A ciclovia da merda

No fim de 2008 comecei a usar, eventualmente, a bicicleta como meio de transporte aqui em São Paulo. Uma idéia bastante estúpida, considerando que a cidade – como o Tiago vem relatando na série “Congestão” – é um caos completo, e seu trânsito agressivo e violento desanimam até algumas pessoas a aprender a dirigir: preferem não correr o risco de transformar suas vidas num inferno ainda mais completo, como naquele desenho animado clássico do Pateta.

De lá pra cá, passei a usar a bicicleta com certa freqüência, primeiro num estilo ultra-urbano de lazer – pedalada na hora do rush, quando a cidade fica completamente parada e os corredores entre os carros formam uma pista estreita mas livre – e, mais recentemente, para ir trabalhar. Faço diariamente, ou quase, o trajeto Pinheiros-Vila Mariana-Pinheiros, o que me permite passar por dentro do parque do Ibirapuera a caminho do trabalho. Muito bom poder usar um parque como local de passagem – um lugar mais silencioso, calmo, arborizado e bonito do que as avenidas que o contornam.

No domingo passado, resolvi ir conferir a Ciclovia do Rio Pinheiros, um projeto do governo do estado e da prefeitura. É tão bizarro que tenho muito pouco a dizer.

Em primeiro lugar, é uma gambiarra que aproveita a pista de manutenção entre o rio e a linha de trem. Passaram uma mão de tinta, instalaram uma cerca super frágil para impedir que alguém caia dentro o rio e meteram uns banheiros químicos a cada tantos quilômetros. Pronto: um equipamento de lazer feito no improviso, o que é sempre sinal de má vontade.

Em segundo lugar, a tal da ciclovia liga o nada a lugar algum. É uma faixa de 14km com saídas apenas nas pontas, e que termina – o punchline de mais essa piada macabra que o demotucanato  nos aprontou  – no aterro sanitário de Santo Amaro.

Em terceiro lugar, e ligado ao segundo, a ciclovia é só para lazer, e todo mundo sabe que a bicicleta precisa passar a ser seriamente levada em conta como parte da solução para o problema da mobilidade na cidade de São Paulo. Dizem que nas reuniões que a prefeitura promove sobre o tema jamais comparecem representantes da pasta de transportes, apenas o pessoal de lazer e cultura.

Em quarto lugar – a ciclovia, em toda sua extensão, margeia o que deve ser o maior esgoto a céu aberto do planeta. O cheiro é podre, fétido, nauseante, mistura de resíduo industrial e toneladas de dejetos humanos. O ponto de acesso da Vila Olímpia dá na Usina de Traição, onde a água é mais podre ainda, porque quase parada. Todo o passeio é temperado com um cheiro espesso de merda humana.

O que me leva ao quinto lugar – cadê o projeto de despoluição dos rios Pinheiros e Tietê, com grana japonesa e o caraglio, em torno do qual o Alckmin, quando governador, fez tanto estardalhaço? Um projeto sério como esse é colocado na gaveta, e esse factóide político o substitui.

Até as capivaras do rio Pinheiros sabem que o Serra e o Kassab não fazem o que deviam fazer

Acho que esse poderia ser um dos grandes emblemas do estilo de governar do demotucanato. Improvisada, a ciclovia satisfaz um eleitor que não sabe, nem nunca vai saber, quando está sendo feito de idiota. A inauguração da ciclovia serviu de palco para a velha e a nova direita de São Paulo – Serra, Kassab e Soninha Francine. Recebeu apoio do pessoal militante que, de tanta boa vontade, vira vítima muito facilmente.

Eu não tirei a foto, mas vou descrevê-la aqui para fechar o post: uma mulher, com seu marido, lá pela casa dos 40, bicicletas novas, cara de moradores do Itaim e eleitores do Serra e do Kassab, pedalando na ciclovia num domingo ensolarado, respirando merda e sorrindo. Tem monumento melhor ao estilo paulistano de ser idiota? Não tem.

