Lições da campanha Mesquita 1399

Mesquita, João Mauro e a militância

Na sexta, segui para Pouso Alegre assim que pude. Era chegar lá e ajudar o meu pai, candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores. Depois de muitos anos distante da vida eleitoral, ele voltou a ser candidato. Pretendia recompor o PT local, levá-lo um tiquinho mais para a esquerda e tentar criar uma plataforma progressista para o sul de Minas Gerais.

Meu pai milita no PT desde que sou criança. Antes, foi aluno e continuador do movimento sanitarista. Um daqueles que foi para o interior trabalhar com saúde pública, trabalhar no processo de democratização e conhecer a vida de pessoas de longe de Belo Horizonte. No interior ele se aproximou da vida popular no que ela tem de mais feliz: sua música, festas, botecos, lutas.

Faz muito tempo que a cidade não tem um deputado federal e ninguém que a represente. Aliás, nunca teve um representante popular: engajado em um projeto de distribuição de renda, ampliação dos direitos civis e sociais e, mais que tudo, que se portasse como um representante da região. Os parlamentares até então se portaram como homens pré-civilizados, proprietários de um cargo que troca favores com o eleitor. O meu pai buscava romper essa cadeia e levar as peculiaridades do sul de Minas para o congresso.

Mas, no fim, não vencemos. É um pouco sobre essa impossibilidade de um projeto progressista pegar na minha cidade natal que pretendo escrever aqui.

Nunca vi equipe tão boa a trabalhar com o PT pousoalegrense como a deste ano. O meu pai já foi candidato a vereador e vice-prefeito; trabalhou como secretário da saúde e foi presidente do Partido dos Trabalhadores mais de uma vez na cidade. Ainda trabalhou em programas de saúde e desenvolveu programas de pesquisa universitária, mas dessa vez o pessoal que o apoiou se jogou de corpo e alma na campanha.

É importante lembrar, embora o partido governe a cidade (com um prefeito que não paga contribuição partidária e apoiou uma candidata a deputada estadual do PV), ninguém do governo e da máquina estatal esteve do lado do Mesquita. Quem o apoiou foram os militantes da base. Aliás, só um dos três vereadores esteve do seu lado. Mais que isso, a prefeitura esteve do lado da candidatura de um dos deputados com a campanha mais cara do país: Odair Cunha.

O deputado federal do PT é da longa linhagem de deputados católicos e se mostra mais católico do que de esquerda. Seu programa inclui o bizarro Estatuto do Nascituro, que criminaliza as mulheres que precisaram recorrer ao aborto. Ou seja, o fim dos tempos.

A campanha seguiu nos moldes do que foi o partido até os anos noventa: Militância pesada, gente conversando com eleitores nas ruas, reunião quase toda hora e uma  falta de grana compensada pelo esforço e solidez política e programática dos apoiadores. Eles rodaram mais de 40 cidades de um dos maiores colégios eleitorais do estado: o Sul de Minas. Apresentavam o programa em cada cidade. Escutavam as necessidades locais e tentavam mostrar como seria importante um mandato participativo para a região.

Nos poucos dias em que estive lá, vi que para fazer uma campanha de esquerda, melhor, uma campanha civilizada, é preciso de um jogo de cintura e de uma esquiva poderosa. A todo tempo aparecia gente tentando vender o seu voto. Era uma aritmética simples. Diziam que o tal sujeito do Aécio, o candidato a deputado federal mais votado na cidade, dava latões de diesel e conquistou um número xis de votos. Outros perguntavam de empregos, favores a serem realizados. Já quase sacavam o título de eleitor, ou o xerox pronto pra algum acessor picareta anotar. Mas recebiam uma negativa toda vez. Quando escutavam um não, escutavam que ele não comprava voto, diziam que ficaram muito chateados com o Mesquitão, que ele devia prestar atenção, eram, doze, quinze, vinte, cinquenta votos que ele perdia.

