Sankofa!

A 5a edição da revista eletrônica Sankofa, de estudos de História da África e da Diáspora Africana, está no ar. É editada pelo membro honorário do Guaciara Muryatan S. Barbosa, o Mury – grande são-paulino e camarada de primeira hora -, junto com um time de estudiosos do assunto.

Vale demais acompanhar a produção desse pessoal. Colo aí embaixo a apresentação da revista, junto com a mais recente chamada para artigos. Vai lá.

O conceito de Sankofa (Sanko = voltar; fa = buscar, trazer) origina-se de um provérbio tradicional entre os povos de língua Akan da África Ocidental, em Gana, Togo e Costa do Marfim. Em Akan “se wo were fi na wosan kofa a yenki” que pode ser traduzido por não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu”. Como um símbolo Adinkra, Sankofa pode ser representado como um pássaro mítico que voa para frente, tendo a cabeça voltada para trás e carregando no seu bico um ovo, o futuro. Também se apresenta como um desenho similar ao coração ocidental. Os Ashantes de Gana usam os símbolos Adinkra para representar provérbios ou idéias filosóficas.Sankofa ensinaria a possibilidade de voltar atrás, às nossas raízes, para poder realizar nosso potencial para avançar.[1]

Sankofa é, assim, uma realização do eu, individual e coletivo.  O que quer que seja que tenha sido perdido, esquecido, renunciado ou privado, pode ser reclamado, reavivado, preservado ou perpetuado. Ele representa os conceitos de auto-identidade e redefinição. Simboliza uma compreensão do destino individual e da identidade coletiva do grupo cultural. É parte do conhecimento dos povos africanos, expressando a busca de sabedoria em aprender com o passado para entender o presente e moldar o futuro.

Deste saber africano, Sankofa molda uma visão projetiva aos povos milenares e aqueles desterritorializados pela modernidade colonial do “Ocidente”. Admite a necessidade de recuperar o que foi esquecido ou renegado. Traz aqui, ao primeiro plano, a importância do estudo da história e culturas africanas e afro-americanas, como lições alternativas de conhecimento e vivências para a contemporaneidade. Desvela, assim, desde a experiência africana e diaspórica, uma abertura para a heterogeneidade real do saber humano, para que nos possamos observar o mundo de formas diferentes. Em suma, perceber os nossos problemas de outros modos e com outros saberes. Em tempos de homogeneização, esta é a maior riqueza que um povo pode possuir.

Artigos e resenhas para o sexto número (dezembro de 2010) podem ser enviados para o e-mail revistasankofa@gmail.com até 15 de outubro de 2010.

Um comentário sobre “Sankofa!

  1. Pra mim, a reflexão sobre o eurocentrismo é essencial para entender a crise econômica, a dificuldade de se pensar uma contraposição à repressão e tudo mais. Enquanto nos mantivermos na chave racional/racista, estamos na merda. De tanto reclamar da correção política, os racistas arrumaram um nome politicamente correto pra eles. Agora se chamam “Politicamente incorretos”.
    Falo isso, porque um dos melhores textos sobre eurocentrismo que eu conheço é do Mury:
    http://3.ly/x87g http://3.ly/3uHu
    Pra mim é obrigatório pra quem quer pensar a questão daqui do Brasil

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