Pra quem ainda acredita em ditabranda…

Capa do livro

A Secretaria Especial de Direitos Humanos acaba de lançar Luta, Substantivo Feminino. O exemplar faz parte da coleção Direito à Memória e à Verdade e traz o perfil de 45  mulheres submetidas à tortura e ao assassinato indiscriminado por serem contrárias ao regime de exceção instalado no Brasil em 1964.

São histórias tristes como essa que mostram que o discurso de coação dos torturadores não é muito distante dos revisionistas conservadores que acusam o governo de revanchismo na imprensa, nas listas de e-mail e mesmo nas caixas de comentários dos blogs. Veja essa história da jornalista Rose Nogueira:

‘Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele.

Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu. Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido. Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado. Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa. Eu chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões. Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão. Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse. Tirou meu vestido e novamente escondi os seios. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’ Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu fi llho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro. ”

ROSE NOGUEIRA, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista
quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma
cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.

Rose Nogueira também não contaria com a simpatia dos que hoje tentam minimizar a brutalidade do regime autoritário no Brasil. E pior, antes faziam isso por convicção política, agora, é mesquinharia eleitoral mesmo.

Outros dizem que precisamos ver os dois lados, sendo que os inimigos da ditadura foram presos e torturados. Alguém sabe me dizer quantos torturadores pagaram por qualquer abuso?

Os que defendem que até 1968 o Brasil vivia uma Ditabranda poderiam ler testemunhos como esse:

A sexagenária Labibe Elias Abduch era casada com Jorge Nicolau Abduch, com quem teve três filhos. Foi morta por um disparo de bala em 1o de abril de 1964, quando caminhava pela Cinelândia, no Rio de Janeiro, interessada em obter informações sobre o movimento militar no Rio Grande do Sul, onde se encontrava um filho seu. Narrando a cena e os fatos desse dia, a revista O Cruzeiro, em edição extra de 10 de abril do mesmo ano, traz o seguinte relato: “14 horas. É o sangue. A multidão tenta mais uma vez invadir e depredar o Clube Militar. Um carro da PM posta-se diante do Clube. O povo presente vaia os soldados. Mais tarde, choque do Exército […] dispersam os agitadores, que voltam à recarga, pouco depois. Repelidos a bala, deixam em campo, feridos, vários manifestantes: entre eles Labib Carneiro Habibude [sic] e Ari de Oliveira Mendes Cunha, que morreram às 22 horas no pronto-socorro”. O corpo de Labibe deu entrada no Instituto Médico Legal (IML) no dia 2 de abril, de onde foi retirado para sepultamento pela família. De acordo com o legista Nelson Caparelli, a causa mortis foi “ferimento transfixante do tórax, por projétil de arma de fogo, hemorragia interna”.

Relatos assim não faltam, mas do mesmo jeito que fecham os olhos pros malfeitos dos governos de Serra, os veículos de imprensa e apoiadores da oposição parecem querer apagar da memória brasileira um dos maiores desastres da nossa história humana e política.

Por que os promotores dessa violência de alçapão não eram agentes loucos ou criminosos que desrespeitavam normas superiores, mas funcionários cumprindo ordens dos chefes de governo. Essa conversa de ditabranda e de chamar vítimas de tortura de terrorista tem de acabar.

Aqui embaixo, mais algumas histórias.

Nilda Carvalho Cunha (1954-1971) foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confi rmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo.
Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. “

Numa dessas vezes que foram me buscar, quando chego na sala de tortura, ao tirarem meu capuz percebo que era uma aula. Havia um professor e vários torturadores. Pelo sotaque, percebi que alguns não eram brasileiros, mas provavelmente uruguaios, argentinos. Então me disseram que eu era uma cobaia. Eles começaram a explicar como dar choque no pau de arara. Eu passei muito mal, comecei a vomitar, gritar. Aí me levaram para a cela e, dali a pouco, entrou um médico com outros torturadores. Ele me examinou, tomou minha pressão e o torturador perguntou:  ‘Como ela está?’. E o médico respondeu: ‘Tá mais ou menos, mas ela aguenta’. E aí eles desceram comigo, sob gritos e protestos das companheiras de cela. A aula continuou e acabou comigo amarrada num poste no pátio com os olhos vendados, e os caras fazendo roleta russa comigo, no maior prazer.”

DULCE CHAVES PANDOLFI, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era estudante de Ciências Sociais quando foi presa em 14 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro (RJ). Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora da Fundação Getulio Vargas e diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

Ele me disse: ‘Se você sair viva daqui, o que não vai acontecer, você pode me procurar no futuro. Eu sou o chefe, sou o Jesus Cristo [codinome do delegado de polícia Dirceu Gravina]’. Ele falava isso e virava a manivela para me dar choque. Ele também dizia: ‘Que militante de direitos humanos coisa nenhuma, nada disso, vocês estão envolvidos’. E virava a manivela. Havia uma mudança no tom das equipes. Eram três, e ia piorando. Durante o interrogatório da segunda equipe, eu levei uma bofetada de um e o outro me segurou: ‘Está bravinha porque levou uma bofetada?’. E os homens da terceira equipe diziam: ‘Saia disso, onde já se viu defender esses caras, gente perigosíssima, não se meta nisso!’.  Eu fui presa sem nenhuma acusação, fiquei três dias lá sem saber porque estava presa. Eu não fui das mais torturadas. Levei choque uma manhã inteira, acho que para saber se eu tinha algum envolvimento com alguma organização clandestina e para que os advogados soubessem que não era fácil para quem militava.”

MARIA LUIZA FLORES DA CUNHA BIERRENBACH era advogada de presos políticos quando foi presa em 8 de novembro de 1971, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é procuradora do Estado aposentada.

