Ação entre amigos ou o aparelhamento perene

Amigos para siempre: "meu presidente" e candidato

O Beto Richa censura pesquisas e blogueiros, o Flávio D’Urso da OAB (e do Cansei, e do PSDB) quer censurar obra de arte,o Serra leva a fita da CNT pra casa e o Gilmar Mendes tá em campanha e interfere, a pedido do Serra,  em votação do STF pra beneficiar o PSDB.

E a ameaça à democracia é o PT?

Reproduzo aqui o texto do Observatório da Imprensa sobre o ocorrido:
“O que está em julgamento é a determinação, criada por lei do ano passado, de que o cidadão tenha que apresentar, na hora da votação, além do seu título eleitoral, outro documento com fotografia.

A direção da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff concluiu, recentemente, que essa norma pode prejudicá-la, pois as pesquisas mostram que ela conta com os votos da maioria da população mais pobre e menos escolarizada, que tem mais dificuldade para obter documentos. Além disso, segundo o partido governista, muitos cidadãos de cidades do Nordeste atingidas por inundações e deslizamentos perderam seus documentos, o que os impediria de exercer o direito de voto.

Até ser interrompido pelo pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, o julgamento estava 7 a 0 em favor da extinção dessa exigência. Mendes alegou que o caso não era de urgência, uma vez que os interessados tiveram um ano para contestar a lei.

Teoricamente, sua alegação poderia ser justificada, mas a reportagem da Folhasugere que a decisão do ministro foi tomada sob influência de um dos candidatos.

A suspeita de relações impróprias entre um ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-presidente da corte, e um candidato em disputa eleitoral, é o escândalo da hora.

O jornal por testemunha

Os jornais O Estado de S.PauloO Globo também noticiaram a suspensão do julgamento, e o Estadão chega a citar especulações sobre um eventual telefonema de José Serra ao ministro Gilmar Mendes, mas acaba optando por valorizar a declaração dos dois personagens, negando a ocorrência do telefonema.

Sabe-se, agora, que houve realmente a conversa telefônica antes da decisão do ministro porque os repórteres da Folha de S.Paulo puderam testemunhá-la. Além disso, se a polêmica se estender, a qualquer momento pode-se confirmar a ocorrência dessa conversação, por decisão judicial, consultando-se a empresa de telefonia celular utilizada.

Esse é o valor crítico do jornalismo presencial, no qual o repórter se coloca junto ao local dos acontecimentos, em vez de fazer a cobertura por telefone ou pela internet.

A informação bancada pela Folha equivale a uma denúncia de tráfico de influência e pode afetar a imagem do Supremo Tribunal Federal, que vem sendo criticado por não haver tomado uma decisão clara no caso da Lei da Ficha Limpa.

Estadão publica na edição de quinta-feira (30/9) um comentário sobre a politização do Supremo, afirmando que a corte “há muito perdeu sua característica essencialmente constitucional”.

O ministro Gilmar Mendes não tem certamente uma imagem pública favorável desde que mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas. A suspeita de que toma decisões sob influência de um candidato configura escândalo de proporções republicanas, agravado pelo fato de que o ministro usou como justificativa para interromper o julgamento um argumento utilizado por José Serra na segunda-feira (27) – a de que o PT pretende mudar a regra do jogo na última hora.

Um presente

Diante dos números contraditórios das últimas pesquisas eleitorais, os analistas de campanha vêm afirmando que apenas um fato novo poderia alterar o equilíbrio de forças nas eleições de domingo, 3 de outubro.

Apesar de toda a imprensa estar forçando, nos últimos dias, para que esse fato seja a discussão em torno da legalização do aborto, que em tese prejudicaria a candidata governista, o acontecimento envolvendo o candidato da oposição e um ministro do Supremo Tribunal Federal pode ser o elemento que faltava para definir se teremos ou não segundo turno.

Para os marqueteiros da candidata governista, a reportagem da Folha é um presente dos deuses.”

Fico com o Ceará nessa: “Gilmar, que não deixou Daniel ser preso, atende pedido de Zé.  Daniel é pai de Veronica, sócia da outra Veronica, filha do Zé e empresária de sucesso, que quebrou milhões de sigilos e também teve sigilo fiscal acessado…”

Essa ação entre amigos pode mudar a decisão das eleições e não ir a fundo nesse caso é manchar todas as decisões do STF. A amizade não vem de hoje.

Como diz o Fausto Salvadori Filho: ” O “Lula inimigo da liberdade de expressão” é uma invenção jornalística, tanto quanto o Obama muçulmano ou a Sasha Gay brasileira.”

Um comentário sobre “Ação entre amigos ou o aparelhamento perene

  1. Facismo: Esses caras acusam os adversários de TODOS os crimes que eles cometem.

    (mesmo que os adversários pratiquem alguns) 😛

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s