Jean Rouch no Brasil

Jean Rouch, sempre de Olho
Jean Rouch, sempre de olho

Não, o cineasta francês não renasceu na Bahia depois de um ritual de candomblé. Mesmo assim, o brasileiro não vai poder reclamar da falta de oportunidade de assistir filmes do Jean Rouch (1917-2004). Principalmente quem mora nas quatro cidades – São Paulo, BH, Rio e Brasília – onde acontecem as mostras Jean Rouch, de junho a agosto.

Pra quem não conhece,  é um dos cineastas mais importantes a ter pisado nesse nosso planeta.

Sua obra é fortemente marcada pela antropologia e pela sociologia e com documentários como Les Maîtres Fous, Eu, um negro e Crônica de um verão ele trouxe uma forma radical de observação dos fenômenos sociais. Inclusive, esses foram os únicos filmes que vi dele. Os três são intensamente reflexivos e mesmo lidando com uma relação muito direta com o que tá sendo filmado é impossível não pensar no diálogo com a câmera e na descoberta da coisa em si. Tudo muito bonito. Pra quem quiser uma prévia dá pra achar uma coisa ou outra no Youtube.

Os outros eu vou assistir agora, lá no Humberto Mauro em BH. Eu, se fosse vocês, iria correndo ao cinema mais próximo assistir também.

Mas saindo dos meus chutes e voltando ao que eu sei. A mostra começa em Belo Horizonte hoje (22 de junho) no Cine Humberto Mauro. Em São Paulo ela já começou ,e vai até domingo (28 de junho). E os filmes ainda viajam pro Rio (18 de julho) e pra Brasília (5 de agosto).

Aqui em BH, serão exibidos 77 flmes do fera e outros 14 sobre ele, com 92 sessões em BH. 80% inéditos no país. A mostra é organizada pelo Mateus Araújo, que já teve um texto lindão publicado aqui no Guaci…

Entre fim de junho e início de julho, um colóquio internacional traz ao Brasil alguns dos principais expoentes dos estudos cinematográficos e antropológicos da França para discutir o legado de Rouch, em SP (de 30 de junho a 4 de julho, na Cinemateca Brasileira) e no RJ (de 7 a 11 de julho, no Instituto Moreira Salles).

Como conheço pouco, copio as informações do release, mas convido todo mundo a aparecer. O lance vai ser bom:

Jean Rouch (1917-2004) é tido como uma das principais referências do grupo de intelectuais e cineastas que daria corpo à Nouvelle Vague e como um dos ícones do cinema documentário moderno.

Rouch inovou técnica, ética e esteticamente. Foi um dos maiores entusiastas do cinema direto, um dos marcos da renovação da linguagem cinematográfica no início dos anos de 1960. Jean-Luc Godard afirmaria, por exemplo, que não havia filme mais “espetacular” que “Eu, um Negro” [Moi, un Noir, de 1958], de Rouch, por sua capacidade de absorver o acaso e se posicionar entre realidade e ficção.

Engenheiro de formação, titulado doutor em etnologia pela Sorbonne em 1953, Jean Rouch filmou em pelo menos uma dezena de países, primordialmente no continente africano –onde esteve na Costa do Marfim, Níger, Mali, Gana, Burkina Fasso e Benim.

Rouch foi um entusiasta da fabulação e da elevação dos personagens retratados ao primeiro plano, como sujeitos e não objetos do discurso fílmico. Na sua visão, o desejo de investigação do filme etnográfico [em seu esforço de aliar a arte da exposição cinematográfica ao rigor da enquete científica] oferece um ponto de convergência determinante no encontro entre a subjetividade do criador e a objetividade do pesquisador –ou, de outro modo, entre arte e ciência.

Em oposição a mestres da antropologia como Claude Lévi-Strauss (para quem o registro cinematográfico era “como um caderno de notas, que não deveria ser publicado”), Rouch entendia o documentário etnográfico como uma forma de estabelecer um diálogo com o sujeito do seu estudo, em vez de apenas descrevê-lo.

Esta mudança de paradigmas seria, para Rouch, uma maneira de contribuir para que a antropologia deixasse de ser “a filha mais velha do colonialismo”.

E pra quem quiser conferir uma cena de Les Maîtres Fouls achada no YouTube:

11 comentários sobre “Jean Rouch no Brasil

  1. Fui ver uma sessão na cinemateca, foi demais. revi ‘os mestres loucos’, ‘tambores de outrora’ e dois outros que não tinha visto. vale a pena demais.

  2. Putz Lauro, que legal cara!!!!!
    os três filmes que citou, tb foram os únicos que vi (e que cheguei até a copiá-los…copiá-los pode falar em blog? acho que pode).
    Não estava sabendo dessa mostra.
    Vai ter diversão em Brasília nessas férias e nessa seca!!!
    Valeu.

  3. Segue a programação da última semana:

    Quem puder, não perca

    23.06 | TERÇA

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    16h30 BABATU, OS TRÊS CONSELHOS

    SALA CINEMATECA BNDES

    15h00 O MILHO | ARQUITETOS DE AYOROU | VW MALANDRO | MEDICINAS E MÉDICOS | DAMOURÉ FALA DA AIDS

    19h00 JAGUAR

    21h00 POUCO A POUCO (VERSÃO CURTA)

    24.06 | QUARTA

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    14h00 POUCO A POUCO (VERSÃO LONGA)

    SALA CINEMATECA BNDES

    15h00 COCORICO! MONSIEUR POULET

    19h00 DONA ÁGUA

    21h15 EU CANSADO EM PÉ, EU DEITADO

    25.06 | QUINTA

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    15h30 HOMENAGEM A MARCEL MAUSS: TARO OKAMOTO | MARGARET MEAD: RETRATO DE UMA AMIGA | ISPAHAN: CARTA PERSA

    17h15 CINEMÁFIA | CINE-RETRATO DE RAYMOND DEPARDON | NUM APERTO DE MÃOS AMIGAS

    19h00 DIONÍSIOS

    21h00 ENIGMA

    26.06 | SEXTA

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    15h30 LOUCURA ORDINÁRIA DE UMA FILHA DE CHAM

    17h30 VESTIBULAR OU CASAMENTO

    19h00 LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE E ENTÃO…

    SALA CINEMATECA BNDES

    21h00 BATEAU GIVRE | CARTÃO DO MUSEU HENRI LANGLOIS, CINEMATECA FRANCESA, 8 DE JULHO DE 1997

    27.06 | SÁBADO

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    14h30 MOSSO MOSSO – JEAN ROUCH COMO SE…

