A democracia tá em todo lugar

Outro dia, um parceiro do Guaciara me contou  que o sociólogo  Chico de Oliveira voltou a repetir que o governo Lula “despolitiza a sociedade”. Pela tonelada de bobagens que anda dizendo por aí e pela falta de atividade, o  pensador  – que já foi tão importante – perdeu mesmo o prumo e anda tomando a parte (ele mesmo) pelo todo (a sociedade).

Nesse ano, viajei bastante por lugares diferentes do Brasil e o que tenho visto é algo distante de uma sociedade despolitizada. O exemplo mais claro disso tudo foi a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, a Confecom, que aconteceu em Brasília nessa semana.

Digo que é o exemplo mais claro porque a comunicação é a fronteira mais explícita do debate pela democracia. A comunicação no Brasil abarca o direito à opinião, as disputas empresariais (no caso da telefonia) e a briga por um modelo de país. Quem lê os jornais e acredita piamente neles, não imagina o quanto o país tem mudado e como a sociedade organizada tem feito a diferença para melhorar o país.

No campo da cultura, os artistas e o governo têm se mobilizado em diversos fóruns no País para debater as leis de fomento. Desse debate é que saiu a política de mudança na lei de incentivo, desse debate saiu a idéia de Vale-Cultura e desse debate é que a cultura entrou em pauta. Tudo isso com conflito, com discussão, com exposição de idéias diferentes e com a tentativa de se construir um consenso.

Na semana passada, eu estive na Feira da Música em Recife e qualquer um que estava por lá  – do dono da gravadora grande ao blogueiro ou fanzineiro – reconhece que a grande novidade da música no Brasil são os festivais da Abrafin e o Circuito Fora do Eixo. Colaborativamente as cenas de fora de São Paulo e Rio têm criado redes de casas noturnas, selos, bandas, rádios comunitárias, sites  estúdios e festivais espalhados por quase todos os estados brasileiros. A iniciativa já profissionaliza um batalhão de pessoas e cria uma verdadeira frente de discurso pela democratização da cultura e por políticas públicas mais incisivas.

Com a comunicação o buraco é ainda mais embaixo. Se entedermos que foi a disputa por espaços nas telecomunicações que pautou a maior briga empresarial na história brasileira recente, nós percebemos o quanto essa disputa é séria e essencial por aqui. E a já citada Confecom só aconteceu pela mobilização da sociedade e dos grupos mais progressistas do País.

O governador do maior estado do país e presidenciável conservador era contra. E a conferência local só aconteceu em São Paulo por que a Assembléia Legislativa convocou, fruto de pressão política de grupos da sociedade civil. As grandes empresas de comunicação no Brasil – com exceção da Band e da Rede TV! –  boicotaram em peso a Confecom sem nenhuma cerimônia. O engraçado é que eles defenderam que a Conferência – aberta a todos os setores da população – era autoritária só por que nela havia gente que questiona a falta de controle social na empresas de rádio, TV e na imprensa em geral. A falta de disposição para a convivência com as diferenças já se mostra nas chamadas e manchetes desses grupos empresariais.

O ministro das Comunicações também nunca foi grande entusiasta da conferência. E a sua realização só foi assegurada com a entrada da verba da presidência da República e por uma batalha surda do funcionalismo do ministério contra o ex-repórter da Globo e representante da ideologia da emissora no Planalto.

O fato é que mesmo com esses entraves gigantescos. A Conferência aconteceu e foi muito bem sucedida e sem dúvida um avanço enorme para o Brasil. Lá foi aprovado o marco civil da Internet – com a concordância dos empresários -, algumas restrições de acesso dos políticos a concessões de rádio e TV e muitas outras discussões.  É claro que o evento não tem caráter deliberativo, mas em primeiro lugar cria um espaço institucional importante para se democratizar a comunicação.

O efeito político do documento final é de enorme relevância e pode pautar a agenda governamental brasileira nos próximos anos, como aconteceu nas conferências de Saúde e Educação nos anos 80 e tem acontecido com as conferências de Cultura nos anos do governo Lula.

