Bill Dixon (1925 – 2010)

Hoje o mais sútil dos vanguardistas da música popular americana nos deixou. Bill Dixon foi quem melhor aproveitou a suavidade do modo de tocar seu trompete e pensá-la como um modo de interromper os intervalos sem música. A capacidade de terminar com a quietude falando baixinho foi sempre o que mais me impressionou. Como um sujeito que chega numa sala monótona e sussura uma frase de um lado, cochcihca em outro e deixa tudo cheio de vida.

Nos últimos anos, grandes amigos tiveram a oportunidade de trabalhar e aprender com o gênio. Para eles, a experiência foi transformadora. Eles são músicos e o abalo foi forte. Mesmo sem estar perto, mesmo sem tocar uma nota, como fã, aprendi muito e acho que continuarei a aprender. Pelo menos uma coisa é só do Bill Dixon: mostrar que o caminho mais radical nem sempre é o mais extridente, o mais histriônico. Muitas vezes é o mais elegante e sutil.

Aqui com Cecil Taylor, em uma das melhores apresentações do pianista:

14 comentários sobre “Bill Dixon (1925 – 2010)

  1. Pena um gigante como o Bill Dixon ter nos deixado. Texto lindo Tiago. O fera vai fazer falta nesses tempos em que tudo é levado mais a sério é tratado como pretensão vazia. Bill Dixon ia fundo no que compunha e trabalhava. A coisa era sempre séria, muito pra valer, envolvia um esforço que dizia respeito a vida toda dele, as coisas que ele pensava.

  2. Pois é, é um mundo que vai indo embora. Não quero ser nostálgico com isso. Mas esse passado muito recente precisava a continuar a tensionar a hegemonia dessa criação dominada por um padrão internacional, previsível e meio asséptico

  3. thiago, vc é um grande crítico de arte. veja o programa na band com vampeta, denilson e emerson.
    gênio

  4. po, tiagose… queria ter acesso ao site pra publi ar o meu post de homeangem…

    seria assim:

  5. e acho tambem que as vuvuzelas sao uma grande homenagem…

    ele gostaria muito delas.

  6. Com as Vuvuzelas o Monoceros do Evan Parker virou passado

    Agora, o brasil quer publicá-lo. Mande aqueles textos românticos, marotos, para inserirmos nesse bloguinho

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