    19h00 JEAN ROUCH E SUA CÂMERA NO CORAÇÃO DA ÁFRICA

    20h30 ROUCH’S GANG

    SALA CINEMATECA BNDES

    17h00 O SONHO MAIS FORTE QUE A MORTE

    28.06 | DOMINGO

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    15h00 NAS PEGADAS DA RAPOSA PÁLIDA | SUR LA VOIE DE JEAN ROUCH

    19h00 SIRIUS, A ESTRELA DOGON | JEAN ROUCH E GERMAINE DIETERLEN, “O FUTURO DA LEMBRANÇA”

    SALA CINEMATECA BNDES

    16h00 CONVERSAS COM JEAN ROUCH | JEAN ROUCH: PRIMEIRO FILME | MEU PAI É UM LEÃO | O DUPLO DE ONTEM ENCONTROU O AMANHÃ

    20h00 A EXPOSIÇÃO DE 1900 | CIGURI 99 – O ÚLTIMO XAMÃ | O OVO SEM CASCA

    FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES – 1ª SEMANA

    Abidjan, porto de pesca (Abidjan, port de peche), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1962, 16mm, pb, 25’ | Legendas eletrônicas em português

    Enquete sobre a pesca marítima tradicional e industrial na Costa do Marfim: pescadores locais em suas minúsculas canoas-mosquito, as grandes canoas dos Fanti, e os barcos bretões e portugueses no porto de Abidjan.

    sex 05 15h15 | dom 21 14h45

    A África e a pesquisa científica (L’Afrique et la recherche scientifique), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim/Níger, 1963, 16mm, pb, 32’ | Legendas eletrônicas em português

    Uma descrição geral da pesquisa científica da França na África nas áreas de hidrologia, botânica, biologia e agricultura, incluindo palmeira, coqueiro e indústrias de peixe.

    sex 05 15h15 | dom 21 14h45

    Arquitetos de Ayorou (Architectes Ayorou), de Jean Rouch

    França/Níger, 1971, 16mm, cor, 30’ | Legendas eletrônicas em português

    Durante muitos anos, os jovens das vilas de Ayorou construíram um novo habitat na ilha.

    qui 11 15h00 | ter 23 15h00

    Babatu, os três conselhos (Babatu: les trois conseils), de Jean Rouch

    França/Níger, 1975, 35mm, cor, 85’ | Versão original sem legendas

    Uma história sobre guerras de escravos de Babatu.

    qui 11 19h15 | ter 23 16h30

    Baby Gana (Baby Ghana), de Jean Rouch

    França/Gana,1957, 16mm, pb, 12’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Documentário sobre a independência de Gana.

    qua 03 19h15 | sáb 20 17h00

    Batalha no grande rio (Battaille sur le grand fleuve), de Jean Rouch

    França/Níger, 1951, 16mm, cor, 33’ | Legendas eletrônicas em português

    Os pescadores Sorko caçam com lanças os hipopótamos do rio Níger. Antes de partirem, acontece uma cerimônia para pedir ao deus do rio sucesso na caça. Esta resultará na captura de dois hipopótamos. Mas um macho adulto, solitário e feroz, apesar de ferido pelas lanças, conseguirá escapar após danificar a canoa. Os Sorko terão perdido a batalha.

    qua 03 14h30 | qua 17 19h00

    Bateau-givre, de Jean Rouch

    Suécia/França, 1987, 16mm, cor, 35’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Primeiro dos três episódios do documentário Brise-glace, que tem três diferentes diretores. Rodado num navio, reflete a beleza do oceano e da própria embarcação.

    sex 12 21h00 | sex 26 21h00

    Baterias Dogon (Batteries Dogon), de Jean Rouch e Gilbert Rouget

    França/Mali, 1966, 16mm, pb, 26’ | Legendas em português | Exibição em DVD0

    Os jovens pastores de cabra da falésia da Bandiagara praticam sobre os tambores de pedras dos seus antepassados.

    sex 05 19h15 | sex 19 19h00

    A caça ao leão com arco (La chasse au lion à l’arc), de Jean Rouch

    França/Níger, 1958-1965, 16mm, pb, 80’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    A caça ao leão é um ritual que envolve fabricação dos arcos e flechas utilizados, preparação do veneno, rastreamento e ritual de sacrifício. Quando bem sucedida, os caçadores entoam canções e narram a aventura às crianças. E só é permitida, quando a aldeia se sente ameaçada. O leão, por exemplo, quando mata sem intenção, é considerado um assassino. Não é a toa que os caçadores denominam o leão caçado no documentário de “americano”, talvez pela imposição econômica e política que o mundo sofre de um país tão visado por promover guerras e confrontos políticos. O documentário de Rouch se divide em dois momentos: a caça ao leão que resulta em fracasso, e após três anos, quando numa bem-sucedida caça, capturam duas fêmeas do “americano”, servindo de alimento e punição ao suposto assassino. O próprio Rouch é quem narra os fatos numa edição posterior e prefere utilizar câmera sem tripé para poder nos dar vários pontos de vista.

    sex 05 20h45 | qua 17 21h00

    Cartão do Museu Henri Langlois, Cinemateca Francesa, 8 de julho de 1997 (Faire-part: Musée Henri Langlois, Cinémathèque Française, 8 juillet 1997), de Jean Rouch

    França, 1997, 16mm, cor, 55’ | Versão original sem legendas

    Rodado em cinco planos longos numa tarde no Museu do Cinema do Palais des Chaillot, duas semanas antes do seu incêndio. O filme visita as sala do museu concebido por Henri Langlois, seguindo a cronologia da história do cinema, tal como reorganizada pela coleção. Ao longo dessa visita, Rouch improvisa um comentário off que atravessa todo o filme.

    sáb 13 14h00 | sex 26 21h00

    Cemitérios na falésia (Cimetière dans la falaise), de Jean Rouch

    França/Mali, 1950, 16mm, cor, 18’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Um homem morre afogado. Na madrugada, dois sacerdotes na margem do rio sacrificam um pintinho para pedir ao deus da água para devolver o corpo. O cadáver é encontrado e trazido para a aldeia de Ireli, ao pé da falésia de Bandiagara, no Mali, onde será enterrado segundo o ritual funerário dos Dogon.

