Picape (1996 – 2010)

Picape, a Greta Garbo das festinhas

Este blog está parecendo um obituário, mas dessa vez não dá para deixar passar.

Com quase 14 anos, uma amiga de todos nós se foi: a Picape. Ela foi a mais gentil de todas as cachorras. Embora não falasse, sabia ouvir e entendia um pouco mais de uma dúzia de palavras.  Além de comer, dormir e passear, curtia uma paquera. Sentava-se ao lado de quem ela gostava, dava a pata e fixava seus olhos no rosto de um humano querido.

Aliás, usava muito a pata dianteira. Para cumprimentar as visitas, para arredar seu prato, para ficar mais perto do meu pai, da minha mãe e da Eva (as pessoas que ela mais amou). Pegava comida da mão das gentes com delicadeza, tomando cuidado para os dentes não machucarem os dedos de quem lhe oferecia o que ela queria. Ela era grata e retribuía gentilezas.

Antes de morrer, quis ficar no seu lugar favorito: a sala onde os meus pais escrevem, estudam e preparam as aulas. Lá era fresco, sombreado e ela tinha a sua companhia predileta. Ficava debaixo de uma prateleira de ardósia onde o meu pai guarda alguns gibis da casa. Era a sua gruta.

Aliás, ela era um cachorro meio paleolítico. Sentia-se atraída pela sombra das tocas, por longos passeios e tinha fome ancestral. Com a velhice, seu gosto pelas aventuras e pela companhia de multidões diminuiu. Uma coisa não mudou, ela tinha pavor de ser fotografada. Enquanto a sua amiga mais jovem, a Cebola, é quase uma Gisele diante das câmeras, Picape se escondia delas. Uma Greta Garbo Canina. Para que este retrato fosse registrado, foi necessário perspicácia. Um segundo a mais e a cachorra fugia.

Morreu em um dia feliz na casa dos meus pais em Pouso Alegre. A casa foi dormir mais triste do que se imaginava. Mas a vida continua.

Uma pena a vida desses bichinhos ser tão curta. Para os donos, eles só propõem coisas boas: passeios, brincadeiras, comer e dormir. Talvez por sempre nos chamar para fazer tanta coisa boa, e por ter tanta personalidade, que nós lembramos deles como grandes amigos, do tamanho dos maiores amigos humanos que nós tivemos.

Como já disse o Jay, uma hora dessas ela está no céu dos cachorros, brincando com amigos dos amigos dela: Napoleão, Petra e Neném.

20 comentários sobre “Picape (1996 – 2010)

  1. essa Picape era demais mesmo. Vai deixar saudade. ( to recendo umas broncas aqui por tá chorosa com o post)

  2. Me emocionei com a delicadeza do seu texto, e também por me lembrar do Lupe, que foi um “rott-lata” amarelo e grandão, morava na nossa casa em Santa Tereza, adorava passear comigo ou com a Bel(os outros da casa não davam muita conta da força dele) e, nas sextas de noite, quando eu ia para o barracão dos fundos ouvir música, ele arranhava a porta para ficar ouvindo comigo; depois de ir para Goiania com Bel e Felipe, foi diagnosticado com leishmaniose e precisou ser sacrificado. Deixou saudades.

  3. Picape era a cachorra mais lady que eu já vi, mesmo na típica malandragem canina. Quando levava uma bronca, saía mancando para despertar a piedade. Tudo isso por que ela tinha sido atropelada quando ainda era bebê e nesse período foi tratada a pão de ló pela família Mesquita.

    Adorava programas suaves e doces. Adorava passear, prestar atenção em conversas, na televisão. E enquanto deu, acho que ela foi muito feliz. Depois veio a velhice e a vida ficou muito difícil pra ela. Não aaguentava muito bagunça e preferia se recolher. Essa coisa de cachorro viver pouco é triste demais, aida mais pra um animal que leva a vida tão bem, só com alegria, amizade e sem mágoa nenhuma. Vou morrer de saudade.

  4. Fiquei emocionada ao ler seu texto sobre a nossa querida picape. Vai ficar em meu coração a lembrança da cadela mais linda que já tivemos. Linda porque tinha pelo e olhos em tons de mel e um brilho de causar inveja nas pessoas que a viam na rua.Linda porque parecia ter coração de gente,porque pedia carinho quando não ganhava de graça. Chamava atenção o comportamento quase humano dela.

