São Paulo e as águas: a limitação das soluções estruturais na drenagem urbana, por Luciana Travassos

O meu primeiro emprego em São Paulo foi em uma revistasobre problemas urbanos, a Urbs. A revista era parte da Associação Viva o Centro, bancada pelos bancos do Centro de São Paulo e era uma espécie de think thank para se pensar as questões do Centro da cidade.

Pode até não parecer, mas a Associação e a revista eram compostos por um núcleo bastante hetereogêneo de pessoas e idéias. Uma delas era a Luciana Travassos, que na época ainda estudava arquitetura e acabou se especializando na relação dos rios com a urbanização caótica de São Paulo.

Hoje ela é funcionária concursada da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Com esse período de, chuvas, enchentes e catástrofes humanitárias, a turma do Guaci encomendou um texto para ela que esclarece e dá pano pra manga pra uma ótima discussão sobre o tema. Ah, os links são culpa minha.

São Paulo e as águas: a limitação das soluções estruturais na drenagem urbana

Luciana Travassos

Difícil de dar o recado no Jardim Pantanal
Difícil de dar o recado no Jardim Pantanal

Desde o começo do século XX, a forma primordial de lidar com a questão da drenagem urbana em São Paulo foi a construção de grandes estruturas e a intervenção radical no sistema de águas superficiais – rios e córregos.

Nas décadas de 1920 e 1930, o interesse de companhias energéticas e empreendedores imobiliários deu respaldo a um determinado modelo de construção de cidade, encabeçado pelo engenheiro Francisco Prestes Maia, um modelo bastante pautado na estruturação viária e na utilização do nascente transporte individual. Sua aplicação sobre o território da capital, dada a sua topografia acidentada, ensejava a implantação de vias lindeiras aos rios e córregos – sistema que deu suporte a seu Plano de Avenidas.

Essa história é bastante conhecida, mas o que importa nela é que a partir de então o binômio – canalização de córregos e construção de avenidas de fundo de vale – se tornou um paradigma dos diversos órgãos públicos de intervenção urbana, sob diversos governos, a ponto dessas obras passarem a integrar programas de melhoria e não mais planos urbanos: onde houvesse um córrego esse seria canalizado e uma avenida seria construída em suas margens drenadas. Foi na década de 1970 que esses planos e projetos começaram a sair do papel, financiados primeiramente pelo Planasa e posteriormente pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Do ponto de vista hidráulico, os córregos canalizados têm o objetivo de escoar rapidamente a água precipitada para jusante, ou para baixo. Para tanto os rios principais precisavam ter suas calhas ampliadas para receber uma quantidade crescente de água: a mancha urbana crescia e nesse processo as áreas impermeáveis aumentavam brutalmente e mais córregos eram canalizados resultando em paisagens urbanas com bacias e várzeas totalmente ocupadas

Alguns questionamentos a essa prática eram feitos, principalmente nos meios acadêmicos e nos órgãos de Planejamento, notadamente pela Emplasa, mas também pela Secretaria Municipal de Planejamento nas gestões de Mário Covas e, principalmente, na de Erundina. No entanto, a lógica – política e técnica – incrustada nos órgãos responsáveis pelas obras continuou ditando o processo.

No final da década de 1990 o paradigma hidráulico começou a ser alterado, a partir da elaboração do Plano Diretor de Macrodrenagem do Alto Tietê. A idéia contida nesse é de segurar a água da chuva onde essa se precipitou, ou em sua proximidade, diminuindo a pressão sobre os sistemas à jusante. A implantação ou não das diversas diretrizes desse Plano, no entanto, seguiu a lógica já estabelecida, somente as diretrizes relacionadas às obras estruturais são realizadas. Demais diretrizes como, planejamento do uso do solo na região a montante da Barragem da Penha (onde se encontram os diversos bairros que vêm submergindo nesse verão), outorga do direito de impermeabilização e controle de desmatamento e ocupação em áreas com tendência à erosão, educação ambiental, não vislumbraram grande sucesso nem nas instâncias estaduais, nem nas municipais envolvidas.

