Hipocrisia e oportunismo, por Pablo Pires Fernandes

E depois da onda de inventar fontes, a imprensa brasileira agora faz questão de fazer campanha aberta contra o trabalho da diplomacia brasileira. O caso da negociação com o Irã é ridículo. O Brasil claramente marcou um golaço e a imprensa – a mesma que inventa fontes que nunca deram entrevistas e que compra spams da Internet como se fossem documentos reais – trata a história como um retumbante fracasso. O nosso amigo Pablo Pires, jornalista da área de internacional comenta o caso com muito mais propriedade.


Hipocrisia e oportunismo, por Pablo Pires Fernandes

A suspeita sempre ronda os inimigos dos EUA

O programa nuclear do Irã tem sido um dos pontos de maior debate e fonte de divergências na diplomacia internacional dos últimos tempos. Mobiliza esforços e campanhas de todo tipo e, geralmente, fazem ecoar vozes extremas e dissonantes pró e contra. Faz-se necessária a discussão a respeito da proposta e do acordo firmado entre o Brasil, a Turquia e o Irã, na segunda-feira, e do percurso e das expectativas antes e depois da assinatura do documento, claro. Dá pano pra manga. Mas, antes disso, gostaria de apontar um aspecto interessante que tenho observado na mídia brasileira e internacional que, a meu ver, distorcem o cerne da questão.

Em geral, o que pega é a questão dos direitos humanos. Todos sabem que o Irã é um regime opressivo, que limita a liberdade de imprensa, que reprime, prende, tortura e até mata seus opositores. Fato. E, claro, fato absolutamente condenável. O governo brasileiro até pode ser criticado por não tocar no assunto ou se abster de votar contra o Irã no Conselho de Direitos Humanos na ONU. Mas, como tenho visto com freqüência, é uma condenação a priori da política brasileira de fazer contato com o Irã por causa da falta de respeito aos direitos humanos. Isso é hipócrita, falacioso e oportunista.

Alguns exemplos. O jornal O Globo publicou na quinta-feira uma entrevista com a advogada Shirin Ebadi, Nobel da Paz e defensora dos direitos humanos, na qual ela pede que Lula visite os prisioneiros políticos do Irã. Outros meios também reivindicam o mesmo. O Washington Post fez um editorial na mesma toada no sábado (misteriosamente, não o encontrei na internet). E ontem (segunda-feira), o Wall Street Journal publicou uma Carta Aberta ao Presidente do Brasil, assinada pelo trabalhista britânico Dennis MacShane. Esses exemplos são apenas alguns, mas não deve ser novidade para nenhum leitor desse blog que esse tipo de associação ou argumento é freqüente na mídia internacional e brasileira, sempre a reboque.

Além de deslocar a questão central da viagem do presidente Lula ao Irã (comércio, negociação sobre a questão nuclear), os argumentos não se sustentam por qualquer base comparativa ou princípio de equidade. Por que ninguém exige que o governo fale sobre os direitos humanos quando o presidente Lula vai à China ou à Arábia Saudita? São regimes mais opressores do que o iraniano. Porque com a China ninguém pode, porque ninguém vai ousar ficar de mal com os donos da economia do futuro.

É simples assim? Hipocrisia pura. Uma coisa é a mídia americana usar esse argumento, pois reflete a campanha clara de demonização da República Islâmica, pois interessa aos neocons manter o estado de guerra e render a indústria armamentista. A associação de Lula com os direitos humanos é uma falácia completa. Ou os EUA não compram 80% do petróleo da Arábia Saudita nem toneladas de produtos chineses? Ou não são aliados dos regimes autoritários como o Egito de Mubarak?

Outra coisa é a apropriação desse discurso pela mídia brasileira, que tem outro viés. O argumento é usado quando convém para criticar o governo, de maneira oportunista, ou seja, quase sempre. Não vejo nada de errado em expor as péssimas condições dos direitos humanos no Irã, muito pelo contrário, mas dizer que o Brasil não deve fazer comércio com o Irã por causa disso é falta de noção da realidade. Imaginem se ninguém negociasse com a China por causa da ausência de democracia ou porque eles reprimem os tibetanos? Ah, tenha dó, vira o disco…

111 comentários sobre “Hipocrisia e oportunismo, por Pablo Pires Fernandes

  1. Hoje a China entrou no jogo, apoiando o acordo. Isso avacalha bastante com os planos dos EUA de sanções, que julgo improdutivas. Esperar pra ver.

  2. ótimo debut o do ppires no guaciara. O problema é q esta opinião é um tanto óbvia para os leitores deste blog e nem um pouco óbvio para os leitores de imprensa marron… Essa bipolaridade de opiniões p mim continua sendo algo frustrante pois acho q a discussão, no fim das contas, recai, atualmente, sempre na campanha política, seja pró ou contra o gov lula e, conseq, a dilma… Mas ano de eleição é isso…. Reduz-se o número de variáveis diante da iminência do inimigo pig /serra!

  3. já fui alertado q essa n é a primeira contribuição do ppires no guaciara #failmeu

  4. Eu acho que pior do que esse dois pesos duas medidas é a desfaçatez dessa gente que vê abuso humanitário no quintal dos outros mas não se importa com a atual política mais do que nunca agressiva de limpeza de mendigos na cidade do Rio de Janeiro. A situação, segundo uma ótima reportagem na revista Piauí, é aterradora. E como a própria repórter da revista explica, segundo muitos moradores da Zona Sul que apóiam essas ações do Estado, o lance mesmo era tacar fogo nesse bando de vagabundo que usufrui das calçadas “deles”.

    A ação diplomática no Lula em relação ao Irã tem tudo pra entrar na história. Sou obviamente radicalmente contra a qualquer violação dos Direitos Humanos, mas me espanta gente que chama ditadura de ditabranda ou que manda embora funcionário que discorda de certas opiniões da casa querer se arvorar como defensores de algum bem comum…

  5. Nesse tipo de post, sinto falta de um comentário do César Poli pra animar a moçada…

  6. Parte II, a missão:

    Lauro, você acaba de marcar um GOLAÇO!!! Publicar esse artigo “Hipocrisia e oportunismo” foi genial! É exatamente que o apedeuta está fazendo, sendo oportunista e hipócrita! Ou alguém, por mais tapado que seja, achava que a tal viagem não teria exito? E não veriamos aquelas cenas deploráveis dos 3 patetas de mãos para o alto!

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-tres-patetas/

    Pra finalizar: “O Brasil claramente marcou um golaço”, contra, ao melhor estilo Junior Baiano!

  7. César, da próxima vez manda só o link pro blog da veja. Quem quiser ler o texto original é só ir lá. O artigo chama-se os três patetas.

  8. Nossa Cesar, da próxima vez tenta um texto de alguém mais qualificado. está muito previsível. Sério cara, chega desses jargões e recortes e cola de gente tão mal informada e qualificada. Lauro, por favor, apaga o texto e publica o link.

  9. Sem problemas pessoal, me desculpem, devia ter posto o link.

    Só colei e copiei pois estou de acordo com as argumentações que estão lá escritas. O que o Reinaldo argumentou realmente foi o mais simples e previsível possível, porém claro e objetivo. Mas pra que ataca-lo de mal informado e desqualificado? Eu sei que vocês pensam assim. Vocês sempre me detonam quando faço isso aqui no blog…

    Com base naqueles argumentos fico me perguntando e pergunto ao pessoal do Guaci:

    – Vocês realmente acreditam que o Irã não vá construir a Bomba?
    – Vocês acham que o Irã tem o direito de ter a temida?
    – Israel, assim que suspeitar que está quase pronto o artefato, não irá lançar um ataque preventivo? E foda-se a opinião do resto do mundo?
    – Essa política Lulista de que é preciso uma nova ordem mundial não é apenas para se opor sistematicamente aos EUA?
    – Essa não é mais umas das espumas criada pelo governo Brasileiro para tentar encobrir os seguidos fracassos da “nossa” política internacional?

    Fugindo um pouco do post: as vezes uso jargões e até o que vocês chamam de palavras de ordem para sintetizar a até mesmo ridicularizar uma posição. (ex: esquerdinha, Dilmova, etc…). Como vocês me pediram, procuro evitar ao máximo e não tenho mais usado esse tipo de comentário aqui.

    Vocês com certeza já assistiram o filme Almost Famoous. O pessoal da fictícia banda Stillwater chamava o escritor William Miller de “o inimigo”. Usando essa referência, há tempos queria dizer que não sou “inimigo” de vocês, apenas discordo em algumas posições e tenho certeza que concordamos em outras diversas. É isso.

  10. Cara, a essas perguntas todas eu te devolvo outra:

    – onde estão as armas de destruioção em massa do Iraque?

    – A ogiva nuclear de Saddam Hussein?

    – Por que tiraram o Maurício Bustami da Opaq, quando ele era a única voz forte na ONU que dizia que invadir o país era errado?

    – Você acha mesmo que o governo Lula se opõe sistematicamente aos EUA? Eu acho que não. E a tal Nova Ordem Mundial está expressa no crescimento econômico de novas potências como China e Índia e o peso político conquistado pelo Brasil no governo Lula.

    – Pode até ser espuma, mas é uma baita espuma que obriga as maiores potências do mundo a se posicionar e a rediscutir suas opiniões antigas – nem que seja para justifica-las.

