Elite branca de perfil

Why can't we be FRIENDS?
Why can't we be FRIENDS?

Há exatos dez anos atrás , eu participei de uma entrevista com José Luís Fiori para a revista Vintém, da Companhia do Latão. Entre as diversas coisas interessantes que ele disse, uma particularmente me chamou a atenção: a de que as pessoas com mais dinheiro no Brasil já não viviam a realidade do País, preferiam viver a realidade dos países desenvolvidos com os quais eles eram mais identificados culturalmente.

A última eleição americana mostrou isso de maneira muito clara aqui no Brasil. Muita gente que freqüenta blogs na Internet e participa dos seus debates sabia muito menos em quem votar para vereador do que sobre  o complexo sistema eleitoral americano, suas regras, as chances de Obama ou de McCain no Wyoming e em Vermont.

Mas isso não pára por aí. Se olharmos o Brasil pelo conteúdo dos blogs, é impressionante o interesse por detalhes da vida da Amy Winehouse ou sobre qual vai ser o vencedor do Oscar. Nada tem relação imediata com a nossa vida é tudo válvula de escape, dos filmes que são devotados ao entretenimento mesmo até a discussão política. Neguinho se declara liberal (na acepção americana da palavra) ou libertarian com a mesma desenvoltura que dizem não existir um partido de direita no país (tá tudo pela internet, é só procurar). Na verdade o que não existe é uma realidade que lhes conforte, nem amigos como eles vêem nas imagens de Friends. Um lugar onde eles se sintam parte daquilo.

O tipo de música, as expressões usadas e mesmo os personagens que refletem o estilo de vida dessas pessoas também estão distantes da realidade do Brasil. E com Internet, TV a cabo e tudo mais, a realidade dos outros países (sempre países mais ricos, mais desenvolvidos e mais limpinhos, é bom lembrar) está  muito mais próxima, assim como os interesses também se aproximam.

Mesmo quando há interesse pela cultura do Brasil é via interesse estrangeiro. Lêem Machado por que o Harold Bloom gosta, ouvem Tropicália por que o Beck se interessa, escutam Milton por que o pessoal do Tortoise gravou. (No meu blog antigo, em um texto sobre a Tropicália, eu escrevi como a interpretação de Brasil se dá na cultura popular dos países anglo-saxões).

O curioso é que, apesar de viverem culturalmente em outro país e falarem português só por acidente (pois é, alguns blogs usam essa expressão com todas as letras), geograficamente essas pessoas vivem por aqui e têm de visualizar e, de alguma forma, se relacionar com a realidade daqui.

Nesse sentido, é exemplar o perfil de Isay Weinfeld para a revista Bravo! deste mês. Um exemplar do que a elite branca deseja e do papel dela na construção de uma sociedade blasé, no pior sentido da palavra. Ao longo do texto, o arquiteto é descrito como um homem cordato, comedido, de poucas palavras e que detesta qualquer tipo de falta de educação. Mas acima de tudo, o texto o descreve como uma pessoa que abre mão de ter um estilo para “fazer uma psicanálise do cliente” e dos seus desejos. Tem de ser tudo dentro desse universo dos desejos dessas pessoas cordatas e interessantes. O curioso é que a única marca de estilo dele só aparece – pelo menos de acordo com o texto do jornalista Bruno Moreschi – na exclusão da cidade por meio de suas “casas”:

Weinfeld odeia as calçadas quebradas de São Paulo e evita andar a pé um único quarteirão. Não por acaso, as fachadas de suas construções são fechadas como rostos ranzinzas. Para terror de outros arquitetos, não almeja a arquitetura que se integre ao exterior quando o “lá fora” é uma cidade que, no ano passado, registrou aumento de 18% nos roubos de residências.”

Nesse sentido, tal perfil reflete muito o desinteresse desse grupo de pessoas que saúda e vive numa realidade diferente da maioria do País. Uma realidade trazida pra eles pela banda larga, pelo DVD e por eventos e clubes que emulam uma vida que só existe dentro de um consciente coletivo dos um pouquinho mais endinheirados.

Fora dessa realidade dos seriados americanos e da cobertura da CNN ou da Fox News é tudo feio, assustador e é melhor ser evitado. O melhor, para eles, é esperar o show do Radiohead ou de alguma outra atração internacional chancelada por publicações ou sites internacionais.

56 comentários sobre “Elite branca de perfil

  1. Vou falar de um jeito bem babaca, mas por favor, me perdoem.

    Tenho um amigo de Nova York que de tempos em tempos vem aqui. Devido à sua atividade intelectual, conhece gente de um grupo das letras e das artes de cá. Quando em São Paulo resolvi passear com ele pela rua e levá-los em lugares que ele não conheceria na sua cidade natal. Ele ficou surpreso. Me disse não saber que a cidade era tão legal.

    Até então, havia circulado por restaurantes e night-clubs que o faziam parecer em Johanesburg, Gottenburgh, ou em qualquer terminal aeroportuário do mundo.

    Imagino que os seus outros cicerones tinham vergonha da cidade. Achavam que levá-lo em boteco, por exemplo, seria expor um sujeito tão civilizado ao o que o país tinha de pior.

    Ao tentar fingir que moravam na Bélgica, esses sujeitos mostravam o Brasil como Cape Town dos piores dias do apartheid.