A sociedade civil sai muito fortalecida e a política também, como apontou uma das maiores batalhadoras da conferência, a deputada Luiza Erundina – mulher de esquerda e longe da aposentadoria e do comodismo que dá o tom da esquerda pizzaiola. Mais do que nunca – como já escreveu o Jay -, a batalha por espaços de comunicação e de democracia é que vem ganhando com essa mobilizaçãoque reivindica, estimula o debate público e que insere novas questões e elementos políticos em um Brasil cada vez mais diverso e complexo.

Na cultura, na música independente, no debate pela internet livre, no debate pela terra, a tônica da democratização é cada vez mais forte. É triste que gente que já conheceu tão bem o Brasil negue isso só para não errar. O pessimismo cego é também um barril de ignorância.

Para saber mais da Confecom, vale a pena ler aqui.

35 comentários sobre “A democracia tá em todo lugar

  1. Muito legal Lauro. Estas conferências trouxeram avanços importantes para o Brasil: como o SUS. Por isso, é esquisito o incômodo das empresas. Elas são instrumentos constitucionais e acontecem desde o governo Sarney. Logo logo vai ter empresário dizendo que eleição é um instrumento antidemocrático.

  2. Não sei. Eu andei pensando nesse pessoal das ciências sociais dos anos 60/70/80 e estou chegando a conclusão que para aquela geração havia (e ainda há) uma pretensão muito maior do que a de hoje. Todos os caras queriam criar novos paradigmas, novas teorias que explicariam “melhor” a sociedade.
    O problema é que, se todo mundo está preocupado em ter novas idéias geniais, a ciência normal e regular, do dia a dia, de investigação factual, não avança.
    As preocupações do Chico de Oliveira me parecem reflexo disso, de certa forma. Ao invés de buscar apontar erros e acertos do governo, as possíveis relações de causalidade, boas e más, do que foi e do que está sendo feito, sai dizendo que “Lula bloqueia os anseios do povo por mudanças”, o que, a não ser que ele esteja falando da revolução do proletariado, é uma avaliação psicológica da sociedade desprovida de muita base.
    Esse tipo de postura não ajuda muito.

  3. Eu acho que tem muito disso viu Carlinhos, mas também tem uma crença que se tornou muitoforte entre um grupo intelectual brasileiro de que o Brasil não pode acontecer.
    O Estado antes da sociedade, a herança patriarcal e a dependência externa inviabilizariam qualquer projeto nacional.
    De um lado isso produziu um discurso(principalmente no PSDB) de transferência da gestão pública para a privada como forma de dar mais eficiência e sair do controle engessado do Estado.
    Por outro dá nessa esquerda que não consegue encontrar mais respostas e que se sente mais confortável na postura de dissidente para não se comprometer.
    O que falta é comprometimento mesmo. É uma postura que só serve para eles manterem o cantinho de opinião deles nos jornais e nas instituições. É uma postura péssima pro país e que desqualifica e despolitiza o debate.

  4. Agora, uma coisa é verdade, essa geração nunca foi comprometida com a idéia de revolução. Eles sempre partiram da idéia de desenvolvimento. Aliás, na maioria das vezes da crítica à idéia de desenvolvimento.
    Pensa-se na idéia de dependência, de desenvolvimento associado e de subdesenvolvimento. Aliás, o livro mais famoso do Fernando Henrique (escrito às quatro mãos com o Faletto) é sobre a dificuldade de desenvolvimento não-associado.

    O que me assusta é esse pessoal não agir de forma mais enérgica em relação ao golpe em Honduras. Os Estados Unidos abriram um precedente horroroso e o FHC reagiu de forma péssima. Se o golpismo no Paraguai reaparecer será a pior notícia dos últimos tempos. Pior que qualquer falta de acordo em Copenhague: http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-137143-2009-12-17.html

    Uma matéria que associa a Cesp, o Rodoanel e o panetone:
    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/20/homem-do-rodoanel-implicado-na-operacao-castelo-de-areia/

    Por fim, o Greenpeace falou sobre as negociações de Copenhague e apontou a falta de acordo como um fracasso. Alguém sabe alguma coisa?
    http://www.greenblog.org.br/?p=4367
    Quero ver o pessoal da sustentabilidade, da reciclagem de lixo tomar uma posição mais efetiva contra os Estados Unidos. Até agora eles ficam nessa dos do bem contra os do mal. Quero ver aparecer política daí.