    De resto César, sempre fui bem cordato com vc na conversa e deixei claro o que me incomoda no debate.

    O desprezo ao Reinaldo Azevedo vem de muito, mas muito antes da Veja, quando ele ainda se advogava de “desenvolvimentista” na revista república. Aquilo ali é uma máquina de bajulação que repete sistematicamente as mesmas palavras.

  11. Outra coisa, o que esse acordo mostra – e isso tem muito a ver com o post anterior do Jay – é que após a guerra do Iraque houve mesmo um colapso em que as grandes potências mundiais terão de mudar os mecanismos de persuasão deles.

    O G8 já não é realidade e nem tem nenhuma representatividade na economia mundial.

    Na política a coisa começa a ser coordenada nesse sentido. O tal grupo dos 5+1 de detentores de bombas atômicas vão ter de conversar com outros agentes se quiserem ter legitimidade.

    Essa matéria da France Press diz muito sobre isso:

    http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5hCKU3dVG2-brJFvPgLhQHT0IJukQ

    O mundo mudou muito. Lula percebeu isso um pouco antes de alguns outros líderes e usou o peso geográfico, político, demográfico e econômico para influir na conversa internacional.

    Essa disputa não diz respeito só ao poder do país, mas de pensar a auto-determinação nacional como uma ferramenta de acesso às tecnologias, de acesso aos mercados e de indução ao tipo de modelo de relação exterior que o mundo deve ter para, no caso do Lula, os países da América Latina se beneficiarem.

    E por fim mais uma pergunta:
    Voce sinceramente pensa que uma intervenção no Irã só diz respeito à pacificação do Oriente Médio? Petróleo, armas e os recursos naturais de um país grande como o Irã não têm nada a ver com isso?

    Com isso, retomo o tema do texto do Pablo, eu acho o Ahmadinejad uma figura detestável e já escrevi isso outras vezes no blog: é autoritário, conservador, machista, preconceituoso e mais uma lista de adjetivos pouco elogiosos. O governo dele é uma merda pro Irã. Mas acho que sanções ao país ou uma guerra só irão deixar as coisas por lá piores.

    A guerra Irã-Iraque deixou o país mais intolerante e reforçou o aparato policialesco. Que quer estimular o país a se abrir tem de apresentar as vantagens dessa abertura e não mais sanções para sufocar a população.

  12. pablito, muy bien! critica de midia ta cada vez mais escassa. é preciso mesmo essa ´fagulha´no cyberpalheiro sempre que vc puder, digo, que o fechamento deixar.
    beijos

  13. Lauro,

    Interessante mesmo seus argumentos! Concordo com eles em muita coisa! Suas perguntas são pontuais e era sabido que no Iraque não existia nada, apenas pretextos para a invasão. Mas e se o Saddam estivesse lá ainda?

    Realmente o Lula pode não ter estudo e outras coisas, mas é ingável sua inteligência política e capacidade de antever situações que possam ser benéficas ao seu, infelizmente pra mim, imenso capital político.

    Eu acho que o Brasil faz sim política internacional antiamericana. Não de forma ostensiva, mas nos bastidores. Acho interessante a proposta de uma nova ordem, acho mais, acho necessário sairmos de 1945. Mas para isso precisamos apoiar o Hugo Chaves e seu bando todo? Governos terroristas como Sudão, Líbia e Irã apenas para aparecer como voz dissoante? Aquela palhaçada de Honduras? Será que não existe um outro caminho? Para salientar, não acho que o Serra seja a pessoa a seguir esse caminho, mas temo que a Dilma faça política internacional por ideologia, o que o Lula não faz.

    Vou fazer um comparativo: o Senna, corinthiano como o Lula, virou um mito no momento daquele acidente. Podem-se até discordar, mas existe um certo ar de santidade quando se fala dele. Com o Lula é a mesma coisa, existe esse mito por trás de sua pessoa e realmente não dá pra negar seus méritos. Apesar de ele querer bajulação e estrelismo, não duvído que ele também queira melhorar as coisas para o Brasil.

    Realmente o mundo mudou muito, as forças geopoliticas se diluiram. Aquela potência única que surgiu em 1991 já não existe mais, pelo menos não da mesma forma apesar de sua imensa superioridade bélica. E isso realmente é ótimo! Ontem estava vendo a FOX e o Homer disse algo +/- assim: vamos aproveitar pq daqui há algum tempo nós não teremos mais importancia no mundo, são eles fazendo paródia deles mesmos! Se não me engano é a 21 temporada.

    Como toda força, há uma força oposta de mesma intensidade. Vocês leram a matéria da Der Spingel falando que o Brasil também quer a bomba? Achei meio surreal, mas essas coisas acontecem.

    O que me assusta é a maneira que essas mudanças estão sendo implantadas e como essa nova ordem, com os emergentes, será implantada e coordenada.

    Agora imaginem se uma Bomba, ou mesmo bomba suja iraniana explode em solo da OTAN, Israel ou principalmente americano? O que poderia acontecer? Acho que com esse acordo do Lula, isso se torna mais plausível de acontecer.

  14. Pra finalizar: acho que ficou claro, que apesar das discordância políticas, temos todos nós os mesmos valores: liberdade, justiça e democracia. Isso sempre ficou claro em todos os textos e isso é muito bacana!

    Não, eu não acho que essa intervenção no Irã sejam apenas pelo petróleo e armas. Realmente ela vai mais além. Também acho que deveriam negociar com Cuba, Coréia do Norte, e outras merdas como essas. Negociar para acabar com aqueles regimes lixentos. Credo, isso até parece utopia, acho que cheguei até a viajar na maionese!

    Os EUA são arrogantes e usam o seu Big Stick. Novas maneiras de negociação devem ser implantadas sim! Mas volto a falar de democracia, esse pessoal não gosta desse trem, nem a Rússia, nem a China…

    Sobre as sanções, também concordo, serão inutéis assim como são em Cuba há décadas. Elas só fazer por f… com a parcela mais pobre da população e creio que ainda dão combustível para o regime continuar podre e opressor.

  15. Antes da Guerra Irã e Iraque, existia oposição aos religiosos no Irã. A revolução foi feita por grupos civis e religiosos contra uma monarquia. Com a guerra, as divisões se apagaram, antigos militares do chá tomaram o comando do país e ele nunca mais foi o mesmo. Antes da ´pressão americana, grupos associados ao reformista Katami galgava posições nas eleições iranianas. Depois, o concílio deles deu um golpe e descredenciou todos os candidatos reformistas. acho que um diálogo internacional maior favorece os grupos oposicionistas mais do que o Ahmadinejad.

  16. “O governo brasileiro até pode ser criticado por não tocar no assunto ou se abster de votar contra o Irã no Conselho de Direitos Humanos na ONU.” –

    Mas, peraí, o governo Brasileiro PRECISA ser criticado por não falar nada sobre esses e outros abusos!!!

    O que é absurdo nessa história toda, é que a argumentação toda neste artigo é baseada na ideia de que, já que outros países são cinicos nas suas relações com ditaduras opressoras, o Brasil deve ser também e fechar os olhos para as doiduras que o lunático Armadinejah anda aprontando, com suas ameaças de destruição e opressão sistemática da oposição e minorias no Irã.

    Bem, a cena de ontem me fez lembrar muito de uma outra, lá pelos idos de 38, quando o politico inglês, Neville Chamberlain foi lá na Alemanha buscar com os Nazistas uma declaração de boas intençoes, conhecida como a declaração de Munique. É claro que Hittler não tinha intenção de paz coisa nenhuma e já estava se preparando para a guerra.

    Um ano depois a guerra aconteceu de qualquer forma e Chamberlain ficou na história como o idiota útil dos Alemães. Eu realmente espero que o Lula não ocupe esse lugar…porque a escala hoje é muito pior.

  17. Tipo, perdi a discussão e só vi agora.

    1 – Caro César, às perguntas, suas:

    – Vocês realmente acreditam que o Irã não vá construir a Bomba?

    A princípio, não. Mas querem garantir a possibilidade de.

    – Vocês acham que o Irã tem o direito de ter a temida?

    A meu ver, tecnicamente eles podem chegar perto e manter o “quase” com todos os direitos previstos. Difícil saber onde frear com respeito aos direitos deles. Na prática, não tem como.

    – Israel, assim que suspeitar que está quase pronto o artefato, não irá lançar um ataque preventivo? E foda-se a opinião do resto do mundo?

    Não dá pra saber. Possível, diante dos delírios do louco do presidente iraniano. Quando, com que apoio e a qual custo, that´s the point.

    – Essa política Lulista de que é preciso uma nova ordem mundial não é apenas para se opor sistematicamente aos EUA?

    Um pouco, sim. A ordem americana foi de impor ditaduras em todos os lugares quando lhes convia. Depois vem com o papo de democracia. Ok, fine. Me fale sobre uma troca de regime na Arábia Saudita, o lugar mais opressivo (em termos estatais, ou monárquicos) do planeta, o petróleo, depois eu é que sou “apedeuta”??? Política independente, eu acho bom. Se não gostar, vá a reboque de quem você quiser.

    – Essa não é mais umas das espumas criada pelo governo Brasileiro para tentar encobrir os seguidos fracassos da “nossa” política internacional?