  2. sei lá, esse papo de guia turístico e são paulo pode parecer meio presunçoso. até parece que eu conheço a cidade muito bem. Uma coisa eu garanto, se tá comigo, vai curtir.

  3. É uma espécie do que o Nelson Rodrigues chamava no futebol de “complexo de vira lata”. Esse aspecto de reproduzir aqui ambientes do consciente coletivo de um grupinho pode ser visto nas colunas sociais, impressas ou eletrônicas, em que frequentemente nos deparamos com notícias ou entrevistas, geralmente bem pagas, de algum “empreendedor”, em geral filho de alguém rico, que está como um novo “projeto”, um “conceito revolucionário”, de restaurante, bar, danceteria, “lounge” (pra usar uma palavra mais da moda), ou qq outro tipo de negócio de entretenimento, baseado num “conceito” que é a última moda em Nova York ou Cancun. De certa forma esses locais acabam por seduzir também setores da classe média, loucos “join to the club”, mas com restrições financeiras mais ativas.

  4. Acabei de ler o perfil do tal Weinfeld. É de tirar o humor, principalmente por me fazer lembrar que não se trata de uma voz solitária. Aliás é óbvio que o cara, como muita gente, deve achar o show radiohead (que cá entre nós é uma bandinha muito ruim) mais importante do que o carnaval.

    Estou morando em Brasília, que é muito diferente da minha cidade, São Paulo, que um americano me disse que ser a cidade dos muros. Mas é engraçado ter a total certeza de que esse arquiteto faria o maior sucesso na cidade sem muro, entre a sociedade brasiliense do Plano Piloto – e ambos continuariam não se preocupando com a falta de calçada para pedestres.

  5. Eu costumo ver flyers de festas, aqui em BH ou de festas de São Paulo, em que as únicas palavras em português são as da linha com o endereço do lugar. O primeiro nome que as pessoas pensam pra uma nova loja, novo bar, ou novo estabelecimento comercial, já é um nome em inglês, como se fosse algo básico, primordial, inquestionável, padrão.
    Isso me leva a pensar o que fez com que o brasileiro se desgarrasse de sua natureza, sua rua, seu ambiente. Na minha opinião, esse mal é uma das consequências de anos de ditadura militar e do mantra que até hoje tem voz, dizendo basicamente que o Brasil é uma merda. Se fosse na Suíça…

  6. Caros muito obrigado pelos comentários e vamos continuar a conversa. Esse momento bonito não pode morrer. Eu tava batendo um papo com um André e ele me citou a frase de uma amiga dele sobre o Weinfeld de que “ele não é mais que um decorador competente.Arquitetura trata de outras coisas.”
    Eu concordo demais com tudo aí, mas o problema é que transformam o sujeito num arquiteto e supostamente respeitável ainda. Muito pela falta de um debate arquitetônico mais amplo no Brasil, talvez.
    Agora o que eu acho que isso reflete? Reflete muito o desejo de uma pequena parcela da sociedade que vive escapando de qualquer realidade identificada com o Brasil. Uma sociedade que vira as costas pro mundo real e inventa uma realidade que se encaixa nessa meta-psicanálise que o Weinfeld menciona, mas que nada mais é do que a fantasia de consumo de fãs de séries de tv americanas, de bandas descoladas etc.
    Gente que vive uma realidade que não se encaixa no espaço geográfico, e esse “escapismo bunda mole” (uso aqui as palavras muito apropriadas do André) nega o chão onde esses sujeitos pisam, por que quando eles encaram esse chão, isso pra eles é um drama.
    É como se no limite, a concepção da caixinha de Toddy fosse um trabalho autoral e muito importante. Por quê? Por que agrada os olhos do público consumidor. O mercado já dá a justificativa, o resto passa longe dele e pouco importa.

  7. Eu também achei o melhor post até agora. Essa matéria na Bravo é o tipo de coisa que parece completamente gratuita, mas acaba por encerrar muito do espírito da publicação. É mais ou menos como aquela matéria da Playboy sobre as 10 mulheres mais importantes da história, cheia de femme fatales (Mata Hari, Monroe, Cleopatra etc etc) e me botam em quarto lugar a Margaret Thatcher!?

    Se isso não se chama “indústria de consciência” não sei o que chamaria então…

  8. a elite brasileira é completamente sem noção e preconceituosa, a forma como este arquiteto se refere ao espaço público dá bem uma noção de como eles interagem com o país onde vivem. Essa entrevista deveria ser gravada em mármore. Por outro lado, descarto a idéia de que alguém precisa ter algum tipo de afinidade obrigatória como o país onde vive. Isso implicaria aceitar o próprio conceito de nacionalismo ou patriotismo que me causam total aversão. Qualquer um tem direito de estabelecer laços e identificações com qualquer coisa independentemente da procedência geográfica.

  9. Oi Rodrigo, eu concordo com a sua última frase. O que eu tentei dizer é como tal sociedade se vira de costas pro País não e isso vai muito além de gostar ou não gostar do Brasil. Isso acontece na elaboração das políticas monetárias, na construção das cidades e em vários outros campos. E na minha opinião, esse tipo de mentalidade é sempre preconceituosa e excludente.
    O caso aqui não é restringir o que as pessoas gostam, mas questionar gente que tem uma visão muito restrita do mundo, sempre mediada pelo mercado do entretenimento, com valores e diferenciações que negam a realidade onde elas vivem.

