Nunca foi segredo o papel do entretenimento hollywoodiano no complexo militar-industrial dos Estados Unidos. Premiações como o Oscar revelam intenções dessa indústria e como o galo tem cantado nas relações entre capital e estado no maior país do Atlântico Norte.
No período ao redor à premiação, um número considerável de notícias associando a produção de filmes blockbuster ao aparato americano de segurança assustou. Ninguém escondeu nada. as agências de vigilância e inteligência estiveram associadas à criação de mitologias em torno da CIA, forneceram informações para filmes de propaganda e até tentaram escolher quem entrava e quem não entrava no auditório do evento.
Embora eu não entenda nada de segurança nacional do pessoal do EUA, não tenha interesse específico por filmes de Hollywood e nem esteja a par da cooptação da indústria do entretenimento pelo poder bélico, as informações são tantas que fazem temer o poder que Langley ganha nos corredores da Casa Branca sob Obama.
2) O filme Argo, realizado por um diretor medíocre e baseado em uma sucessão de falsificações, premiado pela primeira dama dos Estados Unidos, foi criticado por exagerar o papel da CIA na operação de resgate dos funcionários da embaixada americana em Teerã. Isso não é pouco. A derrota acachapante sofrida pela CIA durante a revolução iraniana é transformada em vitória humanitária. Aliás, os funcionários da embaixada foram vítimas dessa situação lamentável, em parte, pela inabilidade intervencionista de seus agentes qualificados.
O papel do agente herói é construído ao modo das pinturas históricas da Academia Francesa de Belas Artes entre os séculos XVIII e XIX. São burocratas que se tornam figuras míticas, abnegados. A música faz o encaminhamento de um memorando parecer um gesto de transformação do planeta.
Muitos sugerem a licença poética como uma salvação para Affleck. Convenhamos, tal como na pintura tradicional, aqui o mito pretende explicar a história. Não é por acaso que as imagens de arquivo são encenadas com tamanha verossimilhança. O caso é menos grave. Trata-se apenas de mais um filme hollywoodiano ruim.
Tudo bem, tudo bem, nesse blog já passa mosca e o que tem de teia de aranha acumulada aqui e ali não está no gibi. O ano de 2011 não foi fácil pra ninguém e isso acabopu refletindo nesse abandono do Gua Gua. Mas a retomada começa agora e nada mais nobre do que dar uma força ao nosso grande amigo André Mantelli.
A alegria em pessoa Mantelli foi responsável por momentos muito felizes no Rio e são dele (e do meu chapa Alberto), as imagens de um dos dias mais felizes da minha vida.
Ele é um fotógrafo excelente e ontem foi assaltado no Rio. No roubo, subtraíram dele quase todo seu equipamento, isso bem em meio a um grande trabalho que ele faz sobre a Mata Atlântica. Por isso reproduzo o post que ele fez em seu blog. E convido todos a darem uma força em sua vaquinha.
manta aid
é verdade, como cartunista sou um excelente fotógrafo.
e é exatamente por isso que criei esta página para que aqueles que gostam das minhas imagens-histórias possam me ajudar na reconstrução de um pequeno patrimônio de trabalho.
(para quem ainda não sabe, perdi todo o meu equipamento fotográfico, que estava sem seguro, num assalto no rio)
pensei muito antes de optar em colocar este help aqui. aliás, bastaria dar o nº de uma conta. contudo achei interessante abrir valores, prestar contas e agir com transparência monitorando publicamente a evolução desta campanha. se tiverem outras sugestões, serão mais que bem-vindas.
fiz duas listas: a primeira corresponde exatamente ao que perdi, que é a meta mínima, 18 mil reais;
a segunda coloquei um ‘plus’ sobre o equipamento – vai que a galera se empolga – e tento complementar.
mas, afinal como disse lévi-strauss, ’vive-se em abundância e “nada falta a não ser o que não se tem.’
para alguns, pode ser uma oportunidade de investimento. mais ou menos como um leilão.
por exemplo.
se vc doar 20 reais pra causa, ganha um portrait de vc mesmo em formato digital que mandarei por email. não se preocupe, uma hora estaremos na mesma cidade, rs.
imagino fazer uma expo com retratos deste movimento solidário. usarei sua imagem, se autorizar.
por módicos 50 reais vc leva o mesmo retrato impresso, formato 20 x 30 cm.
doando 100, vc faz três destes últimos (mas só um seria usado naquela exibição).