Depravação e sadismo: "O ciclo da merda", segunda parte de Saló, de Pier Paolo Pasolini, inspira as políticas públicas paulistas e ilustra a complexa psicologia dos eleitores do estado

43 comentários sobre “A ciclovia da merda

  1. Foda, Jay. Não sei se rio ou se choro, mas o que você escreveu resume bem o que tem sido o governo demotucano de SP e como a sociedade do Estado se acostumou com esse estilo de governar. O que mais me chama a atenção são os dois pesos e as duas medidas, para cobrar o Lula e o PT as pessoas se posicionam de uma maneira, para cobrar o Kassab e o Serra parece que, incrivelmente, a tolerância aumenta. O Serra, depois de fazer uma grande propaganda sobre as obras do metrô, dizendo que iam ser entregues no pruimeiro semestre deste ano, hoje disse que não prometeu nada disso. Outra coisa são as obras em cima da hora que estão sendo lançadas, outro dia apareceu uma suposta ponte que liga Santos ao Guarujá, ou melhor, a pedra fundamental de tal ponte. O pior de tudo é que o favorito ao governo do estado é o membro da opus dei e ex-governador do estado que ficou no governo por mais de uma década e tem muito pouco a apresentar de seu mandato. Acabo achando que tem gente que gosta de viver na merda mesmo.

  2. sao paulo é caótico mesmo, as tentativas de reparos são fragmentadas.. não vejo perspectivas pela condição cultural (de massa) que a cidade foi alimentando e que a economia mantêm.. isso sem contar pilhas de ações corruptas de políticos e empresas..

  3. É só tristeza quando vem da parte da perefitura e do governo. Junta com o plano de expansão, expansão de equivicos

  4. Ha aproxidamente 3 meses venho tentando andar de bicicleta em belo horizonte.É mais ou menos a mesma merda!as seriedade das prefeituras tb me parece semelhante!
    abz

  5. Mangia, mangiaa Sao Paolo! Tal qual os carrascos do Saló, parece ser isso que os governantes do Estado e do município dizem a população. A ciclovia é só mais um exemplo do ridículo que tomou o Palácio dos Bandeirantes. Sobre a falta de ação do governo e a falta de reação da população, eu faço minhas as palavras do Zóio. São Paulo é um caso de estudo de como a informação de uma imprensa ideologizada se transforma em desinformação.
    A cobertura do governo de SP é uma campanha permanente que nunca termina. Quem compra tudo aquilo comoverdade parece abrir mão da vivência em nome de um argumento político-corporativo de autoridade. É bizarro, por exemplo, que esse grupo demo-tucano-quercista esteja no poder no Estado e na cidade mais importantes da América Latina sem fazer absolutamente nada no governo. E mais bizarro quando medidas como inauguração de maquetes e de uma ciclovia do nada para o lugar nenhum com sabor de cocô possam passar batido sem nenhuma reivindicação.
    Outro caso de gambiarra é o metrô, os caras fazem buracos absurdos em Pinheiros, constroem sem nenhum critério e mesmo assim avançam 1km por ano. Numa boa, é muita incompetência do governo e uma apatia assustadora da sociedade organizada. Espero que essa greve dos professores mude as coisas.

  6. Só para dar uma luzinha de otimismo.
    No Plano Diretor atual, os rios e córregos foram considerados como eixos estruturantes, suporte de um sistema de parques lineares e caminhos verdes! Lindo, né? Eu acho lindo! Fácil de fazer? Não, bem difícil. Mas algumas coisas aqui e ali estão saindo, sim!
    Quando da discussão da revisão do Plano, o Ministério Público pediu que os parques lineares fossem não somente parques, mas que fossem suporte aos deslocamentos não-motorizados rumo aos sistemas de transporte de massa, como aliás são grande partes dos “greenways” pelo mundo afora. Bem bacana, né? Mas passa pelas mesmas questões de fazer simplesmente parque. Duas principais, propriedade da terra, leia-se: desapropriação, e habitação social para remoção dos assentamentos precários…
    E nossos riozinhos certamente não cheiram muito melhor que o Pinheiros!
    Aliás, nesse tópico específico, vc não acha bem educativo para os eleitores de Serra e Kassab que a ciclovia termine no aterro sanitário, passe pela Usina de Traição, ao lado da linha de trem? Hehe! Se da minha sala é difícil aguentar, imagino ao lado do rio… também é legal que vejam essa prática de construir vias que levam nada a lugar nenhum!
    Por último, você não quer trocar de trabalho comigo? Vou lá pro Cebrap (que é há uma quadra da minha casa) e vc vem aqui pra SMA?