Do Plano Diretor de Macrodrenagem do Alto Tietê obteve sucesso a implementação de piscinões, imediatamente absorvida dentro da lógica das grandes obras, quase sempre associada à tradicional canalização dos córregos, criando certo paradoxo na medida: os canais expulsam as águas, enquanto os piscinões as retêm.

Foto de Sérgio Neves, para o Estadão, mostra o drama no Jardim Romano

Com relação às inundações é preciso trabalhar com uma premissa básica, embora antipática: a única certeza possível sobre as áreas de várzea é que um dia, independente das obras de drenagem executadas, elas alagarão. Qualquer outra consideração original é leviana. Assim, é inadmissível que o poder público legitime, anistie ou crie ocupação nessas áreas.

A partir daí é essencial enfatizar dois tipos de política pública. A primeira é a de remoção dos usos incompatíveis com inundações nos locais onde essas são mais freqüentes e a destinação dessas áreas para parques urbanos. Essa medida enfrenta um principal problema que é a, ainda, baixa capacidade do poder público em intervir no preço da terra urbana e em sua destinação, ou porque os instrumentos do estatuto da cidade adotados nos planos diretores não foram regulamentados ou porque são insuficientes. Por outro lado é será que é caro demais fazer diferente? É preciso contabilizar, inserindo variáveis de justiça social e ambiental: quanto custa a continuidade das medidas adotadas até agora? Quanto custa construir e manter um piscinão ou um canal de rio? Quanto custa a remoção de moradores dos condomínios construídos pelo poder público? E, principalmente, quanto custa tudo isso em contraposição à criação de parques lineares e à construção de moradias em locais adequados? Ou seja, estamos falando de restrições financeiras ou de priorização inadequada no uso dos recursos públicos?

Já a segunda política pública necessária é a disseminação de práticas preventivas dentro do escopo de defesa civil. Nessa deve-se priorizar a minoração do dado ao invés de sua remediação. Residem nessa diretriz tanto a construção de um sistema de alertas – para evitar a perda de vidas, quanto a implantação de infra-estrutura adequada para lidar com eventos mais freqüentes e até a criação de um fundo de auxílio para ressarcir os danos. Esse fundo pode inclusive funcionar por sub-bacia, a partir de subsídios cruzados e incentivos para a adoção de práticas de retenção de água – desde reservatórios no lote (para os quais há legislação no Município de São Paulo) até a criação de áreas permeáveis.

Assim, para conviver com os recorrentes problemas de inundação no município de São Paulo e em sua Região Metropolitana, é imprescindível estabelecer um conjunto amplo e diversificado de ações, que conte com amplo conhecimento e participação da sociedade. Nesse, as obras de drenagem ainda serão necessárias, porém certamente não serão mais as protagonistas.

37 comentários sobre “São Paulo e as águas: a limitação das soluções estruturais na drenagem urbana, por Luciana Travassos

  1. Lu, muito bom o texto, mas mo que me parece é que essa opção pela pavimentação e da abertura para o automóvel ainda é predominante. Esse projeto de se abrir mais espaço para automóveis na marginal e o fechamento das comportas da Barragem da Penha parecem indicar isso.

    O que eu me pergunto é por que nada acontece, mesmo com o discurso ambiental tão em voga e com tantos desastres no horizonte mais imediato?

  2. No que tange aos preços: segundo as últimas informações que foram veiculadas, afinal de contas é uma “tragédia antiga” já, a reconstrução do vale do Itajaí envolveu recursos que ultrapassaram a casa do bilhão, somente em grana dos governos.

    Uma experiência aqui no sul de Minas, com um sistema intervencionista e de alto impacto para a prevenção de cheias (que obviamente não observa a acertada “premissa básica sobre inundações” presente no texto), propunha gastos da ordem de 250 milhões. Um estudo preliminar da Unifei mostrou que a mesma grana daria pra bancar uma melhor estruturação das defesas civis no contexto do Sapucaí, e para regularização de problemas fundiários.