Um dia, eles me levaram para um lugar que hoje eu localizo como sendo a sede do Exército, no Ibirapuera. Lá estava a minha fi lha de um ano e dez  meses, só de fralda, no frio. Eles a colocaram na minha frente, gritando, chorando, e ameaçavam dar choque nela. O torturador era o Mangabeira [codinome do escrivão de polícia de nome Gaeta] e, junto dele, tinha uma criança de três anos que ele dizia ser sua fi lha. Só depois, quando fui levada para o presídio Tiradentes, eu vim a saber que eles entregaram minha fi lha para a minha cunhada, que a levou para a minha mãe, em Belo Horizonte. Até depois de sair da cadeia, quase três anos depois, eu convivi com o medo de que a minha filha fosse pega. Até que eu cumprisse a minha pena, eu não tinha segurança de que a Maria estava salva. Hoje, na minha compreensão feminista, eu entendo que eles torturavam as crianças na frente das mulheres achando que nos desmontaríamos por causa da maternidade. Fui presa e levada para a Oban. Sofri torturas no pau de arara, na cadeira do dragão, levei muito soco inglês, fui pisoteada por botas, tive três dentes quebrados. Éramos torturadas completamente nuas. Com o choque, você evacua, urina, menstrua. Todos os seus excrementos saem. A tortura era feita sob xingamentos como ‘vaca’, ‘puta’, ‘galinha’, ‘mãe puta’, ‘você dá para todo mundo’… Algumas mulheres sofreram violência sexual, foram estupradas. Mas apertar o peito, passar a mão também é tortura sexual. E isso eles fi zeram comigo. Eles também colocaram na minha vagina um cabo de vassoura com um fio aberto enrolado. E deram choque. O objetivo deles era destruir a sexualidade, o desejo, a autoestima, o corpo”.

ELEONORA MENICUCCI DE OLIVEIRA, ex-militante do Partido Operário Comunista (POC), era estudante de Sociologia e professora do ensino fundamental quando foi presa, em 11 de julho de 1971, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é pró-reitora de extensão e cultura e professora titular de saúde coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Às 13h40 do dia 27 de agosto de 1980, no Rio de Janeiro, Lyda Monteiro da Silva morreu ao abrir uma carta-bomba. Ela era diretora da Secretaria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ocupava a função de secretária da Comissão de Direitos Humanos da entidade. A correspondência era endereçada ao presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes. Lyda faleceu no mesmo dia, não resistindo aos ferimentos causados pelo atentado. Seu enterro, no cemitério São João Batista, foi presenciado por uma multidão de 4 mil pessoas, consternadas com a brutalidade do atentado. Na época, ficou absolutamente nítido o desinteresse do governo militar pela apuração dos fatos, o que fez crescer a certeza da motivação política do crime. A interpretação mais plausível do caso foi que o atentado teria sido praticado por militares insatisfeitos com a abertura política e com a Lei de Anistia aprovada no ano anterior, e que, ao mesmo tempo estavam interessados em intimidar o posicionamento combativo da OAB contra o regime.”

Esses são apenas alguns exemplos do aparato de Estado de bárbarie e violência que tomou conta do Brasil durante o período em que a direita no País julgou que a opinião da população era dispensável. Vale a pena ler o relatório (aqui em PDF).  E no31 de março é dia de mais uma vez cobrar Exército, Marinha e Aeronáutica a prestar esclarecimentos pelas barbaridades cometidas na ditadura militar.

54 comentários sobre “Pra quem ainda acredita em ditabranda…

  1. Cara, pode ser ingenuidade minha mas… O mercado de trabalho nem tá tão apertado assim etc etc, como uma mulher consegue continuar trabalhando na FALHA DE S.PAULO da Ditabranda depois dessas e de outras. Eu segurei pra não chorar aqui lendo esses relatos, lembrei daquele milico torturador lá de Piei. E ainda vem falar de revanchismo? Justiça ganhou outro nome agora?

    Só tenho esse vídeo do GOG mandando uma real…

  2. Senhores,

    Interessante esse POST.

    Primeiramente, o Gilson é mais inteligente que isso para postar um negócio tão ridículo como essa greve Fake-Eleitoral. E ainda acreditar nisso.

    Realmente a ditabranda brasileira foi terrível e cruel. Mas é inegável que ela matou menos de 500 cidadãos. Digo: não deveria ter morrido uma só pessoa de ambos os lados.

    A Democracia (não aos moldes PTistas e Sulamericanos) é um valor inegociável. A tortura é uma coisa nefasta e infelizmente ainda muito usada no mundo todo.

    É inegável dizer que essas pessoas que “combateram” o regme militar queriam impor outra ditadura, a ditadura do proletariado e transformar o pais em um modelo socialista. Isso mesmo depois de centenas de milhars de mortes, assassinato mesmo, que ocorreram na China e URSS. Eles sabiam disso e achavam correto pela causa, vejam só, revolucionária. Isso pra mim tem nome: Terrorismo.

    Para ilustar: Meu tio era esquerdinha, com dinheiro do meu avô, claro. Ele foi preso, levou porrada na cadeia. Mesmo ele sendo um mala, não merecia isso. Adivinhem, ganhou uma Bolsa Ditadura! Pergunta se hoje ele é esquerinha ainda ou ajudou alguém com essa grana. Acho que vocês já sabem a resposta.

    Segue um pequeno txto muito legal:

    A exemplo dos contestadores do filme A Vida de Brian (alugue hoje mesmo), do grupo inglês Monty Python, os inimigos atuais da civilização perguntam em tom desafiador e eu lhes respondo com os fatos:

    – O que foi que esse modelo nos deu?
    – A democracia!
    – É verdade! Ele nos deu a democracia. Fora a democracia, o que foi que esse modelo nos deu?
    – A segurança jurídica!
    – É, ele nos deu isso também. Fora a democracia e a segurança jurídica, o que nos deu esse modelo?
    – A igualdade perante a lei!
    – Tá bom, vá lá. Fora a democracia, a segurança jurídica e a igualdade perante a lei, o que é que esse maldito modelo nos deu?
    – As vacinas?
    – Além da democracia, da segurança jurídica, da igualdade perante a lei, das vacinas, respondam: o que nos deu esse modelo?
    – Os antibióticos!
    – Perguntarei pela última vez: sem contar a democracia, a segurança jurídica, a igualdade perante a lei, as vacinas e os antibióticos, que diabos nos deu esse modelo?
    – O vaso sanitário!
    – Ora, cale-se!