  7. Oi Luciana
    Valeu pelo comentário! Se não me engano, as operações urbanas em SP não dão lá muito espaço, não exigem a inclusão, para esses tipo de coisa – praças, parques, parques lineares. Será que o da Vila Sônia inclui? Ou vai ser só túnel e especulação imobiliária?
    Amanhã e sexta tem um seminário internacional organizado pelo Centro de Estudos da Metrópole lá no Cebrap – Metrópoles e desigualdades, alguma coisa assim. Das 10h às 18h.
    E – quanto a trocar de trampo, depende: você ganha vale-refeição?

  8. Joaquim,

    São Paulo foi planejada nas últimas décadas para comportar mais carros com maior eficiência. Reverter esse modelo toma tempo e não pode ser feito de uma hora para outra.

    Nas vezes que fui a ciclovia, antes e depois da inauguração, o cheiro foi bem menos pior do que você descreve, de repente dei sorte.

    Vejo com bons olhos o “bike-hype” e creio que é emblemático que o Serra tenha ido a inauguração da ciclovia no Pinheiros e esteja fazendo a “Nova Marginal” em outro. Não é mera coincidência, mas é certamente pressão real e midiática dos “cicloativistas”.

  9. Caro João, legal o seu blog e legal que um cara tão ligado a questão das bikes participe desse debate, mas na minha opinião, o maior problema da ciclovia é que ela não é encarada como um meio de transporte. É um simples lazer para quem gosta de se aventurar em um esgoto a céu aberto em direção a um aterro sanitário.

    Concordo com você que reverter essa lógica do carro leva muito tempo (e com os investimentos que vem sendo feitos em transporte público na capital paulista, a coisa tende a demorar ainda mais) Exemplos não faltam, desde o Mário Covas o governo de SP constrói só um km de metrô por ano, além disso ainda contrata empresas que provocam acidentes letais em suas obras – como o buraco da Estação Pinheiros -, em copmpensação a prefeitura e o governo ampliam as faixas da marginal- é só ver o metrô.

    O mesmo grupo ocupa o governo de SP desde 1983, e nada é pensado em matéria de transporte público. Tem suas brigas internas, mas a coisa pouco se diferencia do PRI Mexicano. E até hoje não existe uma política governamental de transporte público. O governo não trabalha e a falta de alternância de poder faz com que as coisas se acomodem.

    Eu não acho que essa ciclovia representa um avanço. É tudo muito na linha desse governo, feito com um olho na comunicação, como a maquete que o governador/candidato inaugurou. É mais um factóide eleitoral pra um governo que não fez nada continuar com a imagem de gestor moderno. Se o eleitorado paulista fosse um pouco mais crítico e acreditasse um pouco menos nos grandes jornais, acho que esse pessoal que tá aí desde o Montoro podia começar a trabalhar um pouco, preferencialmente trabalhar na oposição…

  10. Talvez se tivéssemos pedalado ao lado do rio muitos anos antes não teríamos deixado chegar ao cheiro em que se chegou. Essa proximidade com o que fede, com o que é improvisado, enfim, com o que incomoda, me parece que tem surtido efeito mesmo! Pedalar dentro de um parque é gostoso, pedalar com cheiro desagradável e com poucas opções de entrada e saída pode fazer alguém começar a refletir a respeito do rumo que as coisas tomam e isso pode ser muito produtivo, ou não, vai depender da ação de cada um…

    Um abraço,
    Camila

  11. Pessoal,com todo respeito, mas vcs estão defendendo que os governantes estaduais posicionaram a ciclovia ao lado de um esgoto a céu aberto para concientizar a população que o rio que eles deveriam despoluir não está despoluído?

    O buraco na obra do metrô Pinheiro também deve ter sido uma ação de conscientização sobre a falta de critérios na contratação de empreiteiras.

    Me desculpem, acho que o debate sobre a ciclovia pode até estimular essa mobilização, mas as enchentes foram muito mais dramáticas que o fedô para os ciclistas e até agora não surtiram efeito nenhum.

    Essa ciclovia é puro factóide eleitoral.

  12. Oi Lauro,

    Bom, eu pelo menos não disse isso.
    O que eu disse é que a proximidade com os problemas pode gerar mobilização, ou não, aí depende de cada um.

