A política? Ninguém sabe, ninguém viu

Quem vai pra rua com o discurso do mar de lama leva é milico e madame, o impeachment do Collor estava atrelado a uma crise na economia. Só a política de verdade mobiliza as pessoas. 
Quem vai pra rua com o discurso do mar de lama leva é milico e madame, o impeachment do Collor estava atrelado a uma crise na economia. Só a política de verdade mobiliza as pessoas.

O Guaci anda meio parado e eu peço desculpas. Além de todos os três donos do site estarem em uma correria brava nesse ano de Oxossi, que tem colocado todo mundo pra trabalhar, existe uma outra razão especialmente grave que me fez correr um pouco do blog – a histeria que toma conta da Internet em momentos de crise política da esquerda.

Acabo de voltar de uma viagem pra visitar alguns grandes amigos em Brasília. Todos trabalham no governo, na imprensa ou em ONGs. A cidade me pareceu muito bonita, com sol forte e chuva – pra amenizar o poeirão do cerrado – todos os dias. Fora isso, eu achei as pessoas de lá bem menos cheias de certezas e de histeria do que no debate na internet.

O clima fica azedo pelas incertezas de um momento político que ainda se ajeita, em que os últimos projetos começam a se concluir e em que a expectativa modorrenta da definição das propostas chegue ao Congresso para a aprovação. Mas parece que esses debates sobre os projetos em pauta, sobre as mobilizações sobre os futuros do Brasil pouco ecoam fora do plano-piloto.

Quando a gente entra em contato com militantes de causas importantes como o Estatuto do Índio, a Nova Lei Rouanet, a ampliação da agenda comercial, os novos planos da vigilância sanitária, os projetos para novas bibliotecas no Brasil e na China é que a gente entende por que a briga em torno de uma agenda da ministra Dilma parece ser tão nefasta. Ainda mais depois que a ex-sercretária da Receita fez questão de falar que a ministra só pediu pra ela agilizar o processo.

Na possibilidade cada vez mais remota que as duas tenham se encontrado, a única coisa que a Dilma pediu a ela foi pra andar logo com as investigações, que sangravam –e ainda sangram o Senado. A então secretaria da Receita já havia inclusive recebido uma ordem judicial com o mesmo teor da cada vez menos provável ordem da Ministra Chefe da Casa Civil.

Essa coisa de aumentar o volume e equalizar a discussão entre extremos graves e agudos pontudos e doloridos tem paralisado o país pra valer. O tom é sempre acusatório, odioso e incriminatório. O debate saiu de temas como a condução das políticas públicas e fala de encontros que ninguém sabe se aconteceram ou não.

O governo FHC era cobrado pela sua política econômica deficiente, pelas privatizações, pela política de reforma agrária enganadora, pela violência contra os movimentos sociais (que pelo jeito, persiste no campo e na cidade) – vocês se lembram de Corumbiara e Paranapanema? Quando a oposição partiu pro Fora FHC ou pra escandalização (como no caso do pastor Caio Fábio), personalidades do PT mesmo foram críticas, preferiram a política. E olha que o Fernando Henrique deu um golpe anti-democrático ao garantir um segundo mandato pra ele mesmo (assim como o Sarney garantiu mais um ano de mandato como presidente). 

O governo Collor caiu pelas irregularidades e pela corrupção, mas caiu sobretudo por suas medidas econômicas e pela loucura do sujeito que mexia na poupança dos outros e se portava como um ditador com aquele discurso agressivo de “modernidade”. Quando explodiu a crise econômica no governo dele, ninguém segurou. Era mais que visível que aquele governo não tinha condição alguma de governabilidade. 

A disputa como ela é  colocada reduziu a capacidade da Internet ser um veículo para questões importantes do país. Os blogs políticos também tem o papel, como ensinam o Pax e o Sakamoto todos os dias, de aprofundar questões, criticar e vigiar os governantes e os empresários em temas pontuais que vão da construção de bibliotecas aos rumos das políticas de aposentadoria, dos aterros sanitários a tão falada porta de saída dos programas sociais.

