Da série “tiros no pé” – a oposição, crise no Senado e o pré-sal

Olhando retrospectivamente, e a uma distância bastante curta, a crise no senado parece ter ligações com o debate, no legislativo, em torno do marco regulatório do pré-sal. A oposição, que não é besta nem acha que o presidente Lula seja, sabia muito bem que a força de um Sarney governista na presidência do senado multiplicava enormemente as chances de a proposta do governo passar, e de quebra em regime de urgência, abrindo para o governo um ano de festejos em torno do fato, e sua capitalização eleitoral.

Entre 1995 e 1997, foi com a ajuda do mesmo Sarney, então como agora presidente do senado, que o governo FHC garantiu a aprovação (na forma de emenda constitucional, o que, em termo de adesões ao projeto, é muito mais complicado do que a aprovação do presente conjunto de medidas) da Lei do Petróleo, que determinou a quebra do monopólio da Petrobrás.

Encurralando Sarney, a oposição deixa o PMDB com sangue nos olhos. O blefe foi dela: limpamos o caminho e nos tornamos fiel da balança no debate sobre o pré-sal, se possível jogando para a próxima administração, se possível do José Serra. Como sempre, faltou, como se diz, combinar com os russos. O senador Arthur Virgílio que o diga.

Arthur Virgílio: "nada dá certo, pô."
Arthur Virgílio: "nada dá certo, pô."

O PMDB poderia estar agora mais dividido, e a oposição, se tivesse ficado quieta, teria maiores chances de ver seus anseios realizados. Mas, em que pese a delicada discussão em torno da questão distributiva (entre União, estados e municípios), que, para um partido como o PMDB, cujo poder é majoritariamente local, é crucial, o governo pode agora contar com a mágoa dos peemedebistas, na câmara e no senado. E pautar, como tem pautado, o debate em torno do pré-sal.

3 comentários sobre “Da série “tiros no pé” – a oposição, crise no Senado e o pré-sal

  1. Jay, a oposição não é boba, mas é. Acho que eles vacilaram muito por seus vínculos mais carnais com essa faixa de renda dos super milionários que eles mesmos criaram. Tivessem pensado mais programticamente, teriam conquistado mais apoios do que conquistaram. Aliás, pensassem programaticamente, não teriam eleito o Sarney.

  2. Verdade, fera, o post foi escrito só pra dizer como são tapados os nossos entreguistas. Dispostos, mas incompetentes. Fica a retificação.

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