Johnny Alf (1929 – 2010), um amor discreto

Acabei de saber da morte de Johnny Alf. Já tinha falado sobre ele aqui no blog. Fiquei numa tristeza brava. A história dele cala fundo nos que pensam sobre quanto a vida do artista é insegura no Brasil.

Machuca mesmo. Por que é uma história exemplar do preconceito, da desatenção e do abandono.

Compositor que cantou tanto a desilusão e o amor distante lutou contra um câncer de próstata por três anos. E mesmo com tantos clássicos da música brasileira e com uma influência inegável sob a Bossa Nova, não vivia de direitos milionários (que no Brasil nunca foram assegurados para o artista, é bom lembrar) e era um dos moradores de uma casa de repouso em Santo André.

Johnny não tinha familiares era só e era só ele. Sua musicalidade tão única vai deixar saudades. E sua trajetória tão errante e de certa maneira angustiante me deixa com um aperto no coração. Me entristece que um gigante de talento tenha um destino tão injusto.

Vale a pena saber tudo sobre esse artista genial e um triste exemplo das contradições e dos dramas brasileiros. A letra abaixo deixa bem clara a tristeza de uma vida que não pode ser vivida integralmente – porque há racismo e homofobia no Brasil–, uma vida que o preconceito e os entraves sociais fazem incompleta:

Eu acho engraçado quando um certo alguém
Se aproxima de mim
Trazendo exuberância que me extasia
Meus olhos sentem, minhas mãos transpiram
É um amor que guardo há muito dentro em mim, dentro em mim
E é a voz do coração que canta assim, assim
Olha, somente um dia longe dos teus olhos
Trouxe a saudade de um amor tão perto
E o mundo inteiro fez-se tão tristonho
Mas embora agora eu te tenha perto
Eu acho graça do meu pensamento
A conduzir o nosso amor discreto
Sim, amor discreto pra uma só pessoa
Pois nem de leve sabes que eu te quero
E me apraz essa ilusão à toa”

Johnny Alf era tímido e era bem maior que essas minhas lamúrias agora. Me peguei chateado com a história toda. Saibam mais sobre ele. Assistam o documentário da TV Cultura. Ele merece todas as homenagens:

5 comentários sobre “Johnny Alf (1929 – 2010), um amor discreto

  1. Lindo, Lauro. Também fiquei numa tristeza só. Lá se vai um dos grandes.

  2. foi um dos gigantes da música brasileira em todos os tempos. Nunca foi reconhecido como deveria.

  3. Ele não tinha Filhos nem Familia.
    Ele se casou com a Musica.
    Esta frase escultei hoje na TV, ao saber sobre o falecimento do nosso Querido Johnny Alf.
    Eu sinceramente nunca tinha escultado falar do Alf, Amo a musica Brasileira, assim como o Jazz.
    Mas valeu apena ter ganhado 50 minutos de cultura assistindo o Documentario.
    O Seu trabalho hoje passara a fazer parte da minha vida.
    E que Alf descanse em Paz.
    Felipe Luz

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