Mas enquanto nós tivermos uma oposição que repete os golpistas de 64 e insiste no discurso do mar de lama do Carlos Lacerda, vai ser difícil construir um país melhor. Política só avança quando há política das duas partes. Depois de quase oito anos de governo Lula, os oposicionistas ainda não aprenderam a não ser governo. Uma “oposição” que no máximo grita que os programas de governo são mal geridos, a gente tem de convir que não é mais do que uma tropa de gritinho. Falta criatividade e vontade de pensar o Brasil.

O momento histórico do mundo fez com que o Estado tomasse as rédeas como protagonista do reerguimento da economia. Sem as políticas de crédito do Banco do Brasil e da Caixa, estaríamos na lama. Onde estava a oposição nessa hora? Macaqueando o discurso de liberais (que agem como num credo religioso),  de banqueiros privados e do aparelhamento do Estado, essa era a postura definida dos partidos contrários à coalisão no poder? Certamente não,  mesmo por que eles não têm nenhuma posição, nem quando o principal líder da oposição – o governador de São Paulo – entrega o banco estatal para ser federalizado. Nessa hora ninguém fala da eficiência de gestão e nem no aparelhamento de nada. É engraçado.

Daí a oposição sobe nas tamancas pra falar da CPMF, mas não faz absolutamente nada em relação ao spread bancário das instituições privadas, que agem como um grande oligopólio. O governo vem tentando reduzir esse spread por meio dos bancos públicos, o que faz a oposição? Macaqueia pela duocentésima vez o discurso do aparelhamento…

Assim como no mito do aparelhamento da política externa. A “oposição” prefere se agarrar em um discurso de que o Itamaraty sob Lula é ideologizado e anti-americano. A coisa é tão escabrosa que até um tucano de carteirinha como o Bresser Pereira precisa escrever um artigo no jornal para desmentir.

Enquanto isso, cadê a política internacional da oposição? Qual é a política anti-anti-americana deles? Como vai funcionar? Nem eles sabem. E esse nem eles sabem pra tudo é que complica o debate político no Brasil. Quando o Lula foi eleito em 2002, ele tinha de desenhar, detalhar, apontar diagramas e mostrar todos os cenários possíveis para mostrar que não seria o caos. A oposição e todos os que carregam o discurso oposicionista contam só com seu grito pseudo-moralizante pra isso (o parlamenturismo do Gabeira e as bolsas de estudo do Virgílio são só um exemplo da hipocrisia desse discurso).

Política é feito de política mesmo. As pessoas têm de se posicionar frente aos temas nacionais. Quando a aliança DEM/PSDB fez isso num passado recente, o máximo que eles construíram foi o desastrado discurso do Bolsa-Esmola. Deu no que deu…

40 comentários sobre “A política? Ninguém sabe, ninguém viu

  1. O problema é a cultura política brasileira que não é lá muito, digamos, republicana. A represntação política nesses últimos tempos no Brasil tem me dado nojo. Dizer que a imprensa é golpista também é um discurso pra lá de reducionista: ficamos sempre nesse flaxflu argumentativo e não damos um salto para além do jogo do poder e de suas estratégias para conquista-lo pelos mesmos velhos e surrados atores políticos de sempre. Há algo, sim ocorrendo no Brasil, mas pelas analises que leio sobre nosso atual momento sinto que falta algo pra explica-lo.

  2. É deprimente ver em que termos o debate político vem sendo travado. O texto foi preciso. E volte sempre, Laurão..

  3. “Macaqueando o discurso de liberais (que agem como num credo religioso), de banqueiros privados e do aparelhamento do Estado”

    Agora, os banqueiros privados querem mais é que o estado tome conta mesmo.
    Além disso, a pauta está trancada pela busca incansável de holofotes de parlamentares bem falados e bem falantes como o Gabeira, Pedro Simon. Queria saber qual projeto eles têm além da busca pelo feixe de luz que os mantenha acesos no palco?
    A reforma eleitoral foi trancada pela oposição, o estatuto do índio, a rouanet, tudo isso. Aliás, tudo passaria e geraria um debate muito mais rico para o país.