    Só isso;)

  13. João, Camila, obrigado pelos comentários.
    Eu entendo as reações ambíguas. Lembro da história de um ex-professor meu que foi preso, quando estudante universitário, ao aplaudir de forma ironicamente entusiasmada quando o Jarbas Passarinho, então ministro da educação do governo Medici, em palestra na universidade, pronunciou a palavra “democracia”. As palmas foram algo como – não importa que você esteja ao lado do regime militar, se você quiser democracia eu tô dentro.
    Acho que é um pouco isso: se tem alguma medida que contribua para melhorar o transporte, a falta de equipamentos de lazer, etc. da cidade, ainda mais ligado ao estímulo ao uso da bicicleta, vamos nessa. Mas vamos com calma. Não dá para ser qualquer coisa. A ciclovia é insalubre. É como a mania de estados e prefeituras pelo país de construir conjuntos habitacionais na PQP (vide Cidade Tiradentes, em São Paulo). Ou mesmo em cima de aterros sanitários. São locais que os antigos tratariam como “tabu”, e os modernos como “insalubre”, “tóxico”. Queremos moradia de baixa renda na cidade? Sim, mas sem reproduzir a segregação espacial (e social e econômica, portanto).
    Queremos ciclovia? Queremos, mas não uma tripa de asfalto vermelho ligando a usina de Traição e o aterro sanitário de Santo Amaro, margeando o poluidíssimo rio Pinheiros. É isso. Não resolve o nosso problema, não atende as nossas demandas – é apenas um cala-boca. Vira estatística: agora, oficialmente, a cidade conta com “mais 14km de ciclovia”. Você, João, chamaria de aquilo de ciclovia, sinceramente? É chamar urubu de meu louro.

  14. Eu entendo Camila, acho legal, mas acho que a politização tem de partir de pensar na relação entre a cidade que as pessoas querem e o que vem sendo feito pelo governo ou pela prefeitura. E tenho certeza que 80% dos leitores de jornal, que deveriam ser bem informados, não sabem o que vem sendo feito pelo governo do Estado e nem as reivindicações e pressões que esse governo é submetido. Por que existe um pacto tácito de eleger o governador a presidente.
    Coisa parecida aconteceu com Geraldo Alckmin, só quando ele deixou o Palácio dos Bandeirantes é que o Brasil descobru que a infraestrutura do estado estava um caos, que as contas não fechavam, que os conflitos nas prisões continuava. O que me espanta é a falta de interesse da imprensa e a dificuldade em se opor ao governo estadual.
    Imagina se a USP fosse uma universidade federal e o Lula mandasse a polícia baixar o pau por lá? Ou se o metrô Pinheiros fosse uma obra federal? É lógico que o presidente seria responsabilizado. E isso é justo. No limite, as escolhas são do governante. Na imprensa de SP tudo é motivo pra limpar a barra do governador.
    Daí fica difícil de colocar qualquer questão.

  15. é, vai virar dado estatístico pro Serra, inclusive, levar a encontros internacionais. “O país realmente estámuito atrasado em alternativas sustentáveis de locomoção, sobretudo nos grandes centros. Sãom Paulo deu uma contribuição incalculável ao, em menos de 6 meses, criar 14 km de ciclovias”.

    Como diz minha mãe, comigo não violão!

  16. Prezados, nao vou comentar os fatos politicos desse artigo, pois infelizmente minha crença nos atuais governantes dessa cidade e nos candidatos futuro nao sao otimistas e penso ainda que se nao começarmos a nos ajudar nao iremos a lugar nenhum, aquela coisa de familia ajudar familia, vizinho ajudar vizinho e assim vai…. Falando somente da Cilcovia, me apresento em defesa dela… eu possuo uma bike, pedalo desde criança e fikei devido a necessidades de trabalho e estudo muito tempo parado, retomando minhas pedaladas há pouco mais de um ano. enfim, eu pedalo aos finais e eu moro perto do inicio (ou final) da ciclovia perto da estação autodromo. antes eu pedalava entre os carro nas avenidas e etc… hoje com a ciclovia eu pedalo mais tranquilo… inclusive estou conseguindo levar amigos meus que há anos nao pedalavam…. ela se tornou objeto somente de lazer ? a resposta é nao…. pois durante a semana pela manhã quando passo de carro em direção ao trabalho vejo muitas bikes passando por ali, e muito com mochilas que dao a eteder que estao indo sim ao trabalho. A ciclovia fica a beira do rio que fede, sim, mas as marginais tambem ficam, e tem predios e alguns luxuoso que ficam bem na marginal e em dia quente fede do mesmo jeito…. Pode até ter sido feita no improviso, e ser alvo de propaganda politica… mas a ciclovia é um conquista para os ciclistas dessa cidade.. que lutam pelo reconhecimento da bike como meio de transporte e dessa luta eu sou a favor… acredito que se a ciclovia for usada por todos da regiao, tanto para lazer como meio de transporte mais acessos serão criados, outras ciclovias serao estudadas criadas e novas vitórias virão para os ciclistas.
    bom só quis dizer que a ciclovia atriu mais pessoas a aderirem a bike pelo menos na regiao onde moro tenho visto mais Bikes na rua tanto de fim de semana como duranta a semana… a questao politica nao kero comentar nem atacar e nem defender nenhum deles que na minha opiniao tem os mesmos interessas pessoais só estratégias diferentes.
    é isso ae…