Com toda a paciência do mundo, aquele corpanzil relaxava os ombros e explicava, com calma e carinho, que eleição não era troca de favores, que era importante ter um representante não para conseguir vantagens, mas para fazer suas dificuldades serem escutadas, para elaborar políticas de governo. Para ter mais poder, não sujeição. Não sei quantos escutavam, mas alguns escutavam. Assim, ao invés de vender dependênca, ele oferecia poder aos eleitores.

Fazia isso sem irritação, pois foi ele que me ensinou que ninguém faz isso por mal (bem, alguns fazem), mas por uma cultura política (ou despolitizada) ainda muito arraigada no país. Onde se pensa que não é a participação cidadã que nos torna mais poderosos, mas a proximidade com o poder. É o acesso à otoridade, não a participação na elaboração de políticas públicas.

Por isso, toda vez que escuto que há censura, restrição às liberdades neste governo me assusto. Desde que o Lula assumiu, realizou-se um sem número de conferência, consultas e outros estímulos à participação. Fora os telecentros, pontos de cultura, formas de participação política modernas e novas.

Mas nada disso foi suficiente e a população de Pouso Alegre votou em massa em um candidato das velhas rodas de favor e da política tradicional. Comecei a achar as coisas estranhas durante a carreata que nós participamos. Em primeiro lugar, vi mais manifestações de apoio à Marina Silva que eu imaginei.

A garotada com quem meus amigos circulam se mostrou de uma despolitização e moralismo além da conta. Vinham com a conversa tola de que não votam em partido mas em candidato (como se o candidato fosse um astro, não o representante de um projeto) e repetiam o que existe de pior nos spams que circulam pela internet e nas mentiras produzidas pelas grandes empresas de comunicação.

Isso era de se esperar. Pouso Alegre é uma cidade da direita católica. No entanto, me assustei com a reação popular. Embora a carreata tenha sido muito bem sucedida, vi que a campanha contra a Dilma e contra o PT havia chegado aos maiores beneficiários do projeto dos últimos oito anos. Tudo relacionado a questões morais. Era o fato da Dilma apoiar o casamento gay, a descriminalização do aborto e outras bandeiras progressista. Ninguém falava de política econômica, de como deve ser a política de ciência e tecnologia, como fazer com que o ensino se universalize e ganhe em qualidade, como aumentar o salário dos professores e exigir metas educacionais. Nada disso. Era só que ela faria um governo imoral.

Acho que esse moralismo de classe média contaminou todas as classes sociais e hoje o Brasil fala sobre política sem mencionar o seu nome. O que precisa ser feito no país não é discutido. Os projetos de país que a Dilma, ao contrário do que a Veja diz, apresentou sim, não são conversados. A idéia de se reduzir a carga de quem investe em inovação, da criação de uma agência de inovação, nada disso apareceu. Dilma representa um programa baseado na inovação do conhecimento, na inserção internacional do Brasil como um país produtor de mercadorias mais sofisticadas, na melhoria urbana e na geração maior de energia (aliás, como proposta ecológica, defendo a energia nuclear, mas essa é outra conversa) e na formalização do trabalho.

Certamente, a despolitização bateu na porta do meu pai e atrapalhou a sua campanha. Ele não tinha dinheiro, mas tinha militância e programa, mas quem quer saber de programa uma hora dessas? Quem divulga esses spams e os repercute quer a destruição de quem é diferente deles. Trata-se da violência mesmo, não das propostas. E é esse clima de violência contra a mulher, os gays, os negros e os pobres (que têm seu voto desqualificado por gente burrra metida a sabichona dia sim, dia não) que quero que seja evitado. A eleição é um momento de discutir ideias. Por isso, me espanto com o número de votos de gente que escolhe algo para evitar outra coisa, não por que apóia um projeto político. A política não é o momento de amedrontar, mas de inventar. A derrota do meu pai, em certo sentido, foi uma derrota da imaginação na minha cidade. O poder do dinheiro deixou a política pra trás.

Quem ganhou no primeiro turno foram os cachorrões das grandes empresas de comunicação (e a defesa intransigente dos patrões), aliás as empresas, e o spam.

