Gil Scott-Heron: (1949 2011

Homenagem sugerida pelo Lauro

A vida está corrida. Não consigo terminar nenhum texto da lista de posts que tenho na cuca. Por sorte, temos colaboradores de luxo, como Demétrio Toledo .

Para comemorar a sua estada no Brasil, publico algo que ele escreveu sobre a sua experiência em Cambridge (MA) e sobre o poeta Galway Kinell.

 

Galway Kinnell

 

 

Em Cambridge, Massachusetts, quem não tem tv paga, como Mury e eu, tem que se contentar com futebol americano só no domingo (quatro jogos, dois simultâneos), reprises do “Office” e do “Curb Your Enthusiam” e o “Jerry Springer Show”, programa que anima nossas manhãs com traiçoes, canalhices e um nível deliciosamente baixo e avacalhado ovacionados pela platéia com gritos de “Jerry, Jerry, Jerry” (o nome do apresentador) cada vez que o nível desce pra baixo da camada do pré-sal.

Quem quiser e tiver paciência pode também assistir e/ou produzir/estrelar um dos muitos programas dos dois canais da CCTV (Cambridge Community Televison), CCTV9 e CCTV10, canais sustentados por doações da comunidade nos quais qualquer um – isso mesmo, qualquer um que quiser  – pode apresentar seu programa e ainda ganhar de brinde o seguinte aviso antes da parada começar: “Este programa contém “free speech”, que, segundo pesquisas, é um componente fundamental da democracia”! E dá-lhe falar o que vem à cabeça, muitas vezes visivelmente (a cabeça) “under the influence” (melhor e mais cínica expressão de todas que aprendi aqui), o que dá saudades do programa que Itaquê, Renatinho, Carol e eu de assistente eventual transmitíamos da rádio pirad(t)a da História/FFLCH, a famosa “A hora das rasgadeiras” (nunca entendi o nome do programa, especializado em funk proibidão).

Como a oferta de hippies velhos e doidões é limitada até mesmo em Cambridge, Massachusetts, de vez em quando não tem o que passar na programação. Restam então duas alternativas: transmitir as imagens da câmera de segurança que filma a porta de entrada da CCTV – com direito a ver todos os malucos que vão entrando pela porta – ou exibir um documentário mais velho do que andar pra frente sobre Galway Kinnell, gênio da poesia contemporânea americana.

Foi assim que conheci o cara, assistindo, noite após noite, o fera declamando seus poemas cheios sobre os temas mais inesperados – e inesperadamente delicados  e vivos – da poesia contemporânea: paternidade e sexo, língua e fruta, fruta e língua, numa das poesias mais poderosas que andam por aí.

A influência mais óbvia na poesia de Galway Kinnell é Walt Whitman – o hedonismo naturalista é um tema recorrente de sua poesia: quem consegue ficar indiferente ao erotismo tão profundo que chega a dar tesão de “Blackberry Eating”,  frutoso e lingual,  e “Last God”, suculento e molhado? – e com uma musicalidade que remete aos poemas de Edgar Alan Poe, ritmados, densos e flertando com o extasiástico. Sua poesia tem também uma masculinidade livre, intensa e emancipatória em relação aos papéis tradicionalmente atribuídos a nós homens – tema tão a propósito no momento em que tentamos, mulheres e homens progressistas, eleger Dilma Rousseff – com uma mistura de potência inata e carinho paterno tocantes.

Galway também traduziu: Hardy, Villon, Bonnefoy e Rilke.

Aqui vão as coisas que mais me impressionaram. As duas primeiras falam de Ferguson, seu filho.  As outras duas são pra ler com quem a gente mais gosta e tem tesão. A última eu não sei pra que serve, só sei que é linda demais.

Queria que todos pudessem ouví-lo declamando, mas parece que  esse privilégio só existe praqueles que têm que assistir CCTV até altas horas da madruga… Sorte e azar de vocês. Fiquem com as duas gravações que eu encontrei.