  10. Eu tb concordo totalmente com o que vc escreveu antes, desculpa. Esse “última frase” era pra ser último comentário. Mas vai entender essa minha cabeça…Abs.

  11. Acho que a questão tamém não é o nacionalismo por subtração. Aquele que acha que o Brasil é feito de coisas que não vêm de fora, mas a questão aqui é a vergonha das coisas do país e um isolamento em relação às outras pessoas. essa vontade de se distinguir da maioria da população. Nada parece mais valioso para a burguesia nacional. vocês não acham?

  12. Sensacional a idéia Laurose. E tão pertinente meter a tag ‘Claudio Lembo’ no post!

  13. Eu já levei um casal gringo para a Estação da Luz e só lá dentro que percebi que o lugar fedia. O sujeito também me perguntou o que diabos um ambulante vendia. 😉

  14. Não tenho renda para ser elite, mas acabo acompanhando bem mais a política americana(E internacional) que a brasileira. E escuto bem mais música em espanhol, italiano, russo e em francês que em português.

    No caso de política há diversas falhas no sistema político brasileiro. Se houvesse distritos para a escolha de vereador/deputados e um sistema que forçasse os candidatos a falarem de temas concretos ao invés de vender nome e personalidade a história seria diferente. Aliás, o próprio fato do TSE tolher o uso da internet tira toda a graça de uma campanha.

    E nesse próprio blog há muitos posts sobre política internacional e querendo ou não a internet e os canais de TV por satélite criaram uma comunidade muito antenada em assuntos políticos internacionais.

    E por fim, perto da imprensa americana a similar nacional é pedestre. Assistir a Fox News, a CNN e a BBC ao menos me diverte, a GloboNews(?) é maçante. Jornais como o Estadão e a Folha não so escrevem para analfabetos como, caramba, olhem só para quem tem coluna na imprensa nacional: Dora Kramer, Nelson Ascher, Barbara Gancia, Gilberto Dimenstein. É gente que consegue com que caras como Cal Thomas e David Brooks pareçam bons e relevantes.

  15. André, que hnra ter você aqui, te leio sempre que posso. Bem, acho que nesse texto, o Lauro quis falar mais sobre uma certa sindrome de não pertencimento do que qualquer outra coisa. Gente que se pensa como algo a parte do Brasil. A fala do Weinfled é de alguém que se curou de uma espécie de mal de nação, gente amarela, cheia de remela.

  16. hahahahahahaahahaahaahhhaa
    caralho mano a iron maiden como mulher objeto eh foda, imagina mano,bater punheta pensando na margaret do caralho e ouvindo um iron maiden. podiam inventar esse desafio neh? tipo esses q o cara tem q comer 22 escorpioes ou sei lah, lamber 120 sacos em 1 hora hahahhahahahha

    QUEM GOZAR GANHA UM BOQUETE MEIA BOMBA DA GOSTOSINHA DA LATIKA

  17. Em primeiro lugar eu fiquei muito feliz com seu comentário aqui viu André. Já acompanho suas opiniões no Dissidência(http://www.andrekenji.com.br/weblog/) e antes em algumas comunidades no orkut e acho tudo novo e bem fundamentado. Eu tb me interesso tanto pelas coisas da cultura brasileira quanto da estrangeira. E não tenho nenhum sentimento de Tinhorão contra as “culturas alienígenas”. O meu problema é o seguinte: é que a maior parte desses artefatos culturais – seja na admiração pela banda pop como na participação no debate internacional – são ferramentas de distinção social que nada têm a ver com a vida das pessoas. Como eu havia dito antes, é tudo válvula de escape.
    E poor que eu citei o Isay Weinfeld por que ele faz isso isolando o cliente dele em um desejo que reflete muito mais que a vontade de consumo, vai além disso, posiciona ele numa cenografia do que ele idealiza em séries de TV e filmes hollywoodianos.
    Abração e contribua mais. É sempre enriquecedor. Abraços.

  18. Salve Laurão, Salve Tiagão,

    Outro dia acompanhei o Gilberto Gil ao Campus Party, com o Alfredo Manevy e o Cláudio Prado. Uma certa altura, o Cláudio falava sobre os filhos da elite branca, presos em seus condomínios fechados, ultraconectados, apartados da vida. Gil, então, falou desses ambientes, sussurrou no ouvido de Alfredo: “campos de concentração de renda”. Lendo o perfil do douto arquiteto/decorador/cinzento, lembrei-me da frase, que Gil fez questão de dizer: “é de Caetano”. Enfim, são os nossos campos de concentração de renda.

  19. Sempre tive mesmo essa sensação de que tem uma galera vivendo com referências de fora, não só de outro país, talvez sejam somente referências do mundo midiático, uma artificialização da vida mesmo. Talvez seja de uma certa incapacidade, ou falta de vontade, de observar e analisar o que está em volta, e tanta beleza há escondida por aí.
    Sem dúvida há uma falta de sentimento de que somos um só povo, é aquela estória, o preto do outro lado da rua não é meu povo, muita gente pensa assim, e constrói o muro, a vida, e no caso, a casa toda, tudo pensado para isolar, como se isso resolvesse algo.
    E a grande ironia é que a galera aqui na Europa morre de inveja do estilo de vida no Brasil, percebo isso aqui, como se fosse uma relação inversa, o outro lado da mesma moeda.