PS1: Por fim, acho que esse clima de terror esfriou a Dilma e esquentou os outros candidatos. A onda verde foi interessante, mas limitada. O Que pegou foi a onda de pavor, a onda de spam.

PS2: Na internet se lê um número de besteiras estarrecedor. Nessa última semana o que vi de gene dizer que o brasileiro não sabe votar foi alarmante. Em geral, mensagens de gente que se pensa progressista e “informada”. Diziam truísmos profundos como “o Brasil só será uma democracia quando todos estiverem alfabetizados”; “os votos da dilma vêm dos beneficiários do bolsa-família”; “precisamos de valores, não de ideologia” (provavelmente a frase mais ideológica que li em toda a minha existência).

Bem, saí convencido que  a burrice é pensar que se sabe mais do que sabe. É a incapacidade de aprender com os outros, de pensar que você precisa dar o caminho para a turba ignara seguir.

Não por acaso, meu amigo Alexandre Ceará se pergunta: Por que todo o comitê central do partidão hoje se afilia com o pensamento autoritário de direita. Acho que é lá que esse despotismo esclarecido, de matriz iluminista, se encontra. O autoritarismo que acha que a escolha do outro é pior que a dele.

PS 3: Hoje li um texto muito bom sobre a eleição no blog da Natália Leon: http://minhapernadepau.wordpress.com/2010/10/04/nos-os-moradores-desse-predio/

PS4: Vamos politizar a eleição, é o que pode acontecer de melhor para nós, eleitores da Dilma, e para os eleitores do Serra também. Discutir o país com mais nível.

39 comentários sobre “Lições da campanha Mesquita 1399

  1. Cara, perfeito seu texto! Esse primeiro turno me deixou uma sensação muito estranha. A onda verde dos “modernos e descolados”, com esse discurso repleto de ódio e preconceito. Tô muito preocuopado com o rumo que essa eleição está tomando.

  2. Perfeito, Thiago!

    Este texto fala extamente sobre a baboseira que estou farta de ouvir de várias pessoas, metidas a sabichonas e politicamente educadas. Oras, ser politicamente educado e consciente agora é sinônimo de dar ouvidos a Veja? Como alguém pode ser inteligente se tem a Veja como fonte fidedigna, inviolável, verdadeira portadora da verdade universal? É muita baboseira sem fim!

    Certamente que o Sul de Minas perdeu a chance de ter o melhor deputado que poderia representá-lo na Câmara! Vamos continuar no regresso, com políticos mesquinhos, que só cumprem a interesses próprios! Uma pena Mesquitão não estar lá por nós, pela melhoria de quem realmente precisa (e quer) melhorar! Fico realmente chateada de não ver, ao menos os jovens de PA, se conscientizarem, estudarem, se tornarem pessoas mais críticas. Uma lástima!

    Parabéns, Thiago!

  3. vamos politizar a eleição, sim. é hora de recuperar a estratégia histórica e deixar a memória viva.
    mandou bem, thiago. 😉

  4. Belo Texto Thiago!
    Luta Ñ Faltou.E Nunca Vai Faltar.
    Penna P.A Ñ Abraçar a canditatura Do Mesquitão.Nossa Melhor opção.
    Perde Nossa Cidade.Mais Uma Vez.
    Paz Na terra Aos Homens De Boa Vontade.
    Tô Contigo Mesquita Sempre.
    Gd Abraço Thiago.
    13

  5. Magnífico seu texto, identificação imediata. A sensação de ser um alienígia falando de coisas estranhas me acompanha o tempo todo.
    Parabéns à família Mesquita vitoriosa na fidelidade a um ideário político e a princípios carregados de valor humano.