  3. É engraçado Gilson, outro dia o professor de Direito Civil da UFMG, o Tulio Vianna, escreveu uma coisa interessante: “É mais fácil haver manifestação sem porrada da polícia no Irã e na China do que em SP”

    É foda, mas é verdade. Todas as recentes manifestações em SP descambaram para a violência. Será que é problema de todas categorias profissionais e de suas representações sindicais ou dos moradores de bairros alagados ou será que é problema de uma polícia muito inepta, comandada por uma pessoa sem nenhuma capacidade de diálogo?

    Acho complicado. Em Brasília e BH, todo dia tem manifestação também. A polícia não sai baixando o sarrafo a torto e direito.

    O sujeito quer ser presidente assim. Isso me assusta viu.

    Acho engraçado que os conservadores brasileiros agora saem a chamar os professores da rede estadual de SP de vagabundos. Os sujeitos enfrentam uma rotina trabalhista pra lá de complicada.

    Trabalham em condições precárias, os que trabalham nas periferias arriscam a vida, tentam dar condições em salas de aula marcadas pelo descaso e pela violência a um salário de R$1,8 mil que não é reajustado há quatro anos (nem o reajuste com base na inflação). E o direito de greve é legitimado pela Constituição Federal, diferente do tempo da ditadura. Agora, é inegável que existe uma demanda material, antes de ser “ideológica”.

    Toda greve é política. Política é exatamente isso, cobrar do poder público o que se imagina como injusto, inadequado. Dessa tensão entre as reivindicações de todos setores da sociedade e da capacidade do Estado de realizar isso é que faz acontecer a democracia. Não é só na hora de votar. As três estâncias do Estado propõem, mas também fiscalizam e devem dialogar com as propostas e cobranças dos setores da sociedade organizada. O governo de SP trata esses setores (legítimos democraticamente) como bandidos.

    A verdade é que José Serra nega a política todos os dias por que não dialoga com interlocutores que lhe fazem oposição. Daí, parte pro conflitos violentos e dispensa o conflito de argumentos (necessários) ao jogo democrático.

    Recusar a conversar com alguém que é petista ou de esquerda ou o que for, é tão violento que achar qe a ditadura foi branda por “só ter matado 500 pessoas”. É viver com os pés em uma ideologia e bem, mas bem distante do mundo real.

    —————–

    E César, qto ao dinheiro do seu tio. Ele faz o que bem entender. Segue a ideologia que quiser e gasta com o que quiser. Engraçado ouvir isso de um sujeito que se diz liberal, inclusive. Foi ele que foi vítima de tortura do Estado. Ele foi o lesado e o indenizado. O usufruto deve ser dele e as convicções tb. Antidemocrático é querer direcionar os gastos dos outros ou amarrar o sujeito numa camisa de força ideológica por causa das convicções passadas dele.

  4. Esquerdinha, terrorista, acusar grevista, dizer que um julgamento resolve a dor da morte. Quantos clichês são necessários para construir a indiferença à violência?
    Como já disse Sócrates: a pior ignorância é a presunção do saber. E esses clichês são de quem pensa que sabe tudo. Quem vê o mundo em preto e branco.
    Eles são repetidos na internet, sobretudo em redes sociais como o Orkut. Eles querem estabelecer no país um enfentamento de torcidas, que não quer debater e deixa de discutir onde temas fundamentais, como a violência na sociedade. Aliás, no século XVIII e XIX sabe quem foi chamado de inimigo da civilização européia? Os judeus. Viu o que aconteceu não é? espero que nunca mais aconteça.
    O txt do Lauro Mesquita fala de uma violência cruel, indesculpável e apoiada na lei. Isso foi a tortura no Brasil. Segundo o comentarista, ela protegia do comunismo. Mas ela não protegeu ninguém. Criou uma cultura da agressão generalizada. Uma barbaridade do sistema prisional brasileiro e deu plenos poderes para uma polícia inescrupulosa e corrupta.
    Fico triste por ver que ainda existem os que, apesar das lições da história, preferem defender a sua opção eleitoral e apoiar a agressão a trabalhadores. É muito triste. Espero que a sede de sangue seja só sintoma de um fanatismo q ñ sabe bem o q fala.
    Defendo que os torturadores da ditadura militar sejam presos. Todos os torturadores. Se descobrirem alguém das guerrilhas que torturou, que também o joguem no calabouço junto com os policiais e membros das forças armadas.

  5. Mas, ô César, greve fake? Diz aí o que que vc faria com um salário de 900 conto por mês (nas categorias que menos recebem)? Os servidores do IBAMA provavelmente entrarão em greve, ganham até 7 vezes mais e eu te garanto: não vão apanhar na rua e vão aparecer muito mais nos jornais que os professores de São Paulo.
    Mas beleza, greve fake, azar do cara que ele não foi ser professor na Coreia ou no Chile.
    Nem vamos conversar sobre a importância estratégica que a educação tem pro futuro do nosso país (entre outras coisas menos importantes como a formação da cidadania) e como o professor é simplesmente a peça mais importante dessa engrenagem.
    Por fim, não me assuta que esse vampiro queira ser presidente, ele já deu mostras dos compromissos que tem e das realizações que fez e/ou (deuzolivre) fará. Me assusta é que nego defenda essa opção.
    Aliás, o que é mesmo que ele propõe?

