Guaciara bate-bola com Sócrates, Idelber, Wisnik, Fortes, Israel e Merheb sobre política e futebol

Com pança e tudo até o gol!

Emoção das emoções, graças ao nosso amigo de fé, irmão camarada Rodrigo Merheb, o Guaciara participa de seu primeiro evento, o Agenda 2010 – Futebol e Política, que acontece no Paço da Liberdade –  SESC Paraná. O seminário leva um monte de gente muito interessante para falar sobre  futebol e eleições em 2010.

Como mostra a foto aí do lado, nem sempre as duas coisas transcorrem com tanta fluidez, mas são temas que tocam a vida de todo mundo e que dizem muito respeito sobre o que acontece no Brasil.

Infelizmente o Tiago não vai poder participar or causa de outros compromissos profissionais, mas eu, Jay e o próprio Rodrigo – que organizou tudo – estaremos representando o bate papo moleque dos meninos do Gua Gua.

Eu e o Joaquim estaremos lá ao lado de grandes mestres dos dois assuntos como Sócrates, Idelber Avelar, Leandro Fortes, Israel do Vale, José Miguel Wisnik e mais uma rapa muito da boa. O evento certamente vai ser animado e pra vocês entenderem melhor copio o texto do Rodrigo sobre o assunto.

Futebol e Política: Recortes do jogo que nunca termina

*Por Rodrigo Merheb

A cada quatro anos, dois eventos mobilizam as atenções do país num jogo de informações que monopolizam debates e expectativas.  A coincidência de datas que separa  em apenas três meses Copa do Mundo e eleições presidenciais é uma tradição recente.  Antes de 1994, havia ocorrido apenas duas vezes, em 1930 em plena agonia da República Velha, e em 1950, quando o Brasil perdeu o mundial para o Uruguai dentro do Maracanã e Getulio Vargas foi reconduzido pelo voto à presidência da república, cinco anos após o fim do Estado Novo. Ditadura, deposições e mudanças constitucionais adiaram a proximidades dessas duas celebrações democráticas para 44 anos depois.
Essa convergência no calendário acontece sob o amparo  de fatos cruciais do nosso tempo, tanto na esfera  política  quanto esportiva. PSDB e PT firmaram uma polarização ideológica que hoje domina o quadro eleitoral; o Brasil emergiu como um coadjuvante de peso no cenário mundial, a princípio por causa da estabilidade econômica e posteriormente pelas políticas sociais e o trânsito internacional do Presidente Lula.  A seleção também viveu um momento auspicioso com a retomada de um ciclo de conquistas pelos pés de jogadores que se projetavam como estrelas no novo contexto do futebol globalizado. E se a globalização delimitou o papel do futebol brasileiro como exportador de matéria prima para as grandes competições esportivas européias, nossa economia de terceiro mundo também enxergou apenas de longe os benefícios da nova ordem.

Existe também uma certa simetria simbólica entre Copa do Mundo e eleições que se estende à própria dinâmica de disputa. Ambas funcionam como representação da finitude de um processo, encerramento e inicio de um ciclo cujos rumos serão definidos pelo resultado das duas competições. A disputa presidencial e dos demais cargos num pleito eleitoral replicam os embates emocionais de um jogo com estratégias, dramas e, por fim, o confronto direto nos debates. Impedidos de decretarem vitória, os protagonistas transferem para o público a responsabilidade da decisão, o que, paradoxalmente, confere ao ritual o mesmo grau de imprevisibilidade de uma partida. Não basta jogar melhor, é preciso que a vitória não esbarre numa das inúmeras variáveis entre o meio campo e o gol, entre o discurso e a urna. Para além das analogias possíveis sobre os sistemas internos de cada competição, são muitos os precedentes históricos de apropriações mútuas entre futebol e política. Não surpreende que governantes tenham percebido no fenômeno popular um filtro acessível de comunicação com as massas.  Essa prática sempre existiu, mas foi elevada ao status de política de Estado durante a ditadura militar, desde as tentativas do Presidente Médici de capitalizar o sucesso dos campeões de 70 até o desenvolvimento de um controle metódico sobre a seleção brasileira, cuja face mais visível foi sua crescente militarização. O auge desse processo ocorreu durante a copa de 78, disputada em solo argentino onde também prosperava um violento regime de exceção, quando o comandante da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) tinha patente de almirante e o treinador da seleção era um capitão do exército.