    Quero morar no mato.
    Parabéns pelo blog rapaziada

  20. Posso discordar?

    Eu gostei, embora não seja profunda conhecedora de arquitetura, da entrevista de Isay Weinfeld e do pouco que vi de seu trabalho (arquitetônico, não o artístico).

    Acho que são justamente as calçadas quebradas e o índice de roubo de residências aumentando que justificam a construção de uma casa cuja fachada não seja convidativa, é a marca da vivência da realidade e não da alienação. Alienada seria a pessoa que colocasse um muro baixo cercando um canteiro florido!

    Não, não estou discutindo apenas a fachada da casa, mas a possibilidade de uma existência em sociedade. Por que não cordialidade? Por que não individualidade, ou escolha livre? Todo ato tem que ser político? Toda cultura é interessante? Qual parte da cultura brasileira os gringos admiram? Nossa poesia modernista? Ou o contingente feminino e menor de idade decorrentes, entre outras coisas, da indiferença relativa ao aumento da violência e da criminalidade?

    Sem mais, Duv.

  21. Cara Duvshanit é claro que você pode discordar. Sinta-se confortável para manifestar seu gosto e opiniões por aqui, é bom que batemos papo.

    Independente de sua arquitetura, acredito que na entrevista Weinfeld reforça esse descaso e dá de ombros.
    Embora não pareça, a indiferença aí é mais política que estética.Pelo que ele fala, não sei se pelo o que ele faz, o que interessa o arquiteto não são espaços onde se convive, mas onde se isola. Bem, depois continuamos o papo.

  22. Oi Duvshvanit, muito obrigado pelo comentários, como o Tiago disse fique à vontade para dar suas opiniões.
    Eu discordo do seu ponto de vista (na verdade discordo bastante). Moro em BH que é uma cidade que muitas vezes parece Joanesburgo pela quantidade de cercas elétricas, fachadas bem fechadas e barreiras de segurança.
    Não acho que isso proteja ninguém e acho que longe de uma solução é um agravante do problema de desetruturação urbana.
    Reformas urbanas como a de Barcelona ou de Nova Iorque só ganharam organicidade quando toda a população se sentiu participante desse processo. A erosão do ambiente urnbano brasileiro, em minha opinião, é muito fruto da ausência. Uma ausência que é necessariamente política na minha opinião.
    Também não falo de fachada, minha questão é a possibilidade de vida em sociedade. Mas acredito que quando um sujeito se isola no espaço urbano com uma casa, ele sem dúvida está dando um recado para o entorno dele. O que acontece no perímetro urbano e a maneira que a cidade se forma (e a construção de casas faz parte disso) dizem respeito a escolhas individuais que refletem um modelo de sociedade que as pessoas esperam sim. Uma coisa não é indissociada da outra.
    E é sobre isso que eu quero falar no texto, não acho que haja de deliberado, mas uma parte das pessoas com dinheiro no Brasil busca uma realidade que não é a delas, seja com casas de sonho fechadas do resto do entorno ou acreditando e consumindo uma vida que eles só assistem no canal por assinatura.
    Não sei te falar se toda cultura é interessante e nem tenho interesse no que os gringos admiram. Por que não acho que arte tenha de ser feita para buscar reconhecimento internacional.
    E acho que o contingente de meninas exploradas sexualmente por turistas estrangeiros (se é que eu entendi o que vc quis falar), de alguma forma, também tem a ver com essa cultura de indiferença.
    Muitas pessoas que se fecham em casa (por esse falso realismo esquizofrênico de que tudo pode acontecer com elas na rua) e juram que são uma das personagens de Friends ou Sex and The City se identificam culturalmente muito mais com o agressor sexual do que com a vítima.
    Fora isso, acho a arquitetura e a decoração de Isay Weinfeld muito ruim. Aquela casa para o solteiro com a plaquinha sex na escada dá uma vergonha alheia danada do pobre do sujeito que pediu por aquele disparate.
    De qualquer forma, muito obrigado pela participação Duvshvanit e seja bem-vinda para concordar, discordar, corrigir e complementar.

  23. Queridos Lauro e Tiago,

    Obrigada pela acolhida de vocês.

    Sobre o artigo em questão, meu argumento é o seguinte: reunir certo número de pessoas de acordo com a situação financeira, e pela cor de sua pele soa, aos meus ouvidos, extremamente preconceituoso. À assim chamada ‘elite branca’ foram atribuídas características e críticas que a separam do total da população brasileira e lhe atribuem responsabilidade por uma situação social e não de classe. Claro que não pretendo aqui ser defensora de ninguém, mas tão somente expressar meu descontentamento com aqueles que, teoricamente, pretendem discutir e viabilizar mudanças na sociedade.

    Tiago, você questiona: “você acha que essa vida de casulo já resolveu algum desses problemas?” Mas será que o arquiteto ou seu cliente querem resolver algum problema? Cabe á elite branca, incluindo seu arquiteto representante, a solução, mesmo que parcial, da questão da desestruturação urbana? É aí que discordo, questões políticas, sociais e urbanas, são questões governamentais, cabíveis, portanto, ao estado. Não quero, com isso, lavar as mãos aos problemas inerentes a todos, mas dirigir a responsabilidade a quem lhes cabe. Pelo menos a princípio, a função da elite – branca ou não – é pagar impostos que seriam convertidos, pelos representantes eleitos, em soluções para os problemas da população. É cargo dos governantes administrar o patrimônio para o bem público. Caso não fosse assim, correríamos o risco de vermos reproduzida a cafonice de Dubai em larga escala se ficasse á cargo de uma elite determinada a solução do espaço urbano. A elite não tem que dar exemplo, isso seria aristocracia, e o poder público não tem que interferir no direito privado, isso seria autoritarismo.