  6. Os relatos são tocantes mesmo. Conheço outras pessoas que quando crianças que sofreram abusos e maltratos nos porões da OBAN. Acho, inclusive, esse sistema clandestino de apoio da ditadura uma das coisas mais bizarras do continente. Coisa de sádico mesmo

  7. Pessoal,

    Muito bacana! Alto nível a discussão! Interessante mesmo ler as opiniões de vocês todos!

    Quanto ao Serra, também não curto a idéia dele ser presida não mas, como vocês sabem, não voto na Dimova. Por incrível que possa parecer (até conversei ocm o sempre amável Mesquitão dias atrás, num barzinho, claro!) eu acho o ser esquerdinha demais.

    Torço muito para que a discussão eleitoral seja visando o futuro e não o embate sobre o passado: FHC X Lula. Tomara que não seja tratada como um referendo.

    BTW:

    Lauro e Tiago: Nas finais do Mineiro o Coelhão vai pegar o Galo, que tem a vantagem. Vocês acham que vai pra passar? A torcida vai ser grande a favor do América!

  8. Caros,

    O LFV publicou em seu twitter – lá pelas três da tarde do dia 28/03 – algumas palavras que julgo pertinente reproduzir aqui:

    #o fator FDP

    “Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos”, é “o fim justifica os meios” transformado em receita. Tem gente que não se interessa pela omelete, gosta é do barulhinho dos ovos quebrando.

    É o chamado fator FDP.

    Há FDPs em todos os grupos humanos.

    É a maldade gratuita, o chute a mais, a falta desnecessária. É o policial quando o manifestante ja está dominado.

    Muitos FDPs podem se convencer de que não estavam fazendo outra coisa nas salas de tortura dos generais, senão uma omelete redentora.

    abs

  9. Caros,
    À propósito dos direitos humanos, estão matando os zelaystas em Honduras e a imprensa nem solta uma notinha.
    O que é triste, mas pelo menos serviu para o seguinte diálogo, entre A, B e C:
    “A – Para quê o Lula e o Amorim inventaram de apoiar aquele Zelaya? Um fantoche do Chavez…
    B – É mesmo, essa política externa me deixa com muita vergonha.
    C- Vocês viram que estão matando os caras?
    A- Que caras?
    C- Os Zelaystas.
    A e B- Ah é?
    C- É.”
    Parece que o sangue de alguns dissidentes vale mais do que o de outros.

  10. Porra, mas já morreram mais de 500 pessoas? Se não, não tem porque se preocupar…

  11. praw! Que isso, Girso, logo você, um cara tão inteligente, de “esquerdinha”. Como lá é muuuito menor, tem que passar dos 10 mortos né?

  12. Cara, os Kirchner são péssimos, mas o pior de tudo é a falta de compromisso com qualquer coisa que não seja o que eles vêem como vitórias sobre a oposição. Fazem política como quem disputa uma competição. Se o país explodir no processo, foda-se. Além disso, são incapazes de negociar, vão para o confronto o tempo todo. Isso até funcionava quando eles controlavam o congresso e o judiciário, mas agora que eles perderam a última eleição, se arriscam a não terminarem o mandato (que é uma hipótese que ninguém deseja, dada a história recente do país).

  13. E o que eu acho mais triste é que até hoje ainda temos que combater a violência contra o mulher, tendo quer ver juízes dizer que a Lei Maria da Penha é uma excescência e não punindo os homens agressores! A luta pelos direitos da mulher continua!!

  14. Interessantes os comentários:

    Gostaria de dizer que não sou liberal, sou de direita mesmo, consevador. Podem até me chamar de direitnha.

    O que ocorreu em Honduras não foi golpe de Estado e vocÊs sabem disso, não? O que ocorreu foi uma surra levada pela nossa diplomacia que criou o G20. Ai que preguiça!

    Repito: O Estado não tem direito de tirar uma vida sequer, nem prender arbritrariamente ninguém, mesmo nos governos democraticamente eleitos como na Bolivariana Venezuela!

    Finalizando: Lendo o comentario do companheiro carlinhos, basta mudar o nome dos Kirchner para PETISTAS que o texto não perde o sentido! Até na previsão do futuro o texto é foda. No dia 03 de outubro canditada do cara, Dilmova USSRousseff não será eleita.

  15. Marina, a questão da Lei Maria da Penha não está relacionada somente a má vontade dos juízes e delegados em aplicá-la. O problema fundamental é que, a despeito da inquestionável importância da regulamentação da violência contra a mulher (é melhor uma lei ruim do que nenhuma lei, nesse sentido), foi extremamente mal elaborada e possui graves inconsistências jurídicas.

    O que não quer dizer, portanto, que o Judiciário brasileiro não esteja querendo enfrentar os agressores. Apenas que a Lei Maria da Penha precisa ser revista.

  16. Tiago,

    Concordo com vc. Acho isso repugnante e não contribui em nada para a manutenção da democracia no país e na região como um todo. Infelizmente a democracia não é um valor consolidado na AL como um todo.

    abs

    OBS: É coelhão na cabeça! Pra cima do Galo!

  17. Acho que o César não entendeu direito o texto do Carlinhos…
    Parafraseando o “Próprio”(César) : “Ai que PREGUIÇA!”

  18. Nana,

    Acho que vc ficou brava pq tb estou torcendo pro Coelhão!

    Claro que entendi o texto! Vc apenas não concordou comigo, básico!

    A frase ai que preguiça não é minha. Uso apenas como uma expressão.

    Parafraseando a wikipedia: Macunaíma, obra de 1928, do escritor brasileiro Mário de Andrade, é considerado um dos grandes romances Modernistas do Brasil.

    A personagem-título, um herói sem nenhum caráter (anti-herói), é um índio que representa o povo brasileiro, mostrando a atração pela cidade grande de São Paulo e pela máquina. A frase característica da personagem é “Ai, que preguiça!”. Como no dialeto indígena o som “aique” significa “preguiça”, Macunaíma seria duplamente preguiçoso. A parte inicial da obra assim o caracteriza: “No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite.”