    qua 03 17h00 | sex 19 15h15

    Cinemáfia (Cinémafia), de Jean Rouch

    Holanda, 1980, 16mm, cor, 33’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Jean Rouch filmou dois de seus amigos e ídolos no cinema: Joris Ivens e Henri Storck.

    sáb 13 14h00 | qui 25 17h15

    A circuncisão (Circoncision), de Jean Rouch

    França/Mali, 1948, 16mm, cor, 14’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Trinta crianças da aldeia de Hombori, no Mali, passam pelo ritual da circuncisão. Premiado no Festival do Filme Maldito de Biarritz em 1949.

    qua 03 17h00 | sex 19 19h00

    Cocorico! Monsieur Poulet, de Jean Rouch

    França/Níger, 1974, 16mm, cor, 97’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Damouré Zika, Lam Ibrahim Dia, Tallou Mouzourane, Baba Noré

    Ficção sobre as aventuras de 3 personagens na selva do Níger. Lam decide ir para a selva numa velha camioneta para vender frango, com a ajuda de um assistente. O encontro com uma terceira pessoa, que integra-se tanto quanto possível ao grupo, perturba um pouco a precária organização da viagem. O carro é um dos protagonistas deste roteiro que tem início em Niamey e os leva à selva. A viagem está pontuada de acontecimentos insólitos, como o encontro com a mulher diabólica ou a travessia do rio Niger, que se tornam pretextos para muitas elucubrações e discussões.

    qui 11 17h00 | qua 24 15h00

    O coqueiro (Les cocotiers), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1962, 16mm, pb, 23’ | Versão original sem legendas

    A pesquisa agronômica sobre o coqueiro em Port-Bouët, na Costa do Marfim.

    sex 05 15h15 | dom 21 14h45

    Crônica de um verão (Chronique d’un été), de Jean Rouch e Edgar Morin

    França, 1960, 16mm, pb, 90’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Tentativa de investigação cinematográfica sobre jovens franceses durante o verão de 1960, no momento em que se pensava que a guerra da Algéria iria acabar. O filme segue por alguns meses, ao mesmo tempo, a investigação e a evolução de Marceline (uma ex-deportada que se ocupa de questões socioeconômicas) e outros personagens principais, sempre descobrindo ao redor do grupo outros jovens parisienses. No começo, a pergunta é: Como você vive? Mas bem rápido surgem as questões essenciais, a desilusão política, a solidão. As férias chegam, as fábricas ficam vazias, as praias ficam cheias. Tudo o que acontece lá fora é esquecido. O final da guerra ficará para outro ano. Todos os personagens assistem à projeção do filme e discutem. E os dois autores se encontram sós diante desta experiência cruel mas apaixonante de cinema-verdade.

    qui 04 18h45 | sáb 20 20h30

    O Dama de Ambara: Encantar a morte (Le Dama d’Ambara: Enchanter la mort), de Jean Rouch

    França/Mali, 1974-1980, 16mm, cor, 60’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Em 1972, Ambara Dolo morre. O filme segue os três principais dias desta cerimônia.

    qua 10 21h00 | sex 19 15h15

    Damouré fala da Aids (Damouré parle du sida), de Jean Rouch

    França/Níger, 1992, 10’, 16mm | Versão original sem legendas

    Aos olhos da sua esposa Lobo, Damouré fala, como enfermeiro, sobre a Aids aos amigos Lam e Tallou, qualificando-a como um doença do amor, que só pode ser vencida pelo amor. E explica como se deve usar o preservativo.

    dom 14 18h30 | ter 23 15h00

    Daouda Sorko, de Jean Rouch

    França/Níger, 1967, 16mm, pb, 20’ | Versão original sem legendas

    Daouda, sacerdote do deus do trovão, conta a Damouré Zika a lenda de Dongo e dos sete Tourou, principais divindades da mitologia Songhay.

    dom 07 21h00 | qua 17 17h00

    Dionisos (Dyonisos), de Jean Rouch.

    França, 1984, 16mm, cor, 104’ | Legendas eletrônicas em português

    Jean Monod, Hélène Puiseux, Cookie Chiapalone, Fifi Raliatou

    Mais que um experimento ou o momento em que um percurso de mais de 30 anos abre um parêntese e se coloca em questão, o filme reflete o acúmulo de uma série de idéias sobre o cinema e as possibilidades de pesquisas com linguagem, intertextualidade, metalinguagem e representação. Algumas imagens do filme são de fato tão impressionantes e tão absurdamente ricas – a carcaça de um carro dependurado, balançando como se fosse a carcaça de um tigre, e o renascimento deste carro como um tigre – que se torna impossível não se sentir como um mero infante diante de tudo o que Rouch conhece não só dos mundos em que viveu (o da África, o do cinema, o da etnografia, o da Europa), como também daqueles que faz existir no seu filme (o mundo da universidade, dos estudos, do conhecimento, da história etc.).

    sáb 13 16h30 | qui 25 19h00

    Dona água (Madame l’eau), de Jean Rouch

    Holanda/Níger, 1992, 125’, 16mm | Versão original sem legendas

    Último grande filme de Rouch no registro da etno-ficção, põe em cena a viagem dos seus três fiéis amigos africanos Damouré Zika, Lam e Tallou do Níger à Holanda, numa expedição de pesquisa sobre moinhos a vento e processos de irrigação que lhes permitisse enfrentar a seca em seu país. Guiados por Rouch e o anfitrião holandês, Philo Bregstein, os três tomam contato com os costumes holandeses, numa espécie de etnografia às avessas.

    dom 14 14h15 | qua 24 19h00

    Dongo Hori, de Jean Rouch

    França/Níger,1973, 16mm, cor, 20’ | Versão original sem legendas

    Uma velha Zima, cavalo de Dongo (o espirito do trovao), organiza uma festa para agradecer o Mestre dos céus pela chuva que ele trouxe e para pedir-lhe mais chuva.

    dom 07 21h00 | qua 17 17h00

    Enigma, de Jean Rouch, Alberto Chiantaretto, Marco Di Castri e Daniele Pianciola

    Itália, 1986, 35mm, cor, 91’ | Legendas eletrônicas em português | Exibição em 16mm

