Nos últimos dias finalmente todos nós do Guaciara conseguimos dar um tempinho e correr um pouco da febre de Internet da campanha eleitoral. Os dois turnos das eleições presidenciais (principalmente o segundo) trabalharam em uma chave de teste de convicções e de uma necessidade intrínseca do eleitorado buscar provas e argumentos convincentes pra desmontar qualquer tipo de especulação levantada na imprensa. Em geral, especulações distantes do que poderia vir a ser o governo do pós-Lula.

Não é estranho que os ataques americanos ao câmbio no mundo inteiro, questões de infraestrutura, segurança e educação só tenham aparecido depois das urnas abertas.

Como pouco se discutiu programa de governo, o tom era de fofoca, de buscar possíveis ilações e denúncias, mas isso todo mundo que passa por aqui com alguma frequência já sabe. O problema é que mal acabou o período eleitoral e o discurso permanece igual. Pouco se fala dos resultados práticos na vida das pessoas de cada decisão governamental e continua se apostando na espuma: uma hora é um bloco governamental novo, outra a ficha da presidenta, outra uma reunião do José Dirceu, o julgamento do caso Celso Daniel, os mal-estares do PT com o PMDB,  o que disse alguém para outro e coisas assim.

Por isso, o que eu mais gostei da entrevista do Lula aos blogueiros foi quando ele se dispôs a falar de governo, como no caso de seu posicionamento contra o AI-5 digital, sobre a abertura de documentos sigilosos – sobretudo dos documentos sobre a ditadura -, as relações internacionais, Copa do Mundo, reforma política,  STF e seu critério de nomeações e principalmente seu compromisso em apresentar tudo que foi feito nos últimos oito anos, mostrando como a institucionalização das medidas é uma das marcas desse governo.

Essa ação coordenada pelos blogueiros progressistas – e articulada pelo Renato Rovai - poderia ser replicada a uma entrevista com a nova presidenta e mesmo em entrevistas temáticas sobre educação, saúde, ciência e tecnologia, economia, desenvolvimento, ação afirmativa, agricultura familiar, jornada de trabalho,  relações internacionais, comércio exterior etc.

Há entre os blogueiros gente muito qualificada para discutir todos esses assuntos. Agora é hora desses blogs se organizarem e colocarem essas questões. Na verdade, a Internet é uma ótima possibilidade para divulgarmos pautas consistentes e levantarmos um debate sobre os destinos do Brasl de agora.

O respeitadíssimo Miguel Nicolelis, por exemplo, acaba de divulgar uma agenda muito relevante  para a ciência e tecnologia brasileira, o Manifesto da Ciência Tropical. O documento pode ser lido na íntegra neste link, mas vale a pena ler as suas 15 metas:

1) Massificação da educação científica infanto-juvenil por todo o território nacional;
2) Criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência;
3) Criação da carreira de pesquisador científico em tempo integral nas universidades federais;
4) Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país;
5) Criação de 16 Cidades da Ciência;
6) Criação de um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia;
7) Criação de oito “Cidades Marítimas” ao longo da costa brasileira;
8 ) Retomada e Expansão do Programa Espacial Brasileiro;
9) Criação de um Programa Nacional de Iniciação Científica;
10) Investimento de 4-5% do PIB em ações de ciência e tecnologia na próxima década;
11) Reorganização das agências federais de fomento à pesquisa;
12) Criação de “joint ventures” para produção de insumos e materiais de consumo para prática científica dentro do Brasil;
13) Criação do Banco do Cérebro;
14) Ampliação e incentivo a Bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado dentro e fora do Brasil;
15) Recrutamento de pesquisadores e professores estrangeiros dispostos a se radicar no Brasil.

Além disso, o site do governo brasileiro implantou um canal sobre a transição. Ainda é pouco centrado nas propostas de governo e acaba reproduzindo o que sai no noticiário, mas é na Internet que a gente deve levantar propostas e pensar o que queremos do governo Dilma e dos próximos.

 

Lula mandando seu recado: mais quatro anos de avanços econômicos e sociais com Dilma e aliados!

 

Mais uma vez o Demétrio faz com que este blog se torne melhor. Agora explica e desfaz algumas bobagens difundidas sobre o pré-sal. Assim que descobriram os recursos na profundidade, começaram a falar sobre a sorte do presidente Lula, como se as riquezas houvessem sido descobertas espontaneamente. O Demétrio desfez a bobagem nos debates acadêmicos, políticos e nas mesas de botequim. Disse que sem um ativismo científico do estado, típico do governo Lula, a fonte nunca teria sido descoberta. Desde então, a cada notícia publicada, checo com o representante do Guaciara em Massachussets. O texto, os links, as imagens e as legendas são do Demétrio. O cabra já virou blogueiro. RA!

  • O pré-sal, para todos os efeitos, ainda não existe. Ele precisará ser “criado” por meio de tecnologias e processos capazes de recuperar quantidades assombrosas de petróleo e gás nas condições mais adversas de exploração já enfrentadas desde as gigantescas descobertas no Mar do Norte na década de 1960.