    Um problema que identifico nessa questão é uma falta generalizada de coragem política. E estou convencido que esse é o grande gargalo prum desenlace adequado pra questão, infelizmente. Quando uma área deixa de ser “edificável” o seu valor diminui muito. Imagine o caso daquelas pousadas em Angra, um terreno de 500 mil, um milhão passa a valer uma fração mínima disso. Do outro lado está a segurança futura de um monte de gente que sequer está na área. Ou seja, é necessário tutelar um interesse de um grupo que não existe, não está organizado, não VOTA, em desfavor de um interesse estabelecido, capitalizado, muitas vezes organizado etc. etc.

  3. Olá, Lauro e Gilson!
    Penso que há algumas iniciativas interessantes, embora ainda em uma escala pequena. O Plano Diretor de 2002 e os Planos Regionais de 2004 estabeleceram uma rede muito ampla de parques lineares e ainda que timidamente, vêm sendo implantados. Claro, não contam com tanta verba quanto piscinões, mas por outro lado a terceira etapa do Programa de Canalização de Córregos e Construção de Avenidas de Fundo de Vale, Procav, também não decolou, para felicidade geral da cidade.
    No caso da Barragem da Penha não vi nenhuma explicação muito boa para o que aconteceu lá. O fato é que a Barragem foi criada para isso, para reter as águas e os sedimentos acima da cidade, na época em que a mancha urbana era muito menor e muito antes do Plano de Macrodrenagem, a barragem foi a única coisa que se efetivou do plano do Saturnino de Britto na década de 1920. O grande absurdo é o poder público ter investido em infra-estrutura em uma região tão vulnerável. São dois os caminhos, continuar insistindo na bobagem ou ter uma proposta adequada para a remoção.
    Esse é um engasgo grande uma vez que os moradores, mesmo sabendo-se ocupantes de uma área inundável, ao perceberem investimento público na região, começam eles também a investir em suas casas. Daí fica muito difícil fechar a equação.
    Talvez os recursos gastos nas novas pistas da marginal pudessem ter sido gastos nisso, não? (Ou quem sabe na ampliação do sistema de corredores de ônibus, que não cresceu nos últimos anos). Não considero o maior problema das três pistas a impermeabilização, aquela terrinha batida com aquele matinho tampouco era muito permeável, mas o maior problema é mesmo, como vc falou, a continuidade do investimento em transporte individual. Uma boa compensação pela construção do Rodoanel seria tirar umas pistas da marginal, não no canteiro, mas ao lado do rio!
    Essa escolha, em que investir, é mesmo o maior problema. A segunda – onde vamos deixar inundar – é só um reflexo disso.

  4. Ah, Gilson, belo exemplo esse do Sapucai! Pode nos das mais dados desse estudo da Unifei? Queria olhar!

  5. Tiago,

    Não sei não, viu? No caso do Jardim Pantanal, como os planos para o Parque já estavam em andamento, a exposição dos fatos pode ser positiva para que os moradores consigam melhores opções para a remoção.

    No debate político mais amplo, como a pauta é dominada pela questão das mudanças climáticas, eu acho que esse tema só vai entrar como um de seus componentes no debate…

    E também temos que ter em mente que, mesmo do ponto de vista técnico falta muita coisa, faltam medições e mapeamentos sistemáticos, para resumir. O pior é que levar a frente tais projetos, totalmente invisíveis, também depende de vontade política!

  6. Na entrevista do Gerôncio, no link que o Tiago postou, há citação uma análise do Ab Saber sobre a planície do Tietê, mas não tem referência. Alguém tem ideia de onde pode um ateu pode conseguir isso?

    Luciana, to contactando o pessoal do departamento lá em Itajubá, como disse, foi um estudo preliminar, nem sei como isso ficou formalizado. Mas as obras não foram suspensas por conta deste estudo, o que pesou foi a gritaria do conselho de bacia. Ainda assim, não demos essa guerra como vencida, esse Brainiac das barragens do Sapucaí já dura uns 40 anos.
    Aliás, é digno de nota que o Itajaí já conta com o seu sistema de barragens, só que pra variar não combinaram com os russos, e a precipitação ocorreu massivamente abaixo dos reservatórios. Este fato comprova, uma vez mais, que as intervenções estruturais não são uma saída confiável para o caso das enchentes.