After Making Love We Hear Footsteps


The Olive Wood Fire

When Fergus woke crying at night.
I would carry him from his crib
to the rocking chair and sit holding him
before the fire of thousand-year-old olive wood.
Sometimes, for reasons I never knew
and he has forgotten, even after his bottle the big tears
would keep on rolling down his big cheeks
– the left cheek always more brilliant than the right -
and we would sit, some nights for hours, rocking
in the light eking itself out of the ancient wood,
and hold each other against the darkness,
his close behind and far away in the future,
mine I imagined all around.
One such time, fallen half-asleep myself,
I thought I heard a scream
– a flier crying out in horror
as he dropped fire on he didn’t know what or whom,
or else a child thus set aflame -
and sat up alert. The olive wood fire
had burned low. In my arms lay Fergus,
fast asleep, left cheek glowing, God.

Last Gods

Blackberry Eating

I love to go out in late September
among the fat, overripe, icy, black blackberries
to eat blackberries for breakfast,
the stalks very prickly, a penalty
they earn for knowing the black art
of blackberry-making; and as I stand among them
lifting the stalks to my mouth, the ripest berries
fall almost unbidden to my tongue,
as words sometimes do, certain peculiar words
like strengths or squinched,
many-lettered, one-syllabled lumps,
which I squeeze, squinch open, and splurge well
in the silent, startled, icy, black language
of blackberry — eating in late September.

The bear


The Fundamental Project of Technology

Under glass: glass dishes which changed

in color; pieces of transformed beer bottles;

a household iron; bundles of wire become solid

lumps of iron; a pair of pliers; a ring of skull-

bone fused to the inside of a helmet; a pair of eyeglasses

taken off the eyes of an eyewitness, without glass,

which vanished, when a white flash sparkled.

An old man, possible a soldier back then,

now reduced down to one who soon will die,

sucks at the cigaret dangling from his lip, peers

at the uniform, scorched, of some tiniest schoolboy,

sighs out bluish mists of his own ashes over

a pressed tin lunch box well crushed back then when

the word future first learned, in a white flash, to jerk tears.

On the bridge outside, in navy black, a group

of schoolchildren line up, hold it, grin at a flash-pop,

swoop in a flock across grass, see a stranger, cry,

hello! hello! hello! and soon, goodbye! goodbye! goodbye!

having pecked up the greetings that fell half unspoken

and the going-sayings that those who went the morning

it happened a white flash sparkled did not get to say.

If all a city’s faces where to shrink back all at once

from their skulls, would a new sound come into existence,

audible above moans eaves extract from wind that smoothes

the grass on graves; or raspings heart’s-blood greases still;

or wails infants trill born already skillful at the grandpa’s rattle;

or intra-screams bitter-knowledge’s speechlessness

memorized, at that white flash, inside closed-forever mouths?

To de-animalize human mentality, to purge it of obsolete

evolutionary characteristics, in particular of death,

which foreknowledge terrorizes the contents of skulls with,

is the fundamental project of technology; however,

pseudologica fantastica’s mechanisms require:

if you would establish deathlessness you must eliminate

those who die; a task attempted, when a white flash sparkled.

Unlike the trees of home, which continually evaporate

along the skyline, the trees here have been enticed down

toward world-eternity. No one knows which gods they enshrine.

Does it matter? Awareness of ignorance is as devout

as knowledge of knowledge. Or more so. Even though not knowing,

sometimes we weep, from surplus of gratitude, even though knowing,

twice already on earth sparkled a flash, a white flash.

The children go away.  By nature they do. And by memory—

in scorched uniforms, holding tiny crushed lunch tins.

All the pleasure-groans of each night call them to return, satori

their ghostliness back into the ashes, in the momentary shrines,

the thankfulness of arms, from which they will go

again and again, until the day flashes and no one lives

to look back and say, a flash, a white flash sparkled.


E pra quem acompanha o blog, seus autores e colaboradores, agora também pode acessar o Jornal do Guaci. A publicação on-line é atualizada uma vez por dia e reúne links postados pelos integrantes da lista Guaciara no twitter.

