Guerra de lobbies, por Pablo Pires Fernandes

Amigo nosso de BH, o jornalista Pablo Pires acompanha pelas redações os conflitos mundo afora há um bom tempo. Hoje no Estado de Minas e também na incrível revista Graffitti 76% Quadrinhos. Pouco se falou, mas uma crise profunda balançou a relação carnal entre Israel e Estados Unidos.  A análise do Pablo rende uma ótima conversa (inclusive sobre o Brasil e a relação dos conservadores com a política internacional).

Netanyahu vira as costas pro mundo todo, mas o lobby não sai da mão

A crise entre os EUA e Israel, detonada com o anúncio da construção de 1,6 mil casas em Jerusalém durante a visita à cidade do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, não se limitou à diplomacia e foi o estopim também de outros movimentos.

A reação da secretária de Estado, Hillary Clinton, que telefonou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dando-lhe um verdadeira bronca – “insultante” e “negativo para o processo de paz” foram alguns dos termos divulgadas pelos porta-vozes. – foi o ápice da tensão entre a potência e seu fiel e maior aliado no Oriente Médio. Houve quem apontou a rusga diplomática como a maior desde 1975, quando os EUA forçaram Israel a se retirar do Sinai.

No entanto, as consequências e, como é de praxe quando se lida com o conflito israelense-palestino, são exacerbadas. De um lado os conservadores dos EUA, em grande maioria fiéis ao poderoso lobby judeu, condenaram de pronto a reação de Hillary, classificando-a de exagerada e equivocada.

Também serviu a organizações mais aliadas à direita israelense e aos republicanos nos EUA, como a American Israel Public Affairs Committee (Aipac) ou a The Israel Project para pressionar o Congresso norte-americano a demonstrar publicamente o apoio ao Estado judeu.

Do outro lado do espectro político, a organização J´Street, que se se diz um lobby pró-Israel, mas que defende a paz e tem posturas mais liberais, acredita, assim como o presidente brasileiro – que a crise pode servir como uma oportunidade para relançar as negociações de paz sob um novo ângulo, menos submisso à postura radicalmente direitista e ortodoxa que domina o gabinete de Netanyahu.

A J´Street também denunciou o uso, por setores conservadores, da crise como fomentador de uma campanha contra o presidente Barack Obama. E manteve firme a sua posição de recolher assinaturas para que o governo dos EUA mantenha a postura firme em relação à administração israelense. Ou seja, continuar falando grosso para as coisas andarem.

O imbróglio diplomático entre os dois aliados refletiu nos EUA a provocou a mobilização dos dois setores de maneira radical, refletindo a divisão, não apenas da postura dos judeus-americanos em relação ao governo israelense, mas o próprio racha da sociedade norte-americana, que opõe liberais e uma classe universitária cosmopolitas a um poderoso grupo conservador que faz campanha de medo e terror, com apoio da mídia, e consegue mobilizar os que temem o “socialismo” de Obama ou que se alimentam do pânico do radicalismo islâmico.

4 comentários sobre “Guerra de lobbies, por Pablo Pires Fernandes

  1. Temo que esse “estremecimento” de relações se compara à uma mera recusa de um (Obama) em ir à festa de batizado do outro (Netanyahu), por exemplo. Nada além. Esse desconforto israelo-americano não passa de uma questão de orgulho. Biden se sentiu desrespeitado como autoridade dos EUA quando chegou a Jerusalém junto com o anúncio da expansão dos assentamentos. Em troca, Obama deixou Netanyahu sozinho por uns instantes na Casa Branca com a desculpa de que tinha que jantar com a família. Voltou depois para uma segunda conversa que durou 30 minutos.

    Abaixo, texto de Chomsky, esclarecedor.

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4348871-EI12927,00-Um+evento+lamentavel+a+leste+de+Jerusalem.html

  2. Em poucas palavras, a J-Street prega a paz em primeiro lugar e a retirada da Cisjordânia e volta às fronteiras de 1967 (com algumas ressalvas), conceções maiores. A Aipac, o Estado judeu e segurança em primeiro lugar, manutenção das colonizações e dificulta qualquer conversa de paz com os vizinhos, pois entende que é prejudicial à segurança. Mais ou menos isso. A página da J-Street é interessante, vale conferir.

  3. Esse post foi turbo!

    Esse é um tema espinhoso e bombástico!

    Achei muito interessante as opiniões. Hoje acao de ler que a “Comunidade internacional rechaça ameaça de nova ofensiva israelense”.

    Seria Israel, um vilão de plantão? Que usa e abusa da força? Eu tenho a visão que não, mas a região é tão complicada e a tanto tempo que é difícil ter uma opinião única a respeito.

    EU só acredito que muito em breve um ataque “preventivo” partirá de Israel com um destino: Irã. Pobre Celso Amorim…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s