Lares para os Estados Unidos

Nesses dias falamos muito da crise urbana. Inspirado pelas postagens do Joaquim, resolvi mostrar imagens de obras que falam de arquitetura e urbanização no capitalismo dos Estados Unidos. Mais que isso, eles parecem tratar da falência do sonho suburbano deles. O tema está muito presente na produção artística. Lá, ele anima uma exposição coletiva que circulará pelo país até o meio deste ano.

Um dos trabalhos é o já histórico: Splitting (1974), intervenção escultórica do artista norte-americano Gordon Matta-Clark. O artista, sem sombra de dúvida, é um dos mais importantes da segunda metade do século passado. Suas ações na cidade renovaram a escultura e o colocaram em um campo amplo de discussão. Suas obras e escritos estão presentes nos debates sobre arte contemporânea, arquitetura, cidades, estudos culturais e etc.O artista morreu muito cedo, deixou uma produção pequena que gerou uma discussão interminável.

Gordon Matta-Clark. Splitting 1974
Gordon Matta-Clark. Splitting 1974

Na arte, quem levou os subúrbios mais a sério foi Dan Graham. Já falei do artista aqui. É um dos nomes que estabeleceu a idéia de instalação. Nos anos sessenta, fez um dos trabalhos conceituais mais legais da arte sem obra:  Homes for America (1966 – 1967). Pelo que sei, primeiro ele fez as fotos das casas e ambientes suburbanos, em 1965, e mostrou em sessões de slides. Depois, transformou o trabalho em um impresso , acompanhado de um ensaio. Essa versão foi publicada pela revista Arts magazine no fim de 1966. Na época, interessava-lhe o caráter serial e a ordenação esquisita desses espaços em New Jersey. Pouco tempo antes, o casal Bernd e Hilla Becher fotografava elementos estranhos e impessoais da modernidade na Alemanha. Os trabalhos são muito diferentes, mas é curioso essas figuras desgastadas e solitárias aparecerem na foografia na mesma época em lugares diferentes.

Por fim, o projeto ambiental do jovem  Matthew Moore . Ele fez desenhos em descampados na roça. Quase ilustrações no campo expandido. As obras chamam-se Rotations(2004). Não têm a estatura do Gordon Matta-Clark e nem do Dan Graham, mas me pareceram uma  ilustração divertida dessas vilas construídas para quem quer fugir da cidade. Elas organizam tudo, mas ou é algo desertificado, ou a vegetação tomopu conta das casas, garagens, ruas e pracinhas. A crise imobiliária chegou por lá e ninguém tem grana para pagar a hipoteca.

Mais Matta-Clark (1, 2, 3, 4, 5, 6 ) e Dan Graham (1, 2, 3, 4, 5) .

Gordon Matta-Clark, Splitting

Splitting (1974)
Splitting (1974)

Gordon Matta-Clark "Splitting" (1974)
Gordon Matta-Clark
Dan Graham, Homes for America 1966
Dan Graham, Homes for America 1966

homes-for-america-5

Dan Graham, Homes for America na revista
Dan Graham, Homes for America na revista
 Matthew Moore, Rotations: Single Family Residence #5, 2003–2004
Matthew Moore, Rotations: Single Family Residence #5, 2003–2004

Matthew Moore, Rotations

7 comentários sobre “Lares para os Estados Unidos

  1. o titi sem querer desviar o seu topico, mas jah desviando(viado). o q vc achou desse capitulo historico do nosso e vosso comedor de cu, q recuperaçao neh, o cara largou ateh o cu pra ser o melhor do mundo, eu achei ateh legal ele ter superado a fase anal, e sem querer “SER RONALDO” mas jah sendo tambem, voce pode devolver o meu dvd do bossa nova o filme?
    mas concluindo sobre o ronald e parafraseando o meu vovo velho “esse merda eh um colosso mesmo neh”

  2. Eu estou em dívida com o blog, mas preparando um post sobre a operação da polícia de SP no bairro de Paraisópolis. Além de exemplificar a concepção agressiva de segurança público do demo-tucanato, ela reencena a psicogeografia (de classe) conservadora, de inspiração vitoriana mas muito atual,da idéia de “fronteiras” internas da cidade separando a “civilização” da “barbárie”, “homens de bem” do populacho semi-selvagem. De forma bem reveladora, o termo oficial dessa operação é “ocupação”, e os policiais estão montando postos de controle – barreiras – nessa fronteira. Todos vestidos para a guerra, arma de grosso calibre em punho e uniformes camuflados. É, a Palestina é logo ali.
    Tiagão, demais vc ter montado esse post com o Matta-Clark e o Dan Graham. Ainda, sugiro a leitura das coisas do J. H. Kunstler sobre esse lance da decadência de uma certa forma de urbanismo que marcou a cultura americana no século XX: http://www.kunstler.com/

  3. Nicolas, fiquei muito feliz com a superação dessa fase pelo ídolo. Sobretudo porque espero que ele tenha eliminado a fase sem descartá-la. Agora sabemos que ele está aí para o que der e der, isso é muito legal. O DVD do Bossa Nova é meu por usocapião. Ficamos quites, já que você nunca devolveu a minha coleção com os melhores momentos da carreira do André di Biase.

    Jay, não sabia que a coisa era tão grave. Espero ansiosamente pelo seu texto. Depois eu quero escrever também sobre uma lógica sombria que parece nortear um anti-comunismo anacrônico que orienta muito palpiteiro por aí.

  4. JJ, essa história de Paraisópolis fede mesmo. A Tati Ivanovic me contou que frequenta e conhece abstante gente de lá, que é um dos melhores exemplos de auto-organização da cidade. faz sentido os coxinhas tentarem apavorar o lugar…

  5. Hoje, um internauta encontrou esse site perguntando ao google quando o Dan Graham havia morrido. Para quem se interessar, ele está vivinho e acabou de abrir uma grande exposição no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (MOCA).
    Quem gostou do trabalho e quiser espiar a exposição, vá aqui:
    http://www.moca.org/museum/exhibitiondetail.php?id=413
    http://www.moca.org/media/gal_guides/Guide_Graham.pdf
    No link abaixo vocês podem ver depoimentos de Graham e uma conversa dele com a metade do Sonic Youth (ele é muito ligado em Rock. Já escreveu sobre The Fall, Ramones, Kinks e a No wave, por exemplo. É considerado o dono da maior documentação sobre a no wave.):
    http://www.moca.org/audio/#graham

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