  19. Tutu, o cabra é bom demais, mas vive no DM e quando sai leva a coragem do time toda com ele.

  20. Não César, não fiquei brava, há coisas mais importantes em questão do que “braveza”.
    Quanto a não concordar, isso é muito óbvio…Principalmente quando se discute uma questão como a tortura, no caso, a feminina. A violência contra a mulher continua latente hoje cada vez que veículos de comunicação ganham audiência mostrando corpos de mulheres nuas, cada vez que algúem agride verbalmente com uma piadinha machista, ou então acha que o que houve no passado com essas mulheres foi brando.
    Ainda bem que os tempos são outros, que pensamentos como os seus são minoria e que vivemos num país que, embora ainda tenha muito a melhorar,hoje pode chamar de passado aquele pesadelo chamado ditadura!
    Não me espanta que você pense assim, é a sua cara!
    Ah, e muitíssimo obrigada pela sua explicação wikipediana da grande obra de Mário de Andrade!

    E outra coisa, meu sangue é azul e meu céu estrelado!Sou CRUZEIRO!!!!

  21. Sobre o América, foi uma pena termos perdido o Givanildo. Para o Brasileiro precisamos contratar. Aliás, daqui eu só consegui ver um jogo até agora. Como está o time?

  22. 1- A tese do não golpe é diversionista. Tenta-se reduzir a análise dos fatos de Honduras a uma interpretação da expressão “golpe de estado”. Toda tentativa de fixar um conceito jurídico, objetivo e claro para a palavra “golpe” é enganosa porque não se trata de um conceito propriamente jurídico. É um conceito de teoria política tão vago e amplo que pode abarcar uma infinidade de situações. O conteúdo, invariavelmente, vai depender da posição pessoal do sujeito que faz a análise.
    Deixando pra lá a análise semântica do “golpe”, acho que a sucessão violenta que ocorreu lá lamentável e essas mortes são fruto da supressão dos direitos políticos da população que começou com a expulsão do Zelaya – que é um bosta, diga-se de passagem. Mas isso é só o que eu acho.
    O que não dá é pensar que seria correto que o Brasil desse as costas para TODA a América Latina somente para apoiar uma posição vacilante dos EEUU, adotando o ato sem precedentes de entregar um presidente deposto para ser preso.

    2- É curioso você dizer que Lula é igual aos Kirchner porque a última pessoa que me havia dito isso foi o Idelber Avelar, quando eu os comparei ao casal garotinho, em um comentário. Esse é um problema que vem acontecendo repetidamente no discurso da direita e da esquerda: simplificação excessiva do modelo, gerando pobreza na análise. O pessoal da direita critica o Lula porque considera que o exemplo externo se aplica aqui e o pessoal da esquerda defende o Chavez porque pensa que o exemplo interno se aplica ali.
    Lula tem defeitos, mas, claramente, tem um projeto de país (com o qual nem todo mundo precisa concordar) e busca o diálogo o tempo todo.

  23. Seria bem bom se a tortura pudesse acabar se mudasse o sistema político ou econômico, mas eu não acredito nisso, não.
    Quando não foi praticada a tortura? Alguém sabe se houve esse momento na história da civilização?
    Acho que é o FDP, mesmo. Aquele que abriga o mal, que é inerente a alguns – felizmente poucos – seres humanos!
    Quando ele existe, se manifesta por qualquer motivo, ou sem motivo nenhum:
    https://secure.avaaz.org/po/fight_rape_trade/?vl

  24. Ops. Esqueci de direcionar minha mensagem acima ao Cesar. Esclareço agora: é um comentário sobre o comentário anterior dele (31/03/2010 at 18:09).

  25. Da última vez que eu estive com o Idelber acho que ele havia revisto esta posição. No dia ele falou muito mal dos Kirchner e da falta de alternativa política na Argentina. Mencionou, inclusive, que a Beatriz Sarlo ficou muito animada cquando o De La Rua ganhou a eleição, mas hoje vê o país com poucas alternativas.
    Agora, acho o Lula muito diferente dos Kirchner, que são muito diferentes do Chávez que é bem diferente do Evo Morales. Quem não enxerga as especificidades de cada lugar simplifica e não consegue entender o que acontece em cada país. Concordo com o Carlinhos sobre a diferença entre os Kirchner e o Lula. além de tudo, o presidente brasileiro tem responsabilidade política. Nem sei se aquele Lavagna era bom, mas o que eles (argentinos) fazem, de maneira geral, é jogar para a torcida. O pior é que não parece ter uma alternativa muito melhor por lá. O governo conservador quebrou e destroçou a Argentina. Ou vão defender o Menem aqui?

    Agora, sobre o Zelaya, parece que era ruim, mas isso não justifica golpe nele. Aliás, ao que tudo indica o novo presidente é pior. A justificativa para o golpe seria parecida se algum brucutu quisesse tirar o Fernando Henrique em seu mandato. Ele também forçou a reeleição como pauta. Não sou partidário do FHC, mas seria o primeiro a ir contra a suspensão do seu mandato.

    Se tem algo que fragiliza a democracia aqui é virada de mesa, mudança das regras eleitorais. Podem reclamar o que quiser do Lula, mas ele não mudou nenhuma regra eleitoral.

  26. Senhores,

    Parabéns! Esse post ficou muito bom e com muitas opiniões interessantes. Como já disse, é interessante ouvir o outro lado e aprender com outras opiniões.

    >>> Nana: vou relevar seu infeliz comentário e não vou entrar para o lado pessoal como você tentou. (Não me espanta que você pense assim, é a sua cara!
    ). Estamos bebatendo ideias e pontos de vista, e com respeito. Seja mais cuidadosa, você é minha amiga e até na minha casa já foi.