  17. Legal, Rubens. Acho que para quem pedala no esquema esportivo – pessoas sempre dispostas a enfrentar condições nem sempre ideais -, mesmo que amador, a ciclovia é útil. Mais ou menos como a raia esportiva da USP para quem pratica remo. Mas acho que, ainda assim, é um projeto incompleto, sem a despoluição do rio, que é uma obra muito mais urgente.
    E, convenhamos, a proximidade com o rio é muito pior quando estamos de bike do que de carro. Essa coisa de ter prédio de luxo ao lado do esgotão Pinheiros é bem cara de cidade que não resolve os seus problemas estruturais.
    Abraço

  18. Pior que por mais que eu seja simpático à ciclovia, não dá pra discordar totalmente de você, Joaquim. Só acho que você está muito pessimista, mas percebe-se uma posição política bem clara na análise. Quando você olha para a ciclovia a vê pintada de azul e amarelo. 🙂

    Eu acho importante colocar o povo para pedalar ali, do lado do rio de merda, pra ver o que andamos fazendo com ele nas últimas décadas. Essas pessoas vão cobrar sua revitalização, como você mesmo fez. Até você caiu nessa armadilha positiva sem se dar conta. Isso não é ótimo? 🙂

    Tenho bastante a dizer sobre essa ciclovia, mas sem tempo pra divagar agora. Mas em resumo: 1) o contato das pessoas com o rio resulta em reclamações e cobranças por sua recuperação; 2) em qualquer país civilizado a ciclovia teria acessos EM TODAS AS PONTES, mas a SIURB não quis para não integrar o ciclista ao viário e não ter que assumir que o viário nas pontes é uma bosta para ciclistas e pedestres e nem ter que admitir a presença do ciclista na rua. Eles querem mais é que o ciclista se teleporte da ciclovia para algum parque e não ocupe espaço que os carros precisam usar para congestionar as ruas. E a CET assina embaixo.

    Mais detalhes sobre o que eu penso da ciclovia nestes dois posts:

    http://blig.ig.com.br/freeride/2010/03/01/ciclovia-rio-pinheiros-um-bom-resumo/

    http://blig.ig.com.br/freeride/2010/02/20/ciclovia-do-rio-pinheiros-sera-inaugurada-com-apenas-dois-acessos/

    Abraço,

    Willian Cruz
    vadebike.org

  19. Willian,
    Eu a vejo pintada de marrom-cocô ;). E acho que a ideia de conscientização pelo horror tem o seguinte efeito: ver o rio daquele jeito e ser obrigado a pedalar ao lado daqueles miasmas pestilentos só nos faz não querer voltar mais. Mas deveria nos fazer mudar o voto, ou as cobranças.
    abs.

  20. Joaquim, Lauro e demais.

    Gostei do debate. Apesar das considerações positivas, acredito que esse parque linear com uma via compartilhada é sim benéfico para a cidade. O cheiro tem dias que é ruim, tem. Mas repito,quando fui lá não estava, o que prova que nem sempre está intragável.

    Não compararia esse parque a cidade Tiradentes, mas a um cartão postal. Passa por baixo do “cartão postal paulistano” a Ponte Estaiada. O factóide é parte da mudança necessária.

    Acho imblemático que esse parque cicloviário seja justamente em uma área tão nobre da cidade… a beira de uma área de expansão comercial. E fazer justamente os ricos em suas bicicletas caras e durante o seu lazer “desfrutar” desse espaço é um bom caminho para a mudança. Seja de administração no governo, seja (espero eu) nos rumos gerais da cidade, independente do partido que conduza a mudança.