    Compreendo a crítica á alienação de determinado estrato social mas creio que a artilharia esteja voltada ao alvo errado. Não seria o caso de demandar soluções ao governo para que represente a população como um todo e legisle o espaço comum? Não é esse o fundamento da democracia representativa? Não cabe ao governo mediar questões públicas? Não me parece que a desestruturação urbana esteja incomodando a elite. Eles são (ou estão) indiferentes, e quem não está, o que pode fazer diferente?

    Lauro, concordo que as escolhas individuais refletem um modelo esperado de sociedade. Então, por que criticar uma elite que não faz mais que reproduzir a estrutura social e política da qual faz parte? O espaço público só pode ser resultado do anseio de todos na sociedade democrática. E tem sido lugar comum culpabilizar as elites por quaisquer problemas políticos, sociais, culturais ou de desestruturação urbana. É como tomar um problema e focá-lo em uma parte, desfocando do todo. Dizendo de outra forma, acredito que deveríamos concentrar as críticas e reflexões das questões públicas no coletivo, e não em uma minoria, seja ela qual for. Não incluir as demais pessoas – aquelas com nem tanto dinheiro – da construção social e consequentemente da desestruturarão urbana não é exclusão, isolamento? Por que os outros setores são menos imputáveis pela desestruturação social e urbana? Não é justamente a parte incomodada que deve se mobilizar e providenciar mudanças?

    Quanto à questão da alienação através do entretenimento não vejo porque uma noite no quarto ‘sex’ possa ser mais – ou menos – alienante que num baile funk ou numa festa rave. É impressionante a variedade de ambientes onde se pode sentir pertinente. Inclusive o isolamento tem existência concomitante à existência em sociedade.

    Criticar é fácil, difícil é pensar diferente.

    É um prazer bater papo com vocês,
    Duvshanit

  24. Cara Duvshanit, depois voiu me debruçar melhor sobre os seus argumentos, mas acho estranho você se referir aos governantes como seres a parte da sociedade, pessoas pertencentes a um estrato social alienígena. Como se as decisões deles, fossem independentes de qualquer classe social ou influências econômicas.
    Os políticos eleitos por todos são também pagadores de impostos, sonegadores, parte da elite branca ou não. E a elite é bem branquinha mesmo.
    Depois me detenho melhor às pergunats.
    Grande abraço.

  25. Acho estranho, Lauro, você ter entendido assim meus argumentos.

    O tempo todo tentei enfatizar a relevância da participação de TODOS nas questões discutidas. Se considerasse os governantes pertencentes a um estrato social alienígena, cujas decisões fossem independentes de qualquer classe social ou influências econômicas, não atribuiria a eles a possibilidade de mudanças!

    Att, Duv

  26. Eu entendi que quem deve ser cobrado são os governantes, o ESTADO (e com maiúscula porque parece algo alienígena mesmo o tal estado em seu comentário). Um Estado que governe para todos? Hmmm. Não sei, não vi, não conheço. Até agora, o Estado brasileiro governou para poucos e, sem relativismo ou sentenças pós-modernas, até as pedras lá do bairro Árvore Grande no subúrbio de Pouso Alegre, Minas Gerais, sabem pra quem foi. Elite branca, branquinha.
    E, numa boa, “por que criticar uma elite que não faz mais que reproduzir a estrutura social e política da qual faz parte”??? Reproduzir?? Quem criou essa estrutura social e política?? Os incas venusianos? O demônio, os macumbeiros? O inferno são os outros, como sempre…

  27. Bem Dusahavanit, a vida não está fácil, portanto eu vou responder por cima. Bom porque continuamos a conversar depois. Bem, você perguntou se a designação de elite branca era racista. Racista não é a noção, mas a sociedade brasileira. Você é de belo horizonte, olhe para os seus pares poxa. A cidade é a capital que tem mais negros no sudeste, veja quantos ocupam as posições de direção, quantos dão aulas nas universidades, dirigem hospitais. Portanto, se isso não é racismo, não sei o que é.

    Acredito que a democratização do país chamou a atenção para a questão racial, que antes era tratada apenas como um apêndice da miséria brasileira. Com isso, a questão tem sido melhor discutida.

    Sobre o casulo arquitetônico:
    Em momento algum eu falei que a criação de espaços privados deve resolver problemas coletivos. Quando escrevi o que escrevi pensava na outra ponta da questão. Não o que solucionaria um comportamento exclusivista, mas o que o causava. acredito que esse alheamento é algo que causa. Assim, como o desejo de distinçao social. Mas se é para discutir as qualidades e defeitos formais, vamos lá. Bem, em primeiro lugar, acho a idéia de lazer das casas desses arquitetos de loja da Oscar Freire um equívoco. Poxa, aquelas piscinas estreitas, para um sujeito praticar natação é pensada menos para a convivência do que para o refúgio. Parece um abrigo nuclear na minha opinião. Mas um abrigo nuclear trendy, um bunker com uma decoração de madame. Aliás, esse é o público dele.