    Eu nunca defendi a tortura e a violência e isso ficou bem explícito no meu primeiro post. O post que vc comentou foi com relação aos Kichner e o que você não gostou foi a comparação com os PTistas.

    Finalizando, tenha certeza que existem muitas pessoas que pensam igual a mim. Para você ter uma idéia de quantas são, basta ver os 9% a mais de intenção de votos para o Serra do que na terrorista Dilma, em quem você certamente terá orgulho de votar. Nana, são pessoas como eu, que estudam e trabalham que movimentam esse país e não pessoas do naipe da companheirada. Esse tipo de pessoas, que são a minha cara, não querem esse modelo de país que o PT quer implantar.

  27. Essa é para o Gilson, falando a respeito da greve fake (que eu mencionei):

    O número do B.O. é 1591/2010.

    Quando alguém quiser analisar o momento em que a candidatura presidencial de Dilma Rousseff ruiu, terá de mencionar o BO 1591/2010, do 34º Distrito Policial, no Morumbi.

    O que há no B.O. 1591/2010?

    Na semana passada, os professores da Apeoesp fizeram uma baderna na porta do Palácio dos Bandeirantes. O plano dos baderneiros era simples: sabotar José Serra e, com isso, ajudar Dilma Rousseff. A Apeoesp é um sindicato controlado pela CUT e pelo PT. Um dia antes que seus pelegos atacassem José Serra, Dilma Rousseff participou de um ato de campanha com a presidente da Apeoesp. Dilma Rousseff homenageou-a publicamente. A presidente da Apeoesp respondeu entoando:

    – Dil-ma! Dil-ma!

    Os pelegos da Apeoesp pretendiam ocupar o Palácio dos Bandeirantes. Quando a PM tentou impedi-los, eles reagiram arremessando paus e pedras contra os policiais. Segundo o relato da soldada Erika Cristina Moraes de Souza Canavezi, um desses paus atingiu-a. Ela desmaiou. Conduzida ao Hospital Albert Einstein, foi medicada por ferimentos no rosto, na boca e no ombro. A denúncia contra seus agressores está no B.O. 1591/2010.

    A soldada Erika Canavezi tem dois filhos. Cuida deles sozinha. Seu soldo: 2 000 reais. Em catorze anos de trabalho na PM, ela nunca havia sido agredida. Isso só ocorreu agora, porque os pelegos da Apeoesp decidiram sabotar as medidas propostas por José Serra para punir os professores gazeteiros e para premiar com aumentos salariais aqueles que ensinam melhor. Os correligionários de Dilma Rousseff defendem com paus e pedras o direito a um ensino público de má qualidade.

    Além de contar com seus milicianos nos sindicatos, Dilma Rousseff pode contar também com seus milicianos nos blogs. Depois de ser brutalizada pelo pelego da Apeoesp, a soldada Erika Canavezi foi fotografada sendo socorrida por um rapaz de barba. Os blogueiros de Dilma Rousseff trataram de espalhar que o rapaz de barba era um professor. O mais pobrezinho desses blogueiros, um repórter de Carta Capital, comentou a fotografia da seguinte maneira: “Este professor que carrega o PM ferido é um mural multifacetado de significados, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff”. O menos pobrezinho desses blogueiros, Luiz Carlos Azenha, repercutiu o assunto. Luiz Carlos Azenha comanda um programa na TV Brasil. Soldo do programa: 2 594 734 reais.

    No dia seguinte, a PM informou que o rapaz de barba que socorreu a soldada Erika Canavezi era um policial à paisana. Os professores da Apeoesp estavam do lado de lá da barricada, compondo uma elegia à solidariedade humana com o arremesso de paus e pedras e entoando:

    – Dil-ma! Dil-ma!

  28. A esquerda em peso decidiu:

    O tio do César Poli deve torrar TODO o dinheiro da indenização com mulheres, bebidas e jogatina. Na ordem em que bem entender!

  29. se são pessoas como o de cima aí, cidadãos du bein, que constroem esse país, acho que vou-me embora pra Pasárgada. Nem em Piei gente como vc constitui nada velho. Agora, temque ser muito burro ou mal intencionadopra achar que os professores queriam o cupar o Palácio do governador. Numa boa, eu não consigo entender de onde vem essas abobrinhas, se da Veja, da Globo ou do Reinaldo Azevedo. Eu numsei aonde entra considerações pessoais contra você no comentário dela, mas uma coisa é certa: toda e qualquer pessoa que age em desacordo com o que pensa, no caso achar que é o grupo iluminado de cidadãos du bein que constroem o país (hahahaha), fala com um cadáver entre os dentes.

  30. Arthur,

    é o seguinte: acredito que sua Pasárgada são paraísos como Cuba ou a Coréia do Norte. Cara, basta me pedir uma passagem que te dou de presente! De bom grado! Porém apenas a de ida, pois como você vai gostar tanto desses lugares iluminados, certamente não vai querer voltar. Tenho certeza que Havana, Pyongyang ou até mesmo Caracas são paraísos melhores que PIEI, isso quando não falta energia elétrica…

    Se você acha o que está escrito abobrinha é um direito seu. Mas não dá pra falar que isso não aconteceu. Realmente a companheirada não iria invadir o Palácio dos Bandeirates, senão, iriam sair, como diz o Cap. Nacismento, debaixo de porrada! Esses baderneiros profissionais não podem fazer o que bem entendem. A greve tem claras motivações eleitoreiras, qualquer um que lê as abobrinhas da Veja e do Reinaldo (que a petralhada adora ler) sabe disso. E quem não lê também! Mal intencionada é a companheira bebel e sua trupe.

    Vou finalizar: eu discuto idéias, com toda minha limitação e sei que a maioria de vocês não confabula com elas. Mas a argumentação e o respeito são coisas essenciais. É interessante ouvir o outro lado. O seu pai preto “faz” sempre isso e vc bate palma, que estranho! Nunca faltei com o respeito e nem faltarei.