Em contrapartida, quando veio o momento da desconstrução das práticas e do discurso que davam sobrevida à ditadura, o futebol se credenciou como uma das principais frentes de interpretação da ansiedade coletiva. Foi num jogo Corinthians e Santos que se estendeu a primeira faixa pela anistia ampla, geral e irrestrita num espaço público. Pouco antes da Copa da Argentina em entrevista ao jornal Movimento, o centroavante Reinaldo se juntou ao coro de figuras públicas que pediam a restauração da democracia. Em paralelo ao movimento dos metalúrgicos no ABC, o Corinthians, o grande clube de massas da capital industrial do país, iniciava um experimento de organização inédito não apenas no futebol, mas no próprio modelo vigente de relações trabalhistas no Brasil. Seus principais líderes passaram a trabalhar ativamente contra os arcaicos vínculos empregatícios mantidos pelos clubes enquanto se expunham em intervenções públicas que contribuíram para a cristalização de um consenso sobre o esgotamento do regime militar.

Esse seminário vai se movimentar por um conjunto de referências históricas para tentar decifrar algo da conjuntura atual do futebol e da política brasileira, naquela zona cinzenta onde estes dois temas se enredam e também nas suas peculiaridades. As possibilidades estão abertas e os debates também.

Rodrigo Merheb

(jornalista, curador do projeto Agenda 2010: Futebol e Política)

E clique aqui em baixo para conhecer a programação completa:

MESA REDONDAS

Imprensa, Copa do Mundo e Eleições

* Mídias tradicionais e a Internet na cobertura das eleições
* O reordenamento do acesso à informação
* O papel histórico da imprensa como filtro mediador entre a seleção brasileira e a opinião pública, das demandas regionais ao monopólio das transmissões
* Análise comparativa da cobertura das eleições e da Copa do Mundo
* Significados e possíveis diálogos entre a mobilização política e a celebração popular.

Debatedores:
Joaquim Toledo Junior
Mestre pelo departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, membro do Núcleo Direito e Democracia do Cebrap.

José Paulo Florenzano
Doutor em Ciências Sociais, Professor da PUC-SP, Núcleo de Estudos do Cotidiano e Cultura Urbana.

Leandro Fortes
Jornalista, professor e escritor. Repórter da revista Carta Capital em Brasília, trabalhou em diversos veículos, entre os quais O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil.  É autor de Cayman: o dossiê do medo, Fragmentos da Grande Guerra e Jornalismo Investigativo, entre outros livros.

Mediador: jornalista Israel do Valle

Dia: 05 de maio, às 19h

Arte e profissionalismo na era da imagem

* Os limites do espetáculo no futebol empresarial
* O Barcelona e a nova linguagem do futebol arte

* Prosa e poesia do jogo, segundo Pasolini

*O pragmatismo de Dunga contra as tentações de Ganso e Neymar

Debatedores:

Francisco Bosco
Escritor, letrista e ensaísta. É autor de Da Amizade, entre outros. Doutorando em Teoria Literária pela UFRJ e professor de Teoria Literária da Universidade Estácio de Sá.

José Miguel Wisnik
Ensaísta, músico e professor de Teoria Literária na USP. Publicou entre outros livros, O Coro dos Contrários – a música em torno da Semana de 22, Sem receita – ensaios e canções (Publifolha) e O som e o sentido.

André Mendes Capraro
Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná. Pesquisador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade.