  5. Outra pesquisa agora no uol, Dilma subiu mais 4 pontos mas a notícia é que “Serra vence no segundo turno”, quando na verdade, ele está em queda. Partindo-se do pressuposto que os caras usam a margem de erro pra mexer nos dados, a coisa tá ficando feia pro Chirico.

  6. Pessoal,

    1 – o PSBD não perderá em 2010, nem que para isso saia a chapa “puro-sangue” Serra-Aécio. Tomará que isso aocnteça e teremos pelo menos 16 anos de processo de desPTzação do Brasil.

    2 – Golpe em Honduras? Vocês estão de sacanagem… Aquilo foi a resistencia da pequena honduras a estupidez do que está em curno na AL (Chaves, Morales, Correa, etc…)

    3 – Dilma é invenção do idiota do Lula. Aquela criminosa esquerdinha (para nossa sorte) vencerá.

  7. pois é, Lauro, rap é compromisso, não é viagem.E, se pá, fica esquisito.

    mesmo na emissora xovem que eu trabalho (da Abril, hahahah) passaram a brancas nuvens. Só sites mais a esquerda, como o da revista Fórum, fizeram cobertura decente. E eu fiquei muito triste de não ter participado mais de perto. Agora, uns antigos companheiros participaram da coisa toda e saíram com um entusiasmo tão grande quanto o do Lauro e ficaram com essa impressão – a sociedade civil organizada tá se mexendo. E deram outro tiro no escuro: que, na realidade, feito exceção ao MST que realmente foi muito maltratado durante o período Lula perto da esperança depositada (e modelo de “revolução”pra esquerda apocalíptica) outros setores da sociedade conseguiram surfar melhor dentro da institucionalidade, aproveitando os flancos de debate democráticos abertos na última gestão. Inclusive, parte daquela militância que se perdeu internamente no PT por desgosto etc etc se organizou em outras frentes. Sobretudo em Cultura. E, como falei, na minha exposição faz anos atrás lá na escolinha do propfessor Arantes, o Gil, que na cabeça de muito petista tonto era só um “astro” pra dar porops pro governo, foi tremendamente importante e com um projeto político muito radivcal na verdade.

  8. A ordem democrática é interrompida por quartelada e nção é golpe. De rsto, goste-se ou não, todos os representantes da América do Sul foram legitimamente eleitos, goste-se deles ou não. Só uma cavalgadura inculta que pensa saber de algo que não sabe que trata-se de mais uma edição do pensamento autoritário de sempre,. Mas o menino César nunca leu nada, só colunistas de pena alugada.

    Mas é engraçado que gente que descobre o mundo através do jornalismo mais despreparado do mundo deve achar que a justificativa para golpes é novidade. Uma pena a oposição ter se reduzido a gente despreparada como os autores-de-colunas-feitas-sob-medida-para-a-classe-média-racista. Não se fala nada de substantivo sobre o Brasil, não se sabe quais as políticas públicas propostas pelo Serra. Não se explica porque durante a maxidesvalorização o então ministro do planejamento não deu um pio. É muito engraçado. Mas deixem os neófitos brincarem. Você menino César, coninue a ler os imbecis que sempre confirmam o que você acha, é mais fácil que pensar. Pelo jeito, pensar não é a sua. Não dá para respeitar fã de colunista da Abril.

  9. Antes o autor da direita era o Simonsen, agora é o Ali Kamel. Esse pessoal piorou. Perto desses colunistas cuspidores de frase feita até o Gustavo Franco e os seus hilários livros sobre literatura parecem bons.

  10. Sempre aprendo neste blog fantástico, matéria muito interessante sobre esta conferência.
    Quanto ao Cesar acho que ele está no lugar errado, aqui todo mundo come criancinha.hehehe!