    Bom, depois de ser eleito pelo El País, pelo Lê Monde e até pela Time como líder mais influente, personalidade e tal. Eu passo. (Há equívocos, sim, mas, não resuma ou rotule tanto assim, gosto dos seus argumentos, mas, continue…)

    PS: Use o termo terrorista com moderação, ou você pode ser mandado pra Guantánamo, ligar bonito, praia no Caribe.

    OS 2: César, seu post das 20h06 é redondo, acho que é unanimidade. Reforçando, por isso, argumento, é que sanções (mesmo com a China, e por isso mesmo) vão ser retóricas e contraproducentes. Os EUA não queriam jogar fora oito meses de trabalho e, insistem. Errado. Eles acham que, com sanções, o governo escroto vai enfraquecer. Digo,o regime vai se fechar em torno do governo (nação, nacionalismo) e se contrapor ao exterior, menos diálogo, menos chance pra oposição (saudável, necessária, oxalá!) interna.

    Paulo: Quando Israel assumir as 200 (80? 400?) ogivas, acho que dá pra falar de alguém que quer ter. (OK, o discurso holocáustico – em relação a Israel – pode ser interpretado como: 1 – Sobrevivência. 2 – Auto-defesa diante de tantas ameaças). Mas isso é outro post. Ou então ce vem aqui e a gente toma café, tá?

  18. Pablo, o café é uma ótima idéia!

    Aqui pra nós, é claro que Israel vai fazer o que estiver ao alcance para impedir o Irã…o que é um perigo pra todos, mas concordo que esse não é o assunto.

    O problema com o Irã, e que na minha opinião preocupa o mundo todo – incluindo outros paises do O.M. – menos o Lula, é:

    A combinação do discurso e propaganda sistematica de extermínio de outros paises (vc já viu o que sai na TV do governo Iraniana??? + governo militarizado e opressor + programa balístico de misseis de longa distancia + um programa nuclear que só faz sentido para produzir materia prima para a bomba (com fins pacíficos, é claro) + sustentação logistica e ideológica de grupos fundamentalistas por todo o Oriente médio e por aí afora.

    O problema é a combinação de fatores.

    É evidente que este é um acordo estratégico para o Irã que quer ganhar mais tempo para terminar seu programa nuclear e balístico…ou será só eu e o Medvedev que estamos vendo isso? 🙂

    Diplomacia sem olhar para a realidade em campo é burrice. Na minha opinião, o Lula é bom nisso.

    Abs!

  19. Combinado o café.

    A questão é: quão o Irã sofre ameaça e joga alto, defensivamente? Ou, quão sério é o discurso do Ahamadinejad (de ameaçador, digo)de ataque.
    Acho que não lhes interessa a guerra e, no limite, com a bomba, é dissuasivo, tal qual Israel.
    Li hoje na Folha – e fiquei impressionado – com um israelense dizendo que não tem problema o Irã ter a bomba, que ter a bomba evita a guerra. Faz sentido.

  20. Opa!
    Também quero responder, ressalvando que Lula não foi prestar apoio a construção da bomba pelo Irã:
    – Vocês realmente acreditam que o Irã não vá construir a Bomba?
    Não sei. O que me parece certo é que impor sanções e marginalizar o Irã na comunidade internacional não ajuda. O discurso do “eixo do mal” e o isolamento da coréia do norte, por exemplo, foram pobres em resultados. Além do mais, o problema de sair da ameaça para a sanção é que o outro lado passa a não ter nada a perder (o Japão na 2ª guerra é um exemplo).

    – Vocês acham que o Irã tem o direito de ter a temida?
    Acho que sim. Se a uniformidade de aplicação de uma regra a todos é um requisito básico da sua justiça e as nações são moralmente iguais, o que vale pros EUA, vale pro Irã. Agora, eu não gostaria que eles tivessem a bomba, da mesma forma que não gostaria de entrar em um elevador acompanhado de um sujeito muito religioso com uma arma na mão.

    – Israel, assim que suspeitar que está quase pronto o artefato, não irá lançar um ataque preventivo? E foda-se a opinião do resto do mundo?
    Acho que é possível. Mas esse não é um problema com o Irã, né? Nesse caso os loucos estão em outro lugar.

    – Essa política Lulista de que é preciso uma nova ordem mundial não é apenas para se opor sistematicamente aos EUA?
    Sinceramente, não precisa vir o Lula dizer que quer nova ordem mundial. Ela está aí pra quem quiser ver. “Já não é mais promessa, é uma realidade”, como diria Paulo Henrique Ganso. Faltam as instituições adequadas a ela só isso.
    No mais, concordo que no governo, de parte de Lula e MAG, há uma retórica, típica na esquerda, que, às vezes, não é muito polida, mas o pior momento das relações com os EUA, nos últimos anos, foi os “olhos nos olhos” de FHC com Bush. Hoje, estamos pra assinar um acordo militar, eles querem nos vender armas e nos vêem com muito mais interesse comercial e geopolítico. Como é bom ser antiamericano nos trópicos!

    – Essa não é mais umas das espumas criada pelo governo Brasileiro para tentar encobrir os seguidos fracassos da “nossa” política internacional?
    Isso é opinião ou pergunta?

  21. O que me preocupa nessa história toda é que esse Israelense – e de um modo geral uma boa parte das pessoas assumem que de alguma forma assistiremos uma repetição da guerra-fria.

    Nas decadas de disputa entre EUA e URSS, vc tinha dois agentes, relativamente racionais jogando com a interferência em outros governos com objetivos estratégicos e eventuais confrontos localizados. Um confronto direto nunca ocorreu pelo medo do potencial destruidor dos arsenais e acho também pela lembrança do desastre que tinha sido a ultima guerra generalizada.

    As regras do jogo mudaram muito de lá pra cá e não acredito que o Irã se comporte como um agente racional nos termos da guerra-fria.

  22. A foto do acordo ilustrou ontem a primeira página dos principais jornais da Turquia. Uns deram mais destaque e outros reservaram muito menos espaço para o assunto. Como não leio em turco, compramos um jornal de Istanbul em inglês (Today´s Zamra), que adorei. 60% dos artigos eram sobre o acordo. Todos exaltam o papel da Turquia nessa negociação, dizendo que o país assume cada vez mais um papel protagonista no Oriente Médio. Um dos artigos faz referÊncia à opinião de um colunista sírio, que credita o sucesso do acordo aos esforços do governo turco e não do governo brasileiro, que, segundo o sírio, acaba de entrar na parada e não pode ser classificado como mediador, digamos.
    Os comentários desse jornal são unânimes: Turquia tem que se preocupar com os problemas internos, firstly, como por exemplo o imbróglio com os curdos (a polícia aqui tá matando os curdos, galera. tem um jornal curdo que tem nas costas 166 acusações). Os textos reclamam sobre a não divulgação dos detalhes do acordo. Um editorial aqui diz que a população turca ainda tem medo de que o país se converta em um Irã, restringindo liberdades e oprimindo minorias (coisa que já acontece mesmo). Retrata o temor de que as ruas serão invadidas por mulheres usando burcas e blábláblá. Mas, segundo o editorial, esse é o medo de uma minoria ultra conservadora.
    Resumindo: a Turquia é a protagonista desse acordo ainda misterioso, o Brasil pegou carona com uma estratégia de mestre, esse documento não vai impedir o Irã de desenvolver armas atômicas e não se pode acreditar nas palavras de Ahmadinejad. A luta da Turquia para ser parte da UE é muito mais antiga do que aquela do Brasil para ser membro do CS da ONU – segundo os articulistas. A Turquia está de peito estufado, embora tente abafar a gravidade da sacanagem que estão fazendo com os curdos. (só um parêntesis: Saddam Husseim no Oriente Médio parece ser queridíssimo, parece. Principalmente entre os motoristas de táxi. quando o homem era vivo, o preço da gasolina era quase simbólico. agora, ficou quase impraticável para uma grande maioria)
    Beijo saudoso cheio de amor nos irmãos e no meu querido Pablo. O Ceará também manda aquele beijo dele (gostoso) nos frendis do blog.

  23. Acho que isso poderia se resolver com um ataque devastador dos EUA na república islâmica e, como consequência, a volta da ex-Pérsia a padrões de Idade Média, com a população brigando por um pacote de biscoito água e sal made in “ajuda humanitária da ONU”.
    Se isso já tivesse acontecido, estaríamos todos em prol de assuntos mais importantes: como torcer para arrebentarem o Kleberson no jogo de amanhã e o nosso caudilho gaucho ser obrigado a chamar o Ganso!
    É uma questão de perspectiva e hierarquia de importância.
    Beijundas.

  24. Além disso, na mesma entrevista onde esse blog é alçado a leitura preferida de Marcelo Camelo afirma: “Os cientistas todos têm barba. É uma parada que avisa que você não está nesta vida de brincadeira.”
    Ora, Lula tem barba, Ahmajinejad tem barba, o turco tem barba.Obama não tem barba, Hillary Clinton não tem barba, Cesar Poli não tem barba.Deus tinha barba, Maomé tinha barba. Ora, Dunga não tem barba.

  25. Se a Hillary estiver mentindo sobre o apoio internacional às sanções, não será a primeira vez que ela recorre ao expediente. Quem não se lembra da história da Bósnia?

