PV, partido neocon

Qualquer pessoa com um pouco mais de atenção a política, sabe que  o PV nunca foi um partido pra valer. O seu ambientalismo nunca saiu das fronteiras das grandes cidades e o partido sempre preferiu dizer que era uma “esquerda moderna” (leia-se em sintonia com as propostas dos Verdes Europeus) a ter de rodar o País em busca dos problemas ambientais.

Não se tem notícia da participação do partido em debates candentes como a transposição do São Francisco, a construção de hidrelétricas  ou o avanço da fronteira agrícola entre Tocantins e Pará. Além disso, sempre foi um estranho balaio de gato que reúne Vittorio Medioli, dono de uma empresa de transporte de carros e do jornal O Tempo, de BH,  Lindomar Garçon, de Rondônia, que defende a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia, doutor” Talmir, líder da Frente Parlamentar Contra a Legalização do Aborto, Aspásia Carmargo, que chama a resistência à ditadura militar de terroristas e outros exemplos bem acabados de uma agenda bem distante do progressismo moderno vendido pela sigla.

Agora, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, pediu licença do partido com uma frase que diz muito sobre o direcionamento da campanha de Marina Silva: “Estou muito velho para ir para a direita e muito novo para virar conservador”. É lógico que o bloco de oposição das redações partiu pro ataque, assim como o líder do PV de rabo de cavalo, o senhor Penna, um aliado incondicional do governador e candidato a presidente enrustido, José Serra.

Tudo bem, se esse conservadorismo não tem nada de novo no PV. Mas a chegada da Marina ao PV prometia uma virada mais progressista no partido. O movimento atual mostra que apesar de toda simbologia que a senadora carrega, o partido vive uma conversão conservadora definitiva.

No Rio de Janeiro, o plano do oportunista Gabeira, conta com a contribuição da Casa das Garças, a turma que comandou a malfadada economia do governo FHC.

O programa econômico de Marina Silva é dirigido pelo Eduardo Gianetti da Fonseca, o economista de auto-ajuda e famoso pelo seu bem vendido auto-engano que já disse que Pinochet era um déspota esclarecido e que defendeu a invasão americana no Iraque como um golpe razoável de autocontrole do então respeitado George Walker Bush.

Não bastasse isso, na Bahia, os Verdes irão lançar a candidatura ddo deputado federal Luiz Bassuma, ex-petista e mais proeminente membro da Frente Contra o Aborto. Um conservador nato. Ele diz ser Espírita, atua em peças desse gênero religioso e costuma conversar com o espírito de Luís Eduardo Magalhães.

Bassuma, durante a votação do projeto descriminalizar o aborto no Brasil chegou a levar um caixão pequeno e discursar com bonecas nas mãos. Além disso, é contra a união civil entre homossexuais e prega um conservadorismo nos valores ainda muito presente na esquerda.

A postura de Marina  –  muito pouco clara quanto ao aborto e a presença da religião no Estado -, os seus valores religiosos (assim como do seu correligionário Henrique Afonso, ex-PT e atual PV do Acre) e o plano econômico moldado por um ortodoxo sinalizam uma plataforma bem conservadora e próxima das reivindicações do empresariado e dos religiosos. Estranho para uma pessoa com tanta história no movimento social.

8 comentários sobre “PV, partido neocon

  1. Em poucas palavras, você disse muito do que penso dessa merda de partido.

    O pior é ouvir, de muita gente, elogios a este partido.

    Parabens.

    Como alan sieber disse: hj é um dia triste, muito triste. Estou bem triste com a morte do glauco.

  2. O artigo é ótimo. O Partido nunca conseguiu ser uma proposta viável para o Brasil. Espero que o Juca tire o time o quanto antes e deixe o Gabeira como ” Imperador de si mesmo” o dia que ele for eleito para algum cargo executivo a máscara caí.

  3. Òtimo texto como de costume Laurose. Digno de nota apenas que as reivindicações dos verdes “pra valer” continuam sem padrinho no pleito que se apresenta.

  4. Partido Verde? Um tempo atrás o Penna morava em frente minha casa. Depois o diretório deles se instalou ao lado do prédio onde moro. Fizeram uma reunião pré-eleitoral e sujaram a rua com folhetos. Claro que nenhum deles passou a vassoura(diz aê Jânio…). Partido Verde?

  5. Finalmente consegui vir aqui concordar com o Gilson!
    Porque vamos falar a verdade, boa parte das obras do PAC, por exemplo, são o que há de mais tradicional no mundo das intervenções. E as licenças ambientais? E a falta de compromisso com as compensações? Isso não é exclusividade de ninguém, não! Todo mundo fez e faz igualzinho!
    Eu gosto bastante da Marina, não por suas idéias pessoais, das quais discordo, mas por sua postura frente a esses debates, que aliás, é essa: debater.
    Agora, uma coisa é gostar da Marina, outra coisa é gostar do PV… aliás, as exigências da própria Marina para se filiar ao partido e concorrer, que passavam por uma reestruturação completa do partido, não se efetivaram, né?
    No mais, incomoda-me bastante observar que, por um motivo ou por outro, velhos motivos ou novos, os “verdes” continuam sendo vinculados (e também muitas vezes se vinculando) a idéias reacionárias!

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