  5. André, espero que a Picape tenha a sorte de brincar com o Lupe do outro lado. Agora que o Lauro contou essa história da mancada simulada da Picape, senti não ter colocado no texto. Valeu pela lembrança.
    Mãe, que legal você ter comentado aí e ter escrito o que escreveu. Fiquei muito contente.

  6. Estive com ela no fim de semana e foi triste vê-la fraca. Quando chegamos na casa de vocês, ela tentou levantar para vir cumprimentar, mas acabou não conseguindo. Lembro da Picape desde quando chegou na Mauro Brandão, vocês estavam trsites pela perda do cão anterior e a Picape chegou pra levantar a moral da galera, o que sempre fez muito bem. Vai deixar saudades.

  7. Puxa, meninos, ela vai deixar saudades sim… Meu último encontro com a Picape foi em outubro, na época do show do Imbuia. A doce Picape continuava bela e discreta, mas mais retraída do que na juventude. Tentei filmá-la, ela foi logo se escondendo naquele quartinho (onde dormia com a Cebola). Vai ser triste não encontrá-la mais lá no fundo do quintal, na melhor cozinha do mundo. E já que lembramos agora dos cães amados, como não mencionar nosso mítico Pudim, o cachorro mais popular da Serra? Lembram? Disposto e aventureiro, o Pudim saía sozinho, subia o morro, tinha várias namoradas e ficava sumido durante dias… Certa vez perguntaram pra mamãe, na rua: “A senhora mora na casa do Pudim?” Morreu atropelado por um ônibus, numa de suas andanças. Também deixou saudades.

  8. Nossa, a Pica acompanhou várias noitadas da galera noite adentro na cozinha dos Mesquitas. Era muito fofa mesmo. E pequenininha era muito muito fofinha. Sem contar o amor dela pela bola que só se iguala ao do Pelé, rá! Vai fazer falta pra cacete. Tô com pena da Cebolinha, vai sentir falta da amigona.

  9. Meus sinceros pêsames. E nem me fale. Desde outubro aqui foram 3 lá para as bandas onde está a Picape. Eram 13 e agora são 10.

  10. Fabiano, Claudis e Arthur, amigos da cadela de longa data. Legal o que vocês comentaram. Claudis, como esquecer do intrépido e desinibido Gu, o terror do morro da Serra. Sua perda foi sentida em todo bairro, quiçá, em toda zona sul de BH.
    Ceará, valeu pela força. Pax, que triste saber de sua perda meu camarada. Três é muito. Agora, que alegria deve ser essa sua casa meu rei, essa bicharada toda na roça. Dia desses quero te visitar.

  11. Entendo mto bem o que a família Mesquita tá sentindo porque em dezembro perdemos a Cindy, nossa amigona pequenina que já estava com 14 anos, mas continuava nos enchendo de lambidas e carinho. Nunca tinha perdido um cachorrinho com quem tivesse convivido por tantos anos e, talvez por isso, a experiência dessa primeira perda doeu demais. Eu queria que eles tivessem pelo menos a mesma expectativa de vida que os seres humanos: já pensou q felicidade contar com aquele amor incondicional por mais tempo? E tb com suas personalidades incríveis e únicas? A perda é dura de qquer forma pra quem fica, mas pelo menos a gente ia poder curtir mais. Conheci a Picape já velhinha, mas ela era realmente uma das cachorras mais lindas que já vi nessa vida. A Vânia acertou em cheio na descrição.

  12. Meus sinceros sentimentos a vocês, família Mesquita. Sei como é difícil perder uma amiga tão especial e companheira assim. Os nossos bichinhos são da família… Amados, mimados e protegidos. São como filhos e talvez seja por isso que a dor é grande. É um amor fraternal!

  13. Que tristeza, galera. Convivi muito com Picape. Estava presente inclusive na sua chegada à casa. Acho que levada pelo Zé Guilherme.

    Meus sentimentos.

  14. Eu sinto muito. Também me emocionei. Eu sou apaixonado por cachorros, tenho 9, que são como filhos. Sei a dor que é perder um desses animais.

    O que posso dizer é que a dor se vai, o que fica é só a saudade.

    abraços

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