500 reais a gente faz o portrait que poderá ser usado na expo + um ensaio fotográfico, com 20 fotos finais (sem impressão).
1000, vc ganha o ensaio + uma ampliação de 75 x 50 cm de foto a escolher no flickr/mantelli.
ou faça sua proposta!
mas nos ensaios não estão incluídos possíveis custos de produção, certo?
peço que espalhem, divulguem, me ajudem a romper a meta.
absolutamente tudo será revertido para uma produção fotográfica apaixonante.
(pelo menos é o que pensa o apaixonado)
obrigado de coração pela generosidade e fraternidade.
Torcida explosiva e revolucionária do Ferroviário (CE)
E hoje, dia 5 de maio, justo na data de aniversário de Karl Marx, um representante do time do Guaciara entra em campo em Curitiba com alguns craques da imprensa, da academia e da Internet para falar sobre política e futebol. O evento acontece no Paço da Liberdade - SESC Paraná, em Curitiba, e se chama Agenda 2010 – Futebol e Política.
As conversas vão até sexta-feira e devem ser encerradas com música.
Só pra lembrar, junto com um perna de pau como eu, o evento reúne craques da bola e das idéias como Sócrates, Leandro Fortes, Idelber Avelar e Zé Miguel Wisnik. A coisa vai ser boa na terra do Furacão e do Coxa. Apareçam!
* E só um detalhe, a imagem acima é o logo da Ultras Resistência Coral , a genial torcida socialista e soviética do Ferroviário (CE). O lema é uma pérola:
“Nem guerra entre as torcidas/ nem paz entre classes!” Guaciara já é fã!
Dia: 05 de maio, às 19h
Imprensa, Copa do Mundo e Eleições
- Mídias tradicionais e a Internet na cobertura das eleições
- O reordenamento do acesso à informação
- O papel histórico da imprensa como filtro mediador entre a seleção brasileira e a opinião pública, das demandas regionais ao monopólio das transmissões
- Análise comparativa da cobertura das eleições e da Copa do Mundo
- Significados e possíveis diálogos entre a mobilização política e a celebração popular.
Debatedores:
Joaquim Toledo Junior
Mestre pelo departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, membro do Núcleo Direito e Democracia do Cebrap.
José Paulo Florenzano
Doutor em Ciências Sociais, Professor da PUC-SP, Núcleo de Estudos do Cotidiano e Cultura Urbana.
Leandro Fortes
Jornalista, professor e escritor. Repórter da revista CartaCapital em Brasília, trabalhou em diversos veículos, entre os quais O Estado de S.Paulo, O Globo, revista Época e Jornal do Brasil. É autor de Cayman: o dossiê do medo, Fragmentos da Grande Guerra e Jornalismo Investigativo, entre outros livros.
Mediador: jornalista Israel do Valle
Dia: 06 de maio, às 19h
Arte e profissionalismo na era da imagem
- Os limites do espetáculo no futebol empresarial
- O Barcelona e a nova linguagem do futebol arte
- Prosa e poesia do jogo, segundo Pasolini
- O pragmatismo de Dunga contra as tentações de Ganso e Neymar
Debatedores:
Francisco Bosco
Escritor, letrista e ensaísta. É autor de Da Amizade, entre outros. Doutorando em Teoria Literária pela UFRJ e professor de Teoria Literária da Universidade Estácio de Sá.
José Miguel Wisnik
Ensaísta, músico e professor de Teoria Literária na USP. Publicou entre outros livros, O Coro dos Contrários – a música em torno da Semana de 22, Sem receita – ensaios e canções (Publifolha) e O som e o sentido.
André Mendes Capraro
Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná. Pesquisador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade.
