Nobres, ilibados e cheirosos, por Walter Hupsel

E o Cansei parece que nunca cansa na capital paulista. Ontem foi a vez de juristas e outros paulistas de casaca subirem no púlpito do Largo São Francisco para protestarem contra o cerceamento da liberdade de imprensa. Não, não era nada sobre o esforço de Flávio D’Urso, presidente da OAB, para censurar  as obras de Gil Vicente e nem dos outros ofendidos com uma obra que demonstra apoios à Dilma.

O problema desses senhores era contra as críticas do presidente à imprensa, para eles uma “ameaça”. Engraçado que até hoje já chamaram o presidente de bêbado, apoiador de guerrilheiro, ditador e o diabo a quatro e nenhum jornal fechou. Em época eleitoral vale tudo, como diz a coordenadora on line do Serra,  e nosso chapa, Walter Hupsel explica melhor essa sanha por “democracia” dos janotas.

Nobres, ilibados e cheirosos, por Walter Hupsel

Os janotas estão invocados

As eleições se aproximam. Como já ficou famoso na internet, a contagem regressiva é feita em quantas edições da revista Veja ainda circularão até o pleito. Faltam duas, e depois deste sábado faltará apenas uma. Ainda bem, não estou agüentando mais o BAxVI eleitoral que está colocado em campo, com ânimos acirrados e radicalizados.

Quero poder conversar com as pessoas, normalmente, sem que o tema tome ares religiosos, como vem acontecendo. Ultimamente virou profissão de fé e o diálogo uma exercício de paciência e ascese.

Há tempos vinha alertando a amigos que esta eleição seria a mais complicada e tensa desde a de 1989, e tinha medo que fosse a mais baixa e suja e que superasse a primeira eleição pós-ditadura militar. Primeiro minha opinião causava risos, achavam que era uma leve paranóia minha; depois uma leve indagação tomava conta do interlocutor: “Será? Ah, não, não é possível”. Agora, na últimas semanas foram convencidos que sim, ainda temos duas edições da Veja para que se abra um alçapão no fundo do poço

A maçaneta deste alçapão foi quebrada ontem, dia 22 de setembro, no Largo de São Francisco, aqui em São Paulo. Nobres, ilibados e cheirosos jurisconsultos fizeram uma manifestação “em defesa da democracia” num lugar símbolo da luta contra a ditadura militar. Em que pese na defesa deste nobres, ilibados e cheirosos jurisconsultos, outras classes profissionais também estavam representadas pelos seus próprios membros nobres, ilibados e cheirosos.

Lá, suando um pouco dentro dos seus paletós, os já não-tão-cheirosos-assim vociferaram contra a venezuelização do Brasil, contra os constantes ataques do governo à liberdade de imprensa.

A esta altura os nobres e ilibados jurisconsultos compararam o governo brasileiro ao de Mussolini. A camisa vermelha que parou o metrô na terça-feira, provocando o caos na cidade,  agora foi tingida de preta.

Os nobres e ilibados jurisconsultos, ou alguns deles lá presentes, esqueceram de dizer que ali, naquele largo, umas sete décadas atrás, quem marchava de camisa parda eram aqueles que agora vociferavam no púlpito. Goffredo, o pai de Reale Jr., os nossos queridos ex-fascistas, acusavam o governo de praticar aquilo que eles mesmo defendiam.

Os nossos nobres jurisconsultos apontavam fugidiamente, en passant, de soslaio, os tais atentados do governo à liberdade de imprensa. Apontavam, mas sem o dedo em riste para não direcionar qual a ameaça, de onde ela realmente vem. Apontavam sem, contudo, apontar.

Por um instante eu achei que Chávez era um menino do maternal e Pol Pot ainda estaria no ensino médio, aprendendo com o nosso governo a disciplina “como controlar a imprensa II”. Mas aí eu lembrei que os nobres jurisconsultos que ali defendiam tão veementemente a nossa democracia, e nossa liberdade, contra um governo tirano e totalitário, fizeram parte de um outro governo, que foram ministros, assessores especiais, e que estavam ali num ato eleitoral, e não político.

Aí eu lembrei também que a defesa de algo em interesse próprio é válida e legítima, mas não é uma atividade nobre, né não, jurisconsultos?

6 comentários sobre “Nobres, ilibados e cheirosos, por Walter Hupsel

  1. O que essa corja não aguenta, mas não aguenta mesmo (!!!!) é o fato do governo Lula ter dado vez, voz, oportunidade de trabalho e renda para aqueles que eles sempre viam como subalternos, mudos e mal cheirosos!
    E são esses, a antiga “ninguenzada” na visão desses impolutos senhores, que irão eleger dona Dilma!

  2. Talvez, esses ilustres senhores tenham, num primeiro momento, redigido o tal manifesto como o “Manifesto em Defesa de Oligarquia”. Mas como o tal vocábulo “oligarquia” pudesse causar constrangimentos, resolveram substituí-lo por “democracia” e deu no que deu.
    Ou então vai faltar lugar na Casa Verde de Itaguaí…

  3. Amigos eleitores da Marina que lêm o blog, sei que vocês têm os motivos mais nobres pra votar na candidata e que ela representa plataformas importantes (apesar de seu partido). No entanto, agora é hora de dar um basta a campanhas antipolíticas que fazem o debate sobre o país pobre e polarizado. Por isso, com muito constrangimento, peço para elegermos Dilma Roussef no primeiro turno. É importante vencermos a violência eleitoral da oposição e das empresas que se associaram a ela durante o período anterior ao pleito. Espero que considerem a questão com carinho

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