  • A riqueza do pré-sal, essa então não apenas ainda não existe como pode nunca realizar todo o seu potencial. Maior ainda do que os desafios de desenvolver as tecnologias e processos de exploração e recuperação do petróleo e gás do pré-sal são os desafios políticos, econômicos e sociais de transformar essa riqueza potencial em motor do desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista.
  • O primeiro desafio, o desenvolvimento tecnológico e científico aplicado à exploração, beneficiamento e comercialização das riquezas do pré-sal, a Petrobrás já demonstrou que podemos vencer, como, aliás, vencemos, sob condições relativamente parecidas de dificuldades tecnológicas e produtivas, quando das descobertas das reservas nos campos de Albacora e Marlim na Bacia de Santos, na década de 1980. Enfrentar e vencer esses desafios colocou a Petrobrás na condição de líder mundial em exploração petrolífera em águas profundas.

  • O segundo desafio, transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento nacional econômico e justo, distributivo e progressista é muito mais difícil.  As dificuldades podem assumir duas ordens: a maldição dos recursos naturais e a doença holandesa. A maldição da abundância de recursos naturais refere-se à correlação negativa entre crescimento econômico e abundância de recursos naturais: quanto mais abundantes os recursos naturais, menor o crescimento econômico. A doença holandesa é mais específica, pois identifica um tipo de recurso natural (petróleo e gás) e o mecanismo causal que gera um crescimento econômico mais modesto e de menor qualidade, além de tratar de um caso histórico específico, os efeitos deletérios das descobertas de reservas petrolíferas no Mar do Norte sobre a economia holandesa. O argumento é o seguinte: a maior rentabilidade do setor de exploração do petróleo e gás, combinada aos efeitos da apreciação cambial causada pelo enxurrada de divisas externas que afluirão ao país, resultará em um movimento de fatores (capital e trabalho) dos setores manufatureiros para o setor de exploração dos recursos naturais e de serviços, diminuindo a competitividade do setor industrial exportador, deixando  no lugar uma economia especializada na extração e comercialização de recursos naturais que cedo ou tarde se esgotarão.
  • A descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte na década de 1960 oferece um raríssimo exemplo de quase-experimento nas ciências sociais: duas economias bastante parecidas – a holandesa e a norueguesa; o mesmo evento exógeno – descobertas de petróleo e gás no Mar do Norte – na mesma época – década de 1960; mas resultados muito diferentes a médio e longo prazo, com a Noruega desenvolvendo uma das sociedades mais justas e desenvolvidas do mundo , superando suas irmãs escandinavas Suécia e Dinamarca, e a Holanda emprestando seu nome a uma “doença”, feito, convenhamos, de pouco ou nenhum mérito. A figura abaixo mostra a Noruega tirando a distância dos outros dois países escandinavos, Suécia e Dinamarca, em termos de PIB per capita (Produto Interno Bruto=Gross Domestic Product), de um ridículo terceiro e último lugar até a década de 1960 até a inquestionável dianteira:

