urbanos que tenderão a crescer naquelas áreas”.
    Acho que a chance de acabarmos com a mata atlântica, por um processo incontrolável de urbanização “precária e predatória” (para usar as palavras de Grostein) é gigantesco e não está sendo devidamente avaliado! Penso que esse risco é maior que aquele da exploração do pré-sal!
    Politicamente, barrar esses impactos é ainda mais complicado pela sobreposição entre os diversos entes federativos envolvidos, União, Estados e, principalmente, municípios!
    Na Baixada Santista os preços dos imóveis já subiram, imaginem! Olho lá pra baixo (pois estou aqui no Planalto) e só vejo um futuro de gentrificação…
    Por essas e outras a “carta de intenções” na exploração do pré-sal deve ser muito, mais muito, detalhada e o controle social deve pautar todas as suas etapas! Né?

  2. Oi Luciana,
    Você tem toda razão, o desafio é justamente esse: como impedir que algo que pode ser bom não vire uma tragédia urbana, ambiental e social. Os riscos disso acontecer são grandes, muito grandes mesmo. Quem viaja pela Zona da Mata nordestina fica se se perguntando “ué, cadê a tal da mata, só vejo canavial…”; é o resultado de 400 anos de exploração predatória de recursos naturais.
    Por isso o meu chamamento para que nossa geração se debruce sobre essas questões, pois só assim as riquezas do pré-sal serão ambiental, urbana e socialmente sustentáveis.
    Eu, por exemplo, estou no ponto de definir meu objeto específico de pesquisa no doutorado – o tema geral é inovação, ciência e tecnologia para o desenvolvimento; decidi que o pré-sal precisa ser muito bem pensado, não apenas seus prós mas sobretudo seus contras, que nós vimos que são muitos – doença holandesa, maldição dos recursos naturais, degradação ambiental, social e urbana. Esse é um tema fundamental para os urbanistas que vai dar muito pano pra manga. Vale a pena estudar isso. Fica o convite.
    Abs,
    D.

  3. Aliás, Demétrio, não sei se é o caso, mas vc poderia explorar um pouco melhor essa tal de “maldição dos recursos naturais”. Você conhece aqueles indicadores desenvolvidos na Universidade de Columbia, o ESI e o EPI, mas principalmente o ESI.
    Queria entender melhor porque, quando li, imediatamente me remeteu àquela idéia chave da “sustentabilidade fraca” (do Solow & Stiglitz): capital natural+capital produzido+capital humano (social, cultural)=capital agregado, sendo que o que importa é o compto geral. Por essa idéia não haveria problema na degradação de determinados recursos contanto que outros estejam melhorando.
    Essa é a armadilha do progresso monofacetado a que eu me referi no post anterior (sobre a Marina). Se formos olhar a maioria dos países “desenvolvidos” possui pouco capital natural, que já transformou em capital cultural ou construído. Transformou capital natural sobretudo em PIB, mas também em educação e cultura.
    Para os adeptos da “sustentabilidade forte”, não basta, não há substituição completa entre esses itens e o capital natural precisa se manter.
    Nesse sentido esses novos indicadores colocam em cheque o ranking de países frente a uma nova idéia de desenvolvimento e portanto à idéia de maldição…

  4. Olha, que de repente esse é mesmo um bom tema prum pós-doc, viu? “Impactos socioambientais e urbanos da metaexploração pré-sal no litoral paulista”…
    A Prime fez uma Avaliação Ambiental Integrada para o pré-sal mais porto mais ampliação da tamoios no litoral norte. Achei o resultado bom demais pra ser verdade, mas quemé que vai ouvir uma técnica chata falando de favelas em áreas frágeis?
    Se estiver disponível, coisa que duvido, posto aqui!

  5. Essas preocupações são importantes, evidentemente. Mas,se não formos nós, brasileiros, a tirar essa riqueza do pré-sal, ela sairá de lá de qquer maneira e com duplo prejuizo: 1º) ficaremos sem o petróleo e o gás e o dinheiro q eles geram; 2º) o meio-ambiente será devastado sem dó nem piedade. Depois do episódio do Golfo do México, alguém tem ilusão de q multinacionais petroleiras tem alguma preocupação ambiental?
    Antes na nossa mão, do que na do David Zylberstein.

  6. Excelente texto, esclareceu algumas dúvidas que tinha a respeito do pré-sal.
    Contudo, tem um ponto importante que quase nunca se menciona quando se fala de pré-sal: se a gente quiser evitar o aumento do efeito estufa global, precisamos passar para uma economia baseada em tecnologias e infraestrutura indenpendentes de combustíveis fósseis.
    O dinheiro investido no pré-sal não seria melhor aproveitado se aplicado no desenvolvimento de fontes de energia solar e eólica?
    P.S. : Meu voto é Dilma, ok?

