E o voto?

A base da democracia é o voto de cada brasileiro

Eu nem sabia de nada, quando no domingo passado, o Rodrigo me alertou para uma movimentação bem estranha depois da alta da Dilma nas pesquisas. Começou com uma entrevista de Marco Aurélio Melo no blog do Josias de Souza, na entrevista o ministro do Supremo dava a entender que podia vir coisa muito pior do que multas por causa da propaganda antecipada.

Ontem o Noblat, comentou um texto bem estranho da Folha e já começou a usar a palavra cassação abertamente.  Simultaneamente a Folha On Line lançou uma enquete sobre propaganda eleitoral e impugnação de candidaturas. O cerco começou a se fechar e o esboço desse cerco já começou  logo depois da pesquisa Datafolha.  O consenso da grande imprensa é que Dilma tinha crescido graças aos programas na TV.

Nenhum desses veículos arriscou em questionar a veracidade da pesquisa feita pelo grupo Folha um mês antes. Nem de levantar a hipótese de um crescimento consistente de Dilma entre os eleitores que apoiam Lula. Na pesquisa Datafolha de abril,  Serra aparecia nove pontos a frente de Dilma, contrariando os outros institutos, que davam empate técnico ou Dilma muito próxima a Serra.

No novo levantamento da empresa da Barão de Limeira, o que chama atenção é uma atípica e bizarra queda de 10% do presidenciável tucano no Sul do Brasil. Isso num trabalhinho pautado para influir no programa eleitoral.

O discurso de um golpe judiciário na eleição brasileira (antes mesmo dos candidatos serem confirmados, lembre-se) é uma coisa séria, mesmo que não se concretize. Não sou adepto das paranóias que circulam por aí, mas o discurso prevê uma medida que só pesa para um lado da balança.

Quem lê o blog, sabe que as justificativas dos adeptos da ditabranda e do golpe militar em Honduras (até os Gorillettis da vida assumem isso) é de pessoas que não tem problema algum com opções autoritárias desde que possam usufruir do Estado. Partidos como o DEMo sobrevivem de poder e minguam sem cargos federais e nem cargos majoritários nas Unidades da Federação.

Oito anos já foram muito duros para esses políticos, mais dois mandatos podem ser impraticáveis. Por isso, mesmo com a eleição tão distante, o desespero bate forte no coração e começa, mais uma vez, essa conversa de golpe.  No fundo, como escreve Eduardo Gumarães em seu blog, a  intenção desse tipo de ameaça é chantagear a campanha governista a não utilizar o seu principal cabo eleitoral.

A missão de todos que prezam o poder da escolha dos eleitores e os avanços da democracia é entrar na campanha lançada por Brizola Neto“Eleição se ganha no voto!” Além disso, é mais do que o momento de repensar essas regras eleitorais e o papel do judiciário na ameaça a mandatos legítimos. A cassação pode ser justa em alguns momentos, mas nos últimos anos abusos como no Maranhão e no Amapá levam a questionar a imparcialidade da Justiça Eleitoral.

14 comentários sobre “E o voto?

  1. Eleição não se ganha apenas no voto. Você pode roubar votos e ganhar uma eleição. Ela não será legítima. Você pode desrespeitrar a lei, extrair vantagens disso, atrair mais votos e ganhar. A eleição não será legítima. A legitimidade dela decorre do respeito à lei. Foi a Justiça quem multou Lula quatro vezes por fazer propaganda antecipada da candidatura de Dilma. Ela, e somente ela, pode declarar legítima ou não a eleição de quem quer que seja. A Justiça cassou o mandato de 3 governadores – Maranhão, Tocantins e Paraíba. Fora os cassados e seus partidários do peito, não vi ninguém dizer que a Justiça aplicou um golpe. Geralmente a Justiça é vítima de golpes. E também de sua lerdeza e miopia. Não interprete o que digo como uma defesa da cassação da candidatura de Dilma. Porque não é.

  2. Noblat, também acho que ilegalidades devem ser coibidas, mas quando se levanta a lebre para cassação, ainda mais num momento como esse o tom é de um oportunismo absurdo.