  • Como explicar resultados tão diferentes? A Noruega, ao contrário da Holanda, adotou uma abordagem que tratava a enorme riqueza a que a sociedade norueguesa teria acesso nas décadas seguintes como uma oportunidade cheia de perigos e desafios. Trataram logo de garantir que  80% da riqueza gerada pelo petróleo e gás da plataforma continental norueguesa seria propriedade da nação; ampliaram e desenvolveram a companhia estatal norueguesa de petróleo (StatOil), dando a ela primazia na exploração e desenvolvimento do setor de petróleo e gás na Noruega; deram às companhias internacionais papel secundário e auxuliar no setor petrolífero norueguês, valendo-se das parcerias para garantir transferência de conhecimento das multinacionais para as empresas norueguesas – em um processo conhecido como capacidade adaptativa, em que um país consegue se apropriar de conhecimentos de fontes externas e aplicá-los para o desenvolvimento do país; desenvolveram o setor de subsea norueguês, dedicado a tudo que diz respeito à exploração subaquática, de risers – basicamente, tubos e conexões que, como sabemos, podem ser um baita mico nas mãos erradas – até robótica e computação aplicadas à exploração de petróleo e gás – hoje em dia a norueguesa Aker Kværner é uma das maiores e mais importantes companhias do setor de subsea do mundo, setor altamente intensivo em capital e tecnologia e presente no mundo inteiro, isto é, em todo lugar onde existam desafios tecnológicos para a extração do petróleo, logo, em que os custos envolvidos, portanto os lucros potenciais, são grandes; e a criação de um fundo soberano para reter e aplicar os dividendos do setor de petróleo e gás, evitando com isso a sobrevalorização cambial e as consequências da doença holandesa e a maldição que recai sobre quase todos os países ricos em recursos naturais mas pobres em futuro.
  • O pré-sal como fronteira tecnológica da exploração do petróleo é brasileiro, é nosso, foi feito por pessoas como você e eu que têm se dedicado a fazer do nosso país um lugar melhor para todos nós. O pré-sal como fenômeno geológico é muito provavelmente mundial, isto é, as condições geológicas de presença de petróleo nas camadas de pré-sal mundo afora são muito favoráveis e existem seguramente na costa ocidental da África (países como Nigéria e Angola já exploram petróleo e gás em suas plataformas marítimas) e possivelmente no Japão, no Golfo do México e no Mar Cáspio. O país que dominar as tecnologias de exploração dessa fronteira tecnológica terá uma vantagem competitiva de pelo menos duas décadas (o tempo que levou para o Brasil desenvolver a tecnologia capaz de extrair petróleo e gás do pré-sal) em relação aos demais – e no momento esse país é o Brasil.
  • Os desafios políticos, econômicos e sociais exigem muita atenção e sentido de futuro e de nação. Como mostram as histórias de inúmeros países ricos em recursos naturais – aqueles afetados pela maldição da abundância de recursos naturais – só isso não basta, é necessário saber o que fazer com tanta riqueza.
  • O Brasil precisa evitar a todo custo a tentação de gastar as riquezas do pré-sal em atividades e ações imediatas e com alto retorno político imediato mas baixo retorno no médio e longo prazo. Para isso, é preciso que o Brasil direcione a riqueza gerada pelo pré-sal para:
  1. Investir em educação em todos os níveis, de modo a qualificar a mão de obra não apenas do setor de petróleo mas de todos os outros setores da economia brasileira, mas sobretudo como forma de ampliar as condições mínimas de uma cidadania plena;
  2. Investir em inovação em todos os setores da economia brasileira, de modo a desenvolver no Brasil um tecido produtivo intensivo em conhecimento e competitivo internacionalmente;
  3. Garantir em alto grau o retorno das riquezas do pré-sal à sociedade brasileira, tanto no investimento dos recursos em políticas públicas de educação, inovação, ciência e tecnologia como na constituição de empresas brasileiras capazes de competir internacionalmente e gerar para o país empregos e dividendos que possam ser, via tributação, redistribuídos, reduzindo as tremendas desigualdades e injutiças que ainda existem no Brasil.
  • Mas pré-sal não é apenas e nem mesmo principalmente extrair petróleo e gás do fundo do mar de modo responsável e fazer com que isso se se reverta em um desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista. Como a experiência da Noruega nos mostra, para extrairmos todos os benefícios do pré-sal e evitarmos as armadilhas e roubadas que podem vir junto, uma geração inteira terá que se empenhar no esforço coletivo para aplicar da melhor maneira possível essa enorme riqueza. Nós precisaremos nos dedicar de corpo e alma à tarefa de compreender quais os impactos dessas descobertas sobre a fauna e flora marinhas, a chamada Amazônia Azul; as profundas alterações sociais e urbanísticas que afetarão os municípios e estados mais beneficiados com os royalties do pré-sal; os movimentos demográficos, a reconfiguração do mercado de trabalho e seus impactos sobre os ambientes urbanos que tenderão a crescer naquelas áreas; os desafios ambientais envolvidos na utilização intensiva de recuros energéticos de fontes fósseis; o que fazer para não perdermos a liderança no desenvolvimento e produção de biocombustíveis; e quais as políticas sociais mais adequadas para redistribuir toda essa riqueza sem com isso colocar em risco nosso futuro, uma vez que cedo ou tarde toda essa riqueza irá acabar e teremos que ter algo para colocar no lugar. Nossa geração e a de nossos filhos serão beneficiárias dessas riquezas, mas precisamos fazer com que nossos netos e bisnetos, assim como todos os brasileiros que vieram antes nós e sofreram a tragédia de um país injusto, racista e desigual, sejam contemplados com um país melhor.
  • É preciso lembrar, por último, que as forças reacionárias da sociedade brasileira encarnadas na candidatura de José Serra e sua aliança neo-udenista com a escória mais baixa da ditadura, o PFL, prometem fazer, no que toca ao pré-sal, mas não apenas a isso, o contrário de tudo que a experiência histórica de países que se desenvolveram com qualidade recomenda.  O mesmo partido que buscou sem sucesso privatizar a Petrobrás ameaça, segundo declarações de David Zilberstajn, assessor para assuntos energéticos de Serra: acabar com a necessidade de participação da Petrobrás na operação das áreas licitadas de modo a abrir caminho para as multinacionais do petróleo e gás, entregando de mão beijada a riqueza nacional para o capital estrangeiro à moda do que se fazia à época da colônia, e depois no império e por boa parte da história da república. Nós, nossos filhos e nossos netos pagaremos caro por isso se não agirmos a tempo e decididamente. E o momento é já!
  • Este filminho é aquele que nos enche de orgulho e nos informa mais sobre o pré-sal:

Eis que pra rebater um pouco da acusação que somos sectários e não damos a menor pelota para a direita, cito aqui um trecho muito interessante enviado pela newsletter (o tal Ex-blog) do César Maia, patrono do DEM e da nova sensação dos conservadores brasileiros, o deputado Índio da Costa.

1. A esquerda europeia está em declínio, uma vez que antes da crise não foi capaz de produzir soluções próprias, quando teve chance igual de fazer valer as suas idéias e corrigir os erros do capitalismo. É o caso da Espanha. Os socialistas no governo ficaram inicialmente paralisados, sem tomar medidas quando começou o declínio da economia e, em seguida, quando as tomaram, cortaram os benefícios sociais, o que parece um absurdo já que esse tema é uma de suas principais metas. A tributação dos mais ricos contribuiria para ajudar a preencher as lacunas e atenuar a injustiça das medidas de ajuste.

2. Ocorre, entretanto, que tudo ou quase tudo na história tem a sua lógica. A principal razão para esta falta de destaque da esquerda é que vivemos numa economia de mercado, sem substituto de hoje. Quando o sistema, quando vai bem, é eficiente, tanto que com ele, ainda que os ricos fiquem mais ricos, também permite o avanço do Estado de bem-estar social, tão importante para os sociais democratas.