Mediador: jornalista Lauro Mesquita
Dia: 07 de maio, às 19h
Futebol em tempo de ruptura: Democracia corintiana, seleção brasileira e abertura política
- A militarização da seleção brasileira durante a ditadura
- A experiência de vanguarda nas relações de trabalho no Corinthians
- A Copa de 82 como embrião da campanha das diretas
- O jogador e a militância política
- A relevância da democracia corintiana no contexto do futebol atual
Debatedores:
Idelber Avelar
Mestre em literatura brasileira pela Universidade da Carolina do Norte e Ph.D. em literatura latino-americana por Duke University.
Marcos Guterman
Jornalista, escritor e historiador. Faz doutorado em história pela USP. Sua dissertação de mestrado abordou a relação do futebol com a política no governo Médici.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Oliveira
Ex-jogador Corinthians e da Seleção Brasileira de Futebol, líder da Democracia Corintiana e teve grande participação no movimento das “Diretas Já”. Formado em Medicina. Atualmente é articulista da Revista CartaCapital.
Mediador: jornalista Rodrigo Merheb
Dia: 7 de maio, 21h
Vai-e-vem de lances: Música e Futebol
Uma conversa musicada e afinada, sobre música e futebol, entre José Miguel Wisnik, ensaísta, músico e professor de Teoria Literária na USP e Sócrates, ex-jogador Corinthians, líder da Democracia Corintiana. Médico e articulista da Revista CartaCapital.
Quem já passou um tempinho em redações sabe que a dificuldade em conseguir fotos gráficas e chamativas para uma publicação é um dos dilemas para quem cobre o jornalismo de idéias. Quando se escreve sobre literatura ou pensamento sobra pouca coisa para se registrar que não a foto do autor e a(s) capa(s) do(s) livro(s) sobre o qual se fala.
Muitas vezes o discurso do sujeito em si pode parecer meio cifrado pro leitor comum de jornal.
Os problemas dessas pessoas acabaram – no sentido mais tabajara possível -quando fundaram a instituição do colunista coringa, do intelectual midiático. O sociólogo Pierre Bourdieu em Sobre a Televisão, por exemplo, se dedicou a estudar esse nicho intelectual que ele apelidou defast thinkers. Aos leitores que buscavam o debate perdido em meio a tantas fotos e propagandas de sapato e bolsa, a impressão era de que finalmente havia um cantinho pra saber o que as pessoas estavam pensando, quais eram suas dicas.
O papel deles no princípio parecia ser esse mesmo: introduzir assuntos e estimular o debate. Só que com a polarização ideológica no Brasil pós-democratização, esses personagens se tornaram uma espécie de Marlene ou Emilinhas das redações. Aparecem nas revistas, recebem toneladas de cartas dão verniz de autoridade para os jornais e palavras prontas para os leitores repetirem com seus amigos.
E parece que o leitor precisa de declarações definitivas e burras como: “não há literatura no Brasil”, “arte contemporânea é empulhação”,”o Brasil não é um país racista”, “Lula manchou sua mão de sangue por causa de um acidente de avião” etc.
Na atualidade, eles mais que isso, preferem dar passa-moleque nos inimigos do proprietário do jornal. A fauna à disposição dessas redações é variada e raramente faz alguma diferença na produção acadêmica brasileira. São quase sempre muito irrelevantes no campo de pesquisa onde atuam, mas mobilizam e direcionam um leitor “media oriented” que dificilmente acredita em produção cultural fora do escopo das grandes empresas culturais e/ou de comunicação.
Talvez na economia, o debate nos meios de comunicação seja mais criterioso e intenso pelo impacto que cada opinião pode causar no bolso de quem investe.
O fato é que, se esses personagens circulavam só no campo das idéias, há algum tempo também existem versões midiáticas para as artes visuais, para a literatura, para a política etc. No geral, são de novo personagens que causam estardalhaço nas páginas de jornal e revista, na Internet e na tela da TV, mas que fazem pouquíssima diferença na sua área de atuação e mesmo na sociedade como um todo. O nicho deles é o cada vez mais reduzido público de revistas e jornais. Mesmo por que na maior parte do tempo requentam preconceitos ou debates muito antigos.
