O Brasil é um país que sempre zelou por um preconceito velado, por acobertar suas violências com uma suposta cordialidade, onde todos conviveriam juntos e as diferenças seriam percebidas de maneira leve e sem maiores danos.

O argumento está presente em discussões contra a ação afirmativa nas universidades e até para questionar o racismo na obra de Monteiro Lobato. Muito malabarismo verbal foi gasto.  Como a escritora Ana Maria Gonçalves expõe brilhantemente no texto linkado acima:

Desrespeito é não reconhecer que o racismo nos divide em dois Brasis; um que se fosse habitado só por brancos (ricos e pobres), ocuparia o 30º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e cairia para 104º lugar se fosse habitado só por negros (ricos e pobres). Ainda pretendo escrever um texto sobre manifestações de racismo na escola e sua influência nos primeiros anos de vida e de educação de brancos e negros. Mas, por enquanto, para quem chegou até aqui e continua achando que não há nada demais em expressões como “macaca de carvão”, “urubu fedorento”, “beiço”, “carne preta”, seja nos dias de hoje ou nos dias de escravidão, deixo apenas uma frase que poderia ter sido dita por outro personagem negro de Monteiro Lobato: “O vício do cachimbo deixa a boca torta”.”

O constrangimento explícito no  discurso do “não somos racistas” expõe o medo de reconhecer uma sociedade conservadora, muito preconceituosa e que se nega a reparar os seus erros. No momento em que o governo seriamente tentou construir uma saída legal contra esse tipo de violência e tentou reparar preconceito e abusos, a violência voltou em forma de campanha de guerra.

A campanha de José Serra, nesse ano:

- se posicionou  contra o PNDH3;

- contava com um vice abertamente contrário à política de Direitos Humanos de Lula  – e até de FHC;

- contava com apoio de skinheads, monarquistas, fanáticos religiosos;

- e utilizou  materiais dos extremistas de direita da TFP.

Com isso, parece ter destampado o bafo velado de uma sociedade desde sempre violenta, racista e decisivamente homofóbica.

Sujeitos que gastavam o latim para justificar seu preconceito, agora partem pra porrada sem meias palavras. Deixam o mau-hálito da intolerância destampado e ainda se orgulham disso, feito se fosse autoritária uma sociedade em que o racismo seja inaceitável e onde pessoas do mesmo sexo possam legalmente construir uma vida conjunta.

Para muitos se tornou aceitável que um deputado ou um pastor possam pregar ódio e violência contra terceiros  impunemente. Um sacerdote sobe ao seu púlpito e declara que o homem que ama outro homem ou a mulher que ama outra mulher são criaturas contra a humanidade e acusa quem o questiona de estar “limitando a sua liberdade”.

O parlamentar direitista defende a agressão física contra crianças e adolescentes homossexuais e ainda sai com a seguinte declaração: “Não venham querer se impor, achar que são uma classe a parte, que são privilegiados”. Sinceramente, se eu sair defendendo o espancamento sem misericórdia de ex-militares que falam merda a torto e a direito, o mínimo que vão me chamar é de maluco, terrorista ou alguma coisa dessas.

A mídia noticia tais barbaridades, mas também se recusa e faz campanha contra qualquer  legislação clara para evitar que abusos sejam cometidos em nome de uma falsa liberdade de expressão.

E é aí que mora a briga, o cerceamento a essas práticas não se tornou lei de fato. Nas brechas dessa fragilidade legal (ou de falta de leis),  os conservadores aproveitam para destilar ódio e preconceito contra qualquer um que não esteja em seus padrões. É por essa falta de regulamentação que um panaca como o Bolsonaro não pode ser caçado por falta de decoro parlamentar.

O resultado desse caldeirão violento é a onda de homofobia e preconceito que o país vive de maneira muito forte. Sim, o crescimento do racismo e do preconceito contra regiões do país é filho de uma campanha eleitoral sórdida apoiada por setores que até pouco tempo não tinham quase nenhuma voz no país. Repito: militares, skinheads, grupos extremistas como a TFP e religiosos fanáticos.

O vácuo programático em que o PSDB mergulhou e sua renitência em explicitar seus compromissos com o setor privado acabaram na adoção de um discurso violento e intolerante por um partido que antes era conhecido por ser “em cima do muro”.