3. Eles se esquecem que o sistema não é um paradigma de equidade, ou mesmo da racionalidade, tampouco de estabilidade. Os anos das vacas magras inevitavelmente chegam, resultando nos desequilíbrios que estamos sofrendo entre economia real e economia financeira, investimento e consumo, despesas públicas e incentivos do Estado, ajustes internos e globalização, problemas urgentes e melhorias em longo prazo, para além do conseqüente e grande desemprego que é o paradoxo do Estado de bem-estar social. E aí…

A teoria publicada pelo economista Francisco Bustelo, economista identificado com os socialistas espanhóis, no El Pais é antiga e atrela o sucesso de plataformas progressistas necessariamente a momentos de crescimento econômico, principalmente pela facilidade que esses períodos dão à ampliação de direitos trabalhistas e à expansão da rede de proteção social.

Segundo tal argumento, em situações de crise, os governos de esquerda respondem de maneira lenta e desajustada por que esses contextos demandam ajustes (e cortes) no welfare state. São períodos em que a aposta na eficiência da economia como indutora de bem-estar faz mais sentido do que uma política de fortalecimento do Estado e aumento de salários (mesmo porque o período é de corte de vagas).

Acho que esse entendimento mostra dois falsos dilemas que encerram muito bem a maneira da elite brasileira (se apresentando na direita ou na esquerda) entender a condução de políticas públicas.

De um jeito bem rastaqué, quem acompanhou as respostas brasileira para crise sabe que a fórmula segue outro preceito. A crise não chegou aqui por ação política. O crescimento posterior se deu por uma política agressiva de corte nos tributos, aposta no mercado interno e no aumento dos salários e da rede de proteção social.

A fórmula foi continuar a apostar na eficiência do Estado como regulador do mercado e agente na diminuição das desigualdades.

Muitas pessoas (e partidos) ainda tem a organização partidária da Europa como modelo e organização política (tanto do ponto de vista partidário como programático). Em alguns casos como o PPS (com o eurocomunismo) e o DEM tal identificação com partidos internacionais é quase uma tara (César Maia e sua internacional PPista ou democrata-cristã que o diga).

É uma política que procura uma agenda “moderna”, mas que necessariamente não tem povo. Um exemplo disso é a relutância desses partidos com as conferências nacionais, com iniciativas de orçamento participativo ou com medidas de compensação social direta (tipo Bolsa Família). Tudo isso lida com o que há de mais profundo nos problemas do Brasil.

No seu “A Revolução Brasileira”, ainda em 1966, Caio Prado Júnior já levantava a lebre contra o “etapismo” e a importação do modelo europeu de interpretação marxista, essa obsessão de tentar entender o Brasil ideologicamente continua arraigada na esquerda e na direita. Vale mais ter a informação de fora ou ser culto do que pensar a partir da realidade local, vale mais o novo do que o povo.

A resposta pra isso tá aqui ó, tem líder mundial que já sabe, só falta ouvir as pessoas, como Lula faz:

E depois da onda de inventar fontes, a imprensa brasileira agora faz questão de fazer campanha aberta contra o trabalho da diplomacia brasileira. O caso da negociação com o Irã é ridículo. O Brasil claramente marcou um golaço e a imprensa – a mesma que inventa fontes que nunca deram entrevistas e que compra spams da Internet como se fossem documentos reais – trata a história como um retumbante fracasso. O nosso amigo Pablo Pires, jornalista da área de internacional comenta o caso com muito mais propriedade.


Hipocrisia e oportunismo, por Pablo Pires Fernandes

A suspeita sempre ronda os inimigos dos EUA

O programa nuclear do Irã tem sido um dos pontos de maior debate e fonte de divergências na diplomacia internacional dos últimos tempos. Mobiliza esforços e campanhas de todo tipo e, geralmente, fazem ecoar vozes extremas e dissonantes pró e contra. Faz-se necessária a discussão a respeito da proposta e do acordo firmado entre o Brasil, a Turquia e o Irã, na segunda-feira, e do percurso e das expectativas antes e depois da assinatura do documento, claro. Dá pano pra manga. Mas, antes disso, gostaria de apontar um aspecto interessante que tenho observado na mídia brasileira e internacional que, a meu ver, distorcem o cerne da questão.

Em geral, o que pega é a questão dos direitos humanos. Todos sabem que o Irã é um regime opressivo, que limita a liberdade de imprensa, que reprime, prende, tortura e até mata seus opositores. Fato. E, claro, fato absolutamente condenável. O governo brasileiro até pode ser criticado por não tocar no assunto ou se abster de votar contra o Irã no Conselho de Direitos Humanos na ONU. Mas, como tenho visto com freqüência, é uma condenação a priori da política brasileira de fazer contato com o Irã por causa da falta de respeito aos direitos humanos. Isso é hipócrita, falacioso e oportunista.

Alguns exemplos. O jornal O Globo publicou na quinta-feira uma entrevista com a advogada Shirin Ebadi, Nobel da Paz e defensora dos direitos humanos, na qual ela pede que Lula visite os prisioneiros políticos do Irã. Outros meios também reivindicam o mesmo. O Washington Post fez um editorial na mesma toada no sábado (misteriosamente, não o encontrei na internet). E ontem (segunda-feira), o Wall Street Journal publicou uma Carta Aberta ao Presidente do Brasil, assinada pelo trabalhista britânico Dennis MacShane. Esses exemplos são apenas alguns, mas não deve ser novidade para nenhum leitor desse blog que esse tipo de associação ou argumento é freqüente na mídia internacional e brasileira, sempre a reboque.