  4. Tiago,

    Gostaria de ter tua capacidade de escrever tão bem sobre os fatos.

    Pagamos um preço alto por termos uma oposição tão incompetente. Seu papel é bater no governo. Mas que seja em temas de interesse nacional e não sobre a “cor da tintura” do cabelo no salão.

  5. Pax, que honra ter você aqui e muito obrigado pelo elogio, fico muito feliz mesmo, mas hoje o mérito é todo do Lauro. Ele que fez o texto, que eu gostei muito também.
    Essa coisa de blogue coletivo confunde todo mundo mesmo. Agora, só para rasgar um pouquinho mais de seda, quisera eu ter a sua energia argumentativa. Acompanho a sua caixa de comentários e você não perde a linha mesmo com os mais babões.

  6. é um saco toda essa “berlusconização” da política… o engraçado é que tucano bicudo não ataca o meirelles “do pt” no banco central. em são paulo, cidade e estado na mão dessa gente que não confia na mãe, a real é que não “engolem” o brasil (desde o getúlio), não “agüentam” o chávez, acham que latino é pejorativo, tipo nordestino – porra, o governo é super contratualista (sic), os moreira salles e o barack hussein apóiam…

  7. Pesquisa a origem do nome “bolsa esmola”! Esmola rima com escola. Bolsa Escola era o programa do governo FH. Atendia 5 milhoes de familia (o Bolsa-Familia atende hoje 13 mi). Na época era considerado assistencialismo pela oposição esclarecida de esquerda. Como os paradigmas mudam né? Política é isso.

  8. Pois é Júlio, eu nem sabia dessa história. Mas de qualquer forma, o Lula nunca teve essa inaptidão de criticar um programa social que melhorou a sua economia. Nunca chamou torturado de mentiroso.

    Quando foi criado o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que padroniza o atendimento e agiliza o repasse dos recursos o pessoal fez questão de bater ponto contra uma medida que é racional e excelente inclusive do ponto de vista do controle de gastos. O que eles sugeriram de volta? Nada. E esse é problema.

    Lula já apresentava o Fome Zero alguns anos antes da campanha eleitoral. Tinha uma coisa lá pra discutir. E esse é o problema da política nacional, na minha opinião. O debate é do sujo contra o mal lavado e ninguém oferece nada de novo. E nem é cobrado por isso.

    Na eleição de 98, quando o FHC dizia que era ele ou o caos. A oposição era obrigada a mostrar que não era o caos. E era cobrada por isso, ninguém lembra do “efeito Lula”. Hoje, a oposição só é cobrada por alguns poucos blogueiros e mea dúzia de políticos. Por quê? Porque ela pauta o debate e pra eles, mostrar propostas de governo não fortalece eles eleitoralmente.

    Sem esse componente político, não dá pra qualificar o debate, não dá pra trazer melhorias e nem liquidar com o atraso que domina o legislativo.

  9. Concordo com tudo Lauro.
    Mas já que a coisa tá nesse pé, bem que alguém podia ser escalado pra bater na cara desses safados da oposição (figura de linguagem, que fique claro em qq caso). Porque não é possível que essa demotucanada do Senado venha falar de ética pra QUALQUER PESSOA, mesmo que seja na imprensa deles. Põe a galera pra chutar as canelas desse povo, porque telhado de vidro é o que não falta pra eles. Tem horas que não entendo essa falta de combatividade do governo e do PT. Se a eleição da Dilma parece estar caminhando bem, pode bem ser que esses malas também sejam reeleitos, afinal eles não param de fazer campanha um segundo. Ter uma condição melhor no Senado parece ser um grande desafio pro próximo governo.