  11. Pessoal,

    Sem stress. Eu apenas penso diferente de vocês e respeito o que vcs falam, apesar de não concordar. Essa é a beleza da democracia.

    Gosto de ler ideias opostas das minhas e aprender com elas.

    Quanto a não ler ou só ler colunistas da abril, acho apenas precipitada essa argumentação. Apenas não concordo com as práticas esquerdistas e garanto que posso argumentar com muita proeficiencia de todos esses temas. Claro, eu não li nem vou ler nada do tipo O Capital, etc… Como acredito que vocês não leram o Manual do Perfeito Idiota Latino Americano.

    Temos visões diferentes e nem por isso sou inimigo de vocês!

    OBS: O que existe na Venezuela é tudo, menos democracia.

    Abraços.

    Caso não quiserem que eu escreva aqui, basta falar, não quero ser chato, apenas gosto de conversar e confrontar ideias.

  12. Ops,

    Esqueci de dizer: (parafraseando o TAS)

    Vocês não precisam ter esse carater homossexual e achar que um dia eu vou pensar igual a vocês. Vocês acabam sendo tão preconceituosos como vocês acham que eu sou com o POVO.

  13. Exatamente isso Victor, é o direitismo que é direita só por que odeia a esquerda, mais nada, que não tem a mínima agenda a oferecer. Com a esquerda isso tb acontece, como eu escrevi no post. Tenho um sono bravo disso. O pior é que ainda acha que tá discutindo. Podia parar com essa blogografia e ver o mundo com os próprios olhos. Tenho um pouco de dó…

    E esse papo de dizer que a gente acha isso ou aquilo dele. Só acho que é um macaco de repetição. Nem preconceituoso é. No final, não é nada. Se esses blogueiros que ele ama tanto tivessem um robô que repetisse os argumentos blogs afora, o efeito seria o mesmo. Tenho um pouco de dó mesmo,não por que apóia esse ou aquele partido. Gosto de conversar com todo tipo de pessoa, mas desde que aprendi a falar e a dar os meus primeiros passos não tenho ciência de ter conversado com batedeiras ou liquidificadores. Prefiro trocar idéia com quem pensa alguma coisa.

    De resto vamos voltar a conversa sobre o tema do post.

  14. Caro César, você não tem idéias, assim, fica difícil ter idéias opostas às suas.

    Isso que você coloca é o lugar comum do lugar comum. Citar o Marcelo Tas e um manual do filho de um ex-candidato a presidente do Peru em menos de dez linhas mostra que você não tem familiaridade nenhuma com o pensamento. Você, como uma ovelha obediente, segue uma fórmula que colunistas neoconservadores consagraram nos mass media americanos (aliás, eles estão em decadência desde a crise da Argentina, de acordo com o economista Ignacy Sachs). Essa fórmula foi importada aqui e encontrou o seu nicho de mercado. Mas não se iluda, é só um nicho de mercado.

    Pois não se tratava de pensadores importantes, mas gente com visibilidade na imprensa. Um pessoal muito ignorante, que pensa viver nos anos sessenta. Locutores pouco sofisticados que organizam as idéias como um membro da KuKluxKlan do interior do Alabama.

    Pensam que ainda estão na Guerra Fria: Com
    os comunistas de um lado e o mundo livre do outro. Quem inventou o gênero aliás forAM os pastores neopetencostais do naipe de um Jimmy Swaggarth (um RR Soares piorado).
    Mas o pensamento sério não é o que se preocupa com entrar em um clube com categorias muito estbelecidas, mas que redefine categorias e propõe novas formas de pensar.

    O Capital, por exemplo, não é um livro de gente “de esquerda” ou ” de direita”, é um clássico do pensamento. Marx não estava preocupado em se transformar em um personagem midiático, mas trabalhava na biblioteca de Londres em busca de respostas para questões que inquietavam o pensamento histórico. Assim como o Adam Smith, Kant, Hegel, David Ricardo, Wittgenstein, Max Weber, Claude Levi-Strauss, Pierre Bourdieu, Jurgen Habermas, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Roberto Simonsen, Lessing, Gombrich, Jaques Le Goff, etc.