Além de deslocar a questão central da viagem do presidente Lula ao Irã (comércio, negociação sobre a questão nuclear), os argumentos não se sustentam por qualquer base comparativa ou princípio de equidade. Por que ninguém exige que o governo fale sobre os direitos humanos quando o presidente Lula vai à China ou à Arábia Saudita? São regimes mais opressores do que o iraniano. Porque com a China ninguém pode, porque ninguém vai ousar ficar de mal com os donos da economia do futuro.

É simples assim? Hipocrisia pura. Uma coisa é a mídia americana usar esse argumento, pois reflete a campanha clara de demonização da República Islâmica, pois interessa aos neocons manter o estado de guerra e render a indústria armamentista. A associação de Lula com os direitos humanos é uma falácia completa. Ou os EUA não compram 80% do petróleo da Arábia Saudita nem toneladas de produtos chineses? Ou não são aliados dos regimes autoritários como o Egito de Mubarak?

Outra coisa é a apropriação desse discurso pela mídia brasileira, que tem outro viés. O argumento é usado quando convém para criticar o governo, de maneira oportunista, ou seja, quase sempre. Não vejo nada de errado em expor as péssimas condições dos direitos humanos no Irã, muito pelo contrário, mas dizer que o Brasil não deve fazer comércio com o Irã por causa disso é falta de noção da realidade. Imaginem se ninguém negociasse com a China por causa da ausência de democracia ou porque eles reprimem os tibetanos? Ah, tenha dó, vira o disco…

No Polítika etc. o Raphael Neves voltou ao tema das distinções e semelhanças entre o governo dos últimos dois presidentes brasileiros.  É um tema recorrente em mesa de boteco.

Quem não gosta do Lula costuma ler todas as qualidades do seu governo como conseqüências do governo Fernando Henrique. Quem odeia os tucanos só vê problemas, mesmo na estabilidade da moeda e na Lei de responsabilidade fiscal e na melhoria da instituição da receita federal (embora saiba-se que a gestão do Everardo Maciel não foi tão técnica quanto ele costume alardear por aí). Eu sou eleitor do Lula e vejo muitos problemas de condução da política de estado sob FHC, mas ele tem alguns méritos.

Agora, quem coloca atribui todos os louros à FHC nunca me convenceu. Ninguém responde por que o segundo governo FHC foi tão mal avaliado. Aliás, nem acho que tenha sido tão ruim quanto a população brasileira julga, olha que eu não me vejo votando no ex-presidente para nenhum cargo.

É claro que as políticas de Lula não rompem com o Real, no que fazem muito bem, mas isso não significa que sejam iguais às do seu predecessor. Goste-se ou não do presidente, é inegável que Lula recebeu o país em uma situação muito difícil. Existia o risco de não se ter o suficiente para pagar a dívida. Em oito anos, o ex-presidente tucano dobrou o número da relação dívida/PIB. Se saiu de uma relação de 20,7% para outra de 37,4%.

Além disso, o Brasil era muito vulnerável às movimentações internacionais de capital. A qualidade do investimento era ruim. Fora o investimento em privatizações, o resto do capital internacional que circulava aqui era muito volúvel. Diante da maior crise dos últimos setenta anos, o Brasil se saiu bem.

Abaixo, mostro algumas das diferenças que me parecem sensíveis entre um governo e outro, mas é só um começo de conversa. Não entendo economia, portanto muito do que falo aqui é leitura de curioso e muito eu aprendi com grandes amigos, sobretudo o Murilo Brasileiro, o Alexandre Brito Rocha e o Demétrio Toledo.

Na política econômica mais fundamental parecem existir mudanças importantes na política de Lula em relação a FHC. A primeira foi a resolução do problema da dívida externa. O Brasil pagava os montantes em dólar, ao se negociar com sucesso a passagem das parcelas para o real, o país pode resolver o problema de décadas. Foi um processo duro, que custou um ano de popularidade do Lula mas que foi muito bom para o país.

Outro aspecto da maior importância foi o crédito, como foi lembrado pelo Raphael Neves em post no Polítika etc. O acesso a recursos a serem transformados em dividas às pequenas empresas  e à população de baixa renda aqueceu o mercado interno.

Mas foi a política comercial é que parece se distinguir de maneira mais clara em relação ao governo FHC. A prioridade aos acordos bilaterais e ao comércio com os países do sul, a aproximação com o continente africano e com os vizinhos é uma característica marcante do governo Lula. Só com ele, o país alcançou uma liderança latino-americana incontestável.

Por fim, me parece essencialmente diferente a política de infra-estrutura e de indústria do governo Lula. O modo como o estado atua na economia real é bastante distinto. Basta ver o investimento em estradas, máquinas e o modo como o governo se relaciona com as empresas. Quando o Lula cobra que a Vale verticalize a sua estrutura produtiva e não só extraia o ferro, mas lamine o aço, ele mostra uma diferença bastante clara em relação ao governo do FHC.

Acho que ainda existem problemas graves na economia e na sociedade do Brasil, mas acho que estamos em um bom caminho (que aliás, só tem melhorado). Não entendo de economia, mas os problemas que saltam aos olhos em um primeiro momento são a previdência daqui uns vinte anos, a dívida interna e a melhoria da qualidade do ensino e da pesquisa no país (que é uma tarefa de longo prazo).

Boa a lembrança do Fabiano para os vinte anos das eleições de 89. Lembro como essa eleição foi importante na minha vida e na vida da minha família. Tinha só onze anos e também “votava”. Acho que por ser uma novidade, na época, as eleições tomavam conta do imaginário de todas as pessoas independente da idade, classe social e origem.