  10. Lauro,

    Espero que você me desculpe pela gafe de elogiar o Tiago sem me ater ao autor do excelente post. Gafe das grandes.

    Tiago,

    A honra é minha. Tenha certeza.

    Para ambos, uma questão:

    Lula, ao assumir, colocou um compromisso: “Ninguém mais passaria fome no Brasil.”

    Enquanto esteve em cima do seu compromisso, atuou como um bom presidente. Todas as vezes que resolveu interferir no Congresso, de uma forma ou de outra, abriu brechas para ataques de toda natureza, alguns até com sentido.

    Há várias interpretações sobre a provocação acima. Escolham a que quiserem…

  11. A Regina Duarte afirmou que tinha medo, dia desses a Danuza Leão também falou que tinha medo…Medo, medo mesmo é ter que aturar os medrosos que enxergam o PV como o novo bastião dessa “modernidade” e desse “progresso” insípido, inodoro e incolor.
    A cara do PV:
    Com o ingresso confirmado da senadora Marina Silva no PV, o partido investe na estratégia de atrair políticos com grande votação no país para aumentar as bancadas na Câmara e no Senado. A direção partidária convidou o vereador mais votado no país em 2008, Gabriel Chalita (PSDB), para disputar uma vaga ao Senado em São Paulo.

  12. Muito bom Lauro.

    Esse problema é muito sério. Você disse tudo. Os partidos de direita, não conseguem criticar pontualmente as ações do governo e apresentar propostas alternativas. Polarizam tudo, naquele discurso de Heloísa Helena, repleto de modelos pobres: Capitalistas x Comunistas, Probos (agripino?) X ladrões, Chavistas x Institucionalistas.
    Os eleitores de direita parecem torcedores de time de futebol. A política virou uma forma de expressão tão emocional quanto gritar “gol!”. Não há racionalidade envolvida.
    Um tempo atrás estava lendo um blog de uns conservadores americanos pensantes, em que se analisava como o período Clinton foi um momento de predomínio do que eles defendiam e como o fanatismo-Bush estragou tudo. Tenho muita inveja dos americanos.

  13. Oi Gilson, concordo que às vezes falta uma reação dos parlamentares na defesa do governo e na combatividade contra os desvios da oposição. Mas, como reforça o Pax, a insistente presença do executivo nos poderes legislativos, certamente irrita a oposição e situação.

    Nesse caso eu acho a história parecida com a do ovo e da galinha. O governo intromete e legisla por que o legislativo não age e o legislativo não age por que vive afogado pelo governo.

    Voltando ao papinho da Lina. Olha como os técnicos da receita esclarecem muito melhor o factóide que a oposição criou em torno da receita. Vale muito a pena assistir.

    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/26/entre-aspas-liquida-com-o-factoide-da-receita/

  14. Só faltam dizer que o Everardo Maciel e o Paulo Sigaud são petistas. O engraçado é que a Lina Vieira entrou com o discurso de valorização do servidor e com essa lambança dela promove uma desvalorização de uma instituição do maior respeito.

  15. Massa, e mais oportuno impossível. Acho que é o tipo de coisa que o Lauro sempre lembra a gente, nas conversas, durante essas histerias coletivas lacerdistas que acaba sugando a atenção de todo mundo, mesmo que involuntariamente. O debate político brasileiro é mesmo uma cortina de fumaça.

  16. apavorou laurinho, inacreditavel como usam a tal liberdade de expressao
    agora vc podia dar uma pedreiradinha na ecoputa , marina silva. abraço
    Nicolas

  17. Que legal Lu, tô tentando me desvencilhar desse monte de coisas pra falar o quanto essa falta de política faz o governo Serra ter convertido a gestão estadual em puro sistema de coerção e propaganda. Vc bem deve saber coisas nesse sentido…Abração

  18. desculpa baixar o nivel, mas o sentimento q eu tenho dela eh esse

  19. Adorei o texto, lauret’s.

    fazia tempo q não lia o blog do guaci. tá bem bom.

    bjos de uma das grandes amigas de brasília…

  20. nova direita: serra, gabeira, marina, jarbas e simon.
    nova esquerda: lula, sarney, collor, barbalho, salgado e renan.
    fala sério rapaziada… chamar a marina de ecoputa foi um pouco demais pro estômago… daqui a pouco é ficar amigo do sarney.