Mediador: jornalista Lauro Mesquita

Dia: 06 de maio, às 19h

Futebol em tempo de ruptura: Democracia corintiana, seleção brasileira e abertura política

* A militarização da seleção brasileira durante a ditadura
* A experiência de vanguarda nas relações de trabalho no Corinthians
* A Copa de 82 como embrião da campanha das diretas
* O jogador e a militância política
* A relevância da democracia corintiana no contexto do futebol atual

Debatedores:

Idelber Avelar
Mestre em literatura brasileira pela Universidade da Carolina do Norte e Ph.D. em literatura latino-americana por Duke University.

Marcos Guterman
Jornalista, escritor e historiador. Faz doutorado em história pela USP. Sua dissertação de mestrado abordou a relação do futebol com a política no governo Médici.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Oliveria
Ex-jogador Corinthians e da Seleção Brasileira de Futebol, líder da Democracia Corintiana e teve grande participação no movimento das “Diretas Já”. Formado em Medicina. Atualmente é articulista da Revista Carta Capital.

Mediador: jornalista Rodrigo Merheb

Dia: 07 de maio, às 19h

Vai-e-vem de lances: Música e Futebol

Uma conversa musicada e afinada, sobre música e futebol, entre José Miguel Wisnik, ensaísta, músico e professor de Teoria Literária na USP e Dr. Sócrates, ex-jogador Corinthians, líder da Democracia Corintiana. Médico e articulista da Revista Carta Capital.

Horário: 21h

26 comentários sobre “Guaciara bate-bola com Sócrates, Idelber, Wisnik, Fortes, Israel e Merheb sobre política e futebol

  1. Parabéns a tantos amigos! Que evento espetacular! Pena que vou perder!

  2. só pra anotar que a Celise Niero, diretora do SESC, é leitora do Guaciara e foi ela quem me pediu pra convidar a rapaziada daqui. Vamos fazer tudo pra sair um gol de placa, mas o que vale é bola na rede.

  3. Só pra completar a ficha técnica
    Joaquim Toledo Junior é são paulino
    Lauro Mesquita é americano
    Sócrates é corintiano
    Rodrigo Mehreb é cruzeirense
    Idelber Avelar é atleticano
    Zé Miguel Wisnik é santista
    Israel do Vale é corintiano

    Os outros eu não sei, mas a informação é essencial

  4. o Leandro é torcedor do Bahia,o Guterman é saopaulino, acredito que o Florenzano seja corintiano também, os outros eu vou descobrir.

  5. Tutu, já que vc levantou essa bola, ficou faltando o Chico Buarque. rsrsrsrsrs

  6. Mas na real, tá rolando mesmo é uma PUSTA inveja de quem vai no evento.

  7. Só fala pro Doutor do moleque são-paulino que fez meio StudioSP ajoelhar pra\o Doutor e depois (beeeem bêbado) falou: “você é meu herói da esquerda do futebol, mas o Raí me fez sorrir mais!” PRAW

  8. bom, olhando pela torcida, parece q o único q realmente entende de futebol é o Leandro Fortes, hehehehe…
    criado e cevado com o grande Bahia das décadas de 70 e 80! (tem algum post sobre isso no blog dele)
    falando sério: grande evento, pena q é em Curitiba… não vai ter edição paulistana da conversa, não?
    abs,

  9. Rodrigo, você vai falar sobre esse evento no PHD? Também gostaria muito de ir, até porque se conta você e com os amigos Idelber e Israel, certamente será muito bom.

  10. E aí, seu Jair, ´bora encontrar com a gente em Curitiba? Pra você é um minuto. Combinemos.

  11. Izabella, voce pode participar so de um dia sim. Todas os debates serão gratuítos com exceção do último dia O painel com o Idelber, o Guterman e o Socrates vai custar 30,00 para nao comerciários. O encontro musical do Wisnik com o Socrates logo depois também vai ser cobrado, mas só 20,00. Eu acho um bom investimento.

  12. Ô, Lauro, ô Idelber, ô Tiago, quem me dera!
    Folga, só na sexta. Aí vai ser tarde demais.

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