Lembro que eu morria de raiva do Caiado com o cavalo branco, que queria matar o Afif  que comparava o Lula com o muro de Berlim na horrorosa “Pula-lá”. O engraçado é que em meio à campanha presidencial o marco que separava a Europa socialista e capitalista seria derrubado também. Adorava ver o Brizola espinafrando a Globo e era espectador da Rede Povo. Não é à-toa que a cena mais lembrada dessa eleição ainda é o debate Lula e Collor na Globo e a briga entre Maluf e Brizola em outro debate na televisão. Essa foi a eleição em que a TV começou a contar mais do que nunca na campanha.

Além disso, lembro de ficar um tempo sem ver meus pais que acordavam cedo e voltavam tarde. Minha mãe cobria a eleição para um jornal e um rádio de Pouso Alegre e meu pai aproveitava todo seu tempo livre para fazer campanha. Ia comer marmita na vizinha e passava o resto do dia curtindo com o pessoal da rua. Falando da eleição e do candidato que eu ia “votar”. A Playboy na época fez uma enquete em que cada um dos candidatos falava o que gostaria de ser e lembro que o Lula respondia que quando era criança queria ser caminhoneiro.

O lance das pesquisas até então, pelo menos pra um menino de onze anos, parecia uma coisa muito incerta. Eu não botava a menor fé e, mesmo sem parar muito pra pensar nisso, achava que o Lula ia ganhar, mas via que na minha escola ninguém ia votar nele.

Eu e meu irmão, mesmo sem blog e nem nada já quebrávamos o pau com meia cidade em defesa da Frente Brasil Popular. O meu pai passou na lojinha do PT em BH e comprou bottons, o Tiago quis um do Lenin e eu quis um do comunismo. Os coleguinhas alimentavam os resquícios da ditadura e diziam que a gente ia ser expulso da 5ª série por ostentar aqueles símbolos proibidos até outro dia.

Na escola todo mundo ia votar em alguém. Em minha cidade, essa primeira onda Lula passou um pouco longe. Apesar da mobilização que ela criou e do fortalecimento da esquerda na cidade, o resultado eleitoral foi bem fraco.  Lula ficou em quarto lugar (atrás de Collor, Maluf e Covas).

No segundo turno, a situação foi um pouco melhor mas só um pouco. Mas a escala nacional da campanha e a maneira como ela “pegou” em todas as cidades acabou levando um pouco da movimentação pelas Diretas também para as cidades menores. Se o Brasil preza tanto a democracia hoje e tem uma situação um pouco melhor do que os outros países da América Latina. Apesar do desfecho dramático – me lembro o tanto que praguejei depois da apuração, era inacreditável que um babaca da Globo tivesse ganho a eleição –, 89 fez um bem danado pro Brasil.

Escrevam suas lembranças e vídeos marcantes da eleição de 1989 também.

Vão dizer que a Foreign Policy é chavista, que recebeu mensalão do Zé Dirceu, que apóia o Zé Sarney e o diabo a quatro. A revista foi criada, entre outras pessoas, pelo Samuel “choque de civilizações” Huntington, mas tudo bem.

Vão dizer então que o David J. Rothkopf é um terceiro-mundista deslavado, um repetidor de palavras de ordem, um desses gringos que encarnam umas de Jesus Cristo com seu mochilão pelo hemisfério Sul, mesmo ele tendo sido subsecretário de comércio do governo Clinton e uma figura de destaque nas relações internacionais.

Ainda vão falar muitas coisas. Eu não falo mais nada, mas convido os leitores do Guaci a clicarem nesse link aqui.

O título é “O melhor ministro de relações exteriores do mundo”. E não, a matéria não é sobre o Celso Lafer e nem sobre o FHC. Deixo um trechinho de vale-brinde:

E tem nego que ainda reclama

E tem nego que ainda reclama

O melhor ministro do exterior do mundo

…Eu acredito que muito do bom momento do Brasil se deve ao ministro Celso Amorim, que forjou a transformação do papel do Brasil no mundo, uma coisa sem precedentes na história moderna. Ele tem sido o ministro das Relações exteriores desde 2003 (…) mas eu acho que é o mais bem-sucedido ministro do Exterior de todo mundo…”

Eu até acho que muito dessa transformação tem dedo do Lula sim e também acho que o Rothpkopf pouco entende da história econômica brasileira, mas vou falar o que, depois dessa? Deixa as viúvas da ditadura do PPS chorarem as dores de ditadores centro-americanos. Quem quiser ler o resto em inglês é só clicar aqui.

Outro dia, o também ministro petista Patrus Ananias também recebeu um prêmio na Alemanha. E em 2002, ainda na época do papo furado do risco-Lula, neguinho ainda dizia que o sujeto na presidência ia dificultar as relações do Brasil com o mundo. Depois reclamaram do terceiro mundismo, da distância dos EUA, da barguilha do Lula, da colônia do Zelaya… É muita falta de assunto.

A fúria anti-Estado vai até a hora em que as empresas passam o chapéu Citibank e GM bem sabem disso

A fúria anti-Estado vai até a hora em que as empresas passam o chapéu Citibank e GM bem sabem disso

A comparação entre Lula e Obama é recorrente. Ambos prometeram mudança na campanha. Os dois substituiram um grupo que há anos dominava a política local e ganharam a preferência popular em meio a uma enorme crise econômica.

