O Cinema Novo era ele

Glauber Rocha faria setenta anos nesse sábado se estivesse vivo. Só pra começar a conversa eu coloco esses vídeos do genial Abertura. De lambuja, o Caetano puto com o nacionalismo cabeça de bagre.

9 comentários sobre “O Cinema Novo era ele

  1. se o Glauber tivesse feito só Deus e o Diabo já seria um dos quatro ou cinco artistas mais importantes que o Brasil produziu.

  2. Sem dúvida nenhuma, os diálogos de Terra em Transe foram um dos que mais me impressionaram em filmes na vida.
    E esses dias eu assisti Claro, que me surpreendeu muito – e juro que não foi só por causa daquela beleza que é a atriz francesa Juliet Berto…
    Porra! Como Roma, onde foi filmado, Claro foi uma sequencia de surpresas pra mim. E como é bonito aquele início do filme?
    Abaixo uma entrevistinha rápido sobre o filme:

    Por que este título?
    Porque queria ver claro nas contradições da sociedade capitalista de nosso tempo.

    Você está seguro de que esta clareza será transmitida também aos espectadores?
    Não sou profeta. Creio honestamente ter feito um filme sem ambiguidades, quero dizer não ambíguo sobre o plano político. Por exemplo, parece-me bastante claro o momento em que, na conclusão do filme, a gente pobre ocupa literalmente a tela: o povo deve ocupar o espaço que lhe foi arrancado em séculos de repressão. Quanto a minha relação com o público, posso dizer que não tenho mesmo uma visão paternalista de espectador. A minha, pelo contrário, é também uma obra aberta, que deixa amplo espaço à livre interpretação, mas, repito, sem nunca ser ambíguo.

    Diga alguma coisa sobre a protagonista feminina e sobre o significado da sequência inicial.
    A protagonista é também um mito, um mito que atravessa o filme: poderia ser o mito da inocência, da ingenuidade em relação com o mundo hostil, repressivo. O diálogo musical do início, entre a moça e a voz fora do campo, é uma espécie de exorcismo, um fato ritual, um batepronto entre passado e presente, entre angústia e esperança. É também um modo de combater a neurose que creio ser um produto típico do sistema capitalista.

  3. O Glauber no cinema, na TV e até na escrita era sempre com tudo na temperatura máxima. Ele era impressionante mesmo. No Terra em Transe mesmo, a cena do pobre , do sindicalista com a boca tapada pelo intelectual jornalista.

    Aquela cena é genial demais. O final do filme. É tudo muito brilhante.

    E o duelo de Antônio das Mortes e o Matador Coirana?

    É triste que mesmo construindo imagens desse quilate e com esse talento ele seja tão pouco refletido na produção atual do cinema brasileiro.

  4. e a cena do Antonio das Mortes no meio dos caminhões de óleo com levanta, sacode a poeira, dá volta por cima? e o discurso do Corisco, “Cangaceiro de duas cabeça, uma por fora e outra por dentro, uma matando e outra pensando”?
    uma das coisas que me encanta no Glauber é que nada do que ele filma é ordinário. Tudo é épico, maior que a vida, a começar pelos títulos, toda realidade pode ser reconstruída numa vertigem de memória onde inexiste o tempo. Deus e o Diabo pode ser hoje ou pode ser na idade média. E todo o texto é de uma poesia dilacerante…

  5. Rodrigo, excelente esse comentário. Essa preocupação em criar imagens fortes que reunem tantos significados e contradições é uma das coisas que faz da experiência de ver os filmes do Glauber uma experiência tão rica.
    Sei que posso tá abusando da sua beleza, mas bem que podia você escrever um post comemorativo sobre o Glauber pra nós aqui do Guaci, hein?

  6. poxa Laurão, valeu…elogio vindo de você é double compliment. Assim que eu tiver menos cheio de coisa eu vou tentar fazer uma aproximação da obra do Glauber com a do Zé Lins do Rego, o escritor brasileiro que ele mais admirava. Deus e O diabo especialmente segue uma estrutura de situações muito semelhante à Pedra Bonita e sua continuação, Cangaceiros. E assim como no caso do cinema brasileiro com Glauber a literatura também dialoga muito pouco com esse baita escritor.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s