O problema é que ao invés de ter o papel de introduzir um assunto, no Brasil, esses personagens têm sido agentes de mistificações e preconceitos. Ao invés de serem um radar do que vem sendo pensado na academia, nas esferas dos três poderes ou nos estúdios e galerias de arte, esses sujeitos têm atuado como avalizadores da ignorância e do erro.
Nas artes, por exemplo, isso se transformou em uma campanha irracional contra a arte contemporânea. O papel dessas figuras midiáticas não é convidar o público a conhecer coisas novas, mas servir como um filtro pra tudo que ameaça a limitação intelectual. É o discurso da facilidade em si, mais ou menos assim: “se você não conhece, é melhor nem conhecer. É coisa sem sentido pra uns esnobes metidos a besta.”
O problema é que essa lógica de palavras fáceis, com alto potencial de marketing e baixíssimo potencial de reflexão se espalham além do debate intelectual e agora se transformam também em:
- imagens – em que as artes visuais têm de ter imagens fáceis de se identificar e atreladas a uma tradição que se encontra em qualquer enciclopédia. Qualquer distropia é vista como “empulhação”.
- cinema – em que o maior desafio ao espectador tem de ser a descoberta das referências pop do diretor. A narrativa tem de ser linear, os diálogos naturalistas, de preferências com algumas sacadas…
- música – em que a seqüência de notas não pode ter estranhamentos e as canções têm de grudar, qualquer coisa nova tem de estar no arranjo, no usode alguma nova tecnologia ou na distribuição comercial. (Ah, e música é exclusivamente feita para ser gravada).
- e literatura – Onde a narrativa tem de ser necessariamente fluente e em discussão com gêneros e temas próximos da literatura americana. Fora disso nada é suficientemente “universal”.
A campanha contra tudo que saia do gosto médio não deixa de ter o mesmo sentido da grande indústria cultural que quer todos assistam os mesmos filmes, escutem as mesmas músicas e tenham uma opinião parecida sobre o mundo.
Em todos esses campos, a criação artística é classificada mais como uma definição do estilo de ser da pessoa do que como uma maneira de refletir sobre o mundo. Uma coisa parecida com a moda. O gosto expressa as escolhas da pessoa, a bandeira que ela veste, o grupo social com que ela se relaciona. A relação é sempre de adesão ou repulsa, nada além disso.
O esforço de criação fica só na tradução das palavras dos outros para a do leitor/espectador. Às vezes, nem isso…
Acho que foi o Rafael Mendonça, um velho amigo, quem descreveu com perfeição a sensação que temos ao baixarmos arquivos da internet pela primeira vez: “é como sair do supermercado sem precisar pagar a conta”. Serve também para segunda vez, terceira, nonagésima e aí vai.
Outro chapa, o Henricão, certa vez me contou a sua imagem de uma revolução. Nela, um senhor de meia idade corria fugido pelos corredores de um frigorífico com uma peça de salame de oito quilos sobre o ombro. Ao passar pela cortina de lona transparente, descobria uma saída para a rua, depois do setor de laticínios. De lá, era só encontrar o camarada que pegou o pão e o outro, responsável pela Fanta laranja, que corria com os retardatários do saque, e comemorar.
Nas últimas semanas, com pouco tempo para postar, acumulei uma série de ofertas por aí. Por exemplo, além de abrir um blog supimpa, o pessoal da CosacNaify liberou o livro Flores, de Mario Bellatin. É só ir lá, pegar o texto, ler e depois comentar com os cossacos o que você achou.
O ubuweb sempre foi o meu varejo favorito. Para quem ainda não sabe como baixar o conteúdo do site, aprenda agora: você deve bater com o botão direito do mouse sobre o endereço do arquivo que você deseja transferir para o seu computador. Feito isso, aparecerá a opção “salvar link como”. Você seleciona o texto e escolhe a pasta onde o arquivo irá se alojar. é mais fácil que comprar dvd na vinte e cinco de março.
Eu já recomendei, mas insisto, a revista ars disponibiliza todo o conteúdo da publicação para o pessoal. O último número tem um texto do Danto, um do Paulo Monteiro e outro do Valéry. Falam sobre Sean Scully, Leonilson, Paulo Pasta, cinema etc.