  26. Eu fico só pensando como é que vai ser quando o Irã tiver suas bombinhas e a galera toda do O.M. ver que é festa: Imagina só a Arabia Saudita Wahabista, O kadafi malucão, A máfia do Assad e Baath Sirio e o resto da corja, cada um com seu dedinho no botão vermelho (ou verde, ou azul, dependendo da religião), alguem vai acabar emprestando uma tambem pro Sheik Hassan Nasrallah, aquele gordinho que fica gritando morte aos Israelenses no microfone pra multidão do Hizbollah.

    Isso não vai dar certo.

  27. Acho que eles usam Uranio na caixinha de rapé. Quando espirra acende a luz.

    Mas se multilateralismo verdadeiro significa cada ditador de araque do mundo com sua bomba nuclear, e dando pitaco nós estamos ferrados mesmo.

    Acho que o jargão anda sendo usado para descrever complacência generalizada com governos que possuem políticas agressivas e pessímos historicos de mau comportamento. Olha só a Libia sendo eleita para o conselho de direitos humanos.!

  28. Caro Paulo, em primeiro lugar, acho que comparar o gesto do Lula ao Chamberlain é errado. A Alemanha de então já era uma potência militar inequívoca que tinha acabado de sair de uma guerra mundial sem perder o apetite imperial. Qual foi a tentativa de anexação do Irã nesse governo?

    Outra coisa, você não confia no contrato já de começo por que se trata de um país anti-semita. Também acho a postura do Irã em relação ao holocausto e aos direitos humanos abjeta, mas você sinceramente concorda que as sanções vão resolver isso? Você acha que talvez uma guerra como a do Iraque resolva isso? A saída é sufocar o país até eles cuspirem os Aiatolás? Não conheço lugar onde essa estratégia tenha funcionado.

    O Iraque perto do Irã é uma merdinha e oha o rolo que continua no país. Você jura que considera o mundo um lugar mais seguro depois de Iraque e Afeganistão? Ou se negocia de uma maneira mais ampla ou esse seu cenário atômico se confirmará muito mais rápido do que vc vocifera por aqui.

    Quem até agora quer apertar o botão (não das bombas nucleares) é o governo americano que vem sendo um péssimo exemplo pra comunidade internacional. Esse seu discurso reproduz quase que ipsis literis o discurso da invasão ao Iraque. O mundo vivia num colapso e sem o ataque o fim do mundo era eminente, a guerra veio e aí? Quem estava errado era os EUA. Não haviam armas de destruição em massa

    Outra coisa de uma má vontade atroz é o “cada ditador com sua bomba nuclear” só os EUA tem característica de pôr isso em julgamento? Sinceramente, o bom senso não tem limitação de fronteiras não, meu caro. E desde quando a bomba nuclear da Rússia, da China ou dos EUA também não são perigosas.

    Qual institucionalidade ou chamado divino instauram isso? Em que se baseia esse seu conceito da “racionalidade” dos protagonistas da Guerra Fria”? Vietnã, Tchecoslováquia, Afeganistão e Chile, certamente têm suas reservas em relação a isso. E, no limite, a ascensão do extremismo islâmico é um filho direto da Guerra Fria.

    Histórico de mau comportamento EUA e Israel também têm. A guerra do Iraque é um exemplo. O governo fanático de Netanyahu tb. Desrespeitam tratos internacionais a ponto do Ehud Barak reclamar da falta de respeito pelas fronteiras palestinas (http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20100519-acordo-nuclear-iraniano-obtido-pelo-brasil-e-historico-diz-le-monde). E aí? O governo também não é nem um pouco confiável. Como negociar? Isolando, impondo sanções, eu não acho que seja o caso.

    Por fim, vc bem sabe quem são os aliados da sanguinária Arábia Saudita. Não é o Irã.

  29. Piterodátilo Esclerosis: Vou deixar minha barba crescer só pra ficar diferente do Dunga!

    Lauro: Eu deixando a barba crescer, posso me junta a você no clube dos que serão levados a sério?

    Carlinhos: “Essa não é mais umas das espumas criada pelo governo Brasileiro para tentar encobrir os seguidos fracassos da “nossa” política internacional? Isso é opinião ou pergunta? ” Verdade, acabei transformando minha opinião numa pergunta, acabou não sendo muito produtivo.

    No mais, realmente a coisa aqui ficou boa! Muito bacana as trocas de opiniões. Lauro, Tiago e Joaquim, por favor, mais posts!

  30. O único país do mundo que usou bomba atômica com fins de guerra foi os EUA. Ninguém mais usou. Só isso.

  31. o alinhamento aos Estados Unidos nessa contenda toda é inadmissível. Os americanos tem sido o maior fator de destabilização na região. A Guerra do Iraque provou que em situações de trauma a sociedade americana se deixa manipular facilmente e aceita política extremistas como a dos neocons. Só que no Irã a conversa é outra. Os Estados Unidos sabem que não tem condição de entrar lá sozinhos. Só a guarda revolucionária, fora as forças armadas, tem um efetivo de 150 mil. Se desse pra invadir eles já teriam entrado desde o governo Bush. Resta essa política de sanções que é insana, absurda e só sacrifica uma população sofrida, além de fomentar mais ressentimento contra o mundo ocidental. Eu esperava muito mais desse governo democrata. A política externa do Barack Obama é uma decepção contínua.

  32. Insisto: Não estaríamos discutindo isso se nosso cowboy preferido ainda estivesse no poder.O Irã já estaria reduzido a um monte de esfomeados governados por um gerente de plantão.

  33. “Se o Irã tivesse bomba”, “se o Kadafi tivesse bomba”, etc etc. Até hoje só um país teve coragem de apertar o famigerado “botãozinho”, e não é um país do OM.

  34. Gilvan, Gilson,

    Em 1945 as coisas eram outras e o mundo funcionava de maneira diferente. Estávamos no fim da II guerra e o Japão insistia em não se render. Naquela época, somente os americanos tinham a bomba. Os soviéticos só a conseguiram, se não me engano em 1949, a custa de muita espionagem e outras cositas mas…

    Realmente não justifica vaporizar um monte de japas e ainda por duas vezes! Mas isso não é motivo para antiamericanismo bocó. Esse argumento não funciona e não serve para nada. Muito menos nessa discussão do Irã, que pode no futuro gerar outro país a apertar o famigerado “botãozinho”.

    E pra finalizar, os japoneses hoje são aliados dos americanos e realmente temos que admira-los. Saíram destroçados da guerra e são hoje uma das maiores economias e democracias do planeta, assim como a Alemanha.

  35. Pois é César, o mundo mudou e ninguém nunca mais usou a bomba, nunca mais. O uso da bomba em 45 era uma forma de mostrar quem dava as cartas no mundo a partir da rendição japonesa.

    O napalm no Vietnã foi uma tentativa de se fazer o mesmo, mas o mundo não era mais o mesmo.

    O que eu aponto é que considerando que o Ahmadinejad coloca o mundo em risco se fizer uma bomba (se é que a Central de Lambanças da “inteligência” americana esteja certa pelo menos dessa vez), esse mundo já está em risco há muitos anos e em países muito menos estáveis que o Irã (Kim Jong Il que o diga).

    E esse risco foi dado pela mesma vitória reaganista. A capitulação soviética gerou um espólio e uma nova commoditie valiosa no mercado internacional – a indústria armamentista pesada.

    E isso move muito mais interesses. Que o diga a tura dessa listinha aí ó: http://en.wikipedia.org/wiki/Arms_industry#World.27s_largest_arms_exporters

    Só gente fina!

  36. Só pra deixar claro, se não houve mais explosões atômicas isso aconteceu por que ao explodir uma bomba, o sujeito não está mais oferecendo uma derrota incondicional ao seu oponente, mas propondo uma guerra de proporções globais.

    O custo disso é muito caro e o sujeito tem de pensar 140 mil vezes antes de decidir isso.

    O mesmo medo que as potências tem do Irã, o Irã tem dos EUA, de Israel, da Inglaterra e suas propostas belicistas tem o mesmo fundo de paranóia que o discurso americano. E nessa paranóia, eles têm a companhia amiga de Paquistão, Índia, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Índia, Inglaterra, Rússia, França, China e mais uma cacetada de outras nações que já fizeram muita merda em sua história e que hoje têm armamento nuclear.

    Por isso, advogar racionalidade pra uns e demência pros outros é como dizer que um time é mais eficiente que o outro por que usa camisas cor-de-rosa. É o nonsense fantasiado de pragmatismo militar.

  37. 1 Não sou antiamericano, isto definitivamente NÃO está em discussão (pega no meu Bonnie Pince Billy)!!!

    2 Ano vem ano vai, ninguém mais jogou bomba em ninguém – fato. A Alemanha tem oitocentos dedos pra tratar de qq questão que envolva o estado de Israel, isso é bastante patente (claro, não deve ser por causa da segunda guerra, pois naquele tempo o mundo era diferente). Já os americanos falam sobre bomba atômica com a maior desenvoltura do mundo, não mostram uma isca de constrangimento. Pode ser conhecimento de causa até, vai saber.

    3 Ninguém está falando que o Irã deve ter bomba, muito pelo contrário, acho que isso ficou claro.

  38. Aliás, César, você acha que o Magic tem condições de reverter a vantagem dos Celtics?

  39. Gilvan e Gilson,

    Massa suas maiores explicações e pode-se gerar outro post sobre isso.