  21. Tb acho exagero e acho errado. A Marina tem uma história política. É uma pessoa que merece ser respeitada. Agora colocar Simon, Serra, Gabeira e Jarbas no mesmo barco que a Marina é tão arbitrário quanto. É só acompanhar o que acontece no RS na CPI da Yeda, pra ver que o “honrado” senador gaúcho age de outra forma. O Gabeira eu coloquie até link aqui. E o Jarbas Vasconcelos fez um governo retrógrado e aliado com todo atraso pernambucano, Marco Maciel, Severino et caterva…
    Acho a Marina bem melhor que esse pessoal todo. Só que a candidatura dela não é pra ganhar, é cortina de fumaça. Não é política, é ura imagem. E é essa a discussão do texto. Ela até pode colocar uma ou outra questão ambiental no debate, mas dificilmente vai pautar a eleição.
    E o que eu acho é que esses moralismos, inclusive esse papo de nova esquerda e nova direita, não servem pra nada. Não dizem respeito a nada. Não falam o que vai melhorar o país. É puro discurso de sujo contra mal lavado.

  22. Eu estou preocupado é com políticas públicas, não com quem é o que. Acho a Marina um ótimo quadro, embora sua entrada no PV, até onde eu enxergo, e não é muito longe, seja um erro estratégico.
    Ela quer forçar uma pauta justa e não suficientemente bem tratada pelo governo Lula (embora ela seja responsável por alguns dos enganos, o excesso de ongueiros na sua administração mais travou do que dinamizou as políticas ambientais). Mas ela conhece muito do assunto, o suficiente para continuar sendo consultada pelo Minc. Ademais, não votaria nela somente por suas posições em relação à religião. Na semana passada os cristãos forçaram a barra e poucos fizeram alguma coisa para garantir o ensino laico. Ela estava entre os que defendem as posições religiosas. Feitas as contas ela ganhou na negociação do veto da Medida Provisória 458., como você mesmo reconheceu aqui: https://guaciara.wordpress.com/2009/06/25/urgente-algumas-horas-contra-os-ruralistas/
    Agora, Gustavo, acho que você foge da discussão ao tentar colocar os puros e os impolutos em cada lado. adoro te ver aqui, mas gostaria ainda mais de saber suas opiniões sobre a política fiscal (você já reclamou muito sobre o assunto), sobre as possibilidades de se fazer campanha no Brasil e porque a política real (como as propostas e realizações no governo) nunca entram em discusão.
    Todos assuntos foram abordados recentemente aqui no blog e ninguém que freqüente aqui espinafrou. Queria muito aprofundar, por exemplo, a discussão sobre a receita federal e a arrecadação no país, coloco estes textos para aprender, mas até agora nada. Bem, cada um com os seus interesses e, quem sou eu para ter direitos exclusivos sobre ela.

    Sinceramente, cadê a discussão de política pública? Gustavo, você, por exemplo, que sempre aparece para cobrar a reforma política aqui, saiba que ela não foi a votação até agora pela insistência de Gabeiras e Simons disputarem holofotes. A reforma eleitoral estava prontinha, não entrou na pauta do congresso por disputa de holofotes.
    Mais, o Gabeira tornou-se, infelizmente, um parlamentar sem agenda. Na câmara, há duas semanas atrás, o PT tomou uma surra ao tentar manter no estatuto da união civil a possibilidade de sua aplicação para pessoas do mesmo sexo. O casamento homossexual foi vetado na primeira instância sem reação. E o que o Gabeira fez? Foi falar mal do Mercadante na tribuna enquanto o pau quebrava na CCJ. Não deu um pio. Como não pia mais sobre a regulação de remessas de capital para o estrangeiro e nem mesmo sobre políticas para a Amazônia. Escolheu o Armínio Fraga, ex-diretor do BC e hoje um investidor da soja para redigir o seu programa de governo do Rio de Janeiro. Não falo de moral, mas da falta de uma agenda política. Hoje eu não sei o que o Gabeira quer para o Brasil, sinceramente.

