As guerras do senhor Obama

Não sei o que está escrito, mas felizes eles não estão
Não sei o que está escrito, mas felizes eles não estão

Governar um país deve ser mais ou menos como manobrar um petroleiro ou porta-aviões: demora um certo tempo até que a mudança de rumo comece. O Titanic acabou se arrebentando por causa do mesmo fenômeno.

Mas desde logo se pode perceber as iniciativas e ações que, mais para frente, resultam em mudanças.

Em um mês de governo, para mérito seu – cumprindo compromissos assumidos em campanha -, Obama começou a desmontagem do campo de prisioneiros de Guantánamo. Mas sobram sinais de que as guerras americanas no Oriente Médio ainda vão azedar muito antes de qualquer sinal de melhora.

Obama ordenou o envio de mais 17 mil soldados ao Afeganistão, antes mesmo de a comissão encarregada de analisar a situação no país (criada por sua equipe de governo) emitir seu primeiro relatório, indicando que o novo governo apostará ainda na solução militar para cuidar do assunto. Isso apesar das declarações durante a campanha de que essa mesma solução não resolveria o problema.

Ainda, Obama parece ter dado seu aval à continuação da “guerra secreta” tocada pela CIA em território paquistanês. Dois bombardeios na última semana tiveram como alvo campos comandados pelo líder Talibã Baitullah Mehsud, acusado de ordenar e coordenar o assassinato de Benazir Bhutto. Somadas, as duas medidas só tendem a desestabilizar ainda mais a região e dar continuidade à violência que tem feito centenas de vítimas por ano.

A aproximação entre democratas e republicanos, ou entre a esquerda e setores mais conservadores, almejada por Obama, parece estar ocorrendo, ainda que diferente da encomenda: para a editora da The Nation, a escalada pode fazer com que a guerra do “Sr. Bush” vire a “guerra do Sr. Obama”; para o New York Times, Obama parece disposto a dar continuidade às guerras secretas da administração anterior.

12 comentários sobre “As guerras do senhor Obama

  1. bom,eu discordo totalmente. Quem acompanhou a campanha do Obama sabe que ele sempre advogou que os Estados Unidos deveriam concentrar forças onde a Al Qaeda estivesse atuando mais vigorosamente. O fato de que ter aumentado o número de tropas na região tem a função inclusive de proporcionar maior segurança a população da região. E mais: se a Al Qaeda se rearmar e lançar um novo ataque em solo americanos,esqueçam toda a agenda progressista que ele está implementando como esse ambicioso pacote que tem sido furiosamente combatido pelos republicanos, porque o governo dele acaba no dia seguinte. Os canais a cabo vão explorar o fato como uma prova que os democratas nao são capazes de garantir a segurança da população. E o fato de ele estar aumentando o potencial militar nao significa que as soluções diplomáticas estão sendo abandonadas. A prova disto é que ele indicou como embaixador ali o Richard Holbrooke, um grande diplomata que foi fundamental nos acordos de paz da Bósnia na década de 90. Acho que foi um exclente primeiro mês de governo, além das minhas expectivas.

  2. Rodrigo
    Sem dúvida, o Obama jamais falou, nem falaria, em mexer muito no ninho de marimbondos do sistema bélico americano. Agora, “garantir segurança da população” é piada, convenhamos. As tropas americanas não fazem, em lugar nenhum, segurança da população. Veja só o Iraque e a zona verde.
    O Obama não vai tirar os EUA do Oriente Médio. E, como sabemos desde o governo Bush, isso tem só tangencialmente a ver com a Al Qaeda.

  3. Rodrigo, também acredito que o governo americano tenha dado bons sinais de mudança no seu início, agora, continuam a ser os Estados Unidos. O fato de precisar seguir com as ingerências internacionais para conseguir a governabilidade é mesmo decepcionante, não é?

    abração

  4. Tiago, o Obama está lidando ainda com a herança do governo Bush que foi construída em cima de uma doutrina muito peculiar. A política intervencionista não apenas não garante governabilidade, como pode desestabilizar um governo se comprometer muitos recursos e baixas. Uma administração democrata e a maioria das administrações republicanas nao teria iniciado a guerra do Iraque ou qualquer outra guerra preventiva. Portanto,quando se fala da “política externa americana” é preciso conceituar qual delas, pois trata-se de um conceito muito volátil, apesar de algumas cláusulas pétreas como a defesa incondiconal de Israel.

  5. Joaquim, acredito que as políticas do Estados Unidos no oriente médio agora serão bem diferente sem os ideólogos neocons nas principais frentes de articulação do governo. Ele vai ter que dar uma resposta à população na questão da segurança, sem dúvida, mas deve perseguir mais agressivamente até que o governo Clinton uma solução de paz entre Israel e Palestina, o que é um avanço em relação à filosofia de “take no prisioners” do governo anterior.

  6. Eu diria que mais sintomática ainda é uma notícia que vi hoje: a solução que o governo paquistanês, financiado pelos EUA, encontrou foi de armar os camponeses para se defenderem do Talibã. Quanto tempo vocês acham que as armas vão durar nas mãos dos pastores? Pra mim, é o típico caso da emenda pior que o soneto. Não querer meter a mão no fogo, então botar fogo na casa inteira…

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