Não bastassem todas essas promoções, o nosso orgulho, amiga e grande jornalista Natalia Viana liberou Plantados no chão, o seu livro, na íntegra. O volume é uma das melhores reportagens publicadas nos últimos anos. Sem medo da guilhotina, Natalia nos conta alguns assassinatos de militantes no Brasil de hoje. É o atraso do atraso com sangue, tripas, poder e dinheiro.
Eu pagaria uma grana em tudo isso, mas já que é de graça…
O blog do Guaciara tem a honra de convidar a todos para sintonizar na TV Brasil nesse sábado às 23h45 para assistir a estréia do programa Ponto Brasil. O programa é coordenado pelo Leandro Saraiva, que é amigo da turma do Guaci e um cara que todos nós admiramos demais. Já assisti o primeiro episódio e me empolguei demais com a iniciativa de construir uma televisão com pessoas comuns a partir dos pontos de cultura e sem nenhuma condescendência.
Acho que a iniciativa vai além do produto e propõe uma construção de uma TV realmente pública e produzida em patamares que eu não conhecia mesmo. A Associação Imagem Comunitária, de BH, faz um trabalho que tem um pouco a ver, mas mais focada nos jovens.
Segue o convite do Leandro Saraiva para esse projeto que me empolgou demais:
Gostaria de convidá-los a conhecer o Ponto Brasil, um programa de TV, mas mais que isso, uma ação artística em rede, envolvendo mais de 100 Pontos de Cultura e Coletivos Audiovisuais. Uma co-produção TV Brasil e Minc/SCC. Estréia dia 21 de novembro, 23h45, na TV Brasil.
Até onde eu saiba, o Ponto Brasil é o primeiro programa feito assim, em rede, por uma enorme turma de 400 pessoas, espalhadas pelo país.
Mas o principal motivo para eu convidá-los a conhecer o programa é seu MÉTODO de construção. Se vocês tiverem interesse, verão no www.pontobrasil.org.br um formulário de projeto online, aberto a acréscimos e comentários dos participantes da rede, e uma sessão de apoio, com dezenas de trechos de filmes comentados, que servem de referências para as discussões colaborativas que vão dando forma aos projetos de vídeo (o site é uma plataforma de trabalho – não tivemos tempo para desenvolver o design, nem para aprimorar a navegação. Mas mexendo um pouco dá pra sacar como funcionou para os 400 participantes).
Isso não é um detalhe, é a alma desta experiência.
Ouvimos falar bastante da produção audiovisual dos Pontos de Cultura, mas ela é, via de regra, ainda ingênua, e há um apelo para sermos condescendentes com os resultados. No Ponto Brasil, através desse método de colaboração e crítica, nos propusemos a avançar na qualidade (criativa, ainda que a qualidade técnica tenha sido mantida também).
Somos contra o populismo audiovisual. Não acreditamos que distribuindo câmeras vão surgir novas expressões estéticas realmente relevantes. Um ambiente crítico exigente é condição importante para o aprimoramento artístico, e foi isso que buscamos no nosso método: todo mundo palpita, e lança mão das referências que sugerimos (sempre como leque de opções), ou de quaisquer outras que lhes pareçam importantes. Essa colaboração crítica e auto-crítica foi feita, em cada um dos 130 vídeos realizados (empacotados em 14 programas), buscando a clareza das formas audiovisuais que ia sendo propostas.
Como cada plano seria feito? Este era o debate (que, aliás, embasava o esforço de produçao colaborativa – quanto mais clareza de proposta, mais fácil o planejamento, até porque tínhamos somente 1 diárias para cada vídeo). Cada gravação foi feita em parceria com nossa equipe fixa e as equipes locais (não fizemos “oficinas”, planejamos e gravamos juntos, em parceria – foram 18 semanas de gravaçoes!)
Mas este trabalho, esta proposta, é em geral invisível. Acreditamos que se esta experiência do PB tiver continuidade, podemos contribuir de forma importante para o surgimento de novas visões na cena audiovisual, capaz de expressarem experiências de vida hoje fora de nosso espectro.