    Por isso suas construções não desafiam. e nem criam novas formas de uso para as coisas, eas atendem algo estanque, pré-determinado e chique, de bom gosto. Aliás, mesmo no uso as coisas são insossas, podem ser qualquer coisa.

    A galeria Luísa Strina, por exemplo, podeira ser uma galeria de arte ou uma loja de bolsa, tanto faz. divertidinha de acordo com um gosto careta. A praça da rua amauri, que ele fez aqui em São Paulo, parece uma jaula de zoológico. Aliás, aquilo nem é uma praça, é um quintal cercado com uma canaleta de água do lado. Tanto que ninguém fica por lá.

    É impressionante, tudo o que ele faz, seja casa, galeria de arte, praça, restaurante, fica tudo com cara de loja da Forum. Tudo.
    Agora, ele é melhor que muito arquiteto, que nem pensa o espaço, é verdade. Acho que ele tem um estilo dele lá. Mas é um estilo que eu não gosto. No caso das galerias de arte e espaços abertos eu acho uma lástima.

    Um abraço
    tiago

  28. Não sei se você concorda comigo, mas as ações sociais, também reestruturam as estruturas prévias e institucionalizadas da sociedade. Portanto, mesmo a ação mais cosmética parece ter efeito político. Talvez nós pensemos diferente nesse ponto, por isso é sempre bom bater papo.
    abraço

  29. Eita, que eu só entro aqui pra levar xingo !

    Vamos lá….

    Daniel, sinto que a escrita de ‘estado’ com maiúscula tenha te incomodado, é um vício difícil de largar. E que bom que mencionou Sartre! Mais interessante do que culpar os outros pelo inferno da nossa realidade é a afirmação dele que defende que não interessa o que fizeram de nós, mas sim o que fazemos com o que fizeram de nós. Essa idéia resume o que venho tentando expressar aqui.

    Tiago, como já disse, não conheço o suficiente de arquitetura para discutir o assunto, posso falar apenas sobre o que gosto. Sempre admirei muito Frank Lloyd Wright, acho o trabalho dele brilhante. Usando seus critérios, as estruturas dele podem parecer um bunker, ele se preocupa com as questões do espaço físico e não parece levar nem um pouco em conta o espaço social. Muito pelo contrário me parece que ele afirmava ser o seu trabalho voltado para a satisfação individual, nada convidativa á convivência (social) e voltado apenas à finalidade do projeto ou ao desejo daquele que irá usar o espaço.

    Até mais.

  30. Querida Duvshanit, nunca te xinguei, nunca xingarei. Quanto ao Lloyd-Wright, você tem certeza de que a obra dele parece bunker? Eu tenho uma impressão completamente diferente.

    O considero um gênio e tive a oportunidade de visitar algumas importantes construções saídas do traço dele. Ele fez muita coisa e mudou um tanto na carreira dele. Visitei a suas construções em Chicago, em Nova York e a Massaro House, no estado de Nova York. Também já li muito e tentei entender a casa na cascata (http://www.fallingwater.org/ e http://www.howardmodels.com/frank-lloyd-wright/Frank-Lloyd-Wright.jpg) http://www.architectural-models.com/assets/images/architectural_models_frank_lloyd_wright_fallingwater_model.jpg. Infelizmente, não a visitei.

    Nenhum dos projetos é voltado para dentro e nem se parecem com um refúgio. Muito pelo contrário, a casa na cascata e a Massaro House são brilhantes por se proporem como uma continuidade da natureza no jeito de morar, se parecendo dessa forma com a poesia de Walt Whitman e a pintura de Jackson Pollock. ele foi criticado por expandir a morada para esses lugares, mas se trata de uma expansão, não de uma retração. Com todo o respeito ao trabalho do Weinfeld, ele merece respeito e trabalha dentro de uma linguagem própria mesmo, mas nada pode ser mais dispar.

    A Massaro é póstuma, mas muito bonita, começa nas pedras, como pedra e continua quase como uma casa que paira sobre a água. A iéia é linda, não é uma cosmética de formas modernistas, mas uma relação com a paisagem, com o mundo em volta e a possibilidade de viver com essa natureza.

    Projetos mais urbanos, como o museu Guggenheim e a casa e o estúdio de Wright são propostas de circulação no ambiente, de tentativa de uma visão de conjunto, sempre ligadas a uma relação integral com o espaço, não compartimentada. São espaços em que se tem uma relação com a rua, não uma fuga dela. A casa dele em chicago já é mais antiga e é uma passagem da arquitetura americana para o moderno, mas a Robie House é um monumento à relação entre a cidade e a natureza. Não vejo termo de comparação.

    Claro que ele é um artista de outro tempo que atendeu demandas de outro tempo, mas não consigo imaginar uma praça gradeada do Frank Lloyd-Wright.

  31. Cara Duvshanit, eu havia escrito: “Aquela casa para o solteiro com a plaquinha sex na escada dá uma vergonha alheia danada do pobre do sujeito que pediu por aquele disparate.”

    Você respondeu: “Quanto à questão da alienação através do entretenimento não vejo porque uma noite no quarto ‘sex’ possa ser mais – ou menos – alienante que num baile funk ou numa festa rave.”

