Crônicas da desilusão 3: Butthole Surfers

butthole surfers

Quando comecei a escrever essa série, pensei muito nos Butthole Surfers.

De propósito, o grupo punk americano carregou todo o baixo astral da década de setenta com eles. Fizeram isso sem sentir o peso. Embora eles lidassem como poucos com o que havia de dejeto na sociedade americano, nunca os vi se fazer de atormentado, atribuir sua porralouquice a algum trauma ou achar motivos intelectuais nobres para tanta piração.

Aproveitaram todo aquele mundo cheio de paranóias, de relações que não tinham mais nenhum vículo com a realidade e usaram isso para aterrorizar todo mundo.

Eles são o lixo da contracultura em estado bruto. São barulhentos, incômodos, inconveninentes. é gente  ruim pra cacete, ou foram, até se tornarem uma banda ruim. Quem leu a alguma coisa sobre o hardcore, sabe que se tratava de gente interesseira e casca grossa.

As drogas, para eles, são motivo para vício e crueldade. As alucinações são persecutórias, bad trip. A liberação sexual é para se aproveitar dos trouxas, comer as mulheres dos outros e o convívio com os sabidos serviu para comer, beber e cheirar de graça.

Essa lida com as texturas da psicodelia não é gratuita. Eles se inspiraram em várias bandas do rock clássico: Jimi Hendrix Experience, Led Zepellin, Donovan etc. Acredito que  dentro do hardcore americano dos anos oitenta, esses texanos foram os que trabalharam de forma mais direta com a música produzida em San Francisco: de Grateful Dead, Quicksilver e Jefferson Airplane aos Residents, Chrome e tuxedomoon. Não é por acaso que impressionaram, desde o começo, o pessoal do Dead Kennedys e do Tragic Mulatto.

Inclusive,  eles usam as distorções e efeitos psicodélicos a rodo. Diferente da turma da Haight-Ashbury, aqueles efeitos não mostram paisagens sonoras inusitadas. São defeitos, cacofonia, feita para mostrar o horror ao invés da abertura de consciência. Assim, o uso do eco, por exemplo, os aproxima mais do Throbbing Gristle que do hippismo.

Ao invés de revelações misteriosas, os surfistas do olho do cu nos levam onde eles pegam onda: na merda.

Quer mais desilusão? Comece aqui e siga para cá

4 comentários sobre “Crônicas da desilusão 3: Butthole Surfers

  1. alguns porens, só:

    a Touch and Go não faliu, so encerrou uma parte dos seus serviços, que eles terceirizavam para outros selos independentes:

    http://leisureblogs.chicagotribune.com/turn_it_up/2009/02/touch-go-celebrated-its-25th-anniversary-in-2006-it-had-grown-from-a-bedroom-operation-designed-expressly-to-put-out-a-7-i.html

    E isso aconteceu este ano. O processo dos Butthole Surfers foi ha 10 anos, e fez só com que o selo mudasse sua forma de lidar com contratos (pois antes eram só acordos verbais):

    http://www.southern.com/southern/label/TCH/chicagoreader/butthole.html

  2. Bernardo, confundi histórias diferentes. Já corrigi no texto. Valeu pelo toque. Agora, eles tomaram um preju danado nessa história, como todos os outros selos.

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