A edição fica por conta dos softwares do site http://paper.li/. Uma vez ou outra podem aparecer umas coisas meio esquisitas, mas no geral o que tá lá é uma seleção de notícias que chamou atenção das pessoas que frequentam essa caixa de comentários do lado direito da telinha.

Eu e os chapas Arthur e Mateus (de quem copiei a idéia) também estamos com jornaizinhos na praça. Cliquem lá pra conferir os links que a gente segue.

Em breve, quando sobrar um tempo, coloco uma chamadinha aqui pro blog.

Joé Pasta

Não estarei em São Paulo, mas bem que gostaria. É que nesse sábado, dia 3 de julho, será relançado o livro O Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta.O livro tem muito a ver com um período importante da minha vida. Logo que cheguei em São Paulo, me interessei muito por teatro e, principalmente, pelo dramaturgo e diretor alemão.

Trabalhei uns poucos anos com a Companhia do Latão. Quer dizer, o correto é dizer que aprendi muito com o grupo teatral paulistano (e ainda aprendo) e vivi um período mais intenso em que essa  estágio informal era remunerado. Foi de 1999 a 2000.

No ano passado, assisti ao experimento cênico do grupo chamado Entre o Céu e a Terra. O trabalho colocava lado a lado projeções de vídeo, leituras de texto e música em um diálogo cênico muito poderoso e sugestivo.

A vontade permanente de pensar a situação brasileira de um forte ponto de vista estético é que faz o Latão uma das coisas mais sérias do teatro e da arte no Brasil. O trabalho deles ainda é mal-entendido, principalmente na crítica fácil dos grandes veículos de comunicação, por causa de uma de suas maiores qualidades: o posicionamento político. É o comunismo que atormenta a rapeize.

Muito além de uma mensagem, tão comum ao teatro panfletário, o que está ali é um convite à reflexão e às maneiras de se enxergar e de se posicionar no mundo. Essa dialética permanente dá uma riqueza absurda para o trabalho do Latão.

Como se pode ler abaixo, muito disso se deve ao professor e crítico literário José Antonio Pasta, que irá relançar do seu livro O Trabalho de Brecht.

Pasta tem uma bibliografia pequena em livro comparada ao tamanho de seu conhecimento sobre literatura e sua importância nos estudos literários. Pelo tanto que seus diversos alunos do curso de letras da USP devem ao mestre nascido no município de Ariranha (SP), uma estante inteira seria pouco.

Publico aqui o texto de divulgação do lançamento dessa que foi sua primeira grande obra e que o levou – em um caminho bem consistente – a uma profunda investigação sobre Machado de Assis, Raul Pompéia, Guimarães Rosa, a cultura popular, Clarice Lispector e o país. O evento vai ser muito legal e irá reunir um elenco significativo do teatro político em São Paulo. Vale apena.

Lançamento do livro de José Antonio Pasta terá apresentação de 05 grupos teatrais e fala do autor.

por Roberta Carbone

Será lançada no dia 03 de julho, sábado, às 19 horas, no Estúdio do Latão, a nova edição do livro Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta, professor de literatura brasileira da USP, pela Editora 34.

A comemoração contará com a participação dos grupos teatrais Companhia do Latão, Companhia do Feijão, Teatro de Narradores, Companhia Ocamorana e Grupo Folias D’arte.

Na ocasião, haverá um coquetel e fala do autor sobre a obra.

LIVRO TORNOU-SE UMA REFERÊNCIA NOS ESTUDOS SOBRE BRECHT

Lançado originalmente em 1985, Trabalho de Brecht é dos mais importantes estudos sobre o autor alemão publicados em português. Escrito como dissertação de mestrado, o livro discute as várias dimensões e sentidos do projeto clássico de Brecht.

A primeira edição, esgotada há muitos anos, influenciou a pesquisa artística de muitos grupos teatrais de São Paulo, que participam agora da homenagem ao autor.

A obra passa a integrar a mais respeitada coleção da editora, a Espírito Crítico.