    Você de coração acredita que só a candidata da situação está usando esse expediente? Sinceramente…

    Então por que no seu blog só se noticia o que é apontado como arbitrariedade dela?

    Hoje Roberto Jefferson (que nem fechou aliança do PTB com Serra) já disse que ele será a estrela do programa partidário. O DEM já fez isso e o PSDB fez isso no mês passado. Eu, sinceramente, não vejo absolutamente nada de mal nisso.

    Acho a legislação eleitoral hipocrita de chamar Dilma,Serra e Marina de pré-candidatos. Pré do que, numa boa?

    Esses três estão em campanha faz muito tempo e tratar isso como uma ilegalidade ou uma compra de votos é, no mínimo, de uma má fé estrondosa.

  3. Outra coisa, é possivelmente democrático questionar qualquer decisão judicial. Existe uma montanha de falhas da justiça em todos os seus campos. Com os anos de experiência jornalística, você sabe muito melhor disso do que eu.

    Não entendo mesmo qual o crime do presidente dizer que sua candidata é a ex-ministra Dilma Roussef.

    Ele ainda não disse: “Vote Dilma”. Só ressaltou a sua importância no governo dele e a sua admiração por ela. Sinceramente, qual o crime nisso?

    E eu não falei no meu texto da sua opinião pessoal só digo que você colocou a cassação na mesa de debates.

  4. Engraçado que tudo que foi dito no 1 pode ser aplicado, a depender do entendimento, ao candidato de oposição também. O que deixa todo mundo fulo da vida é essa coisa de dois pesos e duas medidas. Imagina só se a Petrobrás fizesse em décimo do que a Sabesp faz, neguinho estaria tendo diarréia, querendo botar as tropas na rua e coisa e tal.
    Quem acompanha os discursos do presidente sabe que ele não diz nada de mais, apenas cogita a continuidade dos programas do governo, uma coisa que é sua atribuição; governo serve também pra avaliar tendências e propor políticas com base nisso. É de uma tacanhice sem tamanho achar que um governante, ao ser perguntado (ou ao avaliar) sobre sua “obra” não vai ver méritos e não vai querer ver a sequencia de seu trabalho; FHC, mesmo com um governo vergonhoso, que o diga.

    Por último, se tem um lado bom nessa celeuma toda, é que cada vez mais vai ficando claro, pra quem não sabe, quem é a candidata do governo. A imprensa serrista fala tanto da Dilma que nem se dá conta de que tá fazendo campanha ela também.

  5. O que está por trás disso é muito claro. A medida que a Dilma vai sendo mais conhecida e associada ao Governo Lula sua cesta de votos cresce . É um desdobramento natural de qualquer candidatura ligada a um governo que tem quase 80% de aprovação. Conforme o quadro fica mais nítido, o acirramento cresce nos dois setores que sustentam a candidatura Serra: a grande imprensa e o judiciário. É fundametal que o maior número de vozes se levante preventivamente contra os irresponsáveis que tentam criar essa atmosfera golpista. Não se brinca com a democracia. A sociedade civil organizada não vai aceitar uma eleicao decidida em tribunal. O TSE é um colegiado político travestido de técnico, no qual os juizes interpretam a lei conforme as suas inclinaçoes partidárias. A mera existencia de uma justiça eleitoral já é um escandalo, nao existe algo semelhante em nenhum pais desenvolvido, trata-se de um entrave ao aperfeiçoamento da democracia e do debate político. Quem está fomentando teses golpistas deveria se envergonhar de colocar interesses imediatos a frente dos interesses do país.

  6. Caro Ricardo (que desconfio não ser o Noblat),

    Legitimidade não é legalidade. Isto deveria ser claro prum jornalista do seu calibre…

  7. Uma coisa muito interessante, e um balde de água gelada no serrismo: se não me engano, o Aécio puxaria apenas 4% dos eleitores que são eleitores seus e hoje dizem votar na Dilma. Os outros 96% nesse grupo mantém o voto na candidata do PT. Nem a popularidade do Aécio vai salvar essa candidatura, parece. E quem é o único no PSDB que sabe disso? O Aécio, claro. Tudo isso para dizer: todo mundo está em pré-campanha (é só abrir a FSP – não é que esse jornal conseguiu piorar com esse novo “projeto editorial”, assunto aliás prum outro post – ou o OESP para ver que a campanha do Serra já começou). Não adianta fazer essa cara feia toda. Todo mundo já sabia: o Serra chegou rápido no seu teto (onde está hoje, trinta e tantos por cento), a Dilma vai crescer com a campanha. Porque quem está transferindo voto nessa eleição não é apenas a popularidade do presidente, mas a aprovação do governo (duas coisas, obviamente, distintas) – e governo com altíssima aprovação leva eleição, na maioria dos casos.

