35 anos dos Cravos

Grândola Vila Morena
Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade”

 

Deixamos passar batido, mas ontem a Revolução dos Cravos comemorou 35 anos. O movimento foi o resultado da luta dos portugueses contra a ditadura salazarista, que durava no país desde 1926.

Também foi um passo para o fim da guerra colonial, que resultou na independência das colônias portuguesas na África: Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, e Guiné Bissau.

A música que vocês escutam aí em cima é a belíssima  Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso.  A canção era proibida pela ditadura Salazarista e foi a senha para estourar a Revolução dos Cravos. A partir da meia noite, uma emissora católica de Lisboa, a Rádio Renascença, começou a tocar a canção. 

E os comandados do Capitão Salgueiro Maia deram início ao último grande movimento de esquerda revolucionária da Europa Ocidental. Hoje há muito questionamento a respeito do que aconteceu depois da Revolução – em O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza,a Portugal paralisada pós Revolução é um dos panos de fundo –  mas com certeza é uma data a se lembrar.

2 comentários sobre “35 anos dos Cravos

  1. Bem alembrado. Há um ótimo documentário, feito no calor da hora, sobre a Revolução dos Cravos: As Armas e o Povo. Realização coletiva, que conta com a visibilíssima participação de Glauber Rocha, exilado na Europa, à época, e que não iria perder uma revolução por nada no mundo.
    Aliás, a crença herética de Glauber no potencial revolucionária das forças armadas no Brasil veio, dentre outras coisas, do papel progressista e mesmo revolucionário das Armas em Portugal, que acabaram com a guerra colonial, derrubaram o fascismo e liberaram as esquerdas.
    Bem, as promessas revolucionárias não foram cumpridas, de todo. Mas foi bonita a festa, pá.

  2. Jair, que honra vc aqui! Vou correr atrás desse filme agora. Com esse mesmo tom, eu assisti recentemente o “Videogramas da Revolução” (http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=17832). É muito interessante, sobre o grupo que derrubou o Ceasescu na Romênia.

    O filme é interessantíssimo pois mostra a cúpula se movendo na derrubada da ditadura absolutista romena. É muito rico esse momento depois da festa mesmo, a absoluta falta de consciênncia do que fazer, as altíssima expectativas, a dificuldade de superar tantos anos sem democracia, a completa falta de habilidade de negociar. E, principalmente, a dificuldade de se fundar novos paradigmas a partir de uma experiência autoritária tão longa.

    No mesmo sentido, ontem a também frustrada votação das Diretas Já completou 25 anos (http://www.estadao.com.br/especiais/ha-25-anos-congresso-frustrava-o-sonho-das-diretas,55801.htm). Certamente, junto com a eleição do Lula em 2002, foi um dos momentos mais bonitos e efervescentes da história braileira.
    Depois do Sarney e o Centrão ajudaram a frustrar todos esses sonhos. Inclusive esse bigode gosta de frustrar as coisas, nunca vi.

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