    Quanto a NBA, eu acho muito massa o basquete e quando pesava menos de 80 kg eu me aventurava nas cestas!

    Os Celtics fizeram valer a camisa e passaram pelos CAVS do Lebron James, que deve ir para os NY Knics. Acho que a final será novamente Lakers vs. Celtics (que saudade no meu Mega Drive!). Sou fã do Kobe e hoje tem o segundo jogo, ele mesmo machucado destruir os Suns!

  40. para ler com a voz do Freddie Mercury Prateado: VOCÊ NÃO VAI VOTAR NA DILMA, CESAR POOOLI? VOTA NA DILMA, VOTA. VOTA NA DILMIIINHA. VOTA NA DILMA CESAR POLI. VOCÊ VAI VOTAR NA DILMA NA DILMINHA CESAR POLI? VOTA NELA, VOOTA.

  41. Joaquim,

    Sem problemas! Tenho um grande amigo que é PTista (filiado e presidente do PT da sua cidade)e sempre me fala isso!

    Sábado estavamos no Bixiga discutindo esses assuntos!

    abs

  42. salve Tiago, salve Lauro (salve Paulo),
    mas afinal, o texto do Pablo está discutindo a diplomacia externa brasileira ou os problemas do Orinte Médio? Isso não é uma pergunta.

  43. Ótimo texto do Guardian sobre o assunto hoje:

    http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2010/may/19/iran-nuclear-processing-un-sanctions

    Turkey and Brazil, the other broker of the fuel swap, are both non-permanent members of the security council and signatories of the nuclear non-proliferation treaty. Japan, too, shares a commitment to find a diplomatic solution to the nuclear standoff with Iran. Together these nations have assumed the role of honest broker abandoned by Britain, France and Germany.

  44. Fred Mercury Prateado: Michel Temer, MIchel Temer, Michel Temer!
    Hélio Bosta, Hélio Bosta, Hélio Bosta!

  45. Lauro: “mas você sinceramente concorda que as sanções vão resolver isso? Você acha que talvez uma guerra como a do Iraque resolva isso? A saída é sufocar o país até eles cuspirem os Aiatolás?”

    As sanções poderiam ser um mecanismo de coerção sim, se fossem implementadas corretamente. O que eu acho irracional é essa lógica: ah, eles enforcam os homosexuais, oprimem as mulheres, matam de sede os Baluchi os Kurdos e outras minorias, proibem liberdade de expressão politica e religiosa, ameaçam Israel de exterminio, sustentam economica e militarmente o terrorismo no O.M. estão construindo uma bomba nuclear,mas vamos fazer olho grosso porque não tem nenhuma alternativa mesmo…vamos até nos abster de condenar eles no forum publico das nações porque aí, quem sabe, eles mudam o comportamento.

    Vai me perdoar Lauro mas essa mistura de pragmatismo, amoralidade e complacência com fatos acima não me parece certa…e nós ainda tomamos a dianteira.

  46. Paulo, eu só acho que medidas como as sanções pioram a vida de que é oprimido e fortalece os extremismos. Não conheço um caso de sanção que tenha fortalecido a democracia. Zero.

    Se você conhece meio, por favor nos apresente, mudo de idéia no ato.

  47. Eu também tenho uma opinião bem igualitária para a questão: acho mesmo é que NINGUÉM deveria ter permissão para enriquecer urânio. Talvez pesquisas muito controladas pudessem ser liberadas, de resto, sinceramente, não vejo nenhum ponto positivo.
    Não há o que fazer com lixo nuclear, não é que país X ou Y não saiba o que fazer, NÃO HÁ O QUE FAZER.
    No Brasil todo lixo nuclear que já foi produzido – a parcela mais contaminada, cerca de um metro cúbico por ano – ainda está nas “piscinas” das usinas de Angra, que é o tratamento primário desses resíduos e deveria durar seis meses.
    Não preciso nem enumerar os muitos acidentes, em diversas escalas, com resíduos nucleares que já aconteceram e que matam de uma forma ainda mais trágica do que uma bomba.
    Assim, sinceramente, não vejo competência mundial para lidar com a questão, nem no Irã, nem nos EUA e em lugar nenhum.

  48. Outra coisa, qual o país que não dialoga com nações que ferem os direitos humanos? Só um país, por favor. Só a presença da China como protagonista nos fóruns internacionais mais relevantes já desmente isso.

    É claro que a falta de democracia, o desrespeito com minorias étnicas e religiosas são uma marca bizarra do governo Ahmadinejad, mas e o prolongamento dos assentamentos em Israel e a Guerra contra o Líbano, o que são? O que é o presídio de Abu Graib? Tchetchênia?

    Escrevi milhares de vezes contra o governo Ahmadinejad, mas acho que o isolamento que o governo americano quer impor vai piorar – e muito – as coisas. No Iraque e no Afeganistão foi isso que aconteceu.

    Sinceramente, acho que amoralidade e complacência também navegam na sua cabeça, só muda o registro ideológico.

  49. Voltando ao tópico original do post, não acho correto o Brasil se abster sobre o Irã no CDH da ONU, mas em política, esse tipo de postura reta e ética todo o tempo simplesmente não existe. Há que negociar.
    Concordo com o Lauro que as sanções só vão piorar as coisas, como já disse noutro cometário. Reproduzo um trecho de um texto do Gary´s Choices:

    The gratuitous insult aside, which approach do you believe would most likely result in real progress in slowing or halting Iran’s nuclear program? We have been imposing ever-greater sanctions on Iran for more than fifteen years. When we started they had zero centrifuges; today they have in excess of 9,000. To those who believe that one more package of sanctions will do what no other sanctions have done so far, I can only say I admire your unquenchable optimism.

    More likely the Turkish ambassador to the UN had it about right when he said quite plainly about sanctions, “They don’t work.”

    Would a negotiating track do better, perhaps mediated by two middle-level powers who have built up some credibility with Iran, like Algeria when it finally engineered the end to the US-Iran hostage crisis in 1980-81? We’ll never know. Tonight the hardliners in Iran (and their American counterparts) are celebrating.

    The Iranian hardliners had already begun asking questions about the deal, fearful that Iran had given away too much. Now they don’t have to worry since everyone knows that Iran will never be willing or able to negotiate under the threat of sanctions.

    For the Revolutionary Guards it is a huge bonus. As foreign companies are driven away, the Guards progressively take over more and more of the economy. And as restrictions on trade grow, so do their opportunities to manage the immensely profitable smuggling routes. Like their American counterparts, but for different reasons, they thrive on an environment of threat and isolation.

  50. Paulo, você sabia que a mulher do Celso Amorim é Ba’hai? Ele tem todos os motivos do mundo para deplorar o Ahmadinejad. O que o Brasil propõem é não fechar o cerco. E resolver o assunto por uma via mais negociada. Acho que o pavor da bomba atômica anunciada pelos americanos até agora não foi comprovada em lugar nenhum. Aliás, fora a instabilíssima Coréia do Norte, o Paquistão (alinhado aos EUA) e a Índia, só têm a bicha os membros do conselho de segurança. Outra, chamar os Estados Unidos e a União Soviética de agentes racionais é muita cortina de fumaça. Pôxa vida, os malucos quase acabam com a vida no planeta em 1962, fora as atrocidades nucleares. Os testes promovidos pelos chineses e pelos franceses não ficam muito atrás em horror.

    Se a dinastia Castro e a dinastia Norte-coreana têm o poder que têm hoje pode saber que as sanções ajudaram muito.

  51. Top 5 do post

    – Ninguém deseja que o Irã tenha a bomba
    – Alguns acharam o papel do Lula bom, outros não
    – As sanções, para a maioria, serão contraproducentes
    – Todos também concordam que a ordem mundial mudou
    – Alguma coisa tem que e ser feito pelos players globais, mas ainda não temos a menor idéia do que seja realmente eficiente

    É isso, não?

  52. meus amigos, continuo interessado na questão original, que é a participação do Brasil nesta questão. Como sou ignorante, queria muito ver esse bate-bola rolar neste campo:
    – estamos fazendo papel de bobo ou de gente grande?
    – é pura bravata ou o Lula sabe o que faz?
    – se o Irã furar nosso olho, e as chances são grandes, como ficaremos nessa história, desmoralizados?
    – quais são os riscos políticos disso tudo?

  53. Rafael, ninguém sabe se fomos ou não engabelados. Por que o Irã não pode ter sido engambelado pelo Brasil ou por que os três países não podem ter tentado engambelar os membros permanentes do Conselho de Segurança. Ninguém sabe disso. Tudo que é escrito até agora é pura expressão de opinião, pra um lado ou par o outro.

    O que pode acontecer é o Brasil ser tratorado pelos membros fixos do Conselho de Segurança da ONU. De qualquer forma, se isso for feito, na minha opinião, vai ser uma reação ao acordo Brasil-Turquia – Irã. Uma reação a uma possível perda de autoridade desses países em seu papel de mediar conflitos internacionais.

    Se vc olhar sob qualquer ângulo, o país sai com mais importância do que antes disso. Foi colocado um novo patamar nessa discussão de conflitos e as grandes potências já saíram surpreendidas do governo ter feito os iranianos voltarem atrás em um trato que eles haviam rasgado há poucos meses.

    Agora, essa responsabilidade tb tem o seu custo e isso só o tempo pra dizer.