  7. Muito bom texto, parabéns Demétrio. Também gostaria de saber a opinião dos colegas sobre essa discussão sobre mudança de matriz energética, tal com o Igor levantou… A Noruega poderia nos dar uma pista…

  8. Oi Luciana,
    Não conheço esses indicadores, obrigado pela referência, vou dar uma olhada. Um problema que sempre afeta indicadores agregados é que eles acabam apagando os detalhes do que eles deveriam analisar. Pensemos no IDH, que junta indicadores de renda, longevidade e escolaridade. No resultado final, o IDH, não conseguimos saber se a escolaridade está melhor ou pior do que a longevidade ou se o problema é a renda… Para saber isso, é preciso “abrir” o indicador e ver como cada uma das variáveis que o compõem se comporta. Indicadores compostos são muito bons para chamar atenção para problemas, aumentar a “public awareness” para, por exemplo, as limitações de indicadores de desenvolvimento que só usam variáveis de renda e chamar a atenção para o fato de que o desenvolvimento pleno, sustentável, é composto por outras dimensões. Para desenhar políticas públicas, no entanto, indicadores compostos não ajudam, é preciso poder analisar os fenômenos em níveis mais detalhados e menos agregados. Se quisermos uma soma geral, portanto, e fato não faz diferença o que piora ou melhora, se é a educação ou a renda que melhoraram ou pioraram, tanto faz se o indicador final não muda, para ficarmos no exemplo do IDH. Mas dependendo do caminho que escolhermos,
    melhorar em 0,2 a educação não é igual a melhorar 0,2 pontos a renda, por mais que, feitas as contas, o indicador final não mude. Uma matriz energética limpa é melhor do que uma suja, por mais que elas possam produzir a mesma quantidade de energia. O problema, ou melhor, a solução, é política: por onde vamos? O que escolheremos? Daí nçao tem indicador ou modelo econômico que resolva o problema.
    Dá um belo pós-doc, de fato. Conhece o programa de pós-doc do Centro de Estudos da Metrópole? Acho que eles podem se interessar por uma pesquisa assim. Se te apetecer, mande um email pra mim que te dou mais indicações.
    Abs,
    D.

  9. Eugênio disse tudo o que eu queria dizer de modo muito mais econômico, assino embaixo.

  10. Oi Igor,
    Pis é, a pergunta é muito boa. Até onde sei, energia eólica e solar ainda são fontes muito caras, e o pré-sal está lá, dando sopa, por assim dizer…
    Sabe qual o grande risco, em relação a uma matriz energética mais limpa, no entanto? Deixarmos pra lá os biocpmbustíveis. Meu medo é que a abundância de petróleo e gás coloquem em segundo plano os biocombustíveis, uma história de sucesso. Aliás, sabia que exploração petrolífera em águas produnfas e o biocombustível brasileiro são irmãos? Nasceram da necessidade de alcançarmos a independência energética durante a primeira crise do petróleo.
    Abs,
    D.
    P.S. Também voto Dilma!

  11. Luciana e demais leitores,
    Esqueci de dizer, as evidências empíricas sobre a maldição da abundância dos recursos naturais são fracas (problemas de correlação espúria das variáveis, indefinição da direção causal dos fatores, casos pouco reprentativos, entre outros). O valor da ideia é que ela é contraintuitiva, ou seja, ao contrário do que o senso comum sugeriria, uma galinha dos ovos de ouro também faz sujeira…

  12. Aoba pessoal, debate pra lá de interessante. Sobre o pre-sal, não tenho dúvidas sobre a importância da coisa no que diz respeito a capacitação técnica de toda uma GERAÇÃO. Uma coisa que tem que ser levada em conta é a possibilidade que o petróleo tem de ser transformado em coisas outras que não só energia (o que representa um mundão sem fim de possibilidades de emprego e estudos).
    Uma das coisas que poderiam vir desse fundo soberano (se é que já não existe) é a obrigação de viabilizar outras fontes de energia de implantação mais cara. Sempre imaginei uma Mantiqueira com plantações de catavento (abraço Pedroca)…

  13. Muito obrigado a todos. Eu estava angustiado, buscando informações mais claras e objetivas sobre o assunto, e perdido no meio desta “Babel” de opiniões vagas e comprometidas.
    Acabo de compartilhar com minha rede de amigos.

  14. Olá, pessoal!
    Obrigada, Cearax!
    Então, Demétrio, exatamente sobre essas evidências empíricas da maldição dos recursos naturais que eu estava falando, na verdade tentando entender!!
    Concordo totalmente com você sobre os problemas dos indicadores sintéticos, o Esi tem desses problemas também!
    A questão é que o IDH, por exemplo, somente mede os atributos relacionados ao capital humano e produzido, né? Foi super importante, mas já é insuficiente até para medir desenvolvimento, não é a toa que o PNUD já criou um monte de outros indicadores que vão junto lá no Relatório de Desenvolvimento Humano, né? Todos eles relacionados aos mesmos capitais.
    Tem um livro bacana que trata dos vários indicadores criados pós IDH, “Os novos indicadores de riqueza” de Jean Gadrey & Florence Jany-Catrice. Vários deles incorporam os recursos naturais.
    Se formos lá pra trás, na história, a existência de recursos naturais foi um fator predominante para que o berço da Revolução Industrial se desse na Inglaterra, não? Carvão mineral e água em abundância!
    Queria ver um gráfico com perda histórica de recursos naturais, para comparar com o crescimento histórico do PIB das Nações (porque do IDH é muito novo), posso apostar que eles são geometricamente opostos!