Pelo jeito, os dois enfrentam uma oposição com o mesmo grau de tensão e agressividade. E travam uma batalha sobre qual deve ser a influência do Estado na economia e na sociedade.

Se Lula briga pelo controle estatal do pré-sal, no caso de Obama o buraco é mais embaixo. A briga é pela saúde pública e universal. É uma luta para trazer o Estado como agente de saúde  gratuita para as pessoas. Com isso, o democrata briga com um dos mais poderosos lobbies americanos, o dos planos de saúde.

Desde que Obama começou essa batalha, já foi acusado de um monte de coisas pelos republicanos. As comparações com Adolf Hitler são as mais recorrentes na oposição cada vez mais raivosa e babona do hemisfério Norte (calma que ainda tem mais semelhanças com o “Gigante da América do Sul”). Por outro lado, isso até já alimenta alguns bons sites de piada.

O engraçado é que o discurso da escalada autoritária sempre esteve presente nos momentos em que o governo tentou intervir no setor privado: Ancinav, a mudança nos critérios das agências reguladoras, a lenda orquestrada do terceiro mandato até o recente chilique dos banqueiros por causa da facilitação do acesso ao crédito nos bancos públicos. E agora a conversa fiada se repete na discussão do pré-sal.

Nos EUA, a proposta de um sistema público de saúde já começou cheia de acusações e traições. O nível de tensão teve início nos desacertos e brigas dentro do próprio partido Democrata, como nos mostra o sempre bem informado André Kenji.

O nível ontem atingiu o bizarro do deputado republicano Joe Wilson chamar Obama de mentiroso durante o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos no Congresso. A agressividade foi tamanha que o deputado teve de se desculpar, mas imagina a neurose? O motivo do bate-boca é a extensão da saúde pública aos imigrantes ilegais.

Ao apelarem para a mentira de que os imigrantes serão cobertos pela saúde públicae, republicanos jogam eleitoralmente com a base democrata em sindicatos, extremamente nacionalista, preconceituosa e ciosa de que a entrada de imigrantes pode dificultar o seu acesso à saúde.

O que parece ser relevado no debate nos Estados Unidos é que os sistemas de saúde privados com essa oposição ostensiva reconhecem a sua incompetência. Já que o sistema público vai ser tão ruim, pra eles não faz diferença. A saúde pública brasileira é exemplo disso. Existe e é usada por todas as classes sociais. Mas a demora (e muitas vezes a precariedade) do atendimento leva muitas pessoas pros planos privados. Por que a “eficiente” saúde privada americana não deixa o setor público existir? Eles não ganhariam dinheiro do mesmo jeito?

A crise econômica mundial e o protagonismo dos bancos públicos brasileiros mostram que nem sempre esse postulado liberal de eficiência privada é verdadeiro.

Tanto no Brasil como nos EUA, a estratégia de humilhar o líder do executivo é uma cortina de fumaça para defender o lobby dos grande grupos internacionais privados. Seja do petróleo, seja da saúde pública. E olha que os dois governantes, em momentos diferentes salvaram os setores privados de seus países. Não tem jeito, o leviatã privado sempre quer mais. Ou como Bruno Pinheiro exemplifica brilhantemente: Não existe almoço grátis, a não ser que seja pra mim.

E quando os defensores dos mais ricos ficam desalojados do poder, a saída mais comum parece o hospício, mesmo quando o setor privado se comprova muito menos eficiente que o setor público. Esse é e deve ser o cerne da campanha eleitoral no Brasil.

Ontem, eu recebi manifestações de vários amigos a respeito da sanção da Medida Provisória 458.  Ao que tudo indica, o Lula  ainda estava em dúvida se iria assinar a MP ou não.

A danada pode privatizar 67 milhões de hectares da Amazônia. Originalmente, ela foi concebida para regularizar as terras de pequenos agricultores, porém os ambientalistas acusam que ela foi manipulada pelos interesses do agronegócio para expandir os benefícios para empresas e pessoas que não moram nas propriedades.

De acordo com o seu porta voz, o presidente ainda não decidiu o que vetar, portanto ainda temos chances de convencê-lo a vetar as partes mais perigosas. Eu, pra ser bem sincero, conheço pouco do tema, mas deixo aqui a opinião do nosso amigo aqui no blog  Gilson Alves, que é Engenheiro Agrônomo e entende muito desse riscado ambiental, fora isso é um dos caras mais ponta firme do Brasil:

A MP tem no seu bojo elementos que vão facilitar a legalização de terras ocupadas por grileiros. O manifesto da Avaaz (logo abaixo também) é suficientemente neutro pra ser endossado, e ataca o cerne da questão que são os dispositivos da MP ali mencionados.

A dinâmica de desmatamento e pós-ocupação de terras da Amazônia com uso agrícola inicia-se com a grilagem de terras, que são em sua maioria públicas. Conceder a possibilidade de regularização dessas ocupações é um retrocesso ambiental bastante significativo.”

Confiram então o Manifesto da Avaaz:

Nós temos pouco tempo para salvar milhões de hectares da Amazônia do desmatamento e destruição: esta quinta-feira é o prazo final para o Presidente Lula decidir se vai vetar alguns pontos da Medida Provisória que irá privatizar partes da Amazônia pertencentes à União.

