Trapalhões

Talvez seja má vontade minha, mas parece que a dupla PSDB-DEM tem visto o sonho de se recolocar como força política nacional expressiva ficar cada vez mais distante. Com 2010 logo aí, as recorrentes trapalhadas – destacadamente, nos governos estaduais e na oposição ao governo federal no congresso – têm revelado as dificuldades internas e a falta mesmo de projeto político dos dois partidos.

 

A escolinha do professor Fernando tenta, mas a média da turma é baixa.
A escolinha do professor Fernando tenta, mas a média da turma é baixa.

 

 

Em primeiro lugar, a popularidade do presidente Lula tem resistido tanto a fatos sérios quanto a factóides. A pesquisa do Datafolha mostra o retorno da aprovação a Lula a patamar recorde, e a melhora das expectativas do eleitorado sobre a condição econômica do país e da população. Ainda, a possibilidade de um terceiro mandato tem sido mais bem aceita pelo eleitorado, apesar das negativas de Lula.

Curiso é que, ao longo desse mesmo, ano a oposição tentou colar no presidente, um atrás do outro, motivos ou para desconfiar de sua capacidade de governar o país, ou para supostamente levantar o espírito cívico adormecido dos homens de bem. Todos eles sem muito sucesso.

 

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR): moralidade, competência e beleza em um homem só
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR): moralidade, competência e beleza em um homem só

A própria Folha de ontem relembra alguns: a crise econômica mundial, que, se não foi uma marolinha, não chegou aqui na forma de tsunami como esperava a oposição, apostando na crise para atingir, com armas alheias, o governo e a candidatura de sucessão; o suposto levante de administrações municipais contra a a redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios; depois, a tentativa de criar pânico e indignação na população por causa das alterações nas regras da poupança (em propaganda política veiculada na TV, Raul Jungmann, do PPS, insinuou que seria um retorno da era Collor, com nova ameaça à poupança). Agora, com provavelmente as mesmas chances de causar espécie e de finalmente trazer de volta às ruas a moçada do Cansei, a oposição tenta emplacar para valer a CPI da Petrobras que, se não natimorta, com certeza vai render muito menos dividendos políticos para a oposição do que o esperado, se não pura e simplesmente complicar a vida de quem achava que ia se dar bem com ela.

O governador José Serra tem até tentado ajudar: meteu o senador Álvaro Dias, que protocolou o pedido de CPI da Petrobras, no programa Roda Viva da sua TV Cultura, mas a repercussão foi bastante negativa. Aliás, as ações do governador e do seu “ministerinho” (um secretariado com nomes expressivos (risos) para sinalizar para o eleitorado como seria um governo tucano sob o comando de Serra) merecem um post à parte.

10 comentários sobre “Trapalhões

  1. Meus caros,
    Estava esses dias pensando nisso mesmo. Sinceramente, depois do episódio Agripino/Dilma, não esperava que a oposição continuasse a cometer os mesmos erros. Mas eles estão piores do que nunca.
    Além de voltar a questionar o passado da Ministra, no famoso episódio do sequestro do Delfim, estão fazendo um levantamento dos maiores sucessos do governo. Primeiro, o papo do terceiro mandato, pra dar a oportunidade ao Lula se diferenciar do FHC, Chavez, Uribe etc(suspeito que o PT levante essa bola no congresso justamente porque essa discussão lhe ajuda). Depois, a CPI da petrobrás, que vai permitir comparar a gestão da empresa no governo FHC e Lula. Não me espantaria, agora, se viesse a CPI da Bolsa Família ou a CPI do crescimento econômico.
    Estou achando que quem transfere votos não é o Presidente, mas o PSDB/DEM.

  2. Certeza, Carilnhos. Aliás, bem lembrada essa outra trapalhada envolvendo um documento falso (forjado, o que deveria ter desencadeado ação criminal contra os editores) no caso da reportagem sobre a militância da Dilma durante a ditadura. Essa dá para botar na conta do Serra, ao que tudo indica.

  3. Trapalhões é um nome muito apropriado Joaquim: entre outras coisas, os caras sumiram com um LAGO (na Aclimação). Só rindo mesmo.

  4. Nossa, Alê, não conhecia o “MST do PSDB” não… até nisso eles são meia-boca: se, ao invés de bolsas universitárias, eles arrumassem descontos nos jogos do Brasileirão (se bem que os peessedebistas talvez estejam, dependendo da ala, mais pruma diversão Coquetel ou prum pólo) ou em compras no Pão de Açúcar, o movimento social do PSDB seria a maior força organizada do Brasil, ah ah ah… “para fazer parte do movimento é preciso fazer compras mínimas de X reais mensais nas lojas credenciadas”… ah ah ah

  5. Pois é, Daniel. Sem falar que o Zerbini fez o maior barulho na gestão da Marta em relação à habitação (e eu posso te garantir que tinha uma rapaziada séria tocando isso), mas ficou na moral depois com o seu candidato, o Serra, que colocou como secretário de habitação (essa é foda) o Lair Krähenbühl. Na época o tal lair (porra, nome da minha tia) era vice-presidente do Secovi-SP (sindicato de setor imobiliário de São Paulo) e membro da Câmara Brasileira da Indústria da Construção. O cara que era um engenheiro também foi secretário de Habitação na gestão Paulo Maluf (1993-1996) e o criador do projeto mais toscos de todos: o Cingapura. Falae se não parece piada?

  6. Pois é, essa CPI da Petrobrás é a atitude mais patética que eu ja vi, uma tentativa juvenil de criar um fato político, na falta de algum escorrego do governo, faz tempo náo náo há nada que justifique uma CPI …. ela náo tem um motivo em especial, e sim um monte de denuncia, e um aspecto tributário, que é assunto da receita e da CVM, e ainda assim a oposiçao náo vai ter nem a relatoria nem a presidencia … Chupa essa manga!

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