Nosso convite é para que vocês conheçam o trabalho. Nele, foram reunidos a centena de grupos já referidos, e a participação de um incrível leque de colaboradores (citamos, só como amostra, Vicente Carelli (PB), Cia do Latão(SP), MST, Ação Griô Nacional (BA), Coletivo Catarse (RS), Vila das Artes (CE), Museu da Pessoa (SP), Usina (AC), além de muitos orientadores regionais de grande qualidade (Cézar Migliorin, Regina Motta, Gustavo Jardim, Alexandre Veras, entre outros).
Acho que em todo espectro ideológico ninguém dúvida que um dos problemas do Brasil é um sistema judiciário que em larga ordem reproduz o abismo social entre ricos e pobres em solo pátrio.
Já discutimos isso uma série de vezes aqui no Guaci, e o caso Gilmar Mendes é um assunto recorrente do blog.
Mas nunca a gente tocou no assunto de quando a justiça condena as pessoas injustamente ou em penas absolutamente desconectadas da realidade por causa de sua pobreza . A nossa grande amiga Clara Ramos fez isso. Foi atrás das pessoas acusadas por crimes de bagatela e realizou o documentário Bagatela que deve ser visto. Ela explica o tema melhor pra gente:
O projeto foi produzido com recursos do DOCTV SP III, tem 52 minutos, e vai ser exibido na TV Cultura em 2010. “Bagatela” quer dizer ninharia, algo sem valor.
Um crime de bagatela, do ponto de vista jurídico, é aquele que envolve valores insignificantes. Paradoxalmente, no Brasil, estes parecem ser crimes gravíssimos e seus autores indivíduos de “alta periculosidade”. O documentário acompanha a história de Maria Aparecida e Sueli, mulheres presas por pequenos furtos, e de Sônia Drigo, uma advogada que, voluntariamente, se propôs a defendê-las. Maria foi presa pela tentativa de furto de um xampu e um condicionador de R$24,00 e perdeu a visão de um olho na cadeia. Sueli tentou furtar um queijo e dois pacotes de bolachas, no valor de R$30,00, e passou quase dois anos presa.
Quem acompanhou o processo de produção do documentário sabe que trata-se de um projeto antigo e querido. Se puderem apareçam e me ajudem a divulgar a sessão. A entrada é gratuita e sujeita à lotação da sala.”
Queria muito estar em São Paulo para assistir o filme e convoco a todos a aparecerem por lá. Mesmo por que a sessão é sujeita a presença de público. Vão e ajudem a divulgar o filme.
Além de ser uma figura única em inteligência, sensibilidade e simpatia, a Clara não faz filmes à-toa. Tem um interesse profundo, gosta de cinema de verdade e tem o que falar sobre o mundo.
Acho que esse filme pode ajudar a ampliar o debate sobre as injustiças brasileiras que ainda abarcam muitos temas.
Um dos que mais me chocou recentemente foi o caso da acusação falsa contra os meninos de Ouro Preto. Quatro jovens foram acusados de assassinarem uma garota enquanto jogavam RPG. A acusação se mostrou absolutamente sem provas e baseada em preconceitos. A história toda está muito bem narrada no blog do Felipe Amorim. E um discussão muito boa sobre o papel da imprensa segue no Idelber Avelar.
Pra ninguém esquecer:
*** Bagatela *** No Cinesesc, 13 de julho (segunda-feira), às 21h30
A entrada é franca.
Não, o cineasta francês não renasceu na Bahia depois de um ritual de candomblé. Mesmo assim, o brasileiro não vai poder reclamar da falta de oportunidade de assistir filmes do Jean Rouch (1917-2004). Principalmente quem mora nas quatro cidades – São Paulo, BH, Rio e Brasília – onde acontecem as mostras Jean Rouch, de junho a agosto.
Pra quem não conhece, é um dos cineastas mais importantes a ter pisado nesse nosso planeta.