  6. Muito bonito seu texto Tiago,escreveu com o coração e tocou no nervo da coisa, a despolitização, especialmente de gente que se acha acima do barro amassado no dia a dia de quem vive a política e tenta fazer a diferença num país como o nosso. Gente que se julga esclarecida com seu capuccino mas que nem percebe o cabresto enrodilhado em torno do próprio pescoço, que acha que é vanguarda de alguma coisa quando desqualifica o PT com os mesmos argumentos dos grandes grupos de comunicação. Claro que muita coisa no PT tem que ser repensada mas não nos termos de quem só está interessado em destruir seu legado e sua história. Transmita os parabéns ao seu pai por ter conduzido uma campanha de forma tão digna e ter feito Politica com P maisculo. Outros outubros virão, outras manhãs plenas de sol e de luz.

  7. Bonito mesmo, Tiguis! O Mesquitão enche a gente de orgulho com sua dedicação, integridade, disposição política, generosidade e alegria. Parabéns pra ele pela campanha, pra todos que participaram, aliás. Outros outubros virão, como disse o Rodrigo. Grande beijo.

  8. Não sei por que motivos assinei “praquemtv”, mas quem fala (ali em cima) sou eu, a Claudinha, sua tia! 🙂

  9. queridos amigos, arautos do mundo futuro que eu ensejo viver dentro de mim, vai uma do Camões em homenagem a esse gigante em todos os sentidos que eu ainda não tive o prazer de conhecer (puro desleixo, imperdoável!!!):

    “E ponde na cobiça um freio duro,
    E na ambição também, que indignamente
    Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
    Vício da tirania infame e urgente;
    Porque essas honras vãs, esse ouro puro
    Verdadeiro valor não dão à gente:
    Melhor é, merecê-los sem os ter,
    Que possuí-los sem os merecer.”

    (Lusíadas, canto IX, estribilho 93)

  10. Perde o Brasil.Perde Pouso Alegre. Há momentos em que perco a esperança de ver um Brasil menos corrupto e não falo apenas de políticos, falo do povo quando oferece um voto em troca de um favor ou quando escuto “não voto pra perder” e mtos vão na onda de candidados estrelas, que o são porque ‘presenteiam’ eleitores.
    Muito bom o seu texto!

  11. “A derrota do meu pai, em certo sentido, foi uma derrota da imaginação na minha cidade”. Tiago, pra variar, vc pegou na veia e meteu no ângulo. Golaço. Mas daqueles gols que seria melhor não fazer, se a situação fosse outra.

    Eu fiquei deprimido com o que vi em Pouso Alegre, principalmente de gente próxima. Não chorei nem nada – bola pra frente. Mas emocionei e muito agora com o teu texto. Fiquei sabendo de gente próxima que havia dado o toque do voto no mesquita etc, que falou q acabou não votando nele em razào do PT local – que tá queimado em um nível estratosférico, tenho até medo das próximas eleições municipais.

    Nunca fui tão entusiasta quanto da candidatura do teu pai. Espero que nào tenha sido pé frio.

    Agora, uma questão a respeito do prefeito da cidade e do Odair Cunha: seria no mínimo interessante ter tratado dessas posições deles antes da eleição não? Porque, definitivamente, tenho certeza que teu pai não fecha nem com um nem com outro. E se ele tá afim de “refundar” o partido localmente, tamo junto e misturado, hahaha.

    Abraço pra todos.

  12. O desafio de fazer política neste pais para mim é comparável ao desafio de fazer cultura. Mesmo com muita luta, acabamos assistindo com indignação, os resultados de quem trabalha com estratégias de mercado e não conteúdo. Pois é, acabo achando o Mesquita uma pessoa muito leve para lidar com esse ambiente “peso pesado”. O legal é que sabemos que ele continuará lutando por suas convicções, sempre. abraços.

  13. Eu deixei bem claro nessa campanha que eu estava trabalhava para o Mesquita, para o PT que ele representa, não para o PT que está na administração. O partido em PA está totalmente queimado, em todos os cantos só ouço falar mal do prefeito, tenho até medo da eleição de 2012. Mesmo que o candidato do PT seja do grupo do Mesquita vai ser muito dificil “explicar” para a população que o Perugini não tá nem ai para o PT, que ele nem paga a contribuição do partido, etc…
    Deixei bem claro que não voto em partidos, mas sim em pessoas para principalmente tentar mostrar para os pousoalegrenses que o PT do Mesquita é diferente do PT do Perugini.

