Harry Partch (1901-1974)

Como a música, para mim, é um campo misterioso do qual sei muito pouco e de forma muito desorganizada, não tenho outra coisa a fazer a não ser mostrar para os outros coisas que me empolgam quando me deparo com elas. Quem sabe alguém me ajuda a entender um pouco melhor?

Me deparei com esse curto documentário, abaixo, sobre o compositor e pesquisador musical Harry Partch. Partch foi um desses compositores norte-americanos que levaram as experimentações musicais da primeira metade do século XX a caminhos ainda mais radicais. Uma de suas inquietações era a limitação da escala privilegiada pela tradição musical ocidental. Partch desenvolveu uma série de instrumentos capazes de ampliar as possibilidades de timbre e frequência, produzindo sonoridades e harmonias pouco convencionais.

O compositor, filósofo musical e inventor de instrumentos Harry Partch
O compositor Harry Partch

Uma preocupação que, me parece, aproximava os músicos mais radicais de suas geração era a ampliação daquilo que se poderia entender por música, incoporando desde tradições antigas e/ou não-ocidentais até sons usualmente excluídos do campo do “musical” (muitas vezes, incluindo aí aquilo que mais convencionalmente fica relegado ao campo do “ruído”). John Cage, em uma passagem de suas reflexões sobre a indeterminação na música, colocou essa questão do seguinte modo, em seu estilo proverbial e provocativo:

A música só é útil quando desenvolve os nossos poderes auditivos. A maioria dos músicos, porém, é incapaz de ouvir um simples som; lhes interessa apenas a relação entre dois ou mais sons. A música, para eles, nada tem a ver com seus poderes auditivos, e sim apenas com sua capacidade de observar relações. Para tanto, eles têm de ignorar todos os choros de bebês, motores a combustão, telefones e tosses que porventura soem durante suas apresentações. Na verdade, quando nos deparamos com pessoas realmente interessadas em sons, grandes são as chances de que lhes fascinem principalmente os quietos: “você escutou isso?”, dirão.

No documentário, Partch explica e mostra alguns dos instrumentos que criou. Então radicado em Chicago, começa dizendo – ele que, vivendo sua juventude no meio da Grande Depressão americana, acabou por repetir o destino de “drifter”, vagabundo, que coube a grande parte da força de trabalho americana, de um lado a outro do país atrás de meios de sobreviver, como os personagens de John Dos Passos – que uma das máximas que aprendeu a seguir em sua vida é aquela que aparece em uma inscrição em ideogramas japoneses e diz, “ainda que sem casa, faça um altar de onde for que estiver”. Para Partch, esse altar estaria ali onde estivessem os seus instrumentos.

4 comentários sobre “Harry Partch (1901-1974)

  1. Um dos meus ídolos. Ele é um daqueles caras que resolveu levar a obra de arte muito a sério, como uma proposta para a vida. Pesquisou uma série de músicas baseadas na microtonalidade e por isso construiu os instrumentos que construiu. ele ainda vivia em um esquema todo alternativo, onde escrevia as suas óperas e coisa do gênero. Acho, aliás, ele ótimo letrista
    valeu Jay.
    Aqui tem mais:

  2. Vale a pena dar uma conferida no site dele:
    http://www.harrypartch.com/
    Talvez alguém faça comparação som Walter Smetak, mas este tipo de comparação é muito simplória e omite particularidades, detalhes fundamentais.

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