  54. Tiago, ainda bem que vc tocou no assunto dos Ba’hai, como ilustraçao vai aí um depoimento de como eles são tratados no Irã hoje: http://www.bahairights.org/2010/04/09/bahai-rights-in-iran-a-struggle-fought-in-hearts/

    A quase-racionalidade não foi sem ironia 🙂 mas, na minha opinião o conflito era principalmente economico/ideológico…hoje tem um componente religioso que é preocupante e que traz todo um outro grau de imprevisibilidade, mas isso é uma outra discussão.

    O fato é que se as sanções não resolvem, muito menos fingir que o Irã está jogando limpo e empurrar o negócio pra debaixo do tapete até o próximo ataque terrorista ou confronto regional com armamento financiado por eles.

    Minha resposta curta pro Rafael: Estamos fazendo papel de bobo mesmo. Com o Lula a gente nunca sabe se ele sabe mesmo o que faz. O Irã já disse com todas as letras que não vai parar o enriquecimento. Lá vai o Lula inaugurar de novo uma ponte que não foi construída…

  55. Acho que o Brasil teve uma projeção internacional no governo Lula, boa parte porque o Itamaraty foi considerado como peça estratégica, ao contrário do FHC que fez diplomacia presidencial. O fato de termos melhorado economicamente (pela política FHC + continuidade Lula + ênfase social, que surtiu efeito) foi fundamental. O Brasil tem, sim, como líder regional, o direito de postular maior participação no cenário internacional, mas tem que saber tomar porrada também.
    No caso do Irã, foi interesse das três partes e acho que a Turquia teve um papel até maior que o do Brasil. A projeção já rolou, de uma forma ou de outra, mesmo que dê errado, pois agora, com esse atropelo dos EUA, Turquia e Brasil podem falar, nós tentamos e conseguimos um avanço.
    Outra coisa importante é não confundir esse acordo entre os três com a solução dos problemas do programa nuclear iraniano. Foi desatado (pelo menos, segunda-feira) um primeiro nó, que era onde havia estagnado. E o acordo conseguiu trazer o Irã pra mesa de negociação naquele momento. Agora, vamos ver. Hoje os chanceleres brasileiros e turcos mandaram uma carta aos membros do CS pedindo para reconsiderar as sanções. Não acho que vai dar certo, mas a campanha está acirrada. Japão, Áustria e Líbano podem votar contra. E ainda estou achando ambígua a postura da China. Vamos ver.

  56. Quer saber mano, o q vc ia fazer se a porra do presidente dos EUA fosse todo dia pra TV dizer que vc representa um perigo ao resto do mundo? Depois vc liga a TV e vê que niguém mexe com um pedaço de uma ilha no Japão por que eles têm um míssel nuclear? Eu ia era construir bomba, míssel, metralhadora e até lancheira nuclear pra deixarem de folgar comigo. Pra ganhar respeito. Afinal é isso que vale no final na geopolítica: arma e dinheiro. E pau no cu de quem negocia. É tudo otário!

    EUA, Inglaterra, França, Alemanha, Israel, China, Rússia, esses porras só negociam com base no tamanho de arsenal e efetivo. Os EUA tem de ficar espertos em pouco tempo vão pra segundo, depois terceiro e daí mano, não adianta essa onda de não mostra o seu que senão eu mostro o meu. A onda vai ser: “pisou na bola e pow!”

    É isso aí, o Brasil devia era construir uma parada nuclear logo pra calar a boca desse bando de filhodaputa e ganhar algum respeito internacional.

  57. O pior é que ele tem alguma razão. Quem acompanha os depoimentos da Hillary Clinton percebe que o diálogo só é pra valer quando envolve nações nucleares. O Paulo defende que a conciliação estimula ditadores a terem armas nucleares, mas o arranjo internacional estimula ainda mais. O Lula Falcão postou um texto que eu acho que tem muito a dizer sobre isso e sobre o título do texto do Pablo:

    http://lulafalcao.blogspot.com/2010/05/perguntas-inocentes.html

    “Para que serve a diplomacia se, na hora H, quem dá as cartas são as potencias nucleares? Por que não se ouve o mesmo clamor em relação a Israel, país que não aderiu ao Tratado de Não-Proliferação de Armas nucleares e que, provavelmente, possui mais de 400 ogivas?

    A confusão, para simplórios como eu, aumenta quando sabemos que os Estados Unidos receberam aplausos ao anunciar que reduzirão seu peso nuclear de 5.113 para “apenas” 1.550 ogivas prontas para lançamento até 2020. Diante disso, a proposta aceita pelo Irã (enviar 1,2 tonelada de urânio com baixo grau de enriquecimento para a Turquia em troca de 120 kg de combustível enriquecido a 20%) não seria uma merreca?”

    http://www.nytimes.com/aponline/2010/05/18/world/AP-LT-Brazil-Silvas-Rising-Star.html

  58. E olha César, nas finais contra o Lakers costumamos BROCAR. Dá-lhe Doc Rivers e Garnett, e claro (pois ninguém é de ferro)… Rashiiiiiid.

  59. Uma coisa que me parece mal compreendida nos comentários é que o Brasil não é parte nessa negociação, mas intermediário, facilitador. Falar no Brasil ser eventualmente o perdedor nessa história é simplesmente fora de questão. Isso seria debate para consumo interno, manchete nos jornais que apóiam ou que se opõem ao governo.
    O que achei fundamental nessa história foi o Brasil, junto com a Turquia, ter tomado a iniciativa de insistir em uma solução negociada do impasse em questão. A tensão agora será entre pressão via sanções e negociação de fato (“compromise”, na expressão que não sei traduzir, algo como chegar a um meio termo). O resultado positivo dessa negociação foi justamente insistir nessa via de relações internacionais. Todos sabem que o instrumento tradicional de sanções econômicas são pouco eficazes, e geram mais efeitos colaterais do que os resultados esperados. Negociar, fazer convergir interesses, é um caminho mais interessante – pacífico, sem consequencias para o desenvolvimento ou qualidade de vida de uma população – do que criar embargos. Que o digam os cubanos.

  60. gilson,

    Acabou o jogo LAL 2-0 contra os Suns. Gasol e Bryant destruiram no 4 quarto.

    As finais serão muito espetaculares. Mas realmente o Kevin Garnett impõe respeito.

    abs

  61. Pegando o espírito do Ja-Prateado, vou dar aquela sacaneada: o César colocando alios 5 pontos resultantes da discussão não pareceu mesário de corrente minoritária em assembléia como relator de ata? PRAW!

    Essa do “com o Lula nunca dá pra saber se ele sabe realmente o que faz” é de fuder, vai. Porra, tirar o barbudo de café-com-leite a essas horas do campeonato pareceu piada daqueles caras de stand up comedy do CQC.

    Quem não sabe o que faz é o Kléber do Cruzeiro – e olhe lá! P R A W!

  62. velot wamba,

    Não existe aquele ditado que toda brincadeira tem um fundo de verdade?

    Eu realmente sou corrente minirotária aqui. Em se tratando de Lula, realmente nunca dá pra saber se ele sabe o realmente está fazendo. O “Gladiador” também não sabe o que faz! (acho que ele quer ir jogar no Palestra, uma fria tão grande quanto se meter com o Aiatolá Atômico!)

    PRAW! (seja lá o que isso significa)

  63. Convenhamos, dizer que nunca se sabe o que o presidente faz é de uma platitude a rés-do-chão. Uma coisa é se opôr ao que é feito, outra é viver nesse clima de suspeita. Por favor, vamos subir um pouquinho o nível do debate para não ficarmos nas especulações eleitorais. ótimo o que você disse Joaquim.

  64. Lula é macaco véio, malandro de samba antigo, típico brasileiro em extinção.

    “Além da questão nuclear, Lula também pretende explorar, com as autoridades iranianas, formas de aprofundar as relações bilaterais, ampliar os fluxos de comércio e de investimento e diversificar a cooperação, em áreas como turismo, esportes, energias renováveis e agricultura. Por ocasião da visita, estão previstas as assinaturas de atos sobre cooperação em turismo, esportes, agricultura, metrologia, mineralogia, indústria e comércio.

    Entre 2002 e 2009, o comércio bilateral mais do que duplicou, passando de US$ 500 milhões para US$ 1,23 bilhão. O Irã é atualmente o terceiro maior parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio e um dos maiores destinos das exportações brasileiras de alimentos”.

    http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20100515-mediacao-do-brasil-no-ira-e-positiva-segundo-analistas

  65. “Lula é macaco véio, malandro de samba antigo, típico brasileiro em extinção.”

    É mesmo, tipo o Macunaíma.

  66. Enquanto a imagem de Lula cresce (ou decresce dependendo do ponto de vista) no noticiário internacional, Dilma aumenta o placar nas pesquisas … Metáfora futebolística para o lateral direito que está lá trás e passa ligeiro nas costas do camisa 7 que o põe na cara do gol já no primeiro tempo para o desespero dos tucanos em cima do puleiro, ops, trave.

    Preguiçoso é o Dunga …

  67. Lauro, não sei muito bem o que vc está falando de ideologia cega.

    Meu argumento nessa discussão está muito simples: na minha opinião Lula está agindo como o bobo útil para os Iranianos. Levantei um analogo na história do sec. XX que foi prontamente descartado.