  7. Oi, Tiago!
    Boa a entrevista com o Gerôncio, mas vejamos, ele cita o Plano de Bacia do Alto Tietê, que de fato foi feito por gente que eu também respeito. Em termos de drenagem o Plano somente ratifica o Plano Diretor de Macrodrenagem. Taqui o link para esse pedaço: http://www.sigrh.sp.gov.br/sigrh/ARQS/RELATORIO/CRH/CBH-AT/484/03_PARTE2_D.PDF
    É legal olhar o começo do discurso e depois contrapor com as diretrizes detalhadas: somente obras…

    Gilson,
    O texto do Ab’Saber foi republicado: Geomorfologia do Sítio Urbano de São Paulo

  8. Muito bom o texto Lu!
    Sobre planejamento urbano, em geral, tenho uma percepção que é a seguinte: de um lado uma população que deseja resolver de imediato seus problemas de moradia e infraestrutura urbana e ocupa qualquer espaço de risco (encosta ou vale) de forma consciente (por necessidade) ou por ignorância do risco em si. De outro, um poder público que pensa a questão urbana que tem uma perspectiva do problema que visa uma solução paliativa até as próximas eleições. Isso SE faz alguma coisa.
    No meio, Urbanistas e outros técnicos tentando se fazer ouvir para levar à efetivação de um plano que englobe todas as questões urbanas, e a longo prazo. Infelizmente, não vejo ações concretas de planejamento urbano em São Paulo.
    Essa última na marginal me dá arrepios na alma. Não apenas pela concepção, totalmente equivocada, mas também pela qualidade da execução das vias, uma grande porcaria.
    Outro dia houve uma discussão, muito por alto, entre alguns amigos, se a população deve ou não participar da elaboração dos planos diretores. Bem, no fim, não chegamos a conclusão alguma, mas uma certeza todos temos: planos diretores nesta cidade nunca foram respeitados.

  9. Luciana,

    Sendo específico nos casos Pinheiros-Tietê, e também especificamente na redução dos impactos das cheias: Se houvesse todo o dinheiro pra já, desassoreamento e piscinões resolveriam sozinhos? Ou seja, minha pergunta é existe um valor N de piscinões que iguale os volumes (calha profunda + N piscinões) e (tanto que transborda)?

    Parabéns pelo texto tristemente sempre atual!

  10. Oi, Ane e Cearax!!
    Obrigada pelos comentários!
    Ontem eu e o Cearax tivemos um debate pelo tuiter, Ane, que ia mais ou menos por esse caminho, participação como, quando etc.
    Ambos achamos, pelo que entendi, que as duas coisas se complementam, mas o Cearax está mais perto da participação do que eu. Mas eu não tenho dúvidas sobre se a população deve ou não participar de planos urbanos, pra mim isso é ponto pacífico: ELA DEVE! E não só legitimá-los, mas construí-los!
    O formato adotado até agora, no entanto, não ajuda nada, né? Audiências públicas…
    Acho bastante normal que cada cidadão queira uma solução rápida para o seu problema, né? É difícil ter visão do todo. Na sub do Butantã, o processo de decisão para a construção do parque linear do Água Podre é muito interessante, mas já dura uns três anos. Ou seja, um processo realmente participativo é muito mais demorado, o que deveria ser ok, mas daí a gente bate naquilo que vc falou, Ane: as eleições…