    São autores preocupados com a solidez dos argumentos, não com entrar em um time ou outro. Mas você nunca leu nada disso, você não tem familiaridade com idéias, mas com posições fixas. Por isso deduz o que nunca foi dito e estabelece relações que não fazem o menor sentido lógico.

    Em menos de um paragráfo você criou uma oba prima do non sense:
    “Quanto a não ler ou só ler colunistas da abril, acho apenas precipitada essa argumentação. Apenas não concordo com as práticas esquerdistas e garanto que posso argumentar com muita proeficiencia de todos esses temas. Claro, eu não li nem vou ler nada do tipo O Capital, etc”

    Sobre a primeira frase: Qual argumetação você acha precipitada? Que você tem uma cultura literária abaixo da crítica? Que estes jornalistas e cronistas não dizem nada de relevante sobre o país? Que eles reeditam uma série de platitudes que herdamos da escravidão? Bem, seja mais claro.Pois não faz sentido nenhum você afirmar a sua leitura de jornalistas e depois falar em “práticas esquerdistas”. Pôxa? Que bobagem é essa? Prática esquerdista é o que? Não te parece muito homogênea essa noção? Pra mim me parece uma preguiça do pensamento, atribuir ao grande Satã todo o mal do mundo. Além disso, carece de sentido lógico a relação que você estabelece entre a leitura de autores pouco qualificados e sua discordância em relação ao que você chama de “práticas esquerdistas”.

    Você diz argumentar com proficiência (é assim que escreve), mas até agora não a demonstrou. Não explicou nenhuma idéia, não questionou nenhum dado, só arrotou uma porção de lugares comuns retirados da mídia. Aliás não se tem proficiência (é assim que escreve) de algo, mas em algo(te citando: “com muita proeficiencia de todos esses temas). VocÊ não demonstrou em nada. Portanto, não esnobe habilidades que você não tem, argumente.

    Antes de arrematar, no fundo da sua ignorância abismal você afirma que não leu e nunca lerá o Marx e “nem nada do tipo”. Do tipo o que? Crítica da economia política? Dialética? Pensamento Alemão?

    Claro que não. Você só lê autores midiáticos, que aparecem em programas de televisão. Não existe problema nenhum nisso, só não transforme a sua ignorância em saber. Você gosta de autores que oferecem uma posição pronta. Não sabe de nada disso que você falou, não pensa em um plano de crescimento alternativo ao que temos no Brasil, copia e reedita o que penas com pouco quilate reproduzem nos impressose. Sinceramente, essa pobreza intelectual não me interessa. Eu quero ver argumentos, gente sólida tentando levantar temas nacionais, a democracia sendo pensada como um acontecimento histórico, não como uma idéia abstrata. Não me interessam discípulos de autores que mudam de opinião de acordo com quem paga.

    Por fim, não disse até agora que você era preconceituoso. Eu disse que você é uma cavalgadura, não que é preconceituoso. Mas voltei atrás, você é. é daqueles que chamar o outro de gay é ofensivo. O que é “caráter homossexual” senão mais uma de suas platitudes primárias. Para mim, “caráter homossexual” é se apaixonar por pessoas do mesmo sexo. Só isso. Eu torço pelo amor o tempo todo, mas não te amo e nem quero que você pense como eu, só queria que voc~e pensasse, mas está difícil.

    PS: o que você tem contra a acentuação das palavras?

  15. De volta ao tema. Jay, Rapha, todos os que conhecem o Habermas, faz sentido pensar sobre esses conselhos utilizando a oposição entre sistema e mundo da vida?

  16. Vocês viram esse filme no estilo “Ilha das Flores”?

    Achei demais! Tenho só uma certa preguiça com a esculhambada na Sabrina, sei que é uma bandeira anti-machista “mercantilização da mulher” (urgh) mas fica parecendo humilhação moralista baixo-astral…

    Por favor, me respondam, porque quero e posso argumentar com muita proeficiencia de todos esses temas!!! 😉

  17. Lauro e Tiago,

    engraçado como vcs gastam o seu tempo com um idiota como eu!

