A volta do Grupo Imbuia

 Uma das últimas apresentações do Imbuia, ainda com o Carioca
Uma das últimas apresentações do Imbuia, ainda com o Carioca

“Minas é um lugar onde não acontece nada, mas todo mundo lembra de tudo.” Eu ouvi essa ótima frase na semana passada em uma conversa do escritor Humberto Werneck sobre seu livro O santo sujo. Na sua fala, ele descrevia um pouco dessa veia memorialística de Minas Gerais e tirava um barato da vocação do mineiro pra falar da vida dos outros. Buscar sentido no que acontece na nossa vida – e na dos outros também, lógico – é mesmo uma característica muito forte do interior.

Sábado eu vou lá pra Pouso Alegre recuperar essas memórias, que são muita coisa pra pouca gente e têm um significado gigante pra mim. Vou assistir o aguardado retorno do Grupo Imbuia. Diferente da maior parte da música que a gente posta por aqui, o Imbuia não tem vídeos no YouTube. Pouquíssimos links do Google apontam para eles e não chegam a dez as músicas gravadas em estúdio pelo grupo.

Em uma realidade em que a presença na Internet é quase um atestado de existência, a história de um grupo que permanece interessante pra tanta gente, mesmo sem ter gravado, pode parecer um disparate, mas é a persistência das músicas deles na memória de tantas pessoas que faz o Imbuia ser um assunto tão legal.

As canções compostas pelo grupo tiveram e ainda têm um significado muito profundo para quem tem entre 30 e 60 anos e nasceu na minha cidade, Pouso Alegre. Gente que viveu por lá nos anos 80 do século passado. Mas eu acho que o Imbuia significa ainda um pouco mais do que isso.

Mesquita manda brasa no violão em foto da Carol Ramos
Mesquita manda brasa no violão. Foto: Carol Ramos

Em primeiro lugar, porque eu cresci asistindo os ensaios quase diários que aconteciam na sala da minha casa. As formações foram várias. Mas o grupo teve um núcleo básico: Mesquita (meu pai), Raimundo, Carioca, Maurição e Nandinho. A formação misturava migrantes que tinham acabado de chegar a Pouso Alegre, com quem nascera lá e tinha família rica, gente com família muito humilde, gente de classe média. Mas o mais interessante era que todos atuavam como personagens de um processo de industrialização que começava a tomar conta do Sul de Minas.

Talvez por causa dessas origens tão variadas e pela capacidade que todos eles (e também de vários outros integrantes que passaram pelo grupo) têm de contar histórias, o Imbuia representava musicalmente os sentimentos dos jovem que viviam na cidade naquela época. Eram eles que contavam  para nós a transformação que se passava por lá. Uma transformação muito profunda. Pouso Alegre deixava de ser um município que vive da roça para se tornar um lugar mais complexo, com rede de serviços e fábricas.

Na época, as informações circulavam menos e era muito difícil e caro gravar discos. As músicas, por isso, tinham uma urgência e uma durabilidade muito maiores. Para quem vivia o que parecia uma revolução, seria muito triste ser ignorado pelo resto do mundo. O Imbuia dava a sensação que alguém se importava, pelo menos era assim que eu sentia.

Ao contrário do que pode parecer pelo meu relato, as lindas histórias cantadas em meio a trabalhados arranjos vocais e a harmonias tocadas pelos violões, viola, baixo, flauta e percussão falavam sobre amores, sobre a vida das pessoas, sobre o curso do rio e sobre uma saudade de uma coisa que não está mais lá, apesar de estar presente no jeito com que as pessoas sentem a vida (“Olha lá vai meu rincão/ quando essas água subir/ vou ficar desconsolado/ quando o roçado sumir…”).

O Imbuia na minha opinião cantava o que muita gente que vivia em Pouso Alegre sentia. Canções como “Coleirinho”, “Imbuia 1”, “Te Entregar”, “Zóio D’Água” e mais um monte ainda levam gente em Pouso Alegre às lágrimas quando tocadas em alguma festa ou em algum boteco. E acho que a qualidade mais bonita desse grupo foi entender o que se passava na cabeça e nos corações das pessoas que viviam ao lado deles.

O que é mais curioso pros dias de hoje, é que essa musicografia foi toda composta pra isso. Eles estavam dialogando com as pessoas que viviam ali pelo Sul de Minas. Faziam isso sem se preocupar com uma carreira, com uma vontade de sucesso nacional – no fundo, todos deviam sonhar com essa possibilidade -, mas tudo parecia fazer mais sentido dentro dessa lógica quase caseira.

