William Kentridge

Kentridge e Felix (seu personagem)
Kentridge e Felix (seu personagem)

Aproveito o meu ânimo com filmes (aliás, agora escrevo sobre o cinema em Andy Warhol) para postar vídeos do artista sul-africano William Kentridge. A primeira vez que eu vi o seu trabalho foi na Bienal de São Paulo, de 1998. Na época eu fiquei muito impressionado. Era um estudante de Ciências sociais que gostava muito de arte.

O fato dele ser um grande desenhista me chamou a atenção. Seu traço tinha algo da pincelada neo-expressionista da década de oitenta, mas era mais leve e de um colorido suave. Mas o mais relevante era o seu caráter narrativo. O artista deicidiu fazer desenhos animados, bem literários. Agora, o que me cativou foi a sua forma arguta de pensar a situação sul-africana.

Com muita delicadeza ele desmontava as ilusões que os racistas haviam criado em seu país. Em Felix no exílio (1994), o isolamento dos brancos é mostrado como o outro lado da moeda da bárbarie. A insistência em ignorar os seus compatriotas negros é uma espécie de linchamento que eles promovem. A situação de indiferença ao sofrimento alheio vira um tormento cada vez maior. A alienação é total.

Depois, eu soube que um dos escritores favoritos de Kentridge é Machado de Assis. A leitura de Machado foi decisiva para a sua trajetória artística. Não é por acaso. O bruxo deve ser um dos  autores que melhor elaborou esteticamente a violência das relações raciais e a desfaçatez de uma promessa civilizatória dos brancos. Nos seus romances ele trata da herança escravocrata, das relações raciais baseadas na violência e da crueldade da linguagem. Por isso os filmes de Kentridge também falam tanto do abismo social e racial da sociedade brasileira agora.

Em 2000, o Videobrasil organizou uma mostra com boa representação de Kentridge. A sua visita ao Brasil rendeu um belo filme, dirigido por Alex Gabassi. O filme pode ser encontrado nas lojas e locadoras. Depois eu posto mais vídeos.

8 comentários sobre “William Kentridge

  1. Eu acho que conheci esse artista faz uns anos através do Tiago. Realmente é muito fodão, a forma como ele tece comentários sociais na obra dele é algo muito curioso e estimulante.

    Dá-lhe dá-lhe Guaciara!

  2. Arthur, ele é muito fera mesmo. Queria falar muito mais do trabalho dele. Tem aspectos formais interessantissímos. Umas diluições, uns traços que indicam uma coisa de um lado e outra do outro.
    Faço crítica por esse prazer mesmo, de dividir o que penso das coisas e o que me entusiasma. é uma relação amorosa com o objeto. Essa resposta sua deixa o digitador de cá muito feliz
    abração meu rei!

  3. oi ti, porque vc nao aproveita o gancho e discorre mais sobre a maior obra do cinema nacional: O MAGNATA

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