  21. Jay, comentário muito sensato sobre essa coisa da “conscientização pelo terror”. Fosse assim, a galera teria que apanhar da torcida do Palmeiras pra saber como é ruim a violência entre torcidas, teria que frequentar escolas ruim pra se mobilizar por uma educação melhor e por aí vai. Felizmente o Homo sapiens tem (não muito, concedo, rsrsrs) as faculdades da inteligência e da abstração. Daqui de Pouso Alegre sei que o rio Pinheiros precisa de socorro urgente, não preciso andar de bicicleta lá na beira pra me indignar (o que, claro, não me impede de usar a bicicleta prum passeio ali eventualmente).

    Quanto ao lance da ciclovia em si eu fico com essa impressão de que um troço de 14 Km com apenas duas entradas é no mínimo uma sandice. Nego pode até estar usando a bagaça pra trabalhar, isso apenas se ele der sorte de ter casa e serviço uma em cada ponta do trajeto. O que chama a atenção é que foi feito um PUSTA auê com a inauguração do “aparato”. Mas ninguém viu a inserção da obra num programa estruturante que tenha a finalidade de garantir o uso da bicicleta como um meio de tranporte mais massificado e seguro na cidade, com um planejamento definido e metas, mesmo que sejam, sei lá, pra 25 anos (já dizia a Tia Carmela). Pessoal da oposição ao governo Lula pode falar o que quiser, mas o PAC é um programa que faz isso, define prioridades, objetivos, meios e metas pra questões importantes do país, só não tem nome de “choque de gestão”.

    E pode ficar tranquilo quem achar que estou politizando o debate. Estou mesmo, sou filiado ao PT e espero que ninguém tenha preconceito de discutir com quem assume posição política partidária. Aliás, mais do que nunca, ano de eleição é ano em que TUDO vira política, até questões climatológicas, por exemplo. Talvez a única coisa que nos deixa fora desse clima pesado da eleição seja um joguinho de futebol, mas só a parte que acontece dentro do campo, é claro.

  22. Oi Joaquim!
    Juro !!!, fiquei umas boas horas com enjôo depois que saí da ciclovia!! Até pensei que estava sendo a única a ficar chocada com tudo que vi e senti, mas para minha surpresa, você falou exatamente o que eu quis dizer no meu blog http://www.avzm.blogspot.com , porém com um tom mais leve, mas tão enfático quanto o seu: será que os paulistanos são cegos e sem nariz?

  23. Olha ai pessoal da bike, o que precisa é contratar empresa capacitada para realizar os projetos das ciclovias que tenha experiencia em ciclovias seguras, adequando o meio ambiente ao projeto e criando orientações aos usuarios diversos do sistema viario afim de compartilhar o solo utilizado como meio de transporte, educando e respeitando os espaços individuais e de uso comum.CONTINUEM PEDALANDO

  24. Fui neste final de semana à ciclovia, e é tudo, realmente, muito bizarro. O acesso apenas pelas pontas, e a ponte estreita estação Vila Olímpia. Os vapores nauseantes que não só devem transportar o cheiro de dejetos humanos, mas provavelmente produtos químicios tóxicos. O término em um aterro sanitário. As placas de ‘respeite o meio ambiente’, que soam como uma piada hipócrita enquanto observamos o que São Paulo fez com seus rios. Como pode ser saudável praticarmos um esporte nessas condições? Nem vou entrar no mérito da ciclovia como meio de transporte porque com o modelo atual nem levo isso a sério. Continuando, a faixa paralela ao Rio que teoricamente está reservada aos carros de manutenção que trafegam por ali em um espaço estreito, colocando em risco os ciclistas (as pessoas acabam tomando a via toda). Engraçado que no mesmo dia à tarde fui em um evento no Shopping Cidade Jardim. Um bunker de convivência para a classe alta paulistana onde se tem uma bela vista da ciclovia. É isso, na capital os espaços de convívio foram jogados para dentro de shoppings com vegetação, iluminação, climatização e segurança pagos. Tudo muito bonito. Enquanto como alternativas públicas temos ciclovias com esgoto a céu aberto. Eu me mudei para cá a alguns anos, mas a cada dia a qualidade de vida e o modo de vida da cidade me desanimam, e muito.