A CLASSICIDADE CONTEMPORÂNEA DE PASTA

Em Trabalho de Brecht: breve introdução ao estudo de uma classicidade contemporânea, José Antonio Pasta estuda a produção da obra madura de Brecht em seu contexto contemporâneo. Não começa pelas primícias do autor mas, sim, pelos momentos decisivos em que a experiência literária do jovem escritor alemão chega a seus embates frontais com a indústria cultural — isto é, com a forma-mercadoria, com o nazismo, o exílio e a guerra.

Da experiência dessa situação extrema vê-se então emergir, na obra de Brecht, um projeto estético e político que, da perspectiva deste estudo, terá como fio condutor a constituição de uma classicidade contemporânea, estratégica e de combate.

Tal projeto supõe, da parte de Brecht, um acerto de contas radical com o destino da Alemanha e sua herança cultural, e, no limite, com a própria modernidade, considerada em seus pressupostos e promessas. Nesse sentido, a análise de José Antonio Pasta se orienta pela leitura de Marx feita por Brecht, assim como sua retomada das bases hegelianas da dialética.

O AUTOR É PROFESSOR DA USP

José Antonio Pasta é mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Realizou estágio pós-doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris em 1995/1996. Desde 1984 é professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas das USP. Foi também professor-associado na Universidade de Paris III — Sorbonne Nouvelle, em 2001/2002.

ESTÚDIO DO LATÃO

Rua Harmonia, 931 (próximo ao metro Vila Madalena), São Paulo -SP

Dia 03 de julho às 19 horas

Informações: (11) 38141905

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E como política e criação são o tema no post, impossível esquecer o evento que chacoalha corações e mentes na capital brasileira da cinefilia, Belo Horizonte. Estão abertas as inscrições para o melhor festival de cinema do País, o forumdoc.bh.2010.

Quem nunca foi, guarde o final do ano e vá para a capital mineira por que vale muito a pena essa imersão no que há de melhor na produção desse cinema que bebe do documentário e da etnologia, mas não só. Muito do melhor que eu vi na vida foi nessas sessões no cine Humberto Mauro. Só coisa boa. Inscrevam-se.

korhaan

Na semana passada, os professores aplicaram a prova regimental. É o momento em que eles enxergam o fim do semestre. Embora ainda esteja um pouco distante, agora surge no horizonte. O Professor fica menos apreensivo que os alunos, mas não muito. Chega à sala de aula na hora, espera os estudantes se acalmarem, inicia as instruções e entrega as questões e a folha de prova de acordo com a ordem numérica da lista de chamada.

Age como um balconista de cartório: organiza pilhas de papel e entrega as folhas que devem ser preenchidos. Depois de responder as perguntas, os estudantes entregam os formulários para o professor que os arruma de acordo com a ordem preestabelecida.

Entre uma coisa e outra sobra algum tempo. Durante toda semana, escolheu um livro e o leu de cabo a rabo. Resolveu escrever uma resenha sobre um pedaço curto, escrito em alta velocidade. Eu parafrasearei o que ele disse.

Leu de segunda a quinta, em intervalos de 3 horas, Infância de J.M. Coetzee. Havia acabado Verão, do mesmo autor, e estava empolgado. Como conhecia Juventude, foi ao livro que deu origem à série. O escritor é da África do Sul, a Copa do Mundo é na África do Sul. Em uma dublagem, Coetzee (que se pronuncia cutziih), disse que gosta de sabonetes Phebo e detesta estar em açougues. No livro, ele falava dele mesmo na terceira pessoa, mas não pareceu magnânimo e não pareceu  maluco.

Na terça feira, lá estava o professor, em sala de aula, sentado de costas para o quadro negro às dezenove horas e quinze minutos. Enquanto os alunos redigiam as suas provas, ele olhava para o seu caderno e tentava descobrir que diabos era um korhaan.