    Não concordo com o pragmatismo de fechar os olhos para as atrocidades internas e politica agressiva externa do governo Iraniano. Vejo que este acordo só serve as ambiçoes politicas de Lula e Celso Amorim e não tem lastro real nenhum, uma vez que o proprio governo Iraniano já disse com todas as palavras que não vai interromper o enriquecimento de Uranio. Acredito que se as sançoes são pouco efetivas, incentivar a atual politica Iraniana, muito menos.

  68. POois é, acho que é ideologia isso sim Paulo. Por que coloca no Brasil e na Turquia a responsabilidade pelo resultado dos acordos. Já foi mostrado por A+B que, assim como você, os protagonistas da discussão de segurança nuclear não têm o menor interesse em solução negociada que não parta deles. Por acaso, é desses protagonistas o arsenal nuclear de verdade.

    O Brasil como signatário do tratado de não-proliferação cumpriu seu papel. O Joaquim explicou isso melhor do que eu alguns comentários acima. Mas tem gente que insiste em entrar no jogo eleitoral de jornais…

    Quanto aos direitos humanos, acho que já fui bem claro sobre isso. E em minha opinião, o seu apoio às sanções não tem nada a ver com a situaão dos direitos humanos no Irã. Mesmo por que não me apresentou nem meio exemplo onde a coisa tenha melhorado com sanções ou guerras. Nem meio. Me mostra e a gente conversa ué.

    Portanto Paulo, não venha com esse papo “ideológico” e me aponte uma nação que também não fecha os olhos para as atrocidades internas e politica agressiva externa da China, da Arábia Saudita, do Paquistão etc. A lista é longa. E eu acho que fechar sanções ao país e impedir a comunicação com o mundo só agrava isso.

    Agora, Teerã viu em poucos anos os EUA invadirem e matarem centenas de milhares de pessoas nos seus dois vizinhos – a oeste no Iraque, a leste, no Afeganistão. E qual foi o resultado positivo dessas invasões?

    Já falei da Coréia do Norte e de Cuba como exemplos onde as sanções fuderam tudo. O Iraque é outro exemplo. Sei que sua preocupação não é a segurança das minorias iranianas, mesmo assim acho que suas premissas são absolutamente equivocadas. O bom é que, pelo jeito, sua opinião tem mais eco entre quem decide os rumos da segurança mundial do que a minha. Seja bem feliz com a próxima guerra no Oriente Médio.

    http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/de-washington-a-teera-os-interesses-do-brasil-dos-eua-da-china-e-dos-outros-na-questao-iraniana/

  69. Quanto a sua comparação com o Chamberlain, é risível, me desculpe. É mesma coisa que comparar a campanha do Atlético Mineiro em 2010 ao Brasil em 1958. Os dois ganharam o campeonato, mas o significado e as realidades históricas são absurdamente antagônicas.

  70. Só pra cutucar o Paulo, Israel foi bem pragmático quando furou o boicote no governo de apartheid na África do Sul para lucrar com o comércio de armas… (livro fresquinho, será lançado dia 25 agora)

    Resumo:
    http://writingrights.org/2010/04/06/the-unspoken-alliance-israels-secret-relationship-with-apartheid-south-africa/

    Análise descritiva:
    http://mondoweiss.net/2010/05/excerpt-from-the-unspoken-alliance-israels-secret-relationship-with-apartheid-south-africa.html

    Bom, a julgar pela repercussão do post, vou continuar escrevendo sobre o pessoal do Oriente Médio, afinal, eles são péssimos jogadores de futebol, mas eles têm barba. Os judeus ortodoxos têm barba, os fundamentalistas islâmicos têm barba, JC tinha barba, Maomé tinha barba, Abraão eu não sei, mas devia ter…

  71. Amigo, então vamos descutir este antagonismo ao invés de rir. Meu argumento é que diplomacia sem lastro na realidade dá no que deu. A história serve pra isso, mesmo para times de futebol.

    Sobre cegueira ideológica, achar bom um acordo com um ditador de república teocrática, que anda falando e fazendo o que anda e logo após diz que não vai parar de construir a bomba coisa nenhuma…isso parece cegueira pra mim.

    Concordo realmente que estamos com a possibilidade de uma guerra no O.M., que terá repercussões globais….agora culpar o mundo pelo radicalismo do Armadinejah e os Mullahs me parece cegueira ideológica.

    Pablo: podemos discutir Israel depois, em outro tópico, vai ser um prazer. Vou procurar o livro!

  72. Putz, Lei de Godwin à parte, tenho um puta problema com o argumento Chamberlain: se a gente supõe que o outro é igual a Hitler, a solução é parar de conversar e mandar bala no demo.
    Pessoalmente, eu acho que as tentativas de Chamberlain foram válidas (para a Inglaterra, não para a Checoslováquia) e que há um certo mito/exagero sobre os benefícios que os nazistas obtiveram com a os esforços do sujeito.
    Por outro lado, o argumento do “bobo útil” é extremamente irreal. Imaginar que o Amorim e Lula, putas velhas de negociação, estejam sendo enrolados por aiatolás é surreal. Na verdade os americanos dizem isso porque aliados deles (Brasil e Turquia) estão negociando com o Irã: se os iranianos são um bando de marginais, nossos amigos devem estar sendo enrolados (senão, a única alternativa lógica seria qualificar-los como marginais também).

  73. Epa, epa. Judeus ortodoxos sim, mas Henry Sobel não tem barba, ele tem gravatas. “Gravatas!”

  74. Calma aí, não entendi o que é “diplomacia sem lastro na realidade”? A realidade é uma verdade revelada que nos leva a um único caminho? Pôxa, acho que cabe discutir, sem desqualificar ninguém, porque algumas opções são melhores que outras. Chamar de bobo, burro não vai longe.
    Sobre a relação entre o apartheid e Israel, eis um bom artigo:
    http://www.guardian.co.uk/world/2006/feb/07/southafrica.israel
    A história é triste.
    Quem deve estar rindo com a reação da Hillary é a Blackwater. Se essa guerra sai, as ações dos mercenários disparam.

  75. O Estado teocrático e violador sistemático de direitos humanos de que vocês estão falando é Israel? Acho que me perdi na discussão. Se for isso, eu concordo, não dá para negociar com esses caras. Eles têm (parece, ninguém sabe ao certo, eles escondem o programa nuclear deles do resto do mundo) bomba atômica, é sujeira mexer.

  76. Mencionei o apartheid só pra ilustrar que todo mundo negocia com Estados párias e FDP em direitos humanos e que seria ilusório achar que não. Pessoalmente podemos fazer isso, mas na relação entre Estados é praticamente impossível. É o cerne do texto que escrevi.
    Quanto à teocracia, pouco se fala de Israel e acho que tem vários problemas da relação deles com a religião impregnando questões do Estado, daí sou contra por princípio de misturar as coisas. Mas não dá pra comparar o nível de “teocratização” de Israel com o Irã, muito mais severo e radical. Se bem que o Lieberman e a turma do Shas – todos no governo atual – não ficam muito atrás.

  77. Paulo Waisberg,

    Essa tal acordo que o Lula fez, dando certo ou não, gostando ou não vai se transformar em ativo eleitoral. Infelizmente vai. É cantado a verso e prosa dentro do PT que Lula será secretário geral da ONU. Ele está se aproveitando internamente do mito e tentando exportar isso. Se vai funcionar lá fora, eu acredito que não, internamente, infelizmente já está funcionando. Aí entra o bobo útil, sim senhor Pablo.

    Para ilustrar mais um ativo eleitoral: Um reporter da Lula news ontem atacou com perguntinhas indecentes o Serra, reporter pago com o dinheiro do contribuinte e que nehum contribuinte assiste a serviço de Franklin Martins e Tereza Crunivel. “O cara” faz deboche da justiça eleitoral e já tomou 3 multas, fora aquele programa, muito bem feito e nojento de se assistir.

    Pra mim você pegou a questão no ponto certo. Também acho que existe ideologia e pragmatismo nisso tudo. Que venha 3 de outubro de 2010…

  78. Essa história do Lula como Secretário Geral da ONU é igual o papo do terceiro mandato. Só serve como factóide eleitoral da oposição. O Lula já deixou claro que não tem a menor pretensão de assunir esse posto e o pessoal continua… Muda o disco pessoal.

  79. Não é o pessoal filiado ao PT, gente que conheçe pessoalmente o Mercadante e a trupe todo, inclusive gente próxima ao Lula que está falando isso por aí…

  80. Numa boa Cesar, falavam a mesma coisa do terceiro mandato. Isso é um anti-wishful thinking da oposição. O Lula não é bobo e sabe que pelo histórico, os presidentes da ONU são todos burocratas com carreira em organismo internacional.
    Kurt Waldheim foi ser presidente da áustria quatro anos depois do mandato dele na ONU e Trygve Lie foi deputado, mas fez carreira na política internacional.
    O Celso Amorim tem mais chances de concorrer ao cargo do que o Lula. Não acredite em tudo que lê ou escuta por aí.