  25. Joaquim, Olá

    Gostaria de parabenizá-lo por sua reportagem a respeito da ciclovia. Mas, gostaria de corrigi-lo em alguns pontos:
    Não foi feita apenas uma pintura na pista. Um processo de asfaltamento e recapeamento para adequar a pista á bicicletas foi feito.
    O aterro sanitário foi desativado a muitos anos e hoje lá, funciona uma cooperativa de recicláveis, e um parque fechado para visitação.
    O secretário estadual dos transportes, José Luiz Portella, afirma que será feita a instalação de postes para iluminação da ciclovia que possivelmente ficará aberta 24 horas por dia.
    Quem andou na ciclovia notou o mau cheiro de um esgoto a céu aberto. Mas se você realmente andou na ciclovia com certeza também notou que está sendo feito o processo de limpeza do rio Pinheiros e Tietê. Poderá observar isso em diversos trechos do rio.
    Portanto, antes de fazer uma crítica verifique se ela é pertinente. E ao leitor, busque fontes seguras.
    Obrigado

  26. Ulisses, parabéns por prestar contas ao cidadão sobre o que está sendo feito, mas discordo em vários pontos da sua crítica.

    Primeiro ao tentar distorcer o que ele disse e cobrar fontes para isso. O autor do texto, Joaquim, esteve lá há quatro meses e nesse texto ele narra uma experiência desagradável com um espaço de lazer. Por mais que essa percepção esteja errônea, ela é única e intransferível. Se ele sentiu o mau cheiro, se ele sentiu que o local fedia, não há quem tire essa sensação horrorosa dele.

    Outra coisa, acho legal você mostrar as ações do governo, mas falta timming O seu problema foi uma certa demora. Não moro em SP e acredito que o Joaquim não voltou à ciclovia, mas reparar uma percepção de quatro meses atrás com o que está sendo feito agora é, no mínimo, arbitrário.

    É o mesmo que reclamar dos personagens de Vidas Secas de não tentarem uma carona em um pau de arara ou por não terem se candidatado ao benefício do Bolsa-Família, sinceramente não faz muito sentido.

    Eu morei na capital paulista por doze anos, e qualquer pessoa sabe que a diferença entre limpeza e desassoreamento é difícil de ser percebida e esse tipo de obra é feita em SP há anos.

    De resto desejo toda sorte na despoluição e repito a crítica que fez agora ao Joaquim: antes de fazer uma crítica verifique se ela é pertinente. Seja sempre bem-vindo.

    Lauro Mesquita

  27. Lauro, obrigado por me responder e manter um dialogo aberto a opiniões diversas.

    Não peço que pense que a ciclovia do rio Pinheiros seja a melhor do mundo. Concordo com o autor da reportagem que realmente faltou empenho e dedicação para uma obra que beneficiará a todos os cidadãos de São Paulo. Porém, apenas corrigi alguns pontos equivocados do autor, que usou de uma linguagem agressiva sem nem mesmo prestar atenção no que dizia.
    Concordo também em seu comentário que são feitas muitas promessas e poucas são compridas.
    Frequento a ciclovia diariamente e assim como eu, há muita gente que aprovou essa obra, mas também esperou que desse mais a desejar.
    sem mais

  28. Ulisses, muito legal você ter vindo aqui. Agora, acho que mais do que uma reportagem, o texto é o relato de um ciclista. Mais que isso, o relato de um ciclista furioso, baseado em sua experiência. A questão não é responder mal entendidos argumentativos e epistemológicos, mas mostrar os pepinos do usuário.

    Aliás, é bom para o poder público que exista esse tipo de relato, eles podem colocar na balança e ver onde a coisa patina. Fico feliz quando os autores de políticas públicas prestam atenção nas reclamações dos usuários.
    muito obrigado pelos comentários

  29. Ulisses,
    Gosto ainda menos da ciclovia hoje do que há quatro meses. Sou usuário assíduo da bicicleta como meio de transporte, e não vejo política nenhuma em favor desse meio na cidade. A ciclovia do rio Pinheiros, me parece, é redundante como opção de mobilidade, porque acompanha a linha já existente de trem.
    A despoluição do rio será, nas mãos dos tucanos, uma eterna promessa ou work in progress. Duvido que depois de quase 20 anos realmente haja algum dia esforço em escala suficiente para resolver o problema.
    Reitero que não fiz reportagem, mas um post de blog, que é um gênero, por assim dizer, diferente de peça de comunicação: é impressionista, opinativo e deliberadamente provocativo.

  30. Joaquim, concordo com você: as propostas de mobilidade desenvolvidas pelo estado e pelo município são muito fracas. É muito ruim saber que o carro chefe da reformulação logística do estado mais rico da união nos últimos 16 anos seja o Rodoanel.

    Essa proposta viária me parece ruim, insuficiente e, como o que é desenhado para o metrô, obsoleta. Mais uma vez, falo como usuário em um ponto de vista impressionista do usuário.

