Quinta-feira, vinte e quatro de junho

Antes do mês e da semana acabarem, a cidade se animou. Hoje consegui visitar à Pinacoteca de São Paulo e a exposição de Rodrigo Andrade e a de Cassio Michalany são mais que recomendadadas. Já escrevi sobre os dois artistas e considero que ambos levem a pintura a um limite. Já escrevi sobre os dois e são dos meus artistas favoritos.

Parece que a exposição da Elisabeth Jobm na estação também trabalha com essa fronteira da pintura. Por falta de tempo, e nóia da copa, ainda não a vi, mas deve ser boa.

Quem for de fora e estiver aqui amanhã pode se considerar sortudo. Embora a temperatura ainda esteja fria, a programação é boa o suficiente para justificar o bater pernas pela cidade. Amanhã, às 21 horas, no Centro Cultural São Paulo (ao lado da estação Vergueiro do metrô), tocará o trio de improvisação brasileiro-suíço formado por Thomas Rohrer, Hans Koch e Antonio Panda Gianfratti.

Rohrer e Panda são talvez os dois maiores nomes da improvisação livre no Brasil. Embora Thomas seja suíço, sua contribuição para o desenvolvimento e divulgação da música de vanguarda tem impacto imediato no Brasil. Ele ainda conhece profundamente as linguagens da música de origem rural de várias regiões brasileiras além de ser um dos melhores rabequeiros e melhores saxofoniostas que eu já tive oportunidade de escutar. O suíço em São Paulo não está pra brincadeira.

Panda é uma dessas almas generosas que se doa para uma causa. Nesse caso, milita pela música não-convencional. Formou uma série de músicos de primeira qualidade, como Yedo Gibson,  Renato Ferreira e Rodrigo “couve” Montoya.  Com eles tocou no Abaetetuba e com o genial Márcio Mattos. Recentemente, boa parte do grupo debandou para a Europa, mas Panda continua atuando com grandes músicos daqui.

Hans Koch já tocou com os dois. Em 2007, apresentou-se com vários músicos aqui no Brasil, entre eles, Panda e Rohrer. Toca desde sempre com o trio Koch-Schutz-Studer. Pra mim, que gosto de música popular e de música nova, é um dos melhores grupos do mundo. Entendem profundamente o sentido da música gravada e fazem um som bastante radical a partir disso. Adoraria vê-los tocar por aqui. Acredito, inclusive, que, por não sei por quê, a vanguarda artística suíça seja hoje uma das melhores do mundo. Pensando no Thomas Hirshhorn, Pipillotti Rist, Roman Signer, Saadet Turkoz e Koch-Shutz-Studer que eles entenderam nosso tempo como ninguém.

O show acontecerá no porão do CCSP e é organizado pela Desmonta. No dia seguinte, eles tocam com o mesmo trio mais Michelle Agnes. Irão tocar enquanto são projetados dois filmes. O evento acontece na Casa de Gaya, que fica em Pinheiros, na rua Capote Valente, número 305. De lá, o grupo segue para uma turnê no nordeste. Isso eu queria ver. O grupo se apresentará sobretudo em Pernambuco e no Ceará. No primeiro estado, participaram de uma regência de improvisação com convidados. Entre as performances, acontecerá um evento com a Orquestra Popular do Hemeterio. Será bonito demais.

Bem, ainda amanhã, depois da apresentação, a dupla de discotecagem Jóias se apresentará na casa noturna NEU. A dupla é formada por Marcos Gerez e Guilherme Granado. ambos tocam já na bem afamada Chaka Hotnightz e são mebros dos grupos musicais Hurtmold, Bodes e Elefantes e da Banda do Marcelo Camelo. A festa é muito legal por sua heterodoxia. Não se restringe a gêneros, pedaços da história da música popular e nem idiomas. Não se preocupa em ser atualizadinha e nem retrô. Mas só toca música boa. Será divertido. Informações: listaneu@gmail.com . Qualquer dúvida joias001@gmail.com
http://www.myspace.com/festajoias

Abaixo, vídeos de Koch-Schutz-Studer e de Thomas Rohrer a tocar com Panda Gianfratti:

7 comentários sobre “Quinta-feira, vinte e quatro de junho

  1. mano, esse panda ai pode ser bala, mas a mimi panda suica que vi aqui no sonar, jesus amado… so jogando pedra nos dente…

    sou mais pequi.

  2. Aliás, rubinho, que som excelente daquele lugar, não é? Teve uma passagem muito delicada com os pratos do Panda que pareciam sair de um tubão de uma igreja

  3. Precisava reativar o CCSP, tá muito largado né. Verdade, o local proporcionava aquela propagação do som como as naves de catedrais. O que eu gostei em muitos momentos, principalmente na primeira parte, parecia a trilha sonora de um programa de geologia da bbc, de onde eu estava, dava para ouvir bem ao fundo o som do metrô, como se fosse um riacho subterrâneo e várias vezes se hamonizou com a peça. Aquelas luzes, a sensação de uma excursão pela astenosfera e o núcleo.

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