É duma época em que as bandas se chamavam grupo grupo ou conjunto (valeu Tiago) . E daí, o pessoal do Imbuia se mandava pros festivais pelos interiores de Minas, São Paulo, acho que até Paraná, mas eram sempre cidades do interior. Iam lá, tocavam duas ou três músicas, quase sempre chegavam à final, às vezes pegavam um trofeuzinho, nunca o principal. Tomavam umas, faziam uns amigos e voltavam pra casa.

Talvez eles  ainda gravem algumas das centenas de músicas do Imbuia – fariam um bem danado à música se fizessem isso. Agora é bem fácil. Alguém vai acabar colocando um pedacinho desse show no YouTube. Só é uma pena fazerem isso depois do grupo já ter perdido o Carioca e o Nandinho para a morte, mas as suas músicas, aqueles hits que marcaram a vida de alguns poucos milhares, mantêm essa mística do que é o Grupo Imbuia. Eu vou estar lá no sábado e já sei que vai ser muito bonito.

E pra quem quiser ir, o show do Grupo Imbuia vai ser nesse sábado (30 de maio), às 19h30 , no Campus Fátima da Univás, em Pouso Alegre, dentro do II Festival de Inverno da Univás.

29 comentários sobre “A volta do Grupo Imbuia

  1. é, só quem já viu a rapaziada mandando ver nas canções do Imbuia sabe como o barato é louco. e pra quem é de Pouso Alegre é quase uma conversa entre amigos.

  2. Nossa Lauro,
    maravilhoso esse texto. Ele retrata muito bem o que o Grupo Imbuia representa para Pouso e pra nós que tivemos o enorme prazer de conhecê-lo. Minhas lágrimas até “pularam” (que emoção)!!! Pra variar, vc brilhou,
    Bjocas…

  3. O curioso é que tem toda uma história subterranea da música brasileira que pode ser contada por meio dessa “cena” musical do interior. Músicos independentes como Dércio Marques, Celso Adolfo, Déo Lopes, José Gomes, Grupo Acorde, Água Doce, Zezé e Simões, Iva e Priscila e tantos outros fizeram uma música brasileira que guarda uma relação distante da produção dos grandes centros.
    O pessoal tocava em festival, circulava e morava em pequenas cidades e fez musicas notáveis.
    O legal é isso que o Lauro disse, eles contam para as pessoas a história delas. Fazem que aquilo não seja algo destinado ao esquecimento. esse medo, aliás, apareceu em tudo o que o pessoal de depois também fez. Como se eles transformassem o nome da música do Carlos Lyra (“Canção que morre no ar”) em algo que deve se fugir.
    Valeu laurose, o texto ficou demais
    PS: Só mais uma coisa, na época banda se chamava grupo ou conjunto

  4. Que massa Lauro!! O texto ficou lindo e muito bom… Eu que não sabia quase nada do grupo fiquei mega contextualizada.
    Minha mãe sempre fala que ia em todos os shows do Imbuia. Vou chamá-la para irmos no sábado.

  5. Lindo o texto, Lauro!
    Tomara que o Grupo Imbuia grave logo um disco, para deleite de seus fãs!
    Beijos

  6. valeu Lauro o texto diz bem o é o grupo embuia para nós que vimos ao vivo e a cores.
    espero que agora apesar da ausencia do Jorge Carioca quele velho e bom canalha o CD possa sair do armario.

  7. Oi pessoal, legal que o texto tenha estimulado vcs a escreverem e a irem lá ver o show. Fico muito feliz mesmo.

    Agora, eu acabei esquecendo de dizer uma coisa muito importante nesse texto, o quanto que, falando pra pessoas bem próximas e contando as transformações e as reviravoltas no interior, o Imbuia fez músicas lindas e tão importantes. Fez as pessoas serem tão felizes de participarem de um momento tão legal e, acima de tudo, foram muito significativos, importantes e relevantes. Fizeram arte pra valer.

    Eu tb torço que um dia eles lancem um disco, mesmo que o grupo Imbuia já não conte, principalmente, com o Jorge Carioca – uma figura que faz muita falta em todos os sentidos -, essas músicas merecem o registro que elas nunca tiveram. Agora é pegar no pé da turma….

  8. Bem bonito este texto do Lauro… Tem coisas do Grupo Imbuia de que eu nunca me esqueço! Por exemplo, uns versos de “Bumbeiro de Congado” (é isso mesmo?), cantados pelo Raimundão. Que maravilha! Quem me dera assistir esse show… Felizardos os que estarão em PA! Aproveitem!

  9. Só pra constar: esse acorde que o Mescas tá fazendo na foto é conhecido como power mescas chord: é um acorde que serve pra 999 músicas, que vão de Garotos Podres até Tom Jobim. Só quem já sentou do lado do nosso ídolo sabe quantas musiquinhas o sujeito manda das mais variadas tendências e estilos. PRAW!