  8. Oi Salvador, é ele sim. Ele enviou essa resposta padrão para todos os blogs que comentaram esse post dele. Pra uns, como o do deputado Brizola Neto, ainda complementou com outras informações. O que acontece na verdade é que os caras tratam as decisões do TSE feito se elas não fossem passíveis de crítica. Feito se os juízes fossem mesmo porta-vozes de uma imparcialidade que não existe.

    Vale a pena ler esse texto sobre a partidarização do TSE, publicado no JB de hoje:

    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/05/27/a-partidarizacao-do-tse/

  9. Pois é Jay, já começaram com todo o terrorismo de campanha inclusive. Eu já recebi uns dois e-mails sobre uma “bomba” contra Dilma que vai ser publicada pela Veja. A boataria já está incessante. Esse lance da cassação também tem o mesmo sentido.

    Antes da campanha de TV, os partidos usam as pesquisas mirando em dois alvos: televisão e arrecadação de verba. Os candidatos melhor posicionados fecham alianças e garantem mais dinheiro pra campanha.

    Com a alta da Dilma, esse pessoal está desesperado não só com a possibilidade do Serra perder a eleição, mas do partido não conseguir financiar as campanhas legislativas e estaduais.

    http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/para-analistas-arrecadacao-e-aliancas-explicam-tensao-envolvendo-pesquisas/

    É que nem a história Dom Aécio Sebastião e o seu eterno retorno a vice-liderança. O sujeito já repetiu várias vezes que vai sair ao senado e eles insistem. NA semana passada, um amigo meu que trabalha na câmara disse que era certeza que Aécio seria o vice. Eu perguntei quem tinha dito isso a ele, ele disse: “dois deputados do PSDB de SP”. Só recomendei que ele perguntasse pra qualquer deputado mineiro sobre isso. A resposta foi o que eu esperava: “o Aécio só vira vice se o Serra estiver com margem pra ganhar no primeiro turno”.

    Mesmo assim os caras insistem. E olha que a coisa ainda nem começou oficialmente são “pré-candidatos”, o supra-sumo da hipocrisia da legislação eleitoral.

  10. essas “bombas” que vão acabar com a candidatura da dilma são tipo as contratações milionárias do corinthians que vão finalmente trazer um título da libertadores. no fim, é um traquezinho, estalinho.

  11. Lauro, sinceramente, não acredito que o Judiciário vá se meter a querer modificar o resultado das urnas ou impedir candidaturas na eleição presidencial. Realmente, acho que aventar tal possibilidade evidencia o desespero mesmo. É uma multinha aqui, outra ali, mas nada que impeça os pré-candidatos de exercerem o seu legítimo-direito-ilegal de lançar suas pré-candidaturas.

  12. Também acho. A Veja já está com o filme muito queimado pra soltar bombas. Se gravarem uma conversa dela, a la Arruda, combinando a divisão do dinheiro do pré-sal com o Chavez, o efeito vai ser zero. Ninguém acredita mais.

    No mais, eu também quero que o Aécio seja vice do Serra, mas vou ficar na vontade.

    Agora, o foda é ler o jornalista cara de pau se dizendo escandalizado por uma prática generalizada que acontece em todas as eleições, pelo menos desde a pré-campanha da Roseana em 2002!

  13. O Brasil e o governo Lula mereciam uma oposição melhorzinha. Imagina a hora que o presidente entrar na campanha, de fato, e o povo começar a cantar: Olê olê ol}ê olá, Dilma, Dilma! Vai ficar pequeno pra tucanada.

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