Carta aberta à ombudsman da Folha de S. Paulo, por Demétrio Toledo

Numa boa, o Demétrio Toledo já é um grande intelectual brasileiro, com o substantivo e o adjetivo. Tenho orgulho de dizer isso porque ele é um dos grandes irmãos que eu ganhei na faculdade. E reforço o adjetivo. Outro dia vi uma entrevista com a Conceição Tavares em que perguntavam a opinião dela sobre a presença de dois candidatos desenvolvimentistas na eleição pra presidente. Sua resposta foi precisa, dizia mais ou menos que o repórter estava certo ao afirmar que Dilma e Serra eram desenvolvimentistas, mas só uma era nacional. É isso que eu quis dizer do Demétrio.

Ele é novo, mas atento aos problemas da vida. Trabalha questões para que a vida de todos nós seja melhor. Está mais preocupado em desfazer nós da vida contemporânea do que se colocar em uma posição de superioridade. Além disso, foi o primeiro a insistir entre nós no debate da inovação como saída para o Brasil no comércio internacional.

Ontem ele me enviou uma carta encaminhada à ombudsman da Folha. Era tão precisa e tão reveladora que pedi para publicar no blog. Acho importante, os apoiadores da candidatura do PT acalmarmos, nos atentarmos às conquistas dessa eleição e responder a ignomínia com honradez e rapidez. O texto do Demétrio é exemplar nesse sentido:

 

Barbara Kruger

 

 


Cara Suzana Singer,

Que a Folha de São Paulo tenha um candidato de sua preferência acho não apenas natural como saudável. Não creio, no entanto, que o jornal, em nome do projeto político de sua preferência, deva se abster de pensar e cumprir o papel maior da imprensa: servir ao público.

Sou leitor do jornal desde quando minha família voltou do exterior, em 1986 – eu tinha 9 anos e sei que devo muito a um veículo de comunicação que, na hora do vamos, ver nunca refugou. Sempre vi nessa Folha um espaço para opiniões avançadas, progressistas e democráticas, um espaço, enfim, para o dissenso, para a defesa de opiniões que destoam do conservadorismo tão disseminado no Brasil e encarnado, por exemplo, no Estado de São Paulo.

Eis agora que o candidato José Serra ameaça fazer o país voltar à idade das trevas com sua criminosa “discussão” sobre o aborto. Então me pergunto: qual é a opinião dessa Folha sobre o assunto? O que pensam os editores e editoras, jornalistas e demais funcionários da empresa? Recuso-me a acreditar que o jornal tenha entre suas convicções a mesma posição que o candidato José Serra está assumindo e na qual ele tem mergulhado o debate eleitoral de forma irresponsável e nociva à democracia. Serra enveredou por uma discussão reacionária e que em tudo agride e afronta o bem público – logo ele, que estampa em seu currículo a passagem pelo Ministério da Saúde, logo ele, que já se quis “moderno” e “bem pensante”. Fico me perguntando, por exemplo, o que a Dra. Elza Berquó, uma das maiores autoridades em saúde reprodutiva e direitos das mulheres do mundo, fundadora e até hoje figura das mais estimadas e admiradas de uma instituição pela qual Serra, eu e muitos outros intelectuais e pesquisadores passamos, anda pensando de seu creio que agora ex-colega e de sua imunda campanha reacionária.

A Folha de São Paulo tem agora uma excelente oportunidade para mostrar que o apoio a um candidato não é feito à custa do respeito aos princípios pelos quais o jornal tanto preza e que leva leitores como eu, eleitor da Dilma, a apelar a esses mesmos princípios, certo de que, diferenças partidárias à parte, há algo que nos une: ética, modernidade, respeito pela democracia e recusa ao apequenamento do Brasil.

Essa Folha daria uma inestimável contribuição ao debate não apenas político e eleitoral, mas democrático, se explicitasse em editorial sua posição a respeito de temas como religião e aborto e sua utilização na política e mais especificamente o recurso a esses temas pelo candidato José Serra. Tenho certeza de que assino embaixo da opinião dessa Folha a respeito disso, e certeza de que o momento exige uma defesa explícita da democracia e do bem público na forma de um posicionamento claro e corajoso desse jornal, na esperança de que os progressistas que apoiam Serra consigam demovê-lo dessa tentativa – que tudo indica possa ser um dos únicos sucessos do candidato em sua triste e solitária  campanha – de destruir sua própria biografia e de atrasar o Brasil.

Parabéns pelo seu excelente trabalho,
Demétrio Toledo.