    Gilberto Mazilah, Gianfranco Barberi, Sabina Sacchi, Philo Bregstein

    Um mecenas convida à sua mansão da colina de Turim um célebre falsário e o encarrega de fazer o quadro que Giorgio de Chirico não conseguiu pintar, durante sua breve permanência em Turim, em 1911. Vagando pela cidade, à procura de inspiração, o falsário se encontra várias vezes com um grupo de crianças que querem ir para o Egito num velho submarino abandonado à margem do rio Pó, com um filósofo que contempla o mundo do alto da Mole Antonelliana e uma mulher enigmática e ambígua.

    sáb 13 18h30 | qui 25 21h00

    O enterro do Hogon (L’enterrement du Hogon), de Jean Rouch e Germaine Dieterlen

    França/Mali, 1973, 16mm, cor, 18’ | Legendas eletrônicas em português

    Maior sacerdote da comunidade de Ogal, o Hogon de Sanga, que morreu durante a noite, é ritualmente enterrado.

    qua 10 21h00 | sex 19 17h00

    Eu cansado em pé, eu deitado (Moi fatigué debout, moi couché), de Jean Rouch

    França/Níger, 1997, 16mm, cor, 85’ | Versão original sem legendas

    Damouré Zika, Lam, Tallou e Rouch, novamente juntos num filme de forte inclinação onírica em torno de uma árvore com poderes mágicos.

    dom 14 16h45 | qua 24 21h15

    Eu, um negro (Moi un noir), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1959, 35mm, cor, 70’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Jovens do Níger abandonam o interior do país para buscar trabalho na Costa do Marfim. Em Treichville, região popular de Abidjan, sentem-se desenraizados e se confrontam com a civilização moderna. O protagonista, que se diz chamar Edward G. Robinson em homenagem ao ator americano, conta sua história. Seus amigos também adotam pseudônimos para forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal. Prêmio Louis-Delluc em 1959.

    qui 04 15h15 | sáb 20 19h00

    Funerais em Bongo: O velho Anaï 1848-1971 (Funérailles à Bongo: Le vieil Anaï 1848-1971), de Jean Rouch

    França/Mali, 1972, 16mm, cor, 70’ | Legendas eletrônicas em português | Exibição em 16mm

    A morte do membro mais velho da vila de Bongo, Mali, na era de 122.

    qua 10 19h15 | sex 19 17h00

    Ganga, de Inoussa Ousseini e Jean Rouch

    França/Níger, 1975, 16mm, cor, 15’ | Versão original sem legendas

    Raramente projetado, Ganga é um dos filmes realizados por Rouch em colaboração com seu amigo Inoussa Ousseini, cineasta e diplomata, representante do Níger na Unesco.

    qui 11 15h00 | sáb 20 14h45

    Gare du Nord

    França, 1965, 35mm, cor, 20’ | Versão original sem legendas | Exibição em DVD

    Ficção, em plano-sequência de cerca de 16 minutos. Paris visto por Jean Rouch, Jean-Daniel Pollet, Jean Douchet, Eric Rohmer, Claude Chabrol e Jean-Luc Godard.

    qui 04 20h30 | dom 21 20h30

    A Goumbé dos jovens festeiros (La goumbe des jeunes noceurs), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1965, 35mm, 30’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

    A Goumbé é uma associação de jovens do Alto Volta que trabalham em Abidjan. O filme os mostra no trabalho, depois durante uma reunião que termina com uma dança em Treichville.

    sex 05 17h30 | dom 21 16h45

    Homenagem a Marcel Mauss: Taro Okamoto (Hommage à Marcel Mauss: Taro Okamoto), de Jean Rouch

    França/Japão, 1974, 16mm, cor, 16’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Um retrato antropológico de um artista. Um dos mais celebrados artistas do Japão, Okamoto estudou com Mauss em Paris de 1930 a 1939. Ele fala da grande influência que o mestre tinha sobre a arte dele e as suas formas de pensar e viver.

    qui 11 21h00 | qui 25 15h30

    Horendi, de Jean Rouch

    França/Níger, 1972, 16mm, cor, 72’

    Um ensaio em câmera lenta sobre a gestualidade do transe numa cerimônia de possessão.

    qua 10 15h00 | ter 16 15h00

    Iniciação à dança dos possuídos (Initiation à la danse des possédés), de Jean Rouch

    França/Níger, 1948, 16mm, cor, 23’ | Legendas eletrônicas em português

    Uma mulher Songhai da aldeia de Firgoun, no Níger, é iniciada às danças dos rituais de possessão. Primeiro prêmio no Festival do Filme Maldito de Biarritz, em 1949.

    qua 03 17h00 | ter 16 15h00

    Jaguar, de Jean Rouch

    França/Níger/Gana, 1967, 35mm, cor, 92’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    O pastor Lam, o pescador Illo e o escrivão Damouré, decidem ir à Accra em busca de fortuna. No meio de uma dança de possessão, Damouré pede aos deuses para protegê-los durante a viagem. Os três amigos partem à pé e, após passarem pela fronteira ilegalmente, tomam, a pedido dos deuses, três direções diferentes. Illo torna-se pescador com os Ewé e Lam, comerciante de perfumes. Damouré chega à Accra e começa como servente para logo tornar-se um homem da moda, um Jaguar, que vive a vida da cidade: corridas, danças nas ruas, rituais dos Haukas, eleições de Kwame Krumah. Na cidade, ele encontra Illo e juntos partem em busca de Lam – que, com seu amigo Douma, abriu uma loja de muito sucesso. Uma noite eles decidem voltar e, chegando na aldeia, distribuem em um dia o que ganharam em vários meses. Eles ficam sem nada, mas são os reis da aldeia. A vida recomeça: Douma, o mineiro, torna-se agricultor; Lam toma conta do seu gado; Illo caça hipopótamos e Damouré, o galã, tenta seduzir as garotas da aldeia.

    qua 03 21h00 | ter 23 19h00

    Jean Rouch: primeiro filme (Jean Rouch: premier film), de Dominique Dubosc

    França, 1991, 35mm, cor, 26’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Jean Rouch improvisa um novo comentário em harmonia com as suas imagens, terminando assim finalmente, em 1991, o seu “primeiro filme”, No país dos magos negros.

    qua 03 14h30 | qua 17 19h00

    Um leão chamado Americano (Un lion nommé l’américain), de Jean Rouch

    França/Níger, 1968, 16mm, pb, 20’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Durante a projeção de um filme realizado sobre eles (A caça ao leão com arco), os caçadores Gaos decidem capturar o leão conhecido como “Americano”, que escapara em 1965. Questão de honra. Encontram sua pista, mas o leão se mostra mais esperto do que os caçadores. A rádio anuncia a revolta estudantil do Maio 68: o diretor volta para Paris. Algumas semanas depois, o leão será morto vergonhosamente por um fuzil.