    Acho que vcs deveriam ser mais respeitosos com os que pensam diferente de vocês e tirar menos conclusões precipitadas.

    Foi divertido, mas contra a falta de educação e preconceito eu não argumento.

    Saudações, meninos!!!

  18. É muita doideira, o sujeito não argumenta. Entra escrevendo palavras de ordem. Não fala uma palavra sobre o post. E ainda reclama de não ser bem tratado. É muita coitadice pro meu gosto.

  19. Impressionante como o assunto Confecom trouxe o anacronismo de uma guerra fria que esfriou tanto tempo atrás.

    De um lado a turma que acusa a existência de um LulaPress e de outro a turma que acusa a existência de um PIG. Cá da minha enorme ignorância não acredito muito na existência articulada de um ou outro. Mas…

    No meu achismo de leigo, o que temos são cartéis… sem nenhuma ideologia a não ser estar por cima da carne seca. Cartel que é cartel defende oligarquia e não ideologia. É grana e poder para poucos. Tão simples quanto isso.

  20. Pois é Pax,mas um dado preocupante nisso – e muito discutido na Confecom – é a questão das concessões a políticos. Como se sabe, o direito de se ter uma emissora de rádio e TV depende de uma outorga do Estado. E essas autorizações são disponibilizadas a torto e a direito com critérios pra lá de arbitrários.

    Outra questão importante abordada na Confecomfoi a do Jabá. É a face mais ridícula da indústria de troca de benefícios entre empresas. E no Brasil, tal prática não é criminalizada. Nos EUA, é tratado como crime de corrupção empresarial.

    A reprodução do payola musical se dá em outras esferas políticas,esportivas e empresariais das empresas de comunicação.

    Além disso, essas mesmas empresas sufocam e criminalizam qualquer esforço de se montar redes menos “proprietárias” de comunicação e isso vai desde o trabalho ostensivo contra as rádios comunitárias, passando pelas políticas contra a liberdade na Internet (tipo Lei Azeredo) e contra a propagação de software livre e outras questões.

    Acho o debate sobre a comunicação um dos mais importantes para se entender o Brasile pra se pensarem modelos de aprofundamento da democracia brasileira.

  21. Concordo, Lauro, e concordo muito. Teu último parágrafo acima resume o que penso. Estamos alinhados aqui.

    Mas volto ao meu ponto: não é ideológico, é corrupto mesmo. A cartelização impede a democratização.

    Quando levamos para o lado ideológico, não só a discussão perde a força, como atrai discussões que não dão em nada, pelo que entendo.

    A questão é: como acabar com os cartéis?

    A proposta da Confecom que proíbe concessões para políticos, na minha opinião, foi a melhor produção da Confecom.

  22. A Confecom é um começo

    A primeira Conferência Nacional de Comunicação venceu as limitações originais e terminou como exemplo histórico de democracia participativa. Foi um marcante revés para os setores da sociedade que se locupletam do eterno colapso de representatividade política, origem de monopólios e privilégios em qualquer área.
    As grandes empresas jornalísticas boicotaram o evento, demonstrando que seu conceito de liberdade equivale a um monólogo sem discordantes, à concessão de bens públicos isenta de contrapartidas. E se pensavam que sua ausência afetaria a legitimidade dos debates, devem estar decepcionadas.
    Mas parece prudente evitar regozijo demasiado. O documento elaborado pela Confecom servirá apenas como base hipotética e parcial para medidas legislativas. Nem todas as mais de 600 propostas resultantes são plausíveis ou positivas (por exemplo, a exigência de diploma jornalístico). É impossível que o Congresso atual aprove um emaranhado de mudanças drásticas em ano eleitoral. E é improvável que qualquer legislatura contrarie o poderosíssimo lobby da indústria midiática.
    O tempo das evoluções é longo. Se, daqui a dois ou três anos, um pequeno conjunto de idéias se transformar em modesta lei que demorará mais uma década para ser cumprida, já teremos avançado muito. Fica, no entanto, o símbolo do poder transformador da mobilização popular. Alguns o vêem como ameaça: pior para eles.

