Harold Rosenberg: “Objeto ansioso”

Harold Rosenberg
Harold Rosenberg

Objeto ansioso é a segunda seleção de ensaios de Harold Rosenberg publicada no Brasil. Há muito o autor não era traduzido no país. O livro traz uma visão muito peculiar sobre os desdobramentos da arte moderna nos Estados Unidos. Pensando diversos problemas contemporâneos à sua escrita, Rosenberg traça uma trajetória das artes plásticas no século XX. Fala da formação de uma sensibilidade modernista no seu país, tangencia questões do realismo social, predominante na pintura americana entre a depressão e o pós-guerra, trata de precursores da radicalidade moderna na América como Hans Hoffman e Ashile Gorky, passa por questões do expressionismo abstrato, por seu desenvolvimento, seu apogeu e termina problematizando uma crise da arte moderna que ultrapassa as fronteiras de sua nação.

O teórico foi um dos principais entusiastas da abstração americana. Sua interpretação tentava escapar tanto do juízo conservador, que desqualificava esta pintura mais gestual do expressionismo abstrato excluindo-a dos domínios da arte, como da interpretação bolchevique, que não enxergava qualidades emancipatórias naqueles artistas. Para Rosenberg aquele tipo de arte, que ele nomeou Action-painting (pintura de ação), era o que expressava melhor o esforço da criação de um novo homem nas artes plásticas.

De Kooning, Pollock e Hoffmann (para ficar com três dos seus exemplos clássicos), não se valiam da indeterminação das manchas e da grossa massa pictórica para fugir de questões urgentes da história e nem para dissolver a arte em borrões, pelo contrário; afirmavam a experiência artística, como uma salvaguarda da subjetividade, quando ela se via atacada por todos os lados.

No entanto, o autor escreve os textos num momento posterior a este auge da pintura americana. A arte viva um período de profundas transformações. A procura pelo novo, que até então podia ser identificada com a transformação do mundo, aparece nesta época, de acordo com Rosenberg, como uma fome de novidade. Com a rebeldia e a experimentação institucionalzadas, para o bem e para o mal, restou à crítica paciência e generosidade. Rosenberg tem as duas coisas de sobra.

O livro nos ensina como poucos a olhar uma obra sem deixar nos contaminar por ortodoxias históricas e nem modismos intelectuais. O único elemento fixo que o autor parece procurar nos trabalhos é uma certa ansiedade, que, como ele diz, aparece na forma de “uma vontade da arte continuar existindo, a despeito das condições que possam tornar a sua existência impossível”.

De Kooning (1961)
De Kooning (1961)

Um comentário sobre “Harold Rosenberg: “Objeto ansioso”

  1. E eu fiquei louco pra ler esse livro, até porque o ponto de partida das reflexões dele nessa obra me interessa muito. Valeu mais uma vez pela indicação!

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