    sex 05 20h45 | qua 17 21h00

    Liberdade, igualdade, fraternidade e então… (Liberté, égalité, fraternité et puis après), de Jean Rouch

    França, 1990, 35mm, cor, 98’ | Versão original sem legendas

    Napoleão Bonaparte, um ano após sua nomeação como General, dá ordem de prisão para o haitiano Toussaint Louverture, também nomeado General de Brigada pela França. Encarcerado no forte de Joux, ele vem a falecer em 1803 sem ter sido julgado. Para comemorar a revolução, os haitianos tentarão reconciliar a vítima e o carrasco através de um grande ritual vudú frente aos Invalides.

    sex 12 19h00 | sex 26 19h00

    Loucura ordinária de uma filha de Cham (Folie ordinaire d’une fille de Cham), de Jean Rouch e Philippe Costantini

    França, 1987, 16mm, cor, 79’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Jenny Alpha-Villard, Sylvie Laporte, Cathérine Rougelin

    Com base no texto do jovem autor martinicano Julius Amédé Laou, Rouch descreve a história de Cam, o filho “maldito” de Noé, no hospital Sainte-Anne. O psiquiatra Charcot apresenta a seus colegas um caso espetacular: um diálogo delirante acontece entre uma velha antillhana internada há 50 anos e uma jovem originária da Martinica.

    sex 12 17h00 | sex 26 15h30

    Os mágicos de Wanzerbé (Les magiciens de Wanzerbé), de Jean Rouch e Marcel Griaule

    França/Níger, 1948, 16mm, cor/pb, 33’ | Legendas eletrônicas em português

    Mossi, um dos sete antigos feiticeiros da aldeia de Wanzerbé, no Níger, mostra a preparação das poções mágicas (o “Hampi Kanendi” promete às mulheres magras ganhar peso); a colheita das cascas das árvores; o ritual das mãos que enchem de água o pote mágico; a profecia dos búzios; o sacrifício de um antílope branco para os deuses. Os tambores começam a tocar e, após um ritual de purificação da aldeia, começa uma dança da fertilidade. Ao nascer do sol, as crianças e os homens se dirigem, acompanhados de um filhote de touro, para a montanha de Sagourmé, protetora da aldeia. O lugar do sacrifício é escolhido: os feiticeiros lêem o futuro no sangue do animal sacrificado.

    qua 03 17h00 | sex 19 19h00

    Makwayela, de Jean Rouch e Jacques d’Arthuys

    França/Canadá/Moçambique, 1977, 16mm, cor, 19’ | Legendas eletrônicas em português | Exibição em Beta

    Durante a sua estada em Moçambique, Jean Rouch fez este filme composto de planos-sequência. Este documentário apresenta uma dança originária da África do Sul, onde vários trabalhadores moçambicanos trabalhavam nas minas de ouro. Este filme chamou a atenção de Jacques d’Arthuys e Jean Rouch para a necessidade de fornecer aos moçambicanos ferramentas para o registo visual e sonoro da sua história e da efervescência que reinou entre 1975-1980, durante os primeiros anos da independência.

    sex 12 15h00 | sáb 20 17h00

    Mammy Water, de Jean Rouch

    França/Gana, 1953, 16mm, 18’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    A vida cotidiana dos pescadores Fanti e a cerimônia em homenagem a Mamy Water, deusa da água, para a abertura da pesca.

    qua 03 19h15 | sáb 20 14h45

    Margaret Mead: Retrato de uma amiga (Margaret Mead: A portrait by a friend), de Jean Rouch

    França/EUA, 1977, 16mm, cor, 35’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Na ocasião do primeiro Festival de Cinema Margaret Mead, um encontro com Margaret no escritório dela, e na sala de trabalho do museu, onde ela fala sobre seus desejos para a antropologia de hoje.

    qui 11 21h00 | qui 25 15h30

    Medicinas e médicos (Médecines et médecins), de Jean Rouch e Inoussa Ousseini

    França/Níger, 1976, 16mm, cor, 16’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Enfermeiras praticam cirurgia em praça pública.

    qui 11 15h00 | ter 23 15h00

    Os mestres loucos (Les maîtres fous), de Jean Rouch

    França/Gana, 1955, 35mm, cor, 28’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Membros do culto Hauka, geralmente trabalhadores provenientes das regiões do Níger vindos à Accra, reúnem-se por ocasião da grande cerimônia anual. Na concessão do grande sacerdote Mountbyéba, após uma confissão pública, começa o ritual da possessão. Baba, mãos tremendo, respiração curta, sinais da chegada dos deuses da força, personificação emblemática do domínio colonial: o capataz, o governador, o médico, a mulher do capitão, o general, o condutor da locomotiva etc… A cerimônia alcança o auge com o sacrifício de um cachorro que será comido pelos possuídos. No dia seguinte, os iniciados voltam para suas ocupações cotidianas.

    qua 03 19h15 | sex 12 15h00 | qua 17 15h00 | sáb 20 17h00

    O milho (Le mil), de Jean Rouch

    França/Níger, 1963, 16mm, 28’ | Versão original sem legendas

    Agricultura tradicional do milho no Níger e os problemas na pesquisa agronômica.

    sex 05 15h15 | ter 23 15h00

    Moro Naba, de Jean Rouch

    França/Burkina Faso, 1957, 16mm, 28’ | Legendas eletrônicas em português

    Cerimônias do funeral de Moro Naba, chefe tradicional dos Mossi da região de Ouagadougou. E cerimônias por ocasião da eleição do seu sucessor.

    qua 03 19h15 | sáb 20 14h45

    Mosso mosso – Jean Rouch como se… (Mosso mosso – Jean Rouch comme si…), de Jean-André Fieschi

    França/França/Níger, 1998, 16mm, cor, 73’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Este encontro com Jean Rouch cabe na exatidão do “como se”, no qual se evoca o que se tornou para ele uma regra de vida e de cinema: ao se fazer “como se”, está-se muito mais próximo da realidade. E enquanto Jean Rouch, rodeado de seus amigos de sempre, Damouré e Tallou, finge filmar um filme intitulado La vache marveilleuse, Jean-André Fieschi consegue abarcar o homem e seu método. Rende-se, aqui, uma homenagem emocionante imbuída do espírito do cineasta. É em sua relação próxima e respeitosa com seus cúmplices africanos de sempre que se descobre plenamente o cineasta, inventivo e camaleão, em osmose com a África. Capítulo da série da TV francesa Cinéma de notre temps.