Sabia que era um bicho. Um bicho sul-africano. Um bicho que gagareja, mas duvidava. Talvez ele não fosse um bicho sul-africano, mas um que existe na África do Sul. Como a Copa, “na África do Sul”. Nenhum bicho é sul-africano. Entre os bichos não existe nacionalidade. Bicho é bem louco, nem sabe que é bicho. Não sabe porra nenhuma. Bicho não deve saber nem nem que os outros animais pertencem a espécies diferentes da dele.  As vezes sabe, outras vezes não.

Contaram pro professor duas coisas sobre isso: A primeira é que cachorro pensa que o pessoal que mora com ele faz parte de uma mesma matilha. Não só os outros cachorros. O dono dele, a mãe dele, a mãe do dono, a mulher, os amigos e amigas mais próximos, até um gato. Outra história veio da internet. alguém contou que depois daquele tsunami muito famoso, uma tartaruga criou um hipopótamo que havia se perdido da sua família. Hipopótamos não gostam de família, querem ficar sozinhos com água até o focinho.

Depois que entregaram as duas primeiras provas, ele havia avançado na leitura. Queria saber o que era Paawn. Poucos minutos depois, que raios é um muisvöels, o que é skaapstecker. Mas a segunda dúvida teve vida curta. Pois já na página seguinte soube que não precisva saber o que era aquilo. Já sabia demais. O autor lhe contou que “as cobras se casam para toda a vida, (…) quando se mata o macho, a fêmea vem procurar vingança” (COETZEE, Infância, p.86).

*o trecho é do livro supracitado

Demétrio Toledo nos enche de orgulho. O sujeito é brilhante; um sociólogo nato, grande brasileiro e um dos maiores amigos que eu tenho na vida. Entre 2004 e 2005 ele morou aqui no Guaciara. Vinha de uma experiência difícil: havia perdido o teto; em todos os sentidos da palavra. O telhado da sua casa desabou e ele veio pra cá.

Foi naquele período que ele redigiu sua dissertação de mestrado: uma baita contribuição ao estudo das elites locais. Por sorte de todos nós, a editora papagaio transformou a tese em um livro que será lançado na segunda-feira (amanhã), no Bar Canto Madalena, em São Paulo.

O trabalho lida com as novas formas da ação coletiva. A partir de técnicas muito refinadas, interpreta uma reorganização das classes sociais no país, o modo das elites se organizarem, se dividirem e o peso institucional em cada um destes momentos. É um estudo fino de sociologia política. Tenta entender se é possível tratar as classes sociais da mesma maneira e pensar uma determinação da ação política das elites empresariais. É novo por tratar de formas muito recentes de se abordar os problemas sociológicos, por pedir uma reavaliação das categorias clássicas e também por indagar sobre as manifestações de poder na sociedade recente.

Chamo todos os leitores da nossa página a aparecerem por lá. Mais informações no convite:

A editora Cosac Naify acaba de publicar o primeiro volume da obra O Romance, editado pelo teórico da literatura Franco Moretti. Moretti é desses autores que combinam rigor acadêmico e a preocupação de ser entendido pelo público não especializado. Para ele, a literatura é um elemento chave para compreender processos sociais, históricos e culturais e, por isso, umas das tarefas da teoria literária seria ampliar o escopo dos cânones particulares de sociedades e épocas particulares. A proposta da obra O Romance – que, na edição italiana original, se estende por cinco volumes – tem uma confessada intenção enciclopédica: recobrir a história desse gênero literário que recobre mais tempo e espaço do que convencionalmente se imagina; nas palavras do próprio Moretti, um gênero milenar, proteiforme e planetário.

Capa da edição italiana de O romance

Capa da edição italiana de O romance

No primeiro volume, “A cultura do romance”, destaque para os textos de Christa Burger sobre escrita feminina, do próprio Moretti sobre romance e “seriedade” e de Steven Johnson, “Complexidade urbana e enredo romanesco”, que inspirou o breve texto que escrevi sobre conto do Alê Casatti.

Capa do primeiro volume da edição brasileira

Capa do primeiro volume da edição brasileira


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