  10. Lauro, o Imbuia não só representou e ainda representa o que de melhor já foi feito em música em nossa região, como também influenciou e inspirou tantos outros músicos e compositores de nossa terra. A sonoridade regional mesclada com acordes e arranjos modernos e sofisticados, fez brotar a curiosidade em muitos de nós. Tomamos gosto pela coisa. As belas vozes que faziam fundo a inconfundível e abençoada garganta do Raimundão, os arranjos e a poesia do mestre Mesquita, a bela presença do contrabaixo do Maurição, o tempero moleque do Carioca e a passagem meteórica do Nandinho. Não vimos os Beatles, mas abusamos do Imbuia!! Que encontros assim possam ser constantes. Sucesso sempre!

  11. Lauro,
    Esse texto veio parar em minhas mãos por esses caminhos virtuais tortuosos e me trouxe muitas saudades, daquelas tão boas… Saudades de um tempo mais recente, mas que também já parece distante. O tempo da faculdade, daquelas idas em grupo para Pouso Alegre, quando passávamos a tarde toda sentados naquela mesa imensa da sua casa, bebendo e comendo muito (e que comida!!!) e ouvindo seu pai tocar. Essa imagem nunca saiu da minha cabeça, a imagem que está marcada nessa foto postada. Posso estar exagerando, mas eram tardes utópicas, nas quais a amizade e a música pareciam infinitas. Lembro que numa dessas tardes o Demétrio perguntou: “Será que quando estivermos velhinhos estaremos juntos e nos divertindo assim?” eu respondi que esperava qe sim. E mesmo que tenhamos, no final das contas, tomado rumos diferentes, essas tardes, e aquela música, estarão comigo para sempre.
    Beijos, SIL

  12. Oi Silvinha, que bom você escrevendo aqui. Mesmo que por caminhos tortuosos ainda bem que você chegou. Participe mais, eu, o Tiago e o Jay que tocamos a birosca on line aqui e saiba que vc sempre é muitíssimo bem-vinda, ainda mais com textos tão lindos quanto esse.

    Dé, fico feliz com vc aqui meu chapa. Sabadão tamos lá.

    Muito legal isso que vc escreveu Tuch. Tentei falar isso que vc explicou de maneira muito mais clara o quanto o Imbuia foi importante para as pessoas que faziam música em Pouso Alegre e quanto inspirou as pessoas. Só isso já é um papel mais que honroso mesmo…

    Abraços e continuem comentando

  13. Acabei de chegar do show!! Foi sensacional e emocionante!! Todas as belas canções, uma a uma – começou por Zóio D’Àgua, Sol Vermelho e assim por diante. Todos estavam radiantes no palco – os belos acordes do Mesquita, o Maurição regendo no violão de aço e o Raimundão com a voz mais afinada e impressionante que nunca. Como disse o Maurição, de certa forma a música e a presença do Jorge Carioca e do Nandinho estavam presentes. Uma noite para ficar guardada na memória e tatuada na alma. Espero que encontros assim possam ocorrer mais vezes.

  14. Oi, Lauro

    Foi muito bom ter te reencontrado em um momento tão importante prá nós, fãs do Imbuia. Tiago, fica aqui meu abraço de parabéns atrasado, que já dei no Lauro.
    Eu tenho muito a agradecer à vida por ter me dado a felicidade de conhecer estas pessoas maravilhosas que vieram mudar minha vida em muitos sentidos.
    Já era fã do Imbuia antes de vir a fazer parte de sua intimidade, ensaios, comilanças e festivais…
    Aprendi muito sobre música, amizade, convivências despretensiosas, o mundo dos camarins e das artes…
    O show foi sem comentário… Ouvir a platéia cantando todas as músicas junto com o “grupo ou conjunto” … Tive a oportunidade de filmar uma grande parte da apresentação e a vontade era filmar com 2 câmeras: uma no palco e outra no público… Ainda teremos esta chance, não é???????? Foi uma filmagem amadora e já combinei em mandar uma cópia pro seu pai e pro Maurício e estamos no aguardo dos frutos deste evento…

    As músicas continuam , não só na memória como nos corações das pessoas…
    Esta é daquelas horas em que é bom ter entre 30 e 60 anos em Pouso Alegre, hehehehehe…

    Abraços

  15. Ainda tenho meus 20 anos e que ainda são de Varginha, mas como minha mãe disse acima eu também tenho muito que agradecer por ter nascido no meio de tanta cultura e música boa.
    Ouvir Imbuia é inexplicável, a pele se arrepia, os olhos enchem de lágrimas e a garganta sufoca… é a emoção.
    Letras que sempre me fazem refletir, arranjos maravilhosos e uma voz impecável faz com que tenhamos a necessidade de querer mais.
    Lauro o texto ficou ótimo.
    Estou louca para ver a gravação do show e aguardando uma iniciativa do Imbuia para perpetuar o trabalho.