  14. Agora é eleger a Dilma…pq o PT da administração do Lula, é um PT que aprendi a admirar com os militantes fervorosos do PT em PA! rs

  15. è Sara, isso só mostra que o prefeito precisa tomar um enquadro monstro. Ser centralizado nas questões do partido, trazer estas questões para a administração e participar da vida partidária de modo decente. Senao, a porta da rua é a serventia da casa

  16. “A derrota do meu pai, em certo sentido, foi uma derrota da imaginação na minha cidade”.
    NÃO, THIAGO! Não foi derrota nenhuma! Seu pai não foi derrotado, assim como o PT de Pouso Alegre também não foi. Gostei muito do texto. Muito bonito, muito íntimo, muito suave. Concordo com quase tudo. Penso que é normal, num momento como esse, partirmos de uma análise um pouco pessimista. Apesar de entender que isso seja natural, discordo disso em seu texto. Concordo com todo o resto, mas discordo disso.

    Do ponto de vista eleitoral, realmente perdemos essa eleição. Mas isso não ocorreu do ponto de vista político! Temos um saldo positivo enorme, resultado desse processo. Conseguimos juntar uma militância que se encontrava completamente perdida em Pouso Alegre e no Sul de Minas. Só isso já seria um enorme ganho! Apresentamos uma alternativa política a eles. E não foi só. Pudemos demonstrar pra cidade que há um grupo de resistência no interior do PT (isso ficou claro pra todo mundo). Não vamos ter um mandato participativo, como pretendíamos, é evidente, mas tivemos uma campanha extremamente participativa. Pra mim, foi um enorme prazer chegar em casa na madrugada depois de panfletar nas portas de fábricas, nas portas das escolas, nos pontos de ônibus, e até nas rodas de samba.

    Tivemos outros avanços também. Não precisamos nos render a uma campanha que se apresentou a nós amarrada “de cima”. Tivemos peito de fazer a nossa! E ainda “por cima”, e “de baixo”, tivemos 12 mil votos! É pouco? De forma alguma. Perdemos eleitoralmente? Sim! Mas continuo achando que não perdemos politicamente. Porque a política se constrói assim. Leva tempo, dói o estômago, arde, dá gastrite, doem os ombros. É uma construção. E nessa construção política, que enfrenta a direita católica sul mineira (como você mesmo disse), colocamos mais alguns tijolos.

    Não fomos derrotados não, caro amigo. Pode parecer o contrário, mas não estou querendo nos dar um prêmio de consolação não. Realmente não considero que sejamos perdedores. Pelo contrário. Foi uma vitória gigantesca….

    Gde abraço.

  17. Lucas, você tem toda razão. E acho que como base para retomar uma alternativa popular, a fundação tá feita. Agora é cimentar e construir
    abraço e apareça sempre

  18. Tiago, a sua manifestação é lógica, fantástica. Há a necessidade das pessoas raciocinarem, sempre.
    Abraço.

  19. Tiago, fiquei muito chateado pelo seu pai não ter sido eleito. Grande figura, pessoa de bem com a vida !
    Consegui alguns parcos votos para ele, mas muito menos que o Mesquitão merecia.
    Estou bem por fora do que anda acontecendo, mas estranhei muito a diferença de apoio que o PT deu a outro candidato em Pouso Alegre.
    Um grande abraço para você e seu irmão !
    Ps. Meu ex pastor alemão manda lembranças do além para vocês também !

  20. Excelente, Tiago… Eu e seu pai passamos por diversas…Briga pelas Diretas Já…Lula x Collor… Disputas no PT…e outras dificeis… Mas a maior foi na campanha pra vereador colocamos votos necessários e perdemos…ficamos sentados num banco de madeira perto do Rosão, choramos e demos risadas, e no final, resolvemos tomar uma cerveja bem gelada…sabiamos bem no fundo que a historia, a postura, a afirmação das ideias estavam sendo resgatadas e desta forma não paramos…é o famoso “Levanta, sacode a poeira e da a volta por cima”

    Um grande abraço a vcs MESQUITÕES…Bjs.