    Daí a gente vai pra outro ponto, o tal N piscinão, N buracão, ou seja, quanto espaço temos que arrumar para a água?
    Você sabe, um engenheiro diria, depende do período de retorno considerado… cada período de retorno tem seu valor N…
    A ampliação da calha do Tietê foi projetada para t=500 anos, se não me engano, o que quer dizer que a probabilidade do Tietê transbordar a cada ano deveria ser, de acordo com os cálculos, de 1/500. Bom, transbordou ano passado, transbordou esse… vamos ter que reinventar a matemática com toda essa probabilidade furada!!!
    As variáveis, tanto as atmosféricas como as hidrológicas e as sociais, são muito incertas pra ser possível quantificar de forma 100% segura e dizer não vai inundar. Eu costumo dizer que a única certeza 100% é de que VAI INUNDAR! Cada vez menos sabemos o quanto vai chover…
    Claro que medir é importante, mesmo pra outras políticas que acho mais apropriadas, como a retirada das habitações das áreas de risco, quem deve sair e de onde precisa ser analisado, né?
    Mas o grau de incerteza é enorme!
    O valor contratado para o piscinão mais dique do Jardim Pantanal é de 75 milhões de reais, ainda que seja muito mais baixo que os 2 bilhões que custou a mal projetada nova marginal, seria suficiente para comprar 1000 apartamentos de 75 mil reais…
    Portanto, eu acho que com a dinherama toda que seria necessária pra furar a cidade e permanecer com o risco, dava pra adotar novas estratégias que internalizassem a incerteza, uma das mais importantes é o fortalecimento e a ampliação do papel da defesa civil. Aliás, no Conselho de Desenvolvimento Urbano de São Paulo, a Defesa Civil sequer tem assento, sabiam?

  11. Luciana,

    Valeu! O rebaixamento da calha do Alckmin não parece ter sido executada segundo o projeto.

    Eu perguntei essa maluquice porque desde ontem tenho lido um número de cento e tantos piscinões como essenciais pra a capital e outras cidades da metrópole de SP. Queria saber se vinha de fontes “Morettianas” *.

    Sobre o Drenurbs, realmente é muito bom todomundo se informar a respeito, principalmente na tentativa de resgatá-lo, porque está adormecido; sufocado pelas empreiteiras que transformam BH na nova selva de pedra brasileira. Já foi cidade jardim há décadas…

  12. Pois é, o papo no twitter foi por aí mesmo, e acho que nosso estágio de desenvolvimento impacta decisivamente na má gestão das águas (e de todo o resto) nas cidades:

    1. Mesmo que aumentemos a participação popular no controle da ocupação das grandes cidades, suspeito que o desenvolvimentismo na base do concreto vai prosperar por mais um tempo, por uma preferência natural (ops!) dentro das prioridades das forças ativas e também da base-de-pirâmide-que-se-desloca-para-o-meio que não vê o todo nem a pau;

    2. Claro que devemos trabalhar duro pra melhorar o conhecimento geral sobre todas essas ciências que a Luciana e outros pensadores da infra urbana dominam. E quanto melhor o controle social e quanto mais ampla a representatividade, melhor vai ser a cidade. No entanto, acho que as decisões tomadas por essa sociedade (a de hoje e a que virá a participar mais) devem prevalecer sobre as decisões de de um “conselho técnico” aliado da elite política, por melhores que sejam.

    3. De 1 e 2, a dedução lógica seria o imobilismo diante de ciclo perpétuo de destruição, mas aí recorro – por livre analogia lóki – à tendência de aumento de longevidade diretamente relacionada ao conceito de riqueza desta nossa fase civilizatória: http://www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo

    Abraços!

  13. Sabe que o pior é que eu acho que foi executado segundo o projeto, sim, é que não tem jeito, pra algum lugar a água vai, bem como o vilão “morettiano” que é o sedimento!
    Eu me coloco de forma bem radical contra os piscinões, acho que deveriam ser a última das últimas soluções, mas adivinha? Empreiteiras adoooooram fazê-los. Mantém-se a lógica, embora a premissa seja diferente!
    Agora o curioso é que tudo que tem empreiteira envolvida se mantém, é um absurdo canalizar córrego e construir piscinão, são obras paradoxais!!!
    Fico triste em saber que uma das maiores inovações, ou a maior inovação, em drenagem urbana no BR esteja chafurdando na lógica das empreiteiras… dureza, dá vontade de mudar de assunto, até…

  14. Luciana vai me matar, mas – assim como os últimos mandatos da prefeitura de SP, que inclui um do PT – também não defendo uso de mais dinheiro público para resgatar os rios Pinheiros, Tietê e seus afluentes nos trechos urbanos da cidade de São Paulo. Acho que agora tem que tocar é muitos piscinões mesmo, desapropriando mais nos pontos-chave das sub-bacias e criando parques de uso misto e outras soluções – no campo da Luciana, não no meu (da Engenharia). Não vão desfazer os canais nunca mais, convenhamos! 😦

