O Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta

Joé Pasta

Não estarei em São Paulo, mas bem que gostaria. É que nesse sábado, dia 3 de julho, será relançado o livro O Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta.O livro tem muito a ver com um período importante da minha vida. Logo que cheguei em São Paulo, me interessei muito por teatro e, principalmente, pelo dramaturgo e diretor alemão.

Trabalhei uns poucos anos com a Companhia do Latão. Quer dizer, o correto é dizer que aprendi muito com o grupo teatral paulistano (e ainda aprendo) e vivi um período mais intenso em que essa  estágio informal era remunerado. Foi de 1999 a 2000.

No ano passado, assisti ao experimento cênico do grupo chamado Entre o Céu e a Terra. O trabalho colocava lado a lado projeções de vídeo, leituras de texto e música em um diálogo cênico muito poderoso e sugestivo.

A vontade permanente de pensar a situação brasileira de um forte ponto de vista estético é que faz o Latão uma das coisas mais sérias do teatro e da arte no Brasil. O trabalho deles ainda é mal-entendido, principalmente na crítica fácil dos grandes veículos de comunicação, por causa de uma de suas maiores qualidades: o posicionamento político. É o comunismo que atormenta a rapeize.

Muito além de uma mensagem, tão comum ao teatro panfletário, o que está ali é um convite à reflexão e às maneiras de se enxergar e de se posicionar no mundo. Essa dialética permanente dá uma riqueza absurda para o trabalho do Latão.

Como se pode ler abaixo, muito disso se deve ao professor e crítico literário José Antonio Pasta, que irá relançar do seu livro O Trabalho de Brecht.

Pasta tem uma bibliografia pequena em livro comparada ao tamanho de seu conhecimento sobre literatura e sua importância nos estudos literários. Pelo tanto que seus diversos alunos do curso de letras da USP devem ao mestre nascido no município de Ariranha (SP), uma estante inteira seria pouco.

Publico aqui o texto de divulgação do lançamento dessa que foi sua primeira grande obra e que o levou – em um caminho bem consistente – a uma profunda investigação sobre Machado de Assis, Raul Pompéia, Guimarães Rosa, a cultura popular, Clarice Lispector e o país. O evento vai ser muito legal e irá reunir um elenco significativo do teatro político em São Paulo. Vale apena.

Lançamento do livro de José Antonio Pasta terá apresentação de 05 grupos teatrais e fala do autor.

por Roberta Carbone

Será lançada no dia 03 de julho, sábado, às 19 horas, no Estúdio do Latão, a nova edição do livro Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta, professor de literatura brasileira da USP, pela Editora 34.

A comemoração contará com a participação dos grupos teatrais Companhia do Latão, Companhia do Feijão, Teatro de Narradores, Companhia Ocamorana e Grupo Folias D’arte.

Na ocasião, haverá um coquetel e fala do autor sobre a obra.

LIVRO TORNOU-SE UMA REFERÊNCIA NOS ESTUDOS SOBRE BRECHT

Lançado originalmente em 1985, Trabalho de Brecht é dos mais importantes estudos sobre o autor alemão publicados em português. Escrito como dissertação de mestrado, o livro discute as várias dimensões e sentidos do projeto clássico de Brecht.

A primeira edição, esgotada há muitos anos, influenciou a pesquisa artística de muitos grupos teatrais de São Paulo, que participam agora da homenagem ao autor.

A obra passa a integrar a mais respeitada coleção da editora, a Espírito Crítico.

A CLASSICIDADE CONTEMPORÂNEA DE PASTA

Em Trabalho de Brecht: breve introdução ao estudo de uma classicidade contemporânea, José Antonio Pasta estuda a produção da obra madura de Brecht em seu contexto contemporâneo. Não começa pelas primícias do autor mas, sim, pelos momentos decisivos em que a experiência literária do jovem escritor alemão chega a seus embates frontais com a indústria cultural — isto é, com a forma-mercadoria, com o nazismo, o exílio e a guerra.

Da experiência dessa situação extrema vê-se então emergir, na obra de Brecht, um projeto estético e político que, da perspectiva deste estudo, terá como fio condutor a constituição de uma classicidade contemporânea, estratégica e de combate.

Tal projeto supõe, da parte de Brecht, um acerto de contas radical com o destino da Alemanha e sua herança cultural, e, no limite, com a própria modernidade, considerada em seus pressupostos e promessas. Nesse sentido, a análise de José Antonio Pasta se orienta pela leitura de Marx feita por Brecht, assim como sua retomada das bases hegelianas da dialética.

O AUTOR É PROFESSOR DA USP

José Antonio Pasta é mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Realizou estágio pós-doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris em 1995/1996. Desde 1984 é professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas das USP. Foi também professor-associado na Universidade de Paris III — Sorbonne Nouvelle, em 2001/2002.

ESTÚDIO DO LATÃO

Rua Harmonia, 931 (próximo ao metro Vila Madalena), São Paulo -SP

Dia 03 de julho às 19 horas

Informações: (11) 38141905

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E como política e criação são o tema no post, impossível esquecer o evento que chacoalha corações e mentes na capital brasileira da cinefilia, Belo Horizonte. Estão abertas as inscrições para o melhor festival de cinema do País, o forumdoc.bh.2010.

Quem nunca foi, guarde o final do ano e vá para a capital mineira por que vale muito a pena essa imersão no que há de melhor na produção desse cinema que bebe do documentário e da etnologia, mas não só. Muito do melhor que eu vi na vida foi nessas sessões no cine Humberto Mauro. Só coisa boa. Inscrevam-se.

6 comentários sobre “O Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta

  1. Eu vou.
    Aprendi muito com o Pasta e ainda aprenderei.

    Existe um conceito que ele começa a desenvolver no trabalho sobre o Raul Pompéia que eu sempre me lembro.
    É a idéia (meio adorniana) de formação supressiva, que ainda é uma questão forte pra mim. Acho que um dia eu entendo direitinho.

  2. Teve 5 professores que mudaram a minha vida. O Pasta foi o maior. Tanto que vi o MESMO curso dele na USP 2 vezes. Acho que o Zoio, mais do que eu, é um que teve a vida afetada pelas ensinanças do figura. Guardo até hoje as anotações das aulas e palestras dele. Fãzoca mesmo!

  3. Como o Arthur já adiantou aí acima, pra esse eu pago pau, foi o grande mestre que tive de literatura na USP, além de ter me ajudado muito me agilizando trampos quando eu tava quebradaço de grana. Só vou ficar mais feliz o dia que publicarem sua tese sobre o Ateneu e quando acabar sua livre docência sobre o Machado, mas não acredito que isso vá acontecer tão cedo.

  4. Dialética do Latão

    ver
    refletir
    posicionar

    & já!

    com
    ou sem
    aplausos

    as cortinas
    da realidade
    foram abertas

  5. Latão, Zoio, Pasta e ateneu em um post… êta blog bão.

    A melhor professora que eu tive na vida me deu o Ateneu de presente. Tenho guardado e com dedicatória, o livro mais querido da minha coleção, dá até uma lagriminha furtiva de lembrar quando ganhei.

  6. Muito legal o que o José Pasta fala sobre o livro. Diz que a tal da formação supresssiva aparece mais como conteúdo do que como forma neste romance. Por isso, a forma do romance parece se desintegrar por dentro. Curioso, certa pintura figurativa de jovens daqui de são paulo agora parece ter essa mesma qualidade. Por vezes, inclusive ela se parece um defeito. é a pintura que quando erra, acerta.

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