19 comentários sobre “Carta aberta à ombudsman da Folha de S. Paulo, por Demétrio Toledo

  1. olha,to de saco cheio de tanto dar a outra face. E so o Serra batendo e a Dilma apanhando. Ninguém fala de enchente, de pedagio,de escandalo das ambulancias, a campanha nao cobra ele por nada. Que merda é esta?sera que nao da pra ver que a Dilma ta caindo?que a estretegia nao tá dando certo?vamos entregar a eleição mais ganha até hoje terminando nas cordas levando sopapo na cara?puta que pariu.Que planeta que esse povo tá vivendo?

  2. O mote da campanha é que o Serra é mentiroso, quer enganar todo mundo. E mente por que não tem o que apresentar. Quer desviar a discussão, mudar de assunto. É só mentira e demagogia, não tem nada pra apresentar. Aliás, só pensa no título de presidente, não é uma adminstradora como a Dilma que se candidatou por dever cívico. é o cascateiro da idade média. Quem tem feito um belo trabalho nesse sentido é o http://namarianews.blogspot.com/
    Mais: http://bit.ly/dfVhEB
    Penso em distribuir panfletos no ônibus durante a semana. Imprimir alguns e pegar condução umas seis e meia

  3. Agora é o momento de fazer a diferença! Vamos virar votos, tanto de marineiros quanto de pessoas sensíveis aos temas do enfrentamento da pobrez e da desigualdade e favoráveis ao desenvolvimento econômico que por uma ou outra razão votaram no Serra no primeiro turno!

  4. Rodrigo tá certíssimo, vamos pra cima, vamos defender o governo e o Brasil que ajudamos a construir!

  5. Quase tanto quanto a história do aborto, me irrita tremendamente essa história de “contradição”. A dona já disse mais de 10000 vezes que é contra o aborto, mas a favor de sua descriminalização e TODOS os jornais repetem que ela muda de opinião para agradar os eleitores. É Goebbels descarado, para evitar que Serra perca os poucos eleitores ilustrados que ainda tem.

  6. A campanha está errada no 2º turno. Todos que já decidiram votar na Dilma é pq está a favor do governo Lula, sabe que foi um bom governo, melhor que o do FHC, não precisa mais bater tanto nessa tecla. O que tem que fazer agora é mostrar porque não se deve votar no Serra, quais os perigos em votar nele, que ele vendeu por muito pouco o Brasil etc. Estão errando no enfoque e corre-se sério risco se continuar assim.

  7. olha, dizem que candidato que ataca cai nas pesquisas. Nao sei. Sei que a Dilma fez hoje o que tinha que fazer. Politizou o debate, chamou o homem na chincha nas suas incoerencias e calunias. Eu to orgulhoso dela por isto. Nao foi desabafo, nao foi desespero. Foi uma desconstrução metódica de uma campanha suja, hipocrita e mentirosa.

  8. Fiquei muito, mas muito feliz com a Dilma hoje. Acho que vai mobilizar a militância e colocar a tucanada pra se explicar. Porrada neles!

  9. Infelizmente, não achei que ela fez um bom debate. Não insistiu no dinheiro que sumiu na campanha do Serra, ficou nervosa muitas vezes e não soube conduzir bem o debate.

  10. Acho que ela foi bem. Mudou a pauta da discussão, tirou a história de aborto do colo dela, firmou uma ótima posição sobre o assunto, deu pau na conversa de spam e ainda atingiu a mulher do serra duas vezes.
    Fora que colocou a pecha de mentiroso no Serra. Usou as promessas de permanecer na prefeitura, a mudança em relação a políticas públicas, lembrou o caos na segurança pública.
    Não sei o que pensam os grupos focais, até agora parece que a resposta foi boa. O debate vai ser ótimo para ser editado na tevê e para colocar essas questões no programa eleitoral. Achei ela firme, não a achei nervosa

  11. nervoso Tava o Serra que uma hora perdeu até o prumo do que tinha que perguntar. Ela começou hesitante mas depois transmitiu firmeza,autoridade es egurança>Pra mim foi o melhor momento dela na campanha.

  12. Acho que ela foi muito mal no início, na hora do aborto. Me deu vontade de sair correndo, gritando, pela casa (não me foda, Dilma!), pelado, fazer nudismo na rua, me masturbar em público. Mas depois, como sempre, Dilma se recuperou e mandou bala no Serra. Acabou sendo o melhor debate dela, mas, na próxima vez, ela deveria começar melhor. Aquela tensão é foda.

  13. Eu acho que ela começou bem. Falou dos ataques que vem sofrendo, deu argu,ntos pros militantes rebaterem a bobajada. O debate não tem nem 4% de audiência, é pra fornecer argumentos e pra colocar na televisão. O Serra não defendeu a mulher, não respondeu sobre o Paulo Preto, Ricardo Sérgio, Zyberstein. Ela ainda falou dos compromissos quebrados pelo Serra na sua trajetória. Foi bom

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