Pina Bausch (1940 – 2009)

Muita gente famosa morreu nesses dias, alguns de talento superior. Se a dança perdeu Michael Jackson, o seu maior entertainer na semana passada, hoje ela viu ir uma de suas maiores artistas: Pina Bausch.

Pina Bausch em ensaio em Wuppertal
Pina Bausch em ensaio em Wuppertal

Os dois pensavam o movimento corporal como poucos, mas Pina Bausch, para mim, é um dos maiores símbolos da alegria de viver e de fazer o que se faz. Ela adorava o Brasil e esteve aqui várias vezes. Como eu sou besta, só a vi uma vez. O suficiente para cair de amores. Foi como da primeira vez que eu escutei The Fall ou vi uma tela do Picasso, me converti em um adorador com o pouco que conhecia.

Assim, se a morte de Michael Jackson me deixou perplexo pela tragédia que ele representava, a de Pina me deixou triste pela alegria que ela fazia questão de demonstrar. Tanta, que no carnaval desse ano, resolvi começar as comemorações com um lindo e tocante vídeo da Pina Bausch.

Em 2000, Caetano Veloso tentou falar de sua adoração de Pina Bausch, no fim falava de tudo, mas muito pouco de Pina. Começava o texto Aquela coisa toda assim:

Não sou dançarino. Já na estréia de Livro vivo, em São Paulo, eu deliberadamente fazia, num determinado momento, gestos repetitivos, maquinais-obsessivos, num estilo que muitos associam ao trabalho de Pina Bausch: era um aceno a essa artista que me apaixona.

E terminava de um jeito que parece ser muito verdadeiro:

E Pina Bausch? Lá vai Caetano, dirão, olhando para o próprio umbigo, escrevendo sobre si e sobre o que vai escrevendo sobre si. Mas não é. É que entrar em contato com uma artista grande como Pina é arriscar-se a passar por mudanças que requerem auto-reexame. Em outras palavras: a quem me dá a vida não posso oferecer nada menos do que isto: a minha vida.

O Caetano adora falar dele, mas nisso ele não poderia ser mais preciso. Então, melhor vermos a beleza da arte da Pina Bausch. Aqui, um lindo documentário de 2006 sobre a artista. Depois, sua dança:




2 comentários sobre “Pina Bausch (1940 – 2009)

  1. Bela homenagem ao dançarino e ótimo cantor e à musa do dançar.
    Nada como a dança, contra o trabalho imobilizador da morte.
    E mais um comentário, infame, inevitável: e essa coelhinha de preto, hem?

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