  16. Lauro o texto ficou excelente e me fez querer muito ir ao show para conhecer o Imbuia e não me arrependi nenhum segundo… O Samuel (quase 4 meses) ficou imóvel prestando atenção no show. Fico muito feliz em poder apresentar para meu filho música boa desde pequenininho, pois eu não tive essa sorte. Pena que tivemos sair antes do final, mas o pouco que pudemos assistir foi perfeito. Parabéns ao “grupo ou conjunto”!!!

  17. É maravilhoso ter a oportunidade de ouvir, admirar e presenciar uma experiencia tão única. O encontro de vozes, melodia e alma….tudo perfeito! Não sou natural de Pouso Alegre, não vivi os anos 80 nesta cidade,não conheci (infelizmente) o Jorge Carioca e o Nandinho,nem, tampouco, vivenciei as mudanças sociais e comportamentais pelas quais este Pouso Alegre passou, portanto, sub-entenderia que a música e a letra não “teriam” que me tocar profundamente como tocou. Após vê-los no pátio da Univás, pude entender (um pouco) da nostalgia que embala várias mentes e corações que acompanharam a caminhada do grupo. E cheguei a ter inveja e tristeza. Sim, inveja de não ter participado disso tudo e tristeza de saber que não os verei tão cedo.
    Torço que esse festival não seja apenas mais um inverno, e sim, que reacenda no conjunto a alegria de cantar, contar e poetisar histórias, como eles fizeram lindamente neste 30 de maio.
    Parabéns Imbuia e obrigada por esse momento!

    Giselle Viana

  18. O show foi bonito, pena que a acústica do ginásio não é para música, mas já instigou para ver os próximos que possivelmente vão rolar. Outra coisa massa é ouvir as músicas que conhecia das execuções do Mesquita, agora com a banda. Foi bacana conhecer o Raimundão também, de quem sempre ouvi falar, mas que não conhecia pessoalmente. As letras ainda dizem muito respeito a quem as escuta, a minha geração, que nasceu no final da década de 70, acompanhou de perto essa transformação de Pouso Alegre de cidade pequena (semi-rural) em cidade média industrial. Lembro bem dos trilhos de ferro que passavam pela a Vicente Simões, indo lá pra rua do Quartel e pros lados da Fernão Dias, sumindo da cidade, e não posso deixar de lembrar dessa imagem quando escuto Imbuia 1. Que seja o primeiro passo para um bom retorno.

  19. Que legal tanta gente comentando. O show foi bonito mesmo. As composições são lindas. E acho que mesmo com essa temática tão própria de Pouso Alegre (também de Varginha, Itajubá, Poços…) acho que a temática diz respeito a qualquer um. São músicas que falam de saudade, do mundo que muda e das pessoas que se encantam com as coisas novas. É tudo fascinante mesmo. Os arranjos de violão sõa muito diferentes e a voz do Raimundo é uma maravilha mesmo.

  20. Como diria o Jorge este texto ficou “bacaninha”. Deu para arrepiar…Eu acompanhei um pouco desta história também e sei que o Imbuia não foi só um grupo, mas um movimento em Pouso Alegre. Valeu Lauro, disse tudo!!!

  21. Vivi muito próximo dessa galera e até hoje respiro Imbuia…

    E pré Imbuia, desde os tempos do Belthar…

    Imbuia é a história de Pouso Alegre…

    ” Saudade é o amor que fica”

  22. È com muita emoção,ler o que voce escreveu,voce tem o previlegio de ser filho
    de um ser humano impar no planeta terra!eu que vivi e convivi com o grupo e com todos os amigos que o cercavam (Paulistinha,Luis carlos Brandão,Fernando Fernandes(em Memória)Henrique Gasosa(Irmão de Fé,em memória)Tão Bonecão e muitos o outros que agora,nesta instante emocionado,não consigo lembrar;dizer para voces,que o GRUPO IMBUIA, deixou para todos nós uma lição de como viver a vida em Harmonia,com respeito,a natureza,ao bons costume,fraternidade.Hoje através dos toques
    sutis da turma,rodo o planeta terra,e levo
    de alguma forma tudo isso que voce relatou.
    Não estive no neste Show de retorno por compromisssos profissionais,mas deixo um beijo do fundo do coração a este maravilhoso retorno amo a vida!amo POUSO ALEGRE,amo o GRUPO IMBUIA,Um beijo de compa-
    heiro ausente!!!!!!
    Lafayette Guedes (lafa(

  23. Hoje dei um polimento na lamparina da saudade relendo todo o post…

    Imbuia ficou maior que Pouso Alegre…

    De vez em quando navego pelo Orkut na comunidade de PA para oxigenar a alma nos intervalos das viagens físicas à cidade para ver a família…

    oxigenei o post também…hehe

    bjs a todos

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