  21. Guto, Jandira e Careca, que bom ver vocês por aqui. Gutão, meu doutor, meu ídolo, o dono do Bric (que aliás, hoje em dia está com tudo na economia internacional)
    abraçoes e beijos atodos
    PS: Agora é não desmobilizar para elegermos a primeira mulher presidente!

  22. Quantos comentários legais! (Jandira será que é a minha ex-professora da Faculdade?)
    Sempre entro aqui para ler o comentários desse post, tentar “sentir” um pouco mais sobre o que o pessoal de PA tá dizendo, querendo.
    Tenho ouvido muito besteira da molecada e fico desanimada quando qualquer discussão inteligente sobre política se limita a levantar a bandeira de “cada um no seu quadrado” e “respeito as opiniões alheias”. Sim, devemos respeitar, claro! Mas de que adianta sentar em cima do próprio rabo, não procurar compreender o que vem acontecendo nessa última década (e os reflexos disso tudo no nosso dia a dia, que, para mim, é mais do que perceptível) e achar que o voto pode ser decidido se um candidato for mais simpático do que o outro?
    Agora temos a obrigação de não deixarmos esse País cair, regredir! É preciso dar continuidade a essa luta tão bem feita nos últimos oito anos! Reação, conscientização e voto coeso. Só isso, já basta!

  23. Achei que teríamos a chance de fortalecer e implementar as ações de saúde pública no país. A população, reclama o tempo todo por melhores condições de vida, mas vendem seus votos. Percebi isto até na minha pequena cidade, que conseguimos alguns votos, mas ouvi:”será que ele pode dar alguns caminhões de terra pra gente aterrar o campinho?” lamentável. bjos. amigos

  24. Amigo, belo texto. Sou de São José dos Campos-SP, com parentes no Sul de Minas. Força e abraço. Esperamos um dia termos um movimento unindo imprensa, pessoas dos partidos ambientalistas, centro e esquerda unidos contra este caminho retrógrado e perigoso que é a interferência cada vez maior da religião na política, sonho com um grande manifesto nacional sobre o tema, um ato ou marcha pelo Estado Laico e contra o obscurantismo e o retorno, ao Brasil, de fantasmas da Idade Média.

  25. O PT no sul de minas parece estar completamente desarticulado. A impressão é de não existe uma unidade partidária. Interesses contraditórios coexistem beneficiando uma minoria (que na teoria é esquerda e na prática direita) e prejudicando quem realmente chegou a política pelo conhecimento das raízes do partido, pela experiência de vida e visão de cidade, estado e país como é o caso do Mesquitão, um homem que poderia colocar nossa região em um novo patamar de discussão e ação política.

    No sul de Minas, o PT precisa ser remodelado. Uma integração regional do partido – com debates, seminários, discussões – seria muito importante. Faz-se necessário saber onde o partido está, qual a imagem as pessoas fazem dele, estabelecer e cumprir metas partidárias …

    No momento, existe uma contradição no seio do partido. O Partido está dividido. Pelo que li, em PA existem 2 PT’s! Isso é absurdo. Quem é PT realmente então se assuma como tal e trabalhe de acordo com as diretrizes do partido e de acordo com as necessidades do país. Senão, como colocou o Tiago, “a porta da rua é a serventia da casa”

    É uma tragédia um ser não votar no PT ou – no caso aqui específico – no Mesquitão porque o prefeito de Pouso Alegre que – teoricamente é do PT – está queimado.

    Quando começaremos a votar em propostas e projetos? Realmente, perante este contexto, é impossível fazer qualquer previsão. Enquanto isso, penso que uma desintoxicação nos quadros dos partidos seria fudamental. Fscistas são aqueles que fazem “discursos” vermelhos mas agem de acordo com práticas “azuis”.