  23. Pax, eu tb acho que não é um problema ideológico, mas é um problema político que não pára só na corrupção. Existe uma vocação de certos grupos de poder de se apropriar do público como se o público fosse o quintal deles. Isso passa pelo uso de recursos que deveriam ser usados para o bem da população, mas não só. Passa tb pela postura dos proprietários dos meios de comunicação que não aceitam discutir com qualquer grupo da sociedade civil que questione a ação deles como usuários de uma concessão governamental, principalmente quando essa concessão é usada para enriquecimento ilícito ou para promoção de um grupo que no poder pode favorecer umgrupo empresarial de comunicação.
    Um caso claro nesse sentido é o Arruda e Veja,quando as páginas amarelas foram cedidas ao governador do DF logo depois da assinatura de um contrato entre editora e governo distrital.
    OK, pode-se argumentar que a Abril é um grupo privado e noticia o que quiser, mas tais arranjos são responsáveis por desinformação e diversionismo que impedem uma discussão mais apropriada na grande imprensa.
    Não se trata de ideologia, mas certamente se trata de política e de um modelo de Estado mais democrático e transparente. No final, a maior conquista da Confecom foi a realização desse grande painel em que grupos diferentes da sociedade pode formular políticas e propôr políticas de estado para área.Conseguir sair de lá com uma carta fechada também é um baita passo.
    A conferência aconteceuem mais de duzentos municípios brasileiros. Tal realização é pra lá de significativa e tem um conteúdo pedagógico absurdamente positivo.

  24. Lauro e demais,

    Sabe se as megacorps da mídia que boicotaram a Confecom estavam presentes meio disfarçadamente? Ou outra: teve gente melando ou defendendo o “quadro” atual?

  25. Na verdade, as empresas de telefonia, algumas empresas de Internet e a Rede TV e a Bandeirante participaram do evento como entidades empresariais,o que deu legitimidade a Confecom. Se eles não estivessem lá, o Lula disse que não participaria da abertura. Não é preciso nem dizer o quanto essas companhias abusaram dessa prerrogativa para chantagear a mesa e fazer valer suas opiniões. A briga foi feia, mas foi um primeiro passo de consolidação que não tem mais volta.

  26. Há um outro ponto importante, Lauro, que remete ao exemplo que você deu de Arruda/Veja: as verbas publicitárias dos governos.

    Há uma clara perversão entre o dinheiro público gasto com propaganda e o que recebemos de informação nos principais veículos.

    Claro que devemos ter campanhas, como vacinação, educação no trânsito etc. Mas… dois exemplos que incomodam agora mesmo, dando uma no cravo e outra na ferradura:

    1 – porque tanta propaganda da Petrobras?

    2 – porque tanta propaganda da Sabesp?

    Não te faz pensar?

  27. Lauro vc escreve cada vez melhor. Vc é a grande estrela do blog do guaciara!! um verdadeiro raio de luz colorida , enquanto joaquim e tiago desaparecem ..pouco a pouco… pela falta de argumentos, pela ausencia de neutralidade axiológica, por nao cuidarem da pele e muitas outras vilanias. No natal, que tem esse doce espírito de uniao saiba que: definitivamente! vc é muito melhor do que eles!! que ficam cada vez mais soterrados pela inveja pelo onanismo e pela falta de espírito natalino!!!

  28. Endosso o Fábio Lituano! Mas o Jay é o mais gato (são-paulino) e o Tiago arrepia com aquela galocha de solado amarelo. Pisa! Pisa! 😛

  29. Entäo feliz natal ao tiago de botas, ao j ( el surradito) e a nosso lauro homero mesquita e pra todo mundo no ano que vem:

    sugiro ao blog uma votaçao publica de quem

    quem é o blogueiro mais gato e enólogo…

    e a todos
    na hora de pular a setima ondinha pensem que em dois e dez o luis fabiano vai arrebentar,

    e a gente só vai gastar a nossa grana com mulher, viagem e buteco, bjs

    bom ano!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s