    Sou um cidaão honesto e correto, como acredito que você também deva ser, apenas isso.

    Quanto a falar com um cadáver entre os dentes, você está muito enganado. Os ideais e idéias que você tranparece defender são os mais assassinos da história da humanidade. Se eu tenho um cadáver entre os dentes, você tem mis de 100 milhões! BINGO, você ganhou, esquerdinha!

  31. Cesar, você fala a partir de estereótipos. Quem falou em Cuba? Quem fala a partir de ideais? Quem defende que o Brasil deve ser a Coréia do Norte? Onde você leu isso? Para não dizer que não falei em flores, mencionei os cubanos no que eles têm de melhor: a música. Essa interpretação do Cachao é de cortar o coração. Agora vamos para a aula de interpretação de texto um: Não coloque palavras na boca dos outros. Contra-argumente a partir do que está escrito. Pense sobre a locução do autor, sem suposições e nem estratégias de desqualificação. Por isso, não atribua à enunciação que você comenta algo que não está lá.

    Cara, quando você brada algo sobre princípio, ideais, das pessoas boas, parece falar, e me corrija se achar conveniente, um discurso higienista mesmo. Não é debate de idéias, mas quem é bom e quem é ruim. E isso, me parece ser mais vontade de se colocar sobre os outros do que de discutir idéias.

    Para ser honesto, eu acho que dentro de todo o espectro político brasileiro tem gente interessada em fazer coisas boas. A diferença é de orientação, projeto, tática, essas coisas. Portanto não se trata de uma luta do bem contra o mal. Como fazer e o que fazer que é diferente, mas isso não torna ninguém pior que ninguém. É necessário discutir as diferenças de projeto, não rotular os bonzinhos e malvados em discurso eleitoral.

    A democracia é boa quando se perde também. Tem que saber perder. Perdeu a eleição, goste do seu país e torça pelo melhor. O barco não vai na direção que você gosta? Sugira as mudanças que você considera boas e lute por elas (como os professores fazemos). Com participação, com melhoria do debate público, não espinafrando quem pensa diferente de você. A disputa política não é campeonato de tênis. A vida dos seus compatriotas está em jogo.

    Segundo: essa quantidade de trocadilhos infantis e formas maniqueístas de pensar a luta política, como uma luta entre o bem e o mal, além de ser boba é contraproducente. Numa boa, desde que você começou a conversar aqui só fez rotular os outros e pronunciar quão malvado o PT é. Dá pra escrever menos com o fígado e discutir o que fazer com o nosso país?

    O Brasil tem uma série de problemas. Muitos vêm das diversas fundações e refundações do Estado aqui. Ele parece ser sempre fundado contra a sociedade. Como uma forma de diminuir a participação e a organização da sociedade. Uma forma de não proteger esse grupo. A idéia de cidadania implica em uma identificação patriótica. Em ver o estado como algo que melhora a sua vida, que te protege, por isso você o protege. Se você ler os textos da Revolução Americana, isso aparece a toda hora.

    A democracia implica em participação e em uma estabilidade legal que, se estivermos insatisfeitos, podemos modificar a partir de regras estabelecidas. Você pode odiar o Lula — aliás, isso parece ser a úcnica razão de se pronunciar sobre política — , mas ele não mudou as regras do jogo. Foi eleito legitimamente, aplicou um programa conhecido pela população (quem lê a carta ao povo brasileiro sabe disso) e se re-elegeu dentro da maior legitimidade possível.

    Quer que isso se modifique? Fale o que você quer para o Brasil e pare com fantasias anti-comunistas. Isso é demodé e sem sentido. Cara, pode ficar tranqüilo, não existe a menor chance do Brasil se tornar um país soviético e nunca existiu. A guerra fria acabou (graças a deus) e isso já era. Aliás, qual discurso utópico do XIX se sustenta depois da que a Lehman-brothers quebrou? nenhum. O Brasil é muito complexo pra ser pensado em termos de nós contra eles.

    O governo brasileiro de agora só fez incrementar relações bastante capitalistas. Foi política industrial, incentivo a criação de patentes e inovação técnico-científica, tentativa de se fortalecer a moeda (inclusive renegociando a dívida em dólar e a passando para real) essas coisas.

    É necessário criatividade para pensarmos novas formas de melhorar a vida dos outros. Isso passa pela atuação política, mas também pela reflexão. Por isso, faço uma sugestão: fique uma semana sem ler esses paranóicos anti-comunistas da internet e vá ler outras coisas. Textos em que a posição ideológica do autor não seja tão relevante. Textos de gente curiosa, que quer entender questões que ainda não foram respondidas. Textos de gente que não se convnceu das respostas dadas, que não se convenceu diante do modo de raciocínio proposto.

    Por exemplo, pega o debate que está rolando, a sério, sobre política industrial brasileira. No observatório de inovação tem coisa todos os dias http://www.observatoriousp.pro.br/ . Lá o que importa é entender o que acontece no país, não fazer rachão para jogar pelada. Na Novos Estudos Cebrap, revista editada pelo Joaquim , aqui do blog, sempre tem textos de boa qualidade. Também é gente com mais dúvidas que convicções. Tenta ir lá. Essas convicções muito prontas não ajudam ninguém. Sempre é mais legal olhar o mundo com curiosidade.

    Pode ser literatura, economia, sociologia. Só não pode ser meia boca. Pega um cientista sério, alguém interessado no Brasil, que te apresente dados de verdadee discuta os conceitos estabeecidos de se pensar o país. Assim, acho que o debate se qualifica. nô fica na lenga lenga dos jornais, a procura de mocinhos, vilões e manchetes.