    O resto que poderia ser feito a esta altura sai muito caro. Se desse pra cobrar retroativamente imposto sobre o lucro dos especuladores imobiliários que tanto arrasaram e impermeabilizaram, e contando com uma mega desvalorização dos imóveis da várzea, em consequencia da criticidade e da recorrência das cheias, e então também convencer à todos que revitalizar as várzeas implica em remoção de vias/prédios/etc… Num futuro distante, com o país mais rico, quem sabe? Aí temos um milhão de ideias lindas!

    Tem também a ideia de reduzir a população da Grande SP… Só moleza! 😛

    Não mude de assunto, mas mude de cidade! Vamos começar as outras do jeito certo! 😉

  15. Hahahaha! Vou e não vou.
    Em alguns lugares não há mais jeito mesmo, vai ter que rolar piscinão a princípio. Mas a real é que há novos canais sendo feitos e piscinão é a obra fácil… os dois juntos não dá pé! Mais, os piscinões da perifa são umas bombas de vetores de doença e destroem a paisagem urbana e do rio…
    Eu também sou contra o uso de verba pública para recuperar rio que já recebeu tratamento errado, mas na cidade de SP, dos mais ou menos 1.500 km lineares de córregos, menos de 400 já receberam algum tratamento, então ainda dá pra fazer diferente em boa parte dos rios!
    Ou seja, essa história, bem legal, de daylighting só deve rolar depois que outras questões urbanas que necessitam de verba pesada forem resolvidas… a não ser que a sociedade resolva pagar diretamente. Ou seja, eu como moradora da Vila Mariana, poderia pagar pra liberar um afluente do Sapateiro, porque não?

  16. Então, Cearax,
    Será mesmo que custa mais remover gente de área de risco que construir e manter todo esse sistema? Eu realmente acredito que não, que, incluídos todos os custos na conta, saí mais barato.
    E acabamos de ver que a única solução decente é retirar habitações das áreas de risco, não?
    Fazer parques é bem barato e há muitas áreas que podem ser adensadas. Na boa, acho que é só querer mudar a lógica. Quem quer??

  17. Meu voto vai pra “E acabamos de ver que a única solução decente é retirar habitações das áreas de risco, não?”.

    Com um bom mapa de áreas de risco, considerando não um tempo de retorno de 500, 1000 ou 5000 anos, mas sim o maior evento histórico pra cada local, já que estamos vendo a cada dia médias históricas serem batidas…. O passo seguinte é botar todo mundo pra fora. Não me parece que precisamos ser um país rico pra isso, acho que o custo desse pandemônio todo ano deve dar uma soma boa. Só em gastos públicos com “remediação” foram 1 bi no Vale do Itajaí.
    Ainda sobre o mapa, quem tivesse peito de divulgar um troço desses sairia na frente em vários sentidos, imagina o carnaval que a imprensa poderia fazer com uma informação dessas: botar Prefeituras e MP na linha de tiro, só de início.
    No fim das contas, talvez seja melhor o velho terrorismo que um processo mais participativo. Noves fora o sensacionalismo das transmissões da TV, é de chorar a gente ver o sofrimento de quem perde familiares e amigos em eventos que NADA teriam de anormal caso cada um fizesse o seu papel.

  18. Assino embaixo, Gilson!!
    Um bilhão é grana considerável para remediação, né? Dá pra realocar muita gente!

  19. Não sei se vocês já viram, mas a Globo News fez um pequeno debate em janeiro passado, quando a situação da cidade de São Paulo estava bem pior do que está hoje.

    Participaram os jornalistas da emissora, o então secretário municipal de desenvolvimento urbano Miguel Bucalem e o professor de arquitetura e urbanismo Nabil Bonduque.

    O link da matéria é http://goo.gl/mUUnz. Apesar de ter se passado 1 ano de lá pra cá, acredito que o debate valha também para o que está acontecendo hoje.