    Sem querer desrespeita-la, mas eu não havia falado absolutamente nada sobre uma noite no quarto sex e nem comparei com rave, baile funk, pagode, vernisage ou qualquer outra coisa. Só disse que como várias obras do Weinfeld é uma coisa de extremo mal gosto. E que me envergonharia se um amigo colocasse isso a casa, pela falta de sutileza e pelo caráter puramente utilitário e unicamente ao “gosto do criente“.

    **********************************

    Eu disse: “Nesse sentido, é exemplar o perfil de Isay Weinfeld para a revista Bravo! deste mês. Um exemplar do que a elite branca deseja e do papel dela na construção de uma sociedade blasé, no pior sentido da palavra.”

    e também escrevi: “Nesse sentido, tal perfil reflete muito o desinteresse desse grupo de pessoas que saúda e vive numa realidade diferente da maioria do País. Uma realidade trazida pra eles pela banda larga, pelo DVD e por eventos e clubes que emulam uma vida que só existe dentro de um consciente coletivo dos um pouquinho mais endinheirados.

    Fora dessa realidade dos seriados americanos e da cobertura da CNN ou da Fox News é tudo feio, assustador e é melhor ser evitado.”

    Você me respondeu: “Pelo menos a princípio, a função da elite – branca ou não – é pagar impostos que seriam convertidos, pelos representantes eleitos, em soluções para os problemas da população. É cargo dos governantes administrar o patrimônio para o bem público.”

    e também afirmou que: “Compreendo a crítica á alienação de determinado estrato social mas creio que a artilharia esteja voltada ao alvo errado. Não seria o caso de demandar soluções ao governo para que represente a população como um todo e legisle o espaço comum? Não é esse o fundamento da democracia representativa? Não cabe ao governo mediar questões públicas? Não me parece que a desestruturação urbana esteja incomodando a elite. Eles são (ou estão) indiferentes, e quem não está, o que pode fazer diferente?”

    – Então cara Duvshanit, quando escrevi isso critiquei justamente o comportamento alienado de quem cobra impostos e só se mexe de acordo com os seus interesses. A artilharia não foi para o lado errado uma vez que a demanda de políticas urbanas tem muito mais a ver com a elite do que parece. Fosse assim, não se construiria tantas via para carros. Não se construiriam bairros inteiros (ao gosto do cliente) que reproduzem uma vida que nada tem a ver com o restante da sociedade. A idéia era justamente apontar o que esses gostos dessa elite expressam sobre os mais ricos brasileiros. Uma expressão de mau gosto extremo, em minha opinião.

    Acho que cada um escolhe o que quer pra casa. E acho que essas escolhas individuais expressam uma vonbtade individual e quando essas vontades são somadas se constrói o que é uma sociedade. O modelo que o Weinfeld expressa com seus projetos sob medida para o cliente expressa sim um zeitgeist desses clientes, todos provenientes da classe social mais rica do Brasil. E é bom lembrar que é um país que peca pela desigualdade social sim e que tem um dos fossos sociais mais profundod do mundo.
    E isso não é uma opção de governo. Isso é a história de uma sociedade que necessariamente opta pela aquisição de bens de consumo por poucos em desvantagem da maioria.
    Acho que os vídeos no link que eu postei são bens ilustrativos disso. Se você assiste os caras gastam em uma noite o que pagam para a empregada. Se isso não é concentração de renda e afastamento da sociedade, eu não sei o que é.
    Quanto a “elite branca”, acho que no Brasil entre os mais ricos há muito menos não-brancos do que em países com muito mais brancos (percentualmente) como EUA e Inglaterra por exemplo.
    O fosso social tem a ver com a cor da pele sim, mas isso é uma discussão muito mais extensa.
    Até logo e abraço

    Lauro

  32. “Mais interessante do que culpar os outros pelo inferno da nossa realidade é a afirmação dele que defende que não interessa o que fizeram de nós, mas sim o que fazemos com o que fizeram de nós.”

    Só pra complementar, quando escrevo da elite, também estou falando de mim mesmo. Sou da minoria rica , conectada à banda larga e à TV a cabo. E estou discutindo onde estamos. Agora, realmente não tenho nenhuma resposta para soluções urbanas. Mas o propósito do debate é justamente esse: olhar onde estamos e a partir daí pensar em uma sociedade menos desigual e com mais diálogo e participação das pessoas.

    Negar o papel de quem recebe boa parte da riqueza (e é muita riqueza) gerada nesse sistema econômico, urbanístico e social injusto, é negar a própria fundação de toda sociedade e pensar num período de só quatro anos, quando elegemos representantes.

    Mas e para você Duvshanit, qual seria um modelo de uma sociedade mais democrática?

    Abs,

    Lauro

  33. Olá

    Sinto muito não poder responder como gostaria.
    Logo entro de férias e acho que vou ter menos tempo ainda.

    Tiago, devo ir a São Paulo, e quem sabe não visito uma das ‘obras’ de Isay Weinfeld.

    Vou tentar escrever mais em breve.

    Att, D.

  34. Hermenêutica:

    “…they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.” Martin Luther King

    “Essa crise não foi gerada por nenhum negro, índio ou pobre. Essa crise foi feita por gente branca, de olhos azuis.” Lula

  35. Alexandre,
    A conclusão é por conta do freguês, ou pra quem precisa dela.

    Lauro,
    Se não queria discutir, era melhor não ter postado na internet.