Sua obra é fortemente marcada pela antropologia e pela sociologia e com documentários como Les Maîtres Fous, Eu, um negro e Crônica de um verão ele trouxe uma forma radical de observação dos fenômenos sociais. Inclusive, esses foram os únicos filmes que vi dele. Os três são intensamente reflexivos e mesmo lidando com uma relação muito direta com o que tá sendo filmado é impossível não pensar no diálogo com a câmera e na descoberta da coisa em si. Tudo muito bonito. Pra quem quiser uma prévia dá pra achar uma coisa ou outra no Youtube.
Os outros eu vou assistir agora, lá no Humberto Mauro em BH. Eu, se fosse vocês, iria correndo ao cinema mais próximo assistir também.
Mas saindo dos meus chutes e voltando ao que eu sei. A mostra começa em Belo Horizonte hoje (22 de junho) no Cine Humberto Mauro. Em São Paulo ela já começou ,e vai até domingo (28 de junho). E os filmes ainda viajam pro Rio (18 de julho) e pra Brasília (5 de agosto).
Aqui em BH, serão exibidos 77 flmes do fera e outros 14 sobre ele, com 92 sessões em BH. 80% inéditos no país. A mostra é organizada pelo Mateus Araújo, que já teve um texto lindão publicado aqui no Guaci…
Entre fim de junho e início de julho, um colóquio internacional traz ao Brasil alguns dos principais expoentes dos estudos cinematográficos e antropológicos da França para discutir o legado de Rouch, em SP (de 30 de junho a 4 de julho, na Cinemateca Brasileira) e no RJ (de 7 a 11 de julho, no Instituto Moreira Salles).
Como conheço pouco, copio as informações do release, mas convido todo mundo a aparecer. O lance vai ser bom:
Jean Rouch (1917-2004) é tido como uma das principais referências do grupo de intelectuais e cineastas que daria corpo à Nouvelle Vague e como um dos ícones do cinema documentário moderno.
Rouch inovou técnica, ética e esteticamente. Foi um dos maiores entusiastas do cinema direto, um dos marcos da renovação da linguagem cinematográfica no início dos anos de 1960. Jean-Luc Godard afirmaria, por exemplo, que não havia filme mais “espetacular” que “Eu, um Negro” [Moi, un Noir, de 1958], de Rouch, por sua capacidade de absorver o acaso e se posicionar entre realidade e ficção.
Engenheiro de formação, titulado doutor em etnologia pela Sorbonne em 1953, Jean Rouch filmou em pelo menos uma dezena de países, primordialmente no continente africano –onde esteve na Costa do Marfim, Níger, Mali, Gana, Burkina Fasso e Benim.
Rouch foi um entusiasta da fabulação e da elevação dos personagens retratados ao primeiro plano, como sujeitos e não objetos do discurso fílmico. Na sua visão, o desejo de investigação do filme etnográfico [em seu esforço de aliar a arte da exposição cinematográfica ao rigor da enquete científica] oferece um ponto de convergência determinante no encontro entre a subjetividade do criador e a objetividade do pesquisador –ou, de outro modo, entre arte e ciência.
Em oposição a mestres da antropologia como Claude Lévi-Strauss (para quem o registro cinematográfico era “como um caderno de notas, que não deveria ser publicado”), Rouch entendia o documentário etnográfico como uma forma de estabelecer um diálogo com o sujeito do seu estudo, em vez de apenas descrevê-lo.
Esta mudança de paradigmas seria, para Rouch, uma maneira de contribuir para que a antropologia deixasse de ser “a filha mais velha do colonialismo”.
E pra quem quiser conferir uma cena de Les Maîtres Fouls achada no YouTube:
A revista +Soma já tá na boca do forno, pra sair. A próxima edição tem uma matéria com o grande Mr. Catra, uma entrevista que eu fiz com o Tony Herrington, editor da Wire, e uma resenha minha pro disco do Richard Ribeiro. Tá chegando. Depois baixem o PDF no site.
Hoje é Dia do Jornalista. E no domingo a Folha publicou uma matéria bem típica do que vem sendo o jornalismo no Brasil nos anos Lula. O texto é sobre um suposto sequestro do Delfim Netto articulado pela VAR – Palmares, grupo guerrilheiro que a ministra Dilma Roussef foi uma das líderes.
