Sob controle

A imagem é manjada, mas é legal
A imagem é manjada, mas é legal

Hoje, eu recebi essa notícia por e-mail e fiquei um pouco assustado. Pra quem tem preguiça de clicar no link, eu resumo brevemente: uma aluna da UFMG processou seu colega, por que ele chamou ela de imbecil em um e-mail para um grupo que eles participavam.

A mensagem segundo o site da Globo era: “Sua retardada, pare d mandar e-mails inúteis e arrume alguma coisa melhor para fazer.(sic)”

Até entendo que a menina deve ter se ofendido com o baixo calão e a agressividade da mensagem. Eu também já passei raiva na Internet. E acho que esse grau de agressividade on line está intrinsecamente ligado à covardia, à pouca capacidade para conversar e, no limite,  à burrice mesmo.

Também compreendo que a ofensa tenha levado ela a procurar os tribunais. Esse é um direito de quem se sente lesado, como a gente aprende na ótima discussão do blog do Túlio Viana. O problema é o sujeito ser sentenciado por que teve um momento de ignorância contra alguém que enviava e-mails fora de questão em uma lista.

Fico meio assustado quando comportamentos como esses são sentenciados pela justiça. Acho esse excesso de coerção judicial em cima de comportamentos privados meio temeroso.

As gestões tucanas têm essa característica  ao longo de sua história: criminalizar pesadamente o adversário. Ao longo do governo FHC, a criminalização dos movimentos sociais deu a tônica (aqui em html). A lógica continuou na gestão demo-tucana do STF e nos governos estaduais.

O estado de São Paulo merece um capítulo especial. O Alckmin chegou ao extremo dessa criminalização. Seguia a toada de descer o porrete sem perguntar, com Saulo de Castro,  seu funcionário número 1. O secretário de segurança era desprezado até no PSDB e ficou famoso por colocar sua tropa para amedrontar deputados estaduais na Assembléia Legislativa Paulista. Um dos frutos dessa política de intolerância foi o PCC.

Com Serra, a criminalização dos movimentos sociais continua, mas se extende para os moradores de bairros pobres, para a universidade, para os empresários, para o quentão, a banana por dúzia, tudo isso estimulado por uma política de estímulo ao dedo-duro. Como disse um amigo meu, o limite é o biquíni de duas peças e os palavrões em locais públicos.

Sei lá, tendo a desconfiar de proibições, excessos de regulação e condenações excessivas. Sempre exalam um cheirinho de fascismo. Não entendo muito de leis, mas que assusta, assusta…

O Tiago e o Jay já escreveram sobre o assunto aqui no Guaci.

3 comentários sobre “Sob controle

  1. A liberdade é parte da humanidade, não é como as embalagens de aparelhos eletrônicos em que se diz que não há pilhas inclusas. É mais do que um direito, faz parte da natureza humana, mesmo que instituições criadas pela sociedade se sintam no direito de determinar o que a liberdade pode ser. Mas infelizmente há alguns ítens que acabam por comprometer a liberdade geral. O egoísmo. E quando ele domina, foge o bom senso e o limite natural da liberdade, que nos avisa que nossa liberdade termina quando começa o direito alheio.
    Em relação ao e-mail do colega da UFMG, por mais que ele tenha abdicado do bom senso, também temos que nos perguntar sobre a conduta da colega ofendida, será que ela não invadiu o espaço do colega? Creio que todos conheçam a frase popular: “Fala o que quer, ouve o que não quer”.
    Sim, desconfie, pois o que temos aqui, é como o simples exemplo de dois pais que dão liberadade à seus respectivos filhos. O primeiro, deixando seu filho à vontade, mas alertando dos perigos de correr dentro da casa, o filho corre, cai, se machuca e o pai vai lá e diz: “Filho, viu porque eu disse que era perigoso e não deveria fazer?” O pai ainda dá liberdade ao filho, e o filho aprendeu algo importante.
    O outro pai, que não queria ser pai, continua agindo de forma irresponsável, não conversa com o filho, não dá orientação e o filho faz o mesmo que o outro e ocorre a mesma coisa. O pai furioso, como se não bastasse, vai lá e bate no filho e tranca ele no quarto.
    Qual se parece com o comportamento do Estado?

  2. Olha, acho que há ponderações a serem feitas nos limites destas liberdades. A notícia do G1 não detalha como o episódio se desenrolou antes do processo.

    Gostaria (sei que provavelmente não é possível) ter algumas respostas antes de apoiar ou não esta decisão judicial em particular:

    – Houve tentativa de conciliação entre as partes? Será que a aluna reclamou primeiro por e-mail ou telefone com o colega pedindo sua retratação?
    – Houve e-mails posteriores deste colega e de outros reforçando a ofensa? Num grupo de 50 pessoas que se conhecem, seria de se esperar que a ofensa fosse levada a diante, pelo menos, em tom de “brincadeira”.
    – Qual é a relação dos dois? Houve episódios similares no passado?

    Dependendo do contexto, acho mais do que válido o processo e a decisão da justiça.

  3. Caro riclage, concordo contigo de que a pessoa tinha todo direito de entrar na justiça, independente de qualquer agravante inclusive. Eu, pessoalmente nunca entraria na justiça por causa de nenhum e-mail, mas acho que se ela se sentiu lesada tem mais é de entrar mesmo. O problema é que, mesmo sem saber das circinstâncias, eu acho que é muito difícil que um e-mail crie um dano tão profundo a pessoa que mereça ser sentenciado com o pagamento de uma multa de R$ 4 mil.

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