  31. Quem vê esta ciclovia nas fotos, de longe, acha realmente uma beleza. Eu sempre me perguntei porque uma cidade tão grande e tão rica como SP não tinha mais ciclovias. Não imaginava que era uma obra de fachada. Precisamos fazer uma enorme campanha para viabilizar a construção de mais ciclovias no Brasil, pois este é um ótimo caminho para se chegar ao trabalho, sem poluir o meio ambiente, além de ser uma opção de lazer.

  32. Pois é, esgoto a céu aberto e concientização da população para os problemas da cidade, só que São Paulo está com suas ruas emporcalhadas pelos dejetos dos cachorreiros, o fedô é o mesmo lá do rio
    Vocês acham que pessoas auto intituladas civiizadas que andam beijando boca de animais, tendo um convívio anti-higiênico, promiscuo, teêm condições de entender o alcance desta informação, aliás, não moro na periferia e sim na Vila Mariana, chic né ?
    Fiz um projeto de calçada com plantas e grama para as pessoas quebrarem um pouco do ritmo, coloco semente de girassol no muro em frente de casa e a esta hora tem mais de 30 periquitos almoçando e as pessoas param olhar e curtir, mas não podem se aproximar por causa do cheiro e do chão sujo.
    Ibirapuera, Parque da Aclimação, cadê o “xero” de flores e árvores ?
    Pergunto de novo, somos civilizados ?
    Adoro bicicleta e ando com meu filho de 13 anos, e infelizmente tudo o que foi dito é verdade, só político nenhum de partido nenhum faz ou vai fzaer sem pressão da sociedade.
    Lembram do secretário que liberou a segunda estrada da Imigrantes, ele é o ecologista dos cachorreiros.
    Educação desde o berço.
    Não sei quem disse que :
    “eduquem-se as crianças e não será necessário punir os homens” e eu completo, nem sentir cheiro de merda …

  33. As pessoas deveriam deixar de fazer politicagem nojenta e defender o pais como um todo. Este blog esta debochando e criticando ironicamente coisas que sao serias e de enteresse da populaçao. É claro que se ouver cobrança da sociedade como um todo a despoluiçao dos rios de Sao Paulo e regiao metropolitana acontecera tem que haver interesse de todos até para nao jogarem lixo nas ruas. Os governantes nao importam se é do pt psdb ou pqp. Sem politicagem Sr nao tem nada have.

  34. Primeiro parabéns pela matéria, há tempos não via algo tão bem estruturado e real e segundo o Joaquim Toledo Jr. expos com muita clareza o que é esta ciclovia, como são os politicos que governam nossa cidade e estado e finalmente o perfil do povo chic (ou que quer ser) que os elegem. Um forte abraço a todos.

  35. Dirceu Diz:

    Será que este bando de incompetentes, não importa a esfera, federal, estadual ou municipal, não tem vergonha de receber políticos do mundo e apresentar os aeroportos, avenidas, pavilhões de exposições, meu eles não viajam? O Mister Lula com o aero lula viajou mundo a fora e não apreendeu nada?
    E o fim da picada, estes rios Tiete, Pinheiros, Tamanduateí, como comentado acima, meu ja são mais de 20 anos, bilhões recebidos do mundo todo, inclusive o Japão, e o resultado? Continuo respirando a mesma fossa, não e possível, e muita incompetência, inclusive dos meios de informação por não bater pesado diariamente, ate nossos vizinhos, Argentinos tem coisa melhor, Porto Madeiro, e olhe que não e por falta de grana, só o que São Paulo arrecada seria suficiente para termos o que as melhores cidades mundo a fora tem de melhor, e revoltante.
    Estreie a ciclovia este final de semana, e uma brincadeira de mal gosto os acessos, será que as mães deles não poderiam usar esta ciclovia para ver o que os filhos deles projetaram? E o idiota aqui achou que o final sairia dentro do parque Vila Lobos, sou um imbecil mesmo, pois vejo do carro diariamente indo da Paulista para Alphaville a pista e uma passarela vermelha na estação de trem do parque, achava que aquilo era a ligação da ciclovia com o parque, ou seja, fui ate o fim, e voltei morrendo para comer algo na volta.
    São Paulo (nos) mereceríamos políticos melhores, quer dizer, não sei se um dia teremos isto, pois e cultural, e tudo uma corja de bandidos.

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