Duas semanas atrás a Avaaz enviou um alerta sobre a Medida Provisória (MP) 458 e mais de 14.000 pessoas congestionaram as linhas telefônicas do Gabinete Presidencial pedindo o veto das partes mais perigosas da MP. Dentro de 48 horas o Presidente declarou publicamente que iria vetar os pontos criticados pela campanha. Porém, desde então o Presidente tem sofrido uma forte pressã o da bancada ruralista do governo, fazendo declarações preocupantes sobre o desenvolvimento da região Amazônica.

Nós temos menos de dois dias para persuadir o Presidente a manter a sua palavra. Neste momento crítico em que o Lula está decidindo o que vetar, a pressão popular poderá ter um papel decisivo para a proteção da Amazônia. Clique abaixo para enviar uma mensagem para o Lula AGORA, leva só dois minutos para registrar a sua participação:

http://www.avaaz.org/po/lula_prazo_final/98.php/?CLICK_TF_TRACK

A Medida Provisória 458 não é toda ruim, ela foi concebida para proteger pequenos agricultores que precisam do título legal das terras que ocupam. Porém, a MP foi manipulada pelos interesses do agronegócio, muitos dos quais são responsáveis pela ocupação viol enta e ilegal de terras amazônicas. Se a MP for assinada na sua forma atual, os que mais tem serão os maiores beneficiários do programa do governo.

Nossas apelo para o Lula é:

1. Vetar a ocupação e exploração “indireta”, para que apenas as pessoas que moram nas terras tenham suas propriedades regulamentadas
2. Vetar regularização para empresas privadas, somente pessoas físicas devem ter direito à regularização
3. Proibir a comercialização das terras regularizadas por 10 anos, ao invés dos propostos 3 anos, evitando assim a especulação comercial das terras

Se milhares de pessoas enviarem uma mensagem, poderemos garantir a preservação de uma vasta área da floresta. Clique aqui para enviar uma mensagem para o Presidente Lula, usando a ferramenta do nosso site:

http://www. avaaz.org/po/lula_prazo_final/98.php/?CLICK_TF_TRACK

O destino da Amazônia será definido dramaticamente até o final desta semana. Certamente está não será a nossa batalha final para defender a Amazônia, mas é uma batalha importante. Vamos manter a pressão e mostrar para o Lula que os brasileiros se importam com a Amazônia!

Com esperança e convicção,

Alice, Graziela, Ben, Ricken, Luis, Paula, Pascal, Iain, Paul, Brett, Ben, Raj e toda a equipe Avaaz

Leia mais sobre o assunto:

Lula ainda não decidiu sobre veto à MP da Amazônia

Lula adia prazo de decisão sobre polêmica lei de terras

A MP 458 e o futuro da Amazônia

Lula lança em MT programa para regularizar terras na Amazônia

Lula defende medida que regulariza terras

Como disse, não tenho opinião formada pelo assunto, mas acredito que essa lei deve ser repensada. Os ruralistas no Congresso são sempre um perigo.

Talvez seja má vontade minha, mas parece que a dupla PSDB-DEM tem visto o sonho de se recolocar como força política nacional expressiva ficar cada vez mais distante. Com 2010 logo aí, as recorrentes trapalhadas – destacadamente, nos governos estaduais e na oposição ao governo federal no congresso – têm revelado as dificuldades internas e a falta mesmo de projeto político dos dois partidos.

 

A escolinha do professor Fernando tenta, mas a média da turma é baixa.

A escolinha do professor Fernando tenta, mas a média da turma é baixa.

 

 

Em primeiro lugar, a popularidade do presidente Lula tem resistido tanto a fatos sérios quanto a factóides. A pesquisa do Datafolha mostra o retorno da aprovação a Lula a patamar recorde, e a melhora das expectativas do eleitorado sobre a condição econômica do país e da população. Ainda, a possibilidade de um terceiro mandato tem sido mais bem aceita pelo eleitorado, apesar das negativas de Lula.

Curiso é que, ao longo desse mesmo, ano a oposição tentou colar no presidente, um atrás do outro, motivos ou para desconfiar de sua capacidade de governar o país, ou para supostamente levantar o espírito cívico adormecido dos homens de bem. Todos eles sem muito sucesso.

 

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR): moralidade, competência e beleza em um homem só

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR): moralidade, competência e beleza em um homem só

A própria Folha de ontem relembra alguns: a crise econômica mundial, que, se não foi uma marolinha, não chegou aqui na forma de tsunami como esperava a oposição, apostando na crise para atingir, com armas alheias, o governo e a candidatura de sucessão; o suposto levante de administrações municipais contra a a redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios; depois, a tentativa de criar pânico e indignação na população por causa das alterações nas regras da poupança (em propaganda política veiculada na TV, Raul Jungmann, do PPS, insinuou que seria um retorno da era Collor, com nova ameaça à poupança). Agora, com provavelmente as mesmas chances de causar espécie e de finalmente trazer de volta às ruas a moçada do Cansei, a oposição tenta emplacar para valer a CPI da Petrobras que, se não natimorta, com certeza vai render muito menos dividendos políticos para a oposição do que o esperado, se não pura e simplesmente complicar a vida de quem achava que ia se dar bem com ela.

O governador José Serra tem até tentado ajudar: meteu o senador Álvaro Dias, que protocolou o pedido de CPI da Petrobras, no programa Roda Viva da sua TV Cultura, mas a repercussão foi bastante negativa. Aliás, as ações do governador e do seu “ministerinho” (um secretariado com nomes expressivos (risos) para sinalizar para o eleitorado como seria um governo tucano sob o comando de Serra) merecem um post à parte.

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