    dom 14 20h30 | sáb 27 14h30

    No país dos magos negros (Au pays des mages noirs), de Jean Rouch, Pierre Ponty e Jean Sauvy

    França/Níger, 1947, 35mm, pb, 13’ | Legendas eletrônicas em português

    Na aldeia de Firgoun, nas cabanas em forma de ânfora, os Sorko, pescadores Songhay, fabricam uma grande canoa juntando tábuas de madeira. Depois, no rio Níger, os pescadores arremessam um arpão contra um hipopótamo, que é morto à golpes de lanças. Na aldeia, começa um ritual e uma mulher é possuída pelo deus da água. À noite, chegam os “deuses da força”: os Hauka. Primeiro filme de Jean Rouch, foi Lançado como complemento de programa do filme Stromboli, de Roberto Rossellini.

    qua 03 14h30 | sex 17 19h00

    Num aperto de mãos amigas (En une poignée de mains amies), de Jean Rouch

    Portugal, 1996-1997, 35mm, cor, 35’ | Versão original sem legendas

    Degustando um velho vinho do Porto, Rouch conversava com Manoel de Oliveira sobre as pontes do Douro, e imediatamente, tiveram a mesma opinião: de todas aquelas pontes, a grande obra de arte nesta capital da arquitetura moderna era a que Gustavo Eiffel havia feito ali, antes de construir sua torre em Paris. Em menos de cinco minutos, o projeto foi elaborado: Manoel escreveria um poema que Rouch filmaria com os amigos Bernard, Jérôme e François, em menos de uma semana, percorrendo as beiras do Douro a pé, de carro e de helicóptero. Manoel e Rouch declamam aos gritos um poema inspirado pelo vento, pelo rio e pela amizade. Selecionado pelos festivais de Locarno e Roma em 1997.

    sáb 13 14h00 | qui 25 17h15

    A palmeira (Le palmier à l’huile), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1963, 16mm, 18’ | Versão original sem legendas

    A pesquisa da palmeira de óleo na estação experimental do IRHO – Institut de Recherches des Huiles et Oléagineux, em La-Mé, na Costa do Marfim.

    sex 05 15h15 | dom 21 14h45

    Pam kuso kar, de Jean Rouch

    França/Níger, 1974, 16mm, cor, 12’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Em fevereiro de 1974, Pam Sambo Zima, o mais velho dos sacerdotes de possessão em Niamey, morreu.

    qui 11 15h00 | ter 16 15h00

    A pirâmide humana (La pyramide humaine), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1961, 35mm, 90’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

    A chegada de uma nova aluna, Nadine, é o ponto de partida de uma análise das relações interraciais numa escola de Abidjan. Reunidos pelo diretor, os alunos interpretam eles mesmos em uma “ficção” que se desenrola através das novas interações entre brancos e negros, colocando em cena as relações de amizade e as relações sentimentais.

    qui 04 16h45 | dom 21 18h30

    Porto Novo: Balé da corte das mulheres do rei (Porto Novo: Ballet de cour des femmes du roi), de Jean Rouch e Gilbert Rouget

    França/Benin, 1969, 16mm, 31’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Uma análise detalhada da relação entre a dança e a música. Ritual da dança das rainhas no palácio real em Porto Novo.

    sex 05 19h15 | sáb 20 14h45

    Pouco a pouco 1: África em Paris (Petit à petit 1: Afrique sur seine), de Jean Rouch

    França/Níger, 1968-72, 16mm, cor, 82’ | Versão original sem legendas

    Em Ayorou, juntamente com Lam e Illo, Damouré dirige uma empresa de importação e exportação chamada Pouco a Pouco. Ao decidir erguer um edifício, ele parte para Paris a fim de verificar como se vive numa casa de vários andares. Na cidade, ele descobre as curiosas maneiras de viver e pensar da tribo dos parisienses, as quais descreve em cartões postais enviados regularmente a seus companheiros até que estes, crendo-o louco, enviam Lam à sua busca.

    ter 09 15h00 | qua 24 14h00

    Pouco a pouco 2: Cartas persas (Petit à petit 2: lettres persanes), de Jean Rouch

    França/Níger, 1968-72, 16mm, cor, 77’ | Versão original sem legendas

    Damouré e Lam viajam pelo interior da França, Itália e EUA. Em Paris, compram um conversível Bugatti e conhecem Safy, Ariane e o mendigo Philippe, com quem dividem suas perambulações e aventuras.

    ter 09 19h15 | qua 24 14h00

    Pouco a pouco 3: A imaginação no poder (Petit à petit 3: l’imagination au pouvoir), de Jean Rouch

    França/Níger, 1968-72, 16mm, cor, 83′ | Versão original sem legendas

    O grupo decide voltar à África, para construir a nova casa. As duas mulheres e Philippe não se adaptam à nova vida e resolvem partir. Damouré, Lam e Illo retiram-se para uma cabana às margens do rio e meditam sobre a sociedade moderna.

    ter 09 21h00 | qua 24 14h00

    Pouco a pouco – versão curta (Petit a petit), de Jean Rouch

    França/Níger, 1968-1972, 16mm, cor, 91′ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Em Ayorou, juntamente com Lam e Illo, Damouré dirige uma empresa de importação e exportação chamada “Pouco a Pouco”. Ao decidir erguer um edifício, ele parte para Paris a fim de verificar “como se vive numa casa de vários andares”. Na cidade, ele descobre as curiosas maneiras de viver e pensar da tribo dos parisienses, as quais descreve em postais enviados regularmente a seus companheiros, até que estes, duvidando de sua sanidade, enviam Lam à sua busca. Em Paris, Damouré e Lam compram um conversível Bugatti e conhecem Safi, Ariane e o mendigo Philippe. O grupo decide voltar à África, para construir a nova casa. As duas mulheres e Philippe não se adaptam à nova vida e resolvem partir. Damouré, Lam e Illo retiram-se para uma cabana às margens do rio e meditam sobre a sociedade moderna.

    qua 10 17h00 | ter 23 21h00

    A punição (La punition), de Jean Rouch

    França, 1962, 35mm, pb, 58’ | Legendas em português

    Um exame da comédia dell´arte francesa filmada com as técnicas do cinema. O filme segue o encontro e o abandono de Nadine da Escola Parisiense.