A participação da Dilma na resistência à ditadura militar já tinha sido alvo do ataque mal-sucedido de Agripino Maia no Senado. Involuntariamente, Agrippino a alçou como forte candidata a presidência.
Confirmada essa candidatura, Dilma foi alvo de outra reportagem – agora sobre o roubo dos guerrilheiros ao cofre do Adhemar de Barros. Dessa vez, pela revista que toda semana tortura cérebros desavisados com a mentira, a Veja.
A nova reportagem da Folha faz também parte da campanha difamatória contra Dilma Roussef. A famosa campanha FSP (Façamos Serra Presidente).
Acho legítimo que os donos do jornal queiram participar de qualquer campanha em favor de um candidato, desde que não se use da mentira para difamar o governo Lula e nem que se negligencie a fatos escandalosos sobre a administração Serra ou Kassab (o escândalo da polícia paulista e o escândalo da merenda escolar em São Paulo receberam não mais do que notas nos cadernos de cidades da Folha ou do Estadão).
A entrevista com a Dilma (que a Carol me enviou) já dava raiva pelo tom de inquisição que mais se assemelhava a um interrogatório policial do que a uma franca entrevista. Fiquei impressionado com a paciência de uma ministra de Estado ao responder perguntas tão detalhadas assim. O pior é que no final ela faz questão de negar “peremptoriamente” qualquer participação no tal sequestro do Delfim.
Daí a manchete faz uma confusão sobre a memória da ministra (de que ela não tem a mesma cabeça). Ao mesmo tempo fala que ela mudou seu jeito de pensar sobre como fazer política e faz uma brincadeira com sua memória. Eu já passei por um interrogatório semelhante na imigração de Londres sobre fatos ocorridos há poucos meses da minha entrevista. É lógico que eu não me lembrava de um monte de coisas.
No caso da Dilma a coisa é ainda mais complicada por ter sido um momento muito difícil da vida de qualquer um. Um bom exemplo sobre memória em tempos de conflito é o desenho animado Valsa com Bashir que está em cartaz nos cinemas do País (mas isso é assunto pra outro post).
Se não bastasse tudo isso, hoje o meu amigo Arthur me manda um texto por e-mail, em que a principal fonte da repórter da Folha, o jornalista Antonio Roberto Espinosa, também faz questão de se mostrar chocado com a matéria? Vejam só a carta que ele mandou para vários veículos de imprensa:
Prezados senhores, chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto”, e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no “Painel do Leitor” (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:
1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em “investigações” telefônicas;
2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;
3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto.
Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wainer (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas).
A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1) A VAR-Palmares não era o “grupo da Dilma”, mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;
2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;
3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que “informação política” é algo completamente distinto de “informação factual”. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como “vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?”. O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas.
A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;
4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou “doutorando em Relações Internacionais”, mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que “a ação chegou a ter data e local definidos”. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;
5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc.
Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;
6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Eu também sou jornalista, adoro o blog do Sérgio Léo e não acho que as faculdades de Comunicação do Brasil estão a serviço de uma grande conspiração para formar potenciais cabos-eleitorias do José Serra. Mas sem dúvida, é difícil ler os grandes jornais sem ter essa forte impressão.
Jornais que sempre se advogam como defensores da democracia e da liberdade de imprensa, mas que tiveram uma postura bem diferente na época do governo do também trabalhista João Goulart. A Carta Maior publicou as manchetes dos jornais no dia do golpe e mostrou qual a opinião dos donos de jornais sobre a democracia quando um governo toma decisões contrárias a eles.
Eu acho que na imprensa ainda há uma série de coisas interessantes pra se ler e a maior parte das informações que eu obtenho sobre política, cultura, esportes e economia ainda são de fontes da grande imprensa. Mesmo os blogs, na maior parte das vezes estão só repercutindo essa imprensa (inclusive nesse texto).
Tá cada dia mais complicado desejar um feliz Dia do Jornalista a alguém. E não é de se estranhar que os veículos de imprensa estejam indo para o beleléu…
obama:"sabemos que 2 bombas explodiram, causando danos.mas não sabemos nem quem nem por que".maior orçamento de defesa e segurança do mundo. 1 month ago