    Não me assusto com o relato do Tiago sobre a postura reacionária de parte da juventude pousoalegrense, alvos acríticos de uma propaganda travestida de informação e esclarecimento que está sendo veiculada pelos mcm, onde a primeira vítima é justamente o povo cool e descolado, formadores e difusores de opinião, escribas de e-mails, militantes virtuais, cujos pais são assinates de veja, fsp …

    Em Paraisópolis, minha terra natal, pelo que percebi, a situação não é diferente: os membros do PT fizeram campanha para figurões como o já citado Odair Cunha. … Aqui tenho muito dificuldade de encontrar o PT. Apesar de não estar vinculado a nenhum partido, sinto me mais PT do que o próprio PT da cidade.

    A infomação de uma candidatura relevante para a região como a do Mesquitão não chega nessas bandas … Na verdade chegou através do Guaciara.

    Paraisópolis, Conceição dos Ouros, cachoeira de Minas, Itajubá, Sapucaí Mirim, Gonçalves são verdadeiros currais eleitorais. São sempre os mesmos figurões perpetuando no poder, apoiados por prefeitos/assessores/cabrestos que depois conseguirão empregos na assembleia.

    O sul de minas ainda é um curral eleitoral e tem muito boi achando-se esperto.

    (…)

    Por outro lado, o Brasil tem medo de que uma mulher seja Presidente da República!
    Mulheres morrem fazendo abortos clandestinos!

    O Serra deveria ser o primeiro a favor do aborto.

    Vacilão … Para adiantar o lado dele, atrasa uma questão pertinente ao povo brasileiro, principalmente para as mulheres.

    O aborto precisa ser discutido e nosso país ainda usa o assunto de forma machista. Para discutirmos o aborto teremos que resolver a questão do machismo?

    É muito importante pensar o candidatura da Dilma também sob o prisma das questões da mulher. Há um discurso profundamente machista perpassando a cabeça do povo brasileiro.

    (…)

    tem uns ets aqui com um ship que quando dá play toca

    dem dem dem dem

    (…)

    o povo “cool, pós-moderno e descolado” que votou na Marina e que, no segundo turno, votar no Serra está sendo contraditório;

    Meu pai me ensinou a acreditar em minha mãe.

    É o que pensei enquanto você via o hoje escorrer pelo ralo

    do banheiro

    meu voto é na mulher

  26. Muito legal o que você escreveu Paraná. Acho que a discussão passa toda por repolitizar a política. Tratar de assuntos vitais pro país. Não esmoeça, vamos dar a vitória em quem pensa no país, não no mentiroso, no demagogo.

  27. Caro Tiago,

    Fiquei muito feliz em ler seu texto. Ele foi enviado por um amigo aqui de Brasília que não tem nenhuma relação com P. Alegre, mas leu no blog da Guaciara e se lembrou de mim.

    Não esperava muito mais dessas eleições em Pouso Alegre, mas confesso que não consegui evitar a decepção ao ver os números da votação da cidade. Creio que P. Alegre representa o que há pior desta eleição, desde o nível federal até o municipal. Representa o desvio da discussão das questões sociais, culturais, de gênero e econômicas que obtiveram tantos logros no governo Lula (claro que com as suas devidas limitações) para o jogo baixo de boataria, acusações e discussão dos valores da “família” brasileira, que são, na verdade, os valores brancos, cristãos, conservadores, heteronormativos e excludentes a que já estamos acostumados. Me entristece ver como esse discurso cola em P. Alegre e como a cidade ainda está amarrada nessa maneira clientelista, patriarcal e elitista de fazer política.

    Já transferi meu título de P. Alegre pra Brasília, também fazem 6 anos já que saí da cidade. Mas lá fui criado e tento sempre visitar a cidade e acompanhar a política da região. Fiquei feliz com a candidatura do Mesquitão e é uma pena que não tenha ganho.

    Já que seu texto foi em tom de desabafo, meu comentário também é. Mas é bom saber que mais gente está disposta a pensar nossa cidade.

    Um abraço,

    Caio Csermak

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