    qui 04 20h30 | dom 21 20h30

    A saída das noviças de Sakpata (Sortie de novices a Sakpata), de Jean Rouch e Gilbert Rouget

    França/Benin, 1963, 16mm, 17’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Iniciação de três noviças, os cavalos dos espíritos, em uma aldeia Vaudoun de Allada, ao sul de Benin.

    sex 05 19h15 | sáb 20 14h45

    Seca em Simiri (Secheresse a Simiri), de Jean Rouch

    França/Níger, 1974, 35mm, 230’ | Versão original sem legendas | Exibição em DVD

    Montagem de materiais filmados em varios momentos em torno do drama da seca em Simiri. Apesar dos ritos de chuva do Yenendi em maio, as chuvas foram poucas, e em agosto, Dongo (o espirito do trovao) fulmina uma arvore no meio do vilarejo. Um novo ritual de purificacao nao chega a produzir boas colheitas, e os sacerdotes atribuem este fracasso ao abandono das “verdadeiras tradicoes”da comunidade.

    sáb 06 16h30 | ter 16 19h00

    Senhor Albert, profeta (Monsieur Albert prophète), de Jean Rouch

    França/Costa do Marfim, 1963, 16mm | Legendas eletrônicas em português

    Vida na comunidade de Harrist, seguidor do profeta Alberto Atcho na vila de Bregho, na Costa do Marfim.

    sex 05 17h30 | dom 21 16h45

    Sigui 67: A bigorna de Yougo (Sigui 67: L’enclume de Yougo), de Jean Rouch, Germaine Dieterlen e Gilbert Rouget

    França/Mali, 1967, 16mm, 38’ | Legendas eletrônicas em português

    Primeiro ano das cerimônias sessentenárias dos Sigui da tribo Dogon, na falésia de Bandiagara. Na aldeia de Yogo Dogorou, os dançarinos entram fazendo a dança da serpente, enfileirados por idade. De vez em quando, um ancião declama palavras do Sigui na língua secreta, o siguiso, os homens erguem o cajado lançando o grito da Raposa. Os dançarinos visitam os terraços dos velhos golou Barou. Lá estão os novos dignatários; atràs, uma mulher com a cabeça coberta representa a irmã gêmea da Raposa, a irmã do Sigui. Após três dias de dança, eles partem sobre os caminhos íngremes da falésia para levar o Sigui à próxima aldeia.

    sáb 06 20h45 | qui 18 15h00

    Sigui 68: Os dançarinos de Tyogou (Sigui 68: Les danseurs de Tyogou), de Jean Rouch

    França/Mali, 1968, 16mm, 26’ | Legendas eletrônicas em português

    Segundo ano do Sigui. Na aldeia de Tyogou, os homens preparam os parâmentos do Sigui antes da procissão para as antigas aldeias. Depois vão dançar na praça pública e beber cerveja de milho. No dia seguinte, a caverna das máscaras é preparada para a recepção da Grande Máscara, no final das cerimônias.

    sáb 06 20h45 | qui 18 15h00

    Sigui 69: A caverna de Bongo (Sigui 69: La caverne de Bongo), de Jean Rouch

    França/Mali, 1969, 16mm, 38’ | Legendas eletrônicas em português

    Terceiro ano do Sigui. Os dignitários Olou Barou retiram-se por fim para a caverna de Bongo. Em torno do velho Anaï, decano da cerimônia, no seu terceiro Sigui (passados mais de 120 anos), os homens fazem a barba e dividem o sal e o gergelim. Eles pintam o altar de vermelho e branco, depois preparam-se e vão dar a volta ao campo de linhagem e beber cerveja, em comunhão.

    sáb 06 20h45 | qui 18 15h00

    Sigui 70: Os clamores de Amani (Sigui 70: Les clameurs d’Amani), de Jean Rouch e Germaine Dieterlen

    França/Mali, 1970, 16mm, 36’ | Legendas eletrônicas em português

    Quarto ano do Sigui. Interrogado pelo chefe de Bongo, a Raposa Branca abre caminho ao Sigui de Amani.

    dom 07 15h15 | qui 18 17h00

    Sigui 71: A duna de Idyeli (Sigui 71: La dune d’Idyeli), de Jean Rouch

    França/Mali, 1971, 16mm, 54’ | Legendas eletrônicas em português

    O quinto dos sessenta anos do ciclo de cerimônias de Sigui entre Dogon de Bandiagara.

    dom 07 15h15 | qui 18 17h00

    Sigui 72: As tangas de Yamé (Sigui 72 : Les pagnes de Yame), de Jean Rouch e Germaine Dieterlen

    França/Mali, 1972, 16mm, 50’ | Legendas eletrônicas em português

    O sexto dos sessenta anos do ciclo de cerimônias de Sigui entre Dogon de Bandiagara.

    dom 07 17h00 | qui 18 19h00

    Sigui 73-74: O abrigo da circuncisão (Sigui 73-74: L’auvent de la circoncision), de Jean Rouch

    França/Mali, 1974, 16mm, 18’ | Legendas eletrônicas em português

    Filmado em 1974, trata-se de uma reconstrução de uma cerimônia simples de fechamento daquele lugar em 1973 quando foi proibido de filmar em Mali. Sétimo e último ano das cerimónias do do Sigui, realizadas de sessenta em sessenta anos. Os três dignitários de Yamé vão ao Songo, às falésias, visitar os alpendres das cavernas cujas paredes se encontram cobertas de pinturas rupestres consagradas ao Sigui.

    dom 07 17h00 | qui 18 19h00

    Sigui síntese (Sigui synthèse), de Jean Rouch

    França/Mali, 1981, 16mm, 128’ | Versão original sem legendas | Exibição em DVD

    Todo sexto ano Dogon de Bandiagara comemora a invenção do mundo, a linguagem e a morte.

    dom 07 18h30 | qui 18 20h30

    O sonho mais forte que a morte (Le rêve plus fort que la mort), de Jean Rouch e Bernard Surugue

    França/Níger, 2002, 16mm, cor, 88’ | Versão original sem legendas | Exibição em DVD

    Último longa-metragem de Rouch, realizado com a colaboração de Bernard Surugue, o filme mostra o reencontro de Rouch com o Níger em clima de certa melancolia.