    Mas avançando um pouco, como é que está sendo pensado esse controle social? Há um “protocolo de exploração do pré-sal”? Qual é o caminho institucional para garantir que os recursos obtidos serão usados para, como disseram o Igor e a Alexandra (ponto repisado pela Marina), a mudança da matriz energética (não a nuclear, tá Tiago! rs!) e o ganho de capital humano, principalmente?

  15. Oi Luciana,
    Também queria ver esses indicadores aplicados à Inglaterra! E queria ver o gráfico de perda de recursoso naturais nos primórdios da industrialização, deve ser muito interessante. A revolução industrial teve também ouro inglês na parada, via Portugal. É o que Marx chamou de acumulação primiriva de capital, em geral baseada em guerras, roubos e extração predatória de recursos naturais.
    Vou procurar esse livro sobrre os novos indicadores de riqueza, parece muito interessante.
    Também vou mandar pro Tiago um monte de artigos que levantei sobre maldição dos recursos naturais e doença holandesa para o meu doutorado para cada um poder tirar suas próprias conclusões.
    Um jeito de garantir maior controle social é votar na Dilma… e mais um monte de coisas que precisaremos fazer, como por exemplo entender direitinho isso tudo. Pense com carinho na ideia de um pós-doc. O CEM pode ser muito legal se a ênfase for em estudos urbanos. O Observatório da Inovação do IEA-USP também aceita pós-docs que trabalhem com temas ligados a desenvolvimento e inovação.O que me diz?
    Por último, que tal você colocar tudo isso num texto pro blog? Acho que vale a pena.
    Abs,
    D.

  16. Mais uma dívida com o Guaciara!

    Demétrio, tenho interesse no CEM, sim, pedi teu email pro Lauro, mas o Tiago tb pode me passar, hein? Na verdade fui pesquisadora do LUME durante 8 anos, nos cinco primeiros éramos do CEM, depois nos separamos, mas eu continuei interessada nos rumos do Centro, sim, muito! Você foi/é pesquisador do CEM/Cebrap? Do Cebrap?

    Eu logicamente votarei na Dilma, como já fiz no primeiro turno para tentar evitar um segundo, mas fico pensando se isso garante a participação e o controle social no que concerne à geração de energia. Uma das minhas principais críticas ao governo é exatamente nesse ponto, sobre o processo de aprovação de Belo Monte, que foi qq coisa menos participativo e avaliado do ponto de vista ambiental e social… e vc mesmo falou sobre o abandono, ou semi, do projeto de biodiesel…

    Aliás, nesse ponto específico vi uns dados alarmantes sobre a produção de dendê e o desmatamento, na Anppas semana passada. Produção de dendê não somente pra biodiesel mas também porque é o principal óleo de substituição da gordura trans na indústria alimentícia… é uma loucura, né? Às vezes olho e não vejo mesmo futuro pra nossa espécie com o andar da carruagem…

  17. Ok, ok, mas a pegada ecológica média da Noruega é quase 6 hag/hab., sendo que 2 desses relacionados às emissões de CO2. A disponibilidade média mundial de hag/hab (hectares globais/habitante) é 1,8, para todos os usos…
    http://www.footprintnetwork.org/press/LPR2010.pdf
    Então estamos, novamente falando em transformação de capital natural em produzido e humano, muito mais do que em redução de consumo!!
    A biocapacidade norueguesa é alta, mas ainda assim eles estão em déficit!

  18. Ceará,
    Não faço a menor ideia! Obrigado pelas informações. O melhor de publicar as coisas é aprender junto com os leitores.
    Abs,
    D.

  19. Pelo nível das discussões no Congresso, dá pra ver mesmo que o PT está preocupado em dar uma destinação diferente, mais nobre e equilibrada para o dinheiro do pré-sal. Me engana que eu gosto! O PT tá preocupado é em esconder os gastos com as obras da COPA mais do que com qq outra coisa… E cada dia é uma nova denúncia nesse governo.

  20. zzzzzzzzzz

    Adoro os indignados anti-petistas. Os aiatolás khomeini anti-Lula. Pra eles tá tudo certo, basta pronunciar duas letras.

    “Pelo nível das discussões no Congresso, dá pra ver mesmo que o PT ”

    Congresso Nacional
    PT – 27% da bancada

    “E cada dia é uma nova denúncia nesse governo.”

    Todas apuradas com os nomes afastados. O que mais precisa? O resto é trabalho de outro poder, o judiciário.

  21. eu achop que vou virar gay e “converter” o Dema só pra casar com ele! Uma linda união tricolor!

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