Ronaldo ‘The Ron’ Nazário

Quebra tudo, fera
Quebra tudo, fera

E não é que o Ronaldo voltou a marcar gols? Eu, que sou fã, fiquei feliz, não só pelo gol em si, mas pela alegria  com que o gorducho comemora com a torcida e a felicidade que ele tem no campo. Fora a inteligência e o jeito com a bola que são acima da média, mesmo com a camisa 9 apertadinha e o jogador se movendo bem devagar.

Pode parecer coisa meio besta, mas eu havia asssistido o filme O Lutador uns dias antes e acho que Ronaldo tem muito a ver com o personagem do filme, Randy ‘The Ram’ Robinson, vivido pelo Mickey Rourke.

É óbvio que, se ele continuar marcando gols e reerguer sua carreira, sua trajetória também vai poder ser comparada à do Mickey Rourke que também renasceu das trevas (mas nunca teve nem um décimo do talento que o Ronaldo já mostrou em campo).

Mas em que ele parece com o personagem do filme de Darren Aronofsky? O filme conta uma história que se repete em diversas trajetórias de atletas e artistas de palco, onde a vida só faz sentido no ambiente do espetáculo, acompanhado de torcida ou platéia.

Sem medo de ser feliz
Sem medo de ser feliz

É só nesse ambiente em que eles sentem prazer por serem quem são de maneira integral. Fora dos holofotes do campo ou do ringue são sujeitos trapalhões, apagados, mesmo quando todas as câmeras o focalizam.

No ganha pão deles, é que esses personagens confirmam o personagem de ficção do Fenômeno ou do The Ran. Personagens à revelia desses protagonistas, mas que concretizam tudo que se diz de bom a respeito deles. Fora desse ambiente, parecem viver aprisionados na indiferença ou na expectativa dos outros.

Ou como o Barthes escreve muito melhor em O Mundo do Catch, publicado nas suas Mitologias:

Quando o herói ou o vilão do drama, o homem que há minutos se vira possuído de um furor moral, desenvolvido até à dimensão de uma espécie de signo metafísico, sai da sala de catch, impassível, anônimo, levando na mão uma pequena mala e de braço dado com a mulher, ninguém pode duvidar de que o catch contém o poder de transmutação que é próprio do Espetáculo e do Culto. No ringue, e no mais profundo da sua ignomínia voluntária, os lutadores são deuses, porque são durante alguns instantes a chave que abre a Natureza, o gesto puro que separa o Bem do Mal e desvenda a figura de uma justiça enfim inteligível..”

***

E por falar em vida de ficção, a coluna do Maurício Dias na Carta Capital dessa semana mostra que até agora fracassou a missão dos repórteres do Recife para encontrar o tal garçom que largou o emprego no restaurante em Brasília Teimosa pra desfrutar da grana do Bolsa Família.

O garçom teria sido mencionado pelo governador Jarbas Vasconcelos na entrevista para a revista de Otávio Civita (ou Roberto Frias Filho, sei lá?) em que ele deu a inacreditável notícia de que havia corrupção no PMDB (sem dar nenhum nome até agora).

A crítica do ex-governador ao programa social é, em primeiro lugar, digna de um senhor de escravos. Se o sujeito para de trabalhar por causa do Bolsa Família, é por que o salário dele não vale nada mesmo e não vale trabalhar em um lugar que não te dá um salário digno. Para além disso, ele ainda mentiu e não apresentou prova nenhuma para tecer uma crítica à altura de uma dondoca no salão de cabelereiros menos politizado de qualquer shopping center de São Paulo.

Abuso de poder é isso. Falar de abelhas e marimbondos sem provar absolutamente nada. Santa imunidade parlamentar! E ainda diz que é da bancada da ética. É impressionante como a oposição ao governo Lula é construída em cima de um discurso ficcionalizado e delirante.

Essa construção do poder em cima de pretensas éticas e de discursos ficcionalizados merecia um estudo mais aprofundado.

21 comentários sobre “Ronaldo ‘The Ron’ Nazário

  1. Mano, e pensar que eu fechei os 500 nomes do meu caderninho de pessoas que vão para o paredão no dia da revolução velotiana e o Jarbas não tá lá… Ótimo pretexto pra encher mais 500 nomes…

    Sobre o gorducho: ele é tão foda que me fez fazer algo que nunca acreditei possível – comemorar gol do Corinthians!! Quando me dei conta disso quase vomitei! Mas beleza: o cara foi demais mesmo!

  2. Porra, demorou pra botar espelho no Guaci. Apoio total à proposta do Ceará, ao Ronaldinho, que demonstrou que um 30ão fanfarrão ainda dá pode ser um herói, e ao Coringão, lógico, com muito amor.

  3. …diprimeira, no cantinho. mais um golaaaaaaaaaaço de Ronaldo com a camisa do timão. De virada, 2×1 contra o São Caetano.

  4. mas tiago, tem uma coisa sobre o ronaldo: o tal ganha pao dele eh muito pao, acho q na real muitos jogadores continuam atuando pelo $$$ q eles nao vao conseguir em nenhum outro lugar

  5. Ó Nícolas, isso é verdade, o Ronaldo faz dinheiro em qualquer coisa. Ele vai tomar um cafezinho e ganha 20 mil reais e a padaria sai em 600 jornais do mundo. Mas o que eu acho é que ele insiste em voltar pro futebol por que gosta de jogar bola mesmo e gosta muito. Ele continuaria bilionário sem jogar bola, o Ronaldo – até onde eu saiba – não deixa de ficar muito rico, com crise ou sem crise. Acho que esse esforço todo e pra continuar jogando, esse lance de ser reconhecido pela torcida e acho que muito para reaver um reconhecimento no Brasil tb.

  6. nao, eu nao quero tirar o brilho do retorno da fenix drogada, mas ninguem ganha 20 mil reais tomando cafe nao mano. a real eh q em nenhum outro negocio ele vai conseguir faturar o q ele fatura em atividade jogando bola.
    ah e segura o neymar

  7. É Nícolas, isso é verdade mesmo, mas não acho que seja só isso não. Acho que dinheiro ele já tem demais. O cara tem um cartão sem limites da American Express, numa boa…

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