    dom 14 18h30 | sáb 27 17h00

    Tanda Singui, de Jean Rouch

    França/Níger, 1972, 16mm, cor, 30’ | Versão original sem legendas | Exibição em DVD

    Os habitantes da mais baixa área de Yantala abrem um novo santuário dedicado a Dongo, o espírito do trovão.

    dom 07 21h00 | qua 17 17h00

    Torou et Bitti – Os tambores de outrora (Torou et Bitti – Les tambours d’avant), de Jean Rouch

    França/Níger, 1971, 16mm, cor, 10’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    O roteiro foi planejado para mostrar o mais importante momento do ritual de possessão, durante o curso em que o homem da vila de Simiri exige que os espíritos da selva protejam quem vem da colheita. A orquestra é composta por tambores arcaicos, torou e bitti, que são tocados na ocasião.

    dom 07 21h00 | qua 17 15h00

    VW malandro (VW voyou), de Jean Rouch

    França/Níger, 1973, 16mm, cor, 19’ | Legendas eletrônicas em português

    As aventuras de VW, que é um fantasma.

    qui 11 15h00 | ter 23 15h00

    Vestibular ou casamento (Bac ou mariage), de Jean Rouch

    França/Senegal, 1988, 16mm, cor, 70’ | Versão original sem legendas

    Ao final do ano escolar, Soukey, jovem aluna do liceu de Dakar, fica sabendo que o seu pai escolheu por ela, entre o diploma e o casamento, um destino diferente: tornar-se a terceira mulher de um velho e rico amigo da família. Ela decide se opor ao projeto, através da sedução do “titio medalha” por uma amiga. Enquanto isso, Soukey se apaixona por Madou, jovem diplomado em direito recém-chegado de Paris.

    sáb 13 20h30 | sex 26 17h30

    As viúvas de 15 anos (Les veuves de 15 ans), de Jean Rouch

    França, 1964, 35mm, pb, 24’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    Michel Aracheguesne, Nadine Ballot, Marie France de Chabaneix, Véronique Duval

    Curta metragem para a série Les adolescents. Jean Rouch observa o comportamento de duas jovens na sociedade yéyé parisiense, cujas aventuras seguimos. Uma é séria, a outra nem tanto.

    qui 04 20h30 | dom 21 20h30

    Yenendi de Boukoki, de Jean Rouch

    França/Níger, 1967-1973, 16mm, 8’ | Versão original sem legendas | Exibição em DVD

    Rituais de fazer chover no sétimo mês da estação seca em Boukoki, Níger.

    sáb 06 15h00 | qua 17 15h00

    Yenendi de Ganghel – A aldeia fulminada (Yenendi de Ganghel – le village foudroyé), de Jean Rouch

    França/Níger, 1968, 16mm, 35’ | Legendas em português | Exibição em DVD

    O raio atingiu uma pequena aldeia: os sacerdotes Zima e os pescadores Sorko organizam uma cerimônia de purificação, o Yenendi.

    sáb 06 15h00 | qua 17 17h00

    Yenendi, os homens que fazem chover (Yenendi: les hommes qui font la pluie), de Jean Rouch

    França/Níger, 1951, 16mm, cor, 29’ | Legendas eletrônicas em português | Exibição em DVD

    No sétimo dia do sétimo mês da estação seca, os Songhay da aldeia de Simiri, no Níger, fazem uma procissão à cabana dos deuses para celebrar o Yenendi, ou festa da chuva. Os tambores de cabaça acompanham as danças de possessão para que os deuses se manifestem nas vozes dos dançarinos. Após uma discussão entre os homens e os deuses, acaba o sermão da chuva com um sacrifício de um frango e de um bode: começa assim a estação das chuvas.

    sáb 06 15h00 | qua 17 15h00

  4. Acabei de voltar da exibição de Torou e Biti – os tambores de outrora e O Dama de Ambara – encantar a morte. E saí ainda mais fascinado com a maneira como o ciema do Jean Rouche dá conta de tanta coisa ao filmar rituais, o primeiro no Niger e o segundo no Mali.

    Na abertura o Mateus disse que a obra dele é mesmo aberta pra discussão de várias epistemologias, das maneiras como ele buscou entender as complexidades sociais de várias sociedades usando o cinema. É de uma riqueza que também reflete a curiosidade de um sujeito que nunca parou de se encantar com as coisas e sempre enxergou a possibilidade de criar buscando aprender.

    o que me chamou atenção nos dois filmes de hoje é que eles dão conta de uma musicalidade africana entendendo essa sonoridade (principalmente de tambores) como uma orquestração complexa de verdade e não uma base pro pop americana. Um arranjo único dos instrumentos, com variações ilimitadas que dizem muito respeito das encenações e possessões vividas naquele momento.

    O diálogo dos tambores em Tourou e Biti é uma das coisas de riqueza musical mais impressionante que eu já vi – sem exagero. É uma obra prima da relação música e cinema e um texto primoroso do narrador.

    Além disso, os dois filmes nos apresentam a uma representação muito complexa da sociedade e uma maneira das pessoas entenderem sua maneira de viver e de se expressarem por meio de rituais que, apesar de ancestrais, se renovam dentro de uma tradição. É muito impressionante e muito bonito.

    Como eu disse antes, o cinema do Jean Rouch merece mesmo uma ampla discussão que seria enriquecedora pra se pensar o cinema moderno, as representações sociais e pra se descobrir a África com olhares novos. É tudo muito instigador.

    É uma pena que nossa imprensa cultural não se interesse por uma discussão tão importante e que tem tantas ramificações no cinema e nas ciências humanas no Brasil, acho que músicos, cineastas, cientistas sociais e pessoas que gostam de ver o mundo e as coisas do mundo aprenderiam e renovariam seus olhos ao assistirem o Jean Rouch. É muito bom sair de uma sala de cinema alimentado de curiosidade e se lamentando de não poder assistir tudo.

    Espero que o pessoal que está em SP aproveite mais essa última semana de festival. É uma oportunidade histórica. É a maior mostra de Jean Rouch já feita fora da França. É histórico e imperdível. Apareçam lá e divulguem para todo mundo.

    E só pra terminar parabéns para o Mateus e para Ju, irmã dele, que estão fazendo um verdadeiro trabalho de heróis, uma aventura que merece muito ser aplaudida.

  5. nossa valeu, não tava sabendo
    admiro muito,vou amanhã
    bjssssaudades

  6. What’s up mates, pleasant post and fastidious arguments commented
    at this place, I am genuinely enjoying by these.

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