  20. A coisa que mais me atrai na gestão das águas numa metrópole caótica também é a reocupação/reordenação, com desapropriações predominantemente nos centros das cidades, financiadas pelo poder público, mas com retorno bem atraente.

    Meu ex-colega Mateus Moreira Pontes tem uma tese bacana sobre ocupação residencial do hipercentro de BH, que poderia matar várias questões de uma vez. Pra quem quiser, é sobre Urbanismo:

    http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/RAAO-72VQ85/1/mes_documentomestre_070430c.pdf

    Tem tudo a ver com o assunto, pois a classe que lê este blog assiste a tendência de ocupar áreas verdes nas periferias das grandes cidades como uma saída inocente.

    Voltamos a avisar: Não é inocente expandir a área de ocupação humana!

    Abraços!

  21. Podem usar qqr comentário meu pro que quiserem sempre, mas aqui acho q não dei contribuição pro foco do assunto. Abraços!

  22. É isso, ocupar áreas seguras significa mexer no valor da terra urbana, reocupar áreas centrais hoje pouco adensadas etc.
    Esse novo processo que estamos assistindo de urbanização dispersa parece-nos muito danoso, já há alguns trabalhos analisando-o, particularmente da minha colega e amiga Lula, que está vendo o impacto dessa expansão nas vegetação e consequentemente na impermeabilização, padrões de chuva, ilhas de calor e por aí afora… é irresponsável, mesmo, muitos municípios, no entanto, estão achando ótima a presença desses condomínios em seus territórios, inclusive estão ampliando as zonas urbanas para torná-los legais.
    Sobre os planos diretores, acho que a situação é ainda pior, o que foi feito de Plano Diretor ctrlC+ctrlV não está escrito, uma indústria!!
    Cantacantos, aqui na repartição não consigo ver os vídeos do GloboNews, vou ver depois! Mas assim como esse post, que tb é do ano passado, me parece óbvio que tá valendo! Parece que há um outro grupo de entrevistas desses dias, o Prof João Whitaker disponibilizou mas eu tb não consegui ver ainda, vejam aí e me contem:
    http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1408654-7823-ESPECIALISTAS+APONTAM+FALTA+DE+PLANEJAMENTO+EM+SAO+PAULO,00.html

  23. Pois é, Gilson! Essa reportagem, ano passado, foi um alento, me libertando um pouco do meu pessimismo!
    Na última Anppas, na mesa de Cidades e Mudanças Climáticas, comentamos as imagens dessa inundação, que eram tão expressivas sobre a questão de terras e do Código Florestal… a ocupação urbana toda ribeirinha, enquanto morrotes cobertos por pasto (de uma provável pecuária extensiva e de baixa produtividade) estavam lá, belos e verdejantes, há poucos metros da destruição e totalmente salvos da inundação…
    Agora, a quantas será que anda a reconstrução dessas cidades? Será que estão acontecendo nas áreas mais seguras?

  24. Então hein Luciana, dava um bom estudo de caso, de repente. Essa bagunça toda em torno do uso do solo é um problemão mesmo. Cearax lembrou bem do lance da ocupação de terras em áreas de expansão urbana, e às vezes até em áreas RURAIS, o que é assaz comum aqui na Paulistânia, os ditos “ranchos” ou chácaras. Um dia desses ele lembrou prum colega aqui do IBAMA de como a Copasa enfrentava problemas com a ocupação de áreas de mananciais na grande BH.
    Na entrevista do Cabral ele bateu forte na municipalidade, dizendo que a responsabilidade pelo uso do solo seria dos municípios. Discordo bastante, pois vejamos o Código Florestal e o debate sobre os índices de produtividade rural, que tratam exatamente sobre isso. Mas em todo caso, se fosse pra “jogar no colo” dos caras de verdade, a melhor estratégia seria abrir inquérito e responsabilizar todo mundo, de secretários de governos até promotores, incluindo os prefeitos eventualmente, por crime de improbidade, prevaricação e homicídio culposo. De resto, é só teatro de microfone.

  25. Perfeito, Gilson!!
    Mas, quem ia querer abrir esse inquérito, né?

    Vou tentar ver como está a reconstrução em Pernambuco!

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