    Desta forma, não dá. O que me incomoda não é nova direita ou nova esquerda, é que esses ímpios são uma forma de atraso diferente dos Sarneys e Calheiros da vida.
    Vamos discutir política, não fofoca da imprensa.
    Até agora, por exemplo, não vi nenhum plano alternativo à carnificina promovida pela política de segurança pública dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Acho o modo como a política de habitação e a luta contra a pobreza e a luta contra a criminalidade tem sido efetuada calamitosa. Até agora não escutei nenhum pio, nada que justificasse a opressão e nem uma alternativa viável. Isso que me interessa.
    Não manifgestações de garotos chocados com nariz de palhaço.

  23. Mas escuta, vc esperava que se falasse bem do mercadante? Vc acha mesmo que o gabeira e o simon impedem as reformas? Eu já votei muito no pt, mas ta na hora de acordar… Vamos ser razoáveis. Outra coisa: tava muito bom o texto Beyus.

  24. Acho sim senhor. E acho que o Gabeira, que se orgulha de apoiar a questão GLBT, não tinha nada que procurar os holofotes numa hora destas. Nesta hora tem que ir para a sua trincheira e defender o seu eleitor, os que, gays ou não, torcem há anos pelo casamento homossexual.
    é uma questão de prioridade. O que ele considera mais importante, agradar a claque que não gosta do PT ou aprovar um projeto fundamental para os direitos civis no Brasil? Fazer piada com as cagadas de outro parlamentar ou fazer barulho para que um direito social seja aprovado? Não parece muito claro, mas acho que ele apagou toda a sua agenda política para se tornar o candidato da capa da Veja.
    Gus, brigadão pelo elogio e pelos comentários meu chapa

  25. Ademais, Pedro Simon é o fiador número 1 do governo Yeda Crusius no PMDB do Rio Grande do Sul. Ou ele explica esta história melhor ou melhor evitar brincar de franciscano. Tá ficando feio

  26. desculpa… beuys… na verdade um dia gostaria falar sobre ele com vocês. teve uma bienal bem legal que vi moleque com as obras dele

  27. Tiago,
    Gostaria de dar detalhes de como eu acharia o ideal a politica fiscal. Eu nao sou economista, mas damos do nosso suor quase 40% de tudo que ganhamos. Eu nao tenho fé na eficiência do estado. Nem da do mercado. Acho que a social democracia é o melhor regime, pelo menos em nos dar liberdade em contestar o governo e empresarios. Mas nao posso concordar com o argumento de que todo mundo é podre e isso é parte do processo. E me irrita quando um político começa com isso: “somos um reflexo da sociedade” – ele pode ter conhecido a mãe dele numa zona. Mas isso não justifica ele pensar que isso vale para todos.
    Na verdade, somos todos cornos quando aceitamos o nojento do sarney la…
    E digo mais… sera impossivel dar opiniao inclusive em blog se a nova lei eleitoral for aprovada… preparem-se

  28. Então, o combate a nova lei eleitoral é uma nova trincheira a ser combatida. Precisamos, portanto, de congressistas que combatam. A Jô Moraes (PC do B – MG) está muito envolvida com a luta. Além dos corruptos, juro por deus, me preocupam muito este tipo de deputado midiático, este tipo que serve para comentar qualquer coisa diante de lente. Igual intelectual que se presta a fazer este serviço.
    Quando um professor comenta de tudo no jornal, alguma coisa vai mal.
    abração.
    De resto, posta o seu comentário sobre o Beuys Gus, adoraria saber
    abraço

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