    Um dos problemas da imprensa nacional é que eles estão de olho nos cadáveres mesmo. São sensacionalistas e despreparados. Lidam com uma porção de idéias pré-concebidas e fórmulas ideológicas que respondem a tudo. Não é possível que se tenha resposta para todos os fenômenos nacionais com base na ideologia. É uma panacéia. Sempre desconfio de gente que parece ter tanta certeza do que fala. Gente que não se pergunta se está errado.

    Talvez por más condições de trabalho, a tigrada da imprensa chute tanto. Mas quem sofre é o leitor. As pressas, eles dão de barato a razão das coisas e se fiam em intelectuais de pouca credibilidade. É um trabalho feito as pressas com menos gente que o necessário, portanto, é mal feito. Esses caras da imprensa que você lê (eu não tenho tempo mesmo para ler o Reinaldo Azevedo e o Demétrio Magnoli, acho beeem bobinhos, fraquinhos mesmo) são ruins não por terem uma posição ou outra, mas por fazerem propaganda o dia inteiro. Parece discurso de gente da Causa Operária, do Partido Operário camponês, de gente radical e maluca. Deixe esses caras pra lá. Sério mesmo. É só ideologia. eles são presunçosos, acham que sabem algo que não sabem. Ao invés de levantar dúvidas, tentar apurar notícias, ficam como paranóicos a achar as suas certezas em todos os lados. É só dedução. Por isso, se você se interessa no assunto, saiba que tem muita coisa conservadora mais interessante, vai ler isso. Acho perda de tempo dar atenção a esses paranóicos conspiratórios. É gente pouco qualificada que só escreve clichê. Sempre as causalidades parecem óbvias a esses caras. Elas não são.

    Por fim, sou professor e fico muito ofendido pelo modo como você trata a categoria. Para de falar chavões ofensivos e rótulos que você tira de escribas tão fraquinhos.
    – Pra que falar o nome da dilma em forma de malvado russo de desenho animado?
    – Pra que se referir a uma categoria profissional como “companheirada”?
    – Pra que tratar todos os que são de esquerda como defensores da União Soviética?

    Tudo isso é estereótipo. Você não amplia o diálogo com eles e reduz o que os outros pensam. Estereótipos são uma forma detestável de se pensar. Ninguém ganha com isso. São eles que dizem que os negros são indolentes, os árabes terroristas, judeus gananciosos e homossexuais pervertidos. Estereótipo é coisa pra quem presume saber tudo, mas não sabe nada. É um chavão, mas a pior ignorância é mesmo a presunção.

    Mais uma vez: se você se dedicasse menos à ideologia e mais à teoria pensaria, pelo menos, nas condições de trabalho destes profissionais. Eu não quero ir a Caracas, falo mal do Chavez sempre, como falo de todos os sistemas sovietistas que você disse que todos nós gostamos. Agora, te convido a ficar uma semana em uma escola pública do Estado de SP. Você mudaria sua idéia. Não se trata da luta entre virtuosos e as forças do mal, mas de concepções distintas de se fazer política pública, prioridades distintas e respostas distintas. O sistema educacional estadual é muito ruim. Recebo alunos vindos daí, alguns precisam melhorar muito.

    Essa é a última vez que eu respondo esses textos em forma de corrente de e-mail da TFP, depois, só falo se for para discutir idéias, até agora elas não apareceram. estou ansioso pra saber quais são.

  32. Você não discute iéias. Prounciou preconceitos, como essa de péssimo gosto de pai preto, chamou as pessoas de terroristas, baderneiros, assassinos, estabeleceu uma nova espécie (que por não ser destra é maléfica) e por aí vai. Os piores regimes autoritários tratam a participação democrática como baderna. Pense nas razões dos outros. Até agora nao vi uma idéia, só princípios ideológicos genéricos.

  33. Acho que a analogia entre Capitão Nascimento e uma classe social importantíssima para o país em luta por melhores condições de trabalho resume o “pensamento” do tal Cesar aí.O tal Capitão, que representa a moralidade e a justiça para gente como você é aquele que mata “bandidos” né?

    É aquela equação: ensino de má qualidade + preconceitos + leitura rasteira de comentaristas rasteiros de publicações rasteiras…

    E mais: falou vai ter que cumprir, pra não ficar mal pra sua reputação de “cidadão du bein”: dá a passagem só de ida aí pra Cuba para o esquerdinha aqui. Agora quero ver.

    Cara, e às vezes, sair na rua, tomar uma cervejinha, fazer novos amigos etc, é bom. Tu tá muito carente de atenção.

  34. Vamos relaxar:

    Ta começando agora Galo X Coelho no Mineirão!

    OBS: Tiago, gostei muito do seu texto. Vou ler e refletir bastante, tenha certeza. Só não ache que sou preconceituoso, talvez tenha me expressado de forma errada. ABS

    Arthur: eu saio sempre na rua pra tomar brejas e fazer novos amigos e também rever os antigos! Quem sabe um dia a gente não toma umas brejas?

  35. Correção:

    Hoje o jogo á América/MG X Atlético/MG. O mando é do coelhão!

    OBS: Já está 1 x 0 pro Coelho!

  36. Maravilha. Vou ver. É um jogo histórico. 100 anos de clássico das multidões. Sobre os preconceitos, só disse para tomar cuidado com os estereótipos.

  37. E o espetacular Tiago Mesquita renova (mais uma vez, isso mesmo, RE de novo!) a minha crença de que SÓ O AMOR CONSTRÓI!!!

    É muito amor esse cara!

    Sem ironia ou cinismo! 🙂

    Beijos!

    FESTA em MAIO é só o começo! 😉

  38. 3 X 3, foi um jogaço!

    A volta será no Ipatingão, campo mais neutro. Acho que dá pra passar!

    Mas tem que marcar o tal do Fabiano!

  39. o Ano não começa depois do carnaval: começa depois da festa nos Mesquita, que esse ano promete ser um ano de celebração política. Tem que rolar até um Chumbawamba por lá. PRAW!

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