  81. Primeiro, quero dar os parabéns ao Pablo pelo que parece ser o recorde absoluto de comentários no Guaciara. Segundo, independentemente das questões próprias ao Irã, o Oriente Médio e da questão nuclear, no meu ponto de vista, o gol indiscutível de Lula e Amorim foi, com o acordo, terem ajudado a tornar irreversível o debate sobre um mundo multipolar. Todos sabemos que o direito internacional, nas questões cruciais, não passa de um manual de boas intenções. Direito sem força é complicado.Que isso fique sempre mais claro, que fiquem evidentes as relações de força em jogo no âmbito das instituições internacionais mesmo, que se politize todo esse contexto ao máximo me parece, em termos estratégicos, um lance de alto nível. Foi ótimo.

  82. Concordo. Só acho que uma movimentação como essa puxa as relações internacionais, inclusive em casos cruciais como esse, mais para perto também do soft power. Acho que nessas relações, manda o que funciona. E talvez o arranjo do pós-guerra – e isso inclui também o militarismo que lhe é característico – esteja caduco mesmo, virou um gargalo nas relações internacionais, estreito e ineficiente. Pela primeira vez nos últimos cem anos, os americanos e europeus espernearam contrariados, e com a moral em baixa.
    Vale lembrar que com essa o Lula tá garantindo negócio também. Os embargos iam proibir a atuação internacional dos bancos iranianos – o Brasil exporta, e não pouco, para o Irã. Deve facilitar ter representante financeiro deles aqui. De mais a mais, as sanções iam ter o mesmo velho efeito de forçar o país a ser basicamente exportador de petróleo e comprador de comida. Quem sabe daqui uns anos os caras não estão importando manufaturado brasileiro?

  83. E, voltando ao assunto acima, é de uma obviedade ofensiva dizer que uma negociação pode dar errado. O Neville Chamberlain teve o azar de se sentar logo com o Hitler.De mais a mais, eles estavam lá decidindo o futuro dos outros, dividindo a Europa entre eles na maior cara de pau. Dois malandros numa mesa, um dos dois vira otário.

  84. Tiago,

    nao disse que ia deixar a Barbara crescer para ser levado a serio? Então, já estou fazendo isso, então…

    Não estou inventando nada, não faço e não preciso fazer isso. Quem me falou isso, mais de uma vez foi um PTista de carteirinha e que conhece a companheirada toda.

    Não para, não para, não para e um grito de guerra da torcida do Timao!!!

    PS: Carlinhos, seu ultimo parágrafo foi Hilário! Cool!!!

  85. para quem não é assinante:

    Obama se afunda em mais um fracasso

    Roger Cohen
    Em Nova York (EUA)

    ohn Limbert, que foi refém em Teerã, agora é responsável por assuntos iranianos no Departamento de Estado. Ele deu uma boa descrição das caricaturas que afligem as não-relações entre os EUA e o Irã.

    Os americanos veem os iranianos como “evasivos, falsos, fanáticos, violentos e incompreensíveis”. Os iranianos, por sua vez, veem os americanos como “beligerantes, hipócritas, ateus, imorais, materialistas, calculistas”, sem mencionar provocadores e exploradores.

    Esse é o marco zero na relação mais traumatizada da Terra e a mais atormentadora. Atormentadora porque o Irã e os EUA são inimigos não naturais, pois têm tanto onde concordar, se quebrarem o gelo. Limbert, construtor de pontes, passou metade da vida tentando transmitir essa mensagem. Nunca conseguiu. A história venenosa atrapalha. Assim como os que lucram com o veneno.

    Como se fosse necessária mais uma ilustração da relação de desconfiança, esta acaba de ser fornecida pelo acordo do Brasil e Turquia sobre o urânio pouco enriquecido do Irã, a reação rabugenta dos EUA e a aparente determinação dos Grandes Poderes, liderados pelo governo Obama, de se afundar mais no fracasso.

    Achei que Obama estava disposto a pensar o Irã de forma diferente. Parece que não. Os presidentes precisam liderar as principais iniciativas de política externa, e não serem reativos a considerações políticas internas, neste caso a ira incandescente no Capitólio em relação ao Irã em ano de eleição.

    Vou começar pelo último ponto. O Brasil e a Turquia representam o mundo pós-Ocidental emergente, que vai continuar emergindo; a secretária de Estado Hillary Clinton, portanto, deve ser menos rápida no gatilho em matar os “esforços sinceros” de Brasília e Ancara com fracos elogios.

    A capacidade do Ocidente de impor soluções às questões globais, como o programa nuclear do Irã, foi erodida. Os EUA, envolvidos em duas guerras em países muçulmanos sem conclusão, não pode arcar com uma terceira. A primeira década do século 21 delineou os limites do poder norte-americano. É grande, porém não é mais determinante.

    Muitos americanos, inclusive os radicais do “Tea Party”, ficam revoltados com isso e latem contra os lobos. Eles vão descobrir que os fatos são os fatos.

    Falando em fatos, serei meio teatral agora. O Irã vem produzindo, sob inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), urânio enriquecido a 5% (LEU). Se o Irã quiser produzir uma arma nuclear, esse LEU teria que ser enriquecido para grau de bomba (mais de 90%).

    A ideia por trás do acordo americano em Genebra em outubro era levar uma boa parte do LEU para fora do Irã, para reforçar a confiança, criar espaço de negociação e remover o material que pudesse ser subvertido. Em troca, o Irã receberia combustível atômico para o reator de pesquisa médica em Teerã.

    O Irã, usa uma prática de bazar: diz sim, talvez e não, enfurecendo Obama. O país dos aiatolás agora queria que o LEU fosse armazenado em solo iraniano sob controle da AIEA, que fosse transferido para lá em fases e que a troca de combustível fosse simultânea. Esqueça, disse Obama.

    Bem, a Turquia e o Brasil agora restauraram os principais elementos do acordo de outubro: um único carregamento de 1.200 kg de LEU para um ponto fora do Irã (na Turquia) e um prazo de um ano –essencial para o início de maiores negociações- entre este depósito iraniano e a importação do combustível.

    E qual foi a resposta dos EUA? Promover “fortes sanções” (talvez não mais “destruidoras”) contra o Irã na ONU, e insistir em uma suspensão do enriquecimento que não estava no acordo de outubro (de fato, este foi o centro da diferença de Obama para a doutrina Bush).

    Obama de fato poderia ter dito: “A pressão funciona! O Irã hesitou nas vésperas das sanções da ONU. Voltou para nossa oferta. Precisamos ser prudentes, devido ao passado iraniano de duplicidade, mas isso é um progresso. O isolamento serve aos radicais iranianos.”

    Não é de espantar que Ahmet Davutoglu, ministro de relações exteriores turco, esteja com raiva. Acredito nele quando diz que Obama e as autoridades norte-americanas estimularam a Turquia no início do ano a reanimar o acordo: “O que eles queriam que fizéssemos era promover a confiança no Irã para que aceitasse a troca. Fizemos nossa parte.”

    Sim, a Turquia fez sua parte. Eu sei, os 1.200 kg agora representam uma proporção menor do LEU do Irã do que em outubro, e não é mais claro que o combustível virá da conversão do LEU depositado. Mas isso não é nada quando você está tentando construir uma frágil ponte entre os iranianos “falsos” e os americanos “provocadores” no interesse da segurança mundial.

    As reações da França e da China –de apoio cauteloso- fizeram sentido. Os americanos não fizeram nenhum, ou somente na luz do forte defesa do Congresso por sanções “esmagadoras”. Maiores sanções não vão mudar o comportamento nuclear do Irã; negociações, talvez. Somente posso esperar que a reação americana tenha sido uma jogada de abertura.

    No ano passado, na ONU, Obama pediu uma nova era de responsabilidade compartilhada. “Juntos, precisamos construir novas coalizões que superem nossas divisões”, declarou. Turquia e Brasil responderam –e foram esnobados. Obama fez suas próprias palavras iluminadas parecerem vazias.

  86. CCesar Poli,não existe justiça eleitoral. Não existe decisão técnica envolvendo política. Eles avaliam problemas iguais de maneira diferente, tecem considerações totalmente subjetivas e parciais. Pore xemplo, o Lula é multado acusado de fazer campanha porque os juizes acham que ele teve a intenção oculta de fazer propaganda fora do prazo. Ao mesmo tempo, multam o sindicato dos professores por mencionarem o Governador de SP sendo que as candidaturas nem oficiais são ainda.Ah, todo mundo sabia que o Serria ia ser candidato, então não podia falar.E o secretário da educação não atua partidariamente não? não faz politica? Apelar pro judiciário em temas políticos demonstra só uma coisa: medo dos debates, falta de idéias, panico do confronto. Por mim, o tribunal superior eleitoral seria simplesmente extinto. Uma palhaçada destas não existe em nenhum país desenvolvido. Reforma política já. Desculpa ao Pablo por me desviar do tema desse ótimo post.

  87. Olha, numa boa – eu estou achando o governo Obama muito ruim. Como eu já disse em outro post, ele não merece a oposição que tem, mas merece uma outra, que perceba que ele concede demais ao conservadorismo americano, e anda se revelando tímido e fraco.

  88. Calma, galera, o jogo ainda não acabou. Vamos ter muitos lances nos próximos dias: o de hoje foi a declaração do Ban-Ki Monn defendendo uma saída diplomática; o próximo será o envio ou não pelo Irã da carta à AIEA. Desse mato ainda vai sair coelho. Nada está definido. Mas Brasil e Turquia pautaram a discussão, gostem ou não vocês.

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