O cancioneiro avant-garde

Archie Shepp
Archie Shepp

E fazia um tempo danado que eu não tinha tanta vontade de ouvir música como no dia de hoje. E nessas de computador e Internet, a paciência pra parar e escutar uma coisa no trabalho parece que é menor. Até que eu coloquei pra tocar o inacreditável Izipho Zam, do Pharoah Sanders.

É impressionante como que na trilha dos últimos anos do Coltrane – de abertura para o o oriente e na execução que parecia mais um diálogo coletivo em busca de um comum inusitado e espritualmente elevado –, músicos como o Pharoah Sanders se tornaram verdadeiros exploradores da nova música negra americana.

Pharoah Sanders
Pharoah Sanders

Ele, Archie Shepp, Albert Ayler e mais uma geração de outros músicos que também se fascinavam com Ornette Coleman, Don Cherry, Cecil Taylor e com os trabalhos coletivos do Art Ensemble of Chicago e da Sun Ra Arkestra partiram em busca de uma nova música negra americana.

Um tipo de música que buscava um sentido estético, filosófico e político muito forte dentro da cultura dos Estados Unidos. Os artistas dialogavam com a tradição do jazz em profundidade, o que tinha tanto a ver com um mergulho em suas origens no sul dos EUA como nas descobertas para fazer o novo dentro desse gênero.

E nisso valia tanto a radicalização da celebração das festas de Nova Orleans feita pelo Ayler; o mergulho místico e orientalizante de Pharoah Sanders e Alice Coltrane – sob uma perspectiva muito medidativa–; a pesquisa de uma música necessariamente acadêmica e de protesto no trabalho de Archie Shepp, por exemplo e muito mais.

Isso tudo somado a criação de uma nova música de vanguarda america e necessariamente radical, propositiva, feliz e sem concessões. Um tipo de composição que dialogava com a musicalidade do mundo inteiro, com a canção pop e com uma forte política contra-cultural.

Em meio a esse movimento todo, em minha opinião, surgiram algumas das canções mais bonitas que eu conheço. Eu coloco duas do Archie Shepp e duas do Pharoah Sanders, com o incrível Leon Thomas, e um vale-brinde pro pessoal aproveitar o final de semana. Só coisa linda.

e um dueto do Leon Thomas com o Louis Armstrong (dica do Bellini)

4 comentários sobre “O cancioneiro avant-garde

  1. aprendi que eu sabia várias coisas. tudo verdade, laurão. lindo demais.

  2. Nossa, eu aprendi agora que eu sou mais feliz do que eu imaginava sabendo (quase, bem quase mesmo) tudo isso.

    Valeu gua guá! Te amuuuu!

  3. Ave Coltrane!!!!
    Pharoah e Leon Thomas nessa música é a coisa mais linda desse mundo!!!

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