    Inté.

  36. Cara Duvshanit, não leve a mal, foi só uma brincadeira com você e com o Ceará. Só acho que esse tópico foi escrito há dois meses por mim mesmo e não fala nem de Martin Luther King e nem do Lula.
    Falar disso aqui é misturar alhos com bugalhos, com todo respeito. E depois desse tópico, nós já falamos de tantas outras coisas. Você viajou de férias e voltou e continua na mesma caixinha de comentários. Procure dar uma olhadinha no blog acho que tem lugar que esse comentário se encaixa melhor por outros espaços.
    Agora, comentar com piada não deixa de ser uma forma de expressar opinião também. Os comentários, desde que não tragam ofensas pessoais a ninguém, são livres aqui. Agora, as respostas a eles são livres da mesma forma.

  37. Olá, como vão?

    Estou respondendo a algumas questões que ficaram pendentes.

    *Sobre F.L. Wright e o espaço:

    Infelizmente, embora já tenha estado nos Estados Unidos, não conheci as obras de F. L. Wright. Mas já fui a algumas exposições voltadas ao trabalho dele.

    Um professor, também admirador de Wright, me deu um cd com entrevistas dele, eu, que já gostava de seu trabalho, passei a admirar sua personalidade. Nas entrevistas ele me pareceu absolutamente egoísta, anti-social e individualista. E, se suas obras não são feitas para o refúgio, também não o são para o coletivo. Percebo em suas obras continuidade com a natureza, mas não com o social.

    O Guggenheim me passa a impressão de um lugar propício à solidão. As curvas em que as obras estão expostas individualizam o momento da apreciação. Acho que o oposto acontece no MASP onde as obras ficam expostas num quadrado gigante e a apreciação é compartilhada com outros – com barulhos de conversa, narração de guias, crianças correndo, etc. – deixando pouco ou nenhum espaço para a reflexão. No MASP a interação com a rua é exagerada, as salas de exposição são quase uma continuidade da movimentada Avenida Paulista. Para mim, não é o planejamento ideal para um museu. Reconheço que o MASP é um espaço acessível, mas privilegia o numero de visitantes não a qualidade da visita. Imagino que a experiência seja outra em NY.

    Quanto a afirmação de F.L.W. ser um artista “de outro tempo, que atendeu a demandas de outro tempo” eu discordo. Acho que ele ainda responde (responderia) às demandas atuais.

    Se você não consegue imaginar uma praça gradeada feita por ele, eu não consigo imaginar uma praça feita por ele. Claro que posso estar enganada, mas não imagino uma produção dele voltada ao coletivo, ao social, á demanda pública.

    Eu vou tentar encontrar e disponibilizar a gravação das entrevistas dele. Não sei se já estão no youtube…

    ** Quanto ao quarto “sex”, Weinfeld e a vergonha alheia:

    O que eu tentei dizer com o que eu disse é que interessa menos o lugar do que o que se faz nele. O Coliseu é lindo, não é? Era usado como palco para assassinatos brutais como entretenimento.

    Você atrelou o espaço público e o espaço privado à classe social e à alienação. Eu quis dizer que, nesse caso, o espaço é privado, o proprietário faz dele o que bem entender.

    Embaraçoso é eu ter que explicar o que eu disse : )

    De toda forma, acho q eu desviamos do assunto central, ou pelo menos do que me fez participar da discussão: a questão da atribuição de qualidades definidas a uma raça.

    Atenciosamente, D.

  38. Oi

    Recebi a mensagem no meu e-mail como comentário postado.

    Author: Tiago Mesquita
    Comment:
    Duvshanit, com todo respeito, você não se interessou por mais nenhum assunto do nosso humilde bloguinho?

    Resposta: Tiago, com todo respeito, não. Só esse assunto me incomodou.
    Tenho alguns amigos que também tem blog e eu estou meio cansada de ouvir gente inteligente criticando, de forma inteligente, a revista veja, o mac donalds e a elite pelos males do mundo. Saturou; e pior, os assuntos mais diversos acabam sempre nesse lugar comum onde todos se acomodam.

    Att, Duv

  39. Então você precisa ler mais o blog do Guaci. Os assunto aqui são bem mais amplos do que isso. Você podia ter um pouquinho mais de boa vontade. Quem parece obcecada com o papel da elite e na defesa aguerrida desse tema é você.

  40. Eu nunca escrevi nada sobre o macdonalds, que eu não gosto pelo sabor. De resto, não me lembro de culpar ninguém aqui. Você tem todo o direito de não se interessar pelos outros assuntos, mas não entendo a insistência em algo que você diz estar tão cansada.

  41. Queridos,

    Estou acostumada a não ser compreendida, isso não me incomoda mais.

    Agradeço o espaço para reflexão de assuntos do meu interesse. E fico comovida com a insistência pela minha participação em outros tópicos. Parabenizo vocês pelo site e deixo aos demais interessados os comentários dos variados posts.

    Sem mais, Duvshanit

  42. Aliás, tem mais sim.

    É uma pena que seja percebida como insistência ou obsessão a tentativa de aprofundamento e de discussão de uma questão, no meu ponto de vista, relevante.

    Atenciosamente, Duvshanit

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