O discurso veio de encontro a um estilo de campanha feito pelo PSDB que, desde 1998, flerta com a estratégia de apavorar o eleitorado. Na reeleição de FHC e em 2002 o tom era do “inevitável colapso da economia” de um eventual governo petista. O tal risco Lula nada mais era do que uma campanha publicitária contra uma institucionalidade já estabelecida no campo fiscal no Brasil.

O crescimento econômico e o sucesso dos programas sociais do governo Lula, calaram esse discurso. A partir daí restou a eles – em 2006 – falar sobre o mensalão e os escândalos de corrupção do governo Lula. Também não pegou. A falta de discurso empurrou o PSDB a dar mãos a grupos que baseiam sua sobrevivência na intolerância. No caso da homofobia e do aborto, eles contaram com o apoio de uma parte da CNBB com sede de sangue por ter seus preceitos “afrontados” por um estado que deveria ser laico.

O azedume do discurso eleitoral continua a frutificar em atos violentos e gritaria intolerante e os efeitos dessa bomba relógio plantada por apoiadores da campanha Serra ainda estão longe de passar.

Quem duvida do crescimento das ocorrências pós-segundo turno ou não acredita no peso do clima eleitoral na violência vale dar uma olhada nos dados da SaferNet que registra um crescimento de 88% nas denúncias de homofobia na Internet. Os casos recentes de agressão na Avenida Paulista e em Porto Alegre são apenas o lado mais visível de uma situação que tomou uma proporções assustadoras recentemente.

Ainda tô me recuperando da festinha e da comemoração de ontem, mas tenho de dizer: tá mais bonito que eu esperava.  Além da vitória incrível da Dilma, os tucanos empreendem uma guerra verbal contra o Nordeste e contra Aécio Neves. O desepero está saindo melhor do que a encomenda e a burrice e o preconceito PSDBista desabrocha como uma flor.

Só para fechar o bico dos preconceituosos, segue matéria do Valor Econômico:

A diferença da petista para o tucano foi de pouco mais de 12 milhões de votos. Essa vantagem ocorreu graças à enorme votação de Dilma no Nordeste, onde ganhou 10.717.434 de votos a mais do que Serra. Logo, mesmo se o Nordeste – maior reduto eleitoral do PT – fosse excluído dos cálculos, a candidata governista venceria a eleição por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9 ponto percentual (50,9% a 49,1%).”

Enquanto o pessoal bate a cabeça, eu ofereço uma canção para celebrar esse momento (uma cortesia do meu amigo Marcelo Carota):

…o Blog do Guaciara anuncia explicitamente seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Os motivos foram expostos ao longo dessa campanha, e procuramos contribuir, sem apoio cego nem incondicional, para que fosse bem sucedida.

Só saberemos se a campanha foi vitoriosa amanhã à noite. Mas temos a impressão de que fizemos a nossa parte.

Convidamos todos os nossos amigos e colaboradores a expressar, nos comentários, o seu apoio – ou não – a Dilma.

Desejamos a todos uma boa votação amanhã.

o nhem nhem nhem dele

o nhem nhem nhem dele

O desapego de Serra por sua própria biografia, eu diria até mesmo o ódio por sua vida pregressa, não pode ser compreendido apenas como oportunismo político de uma das figuras mais baixas da história política do Brasil. Que alguém lance mão de argumentos baseados na intolerância religiosa, no machismo mais escabroso e no ódio regional e racial já é grotesco 25 anos depois da queda da ditadura.

Valer-se de uma retórica reacionária que, pasmem, está referida freudianamente – e um Freud de tira de quadrinhos, diga-se de passagem, por sinal o único que presta – à própria história do detrator, causa verdadeira perplexidade. É o caso de José Serra.

Por mentir sistematicamente, Serra coleciona até o momento uma quantidade assombrosa de trololós, sendo portanto impossível arrolá-los exaustivamente. Vou restringir o comentário, portanto, a dois dos trololós mais desavergonhados, mais abjetos, mais repulsivos e mais reveladores da personalidade de José Serra.

Em primeiro lugar, o caso do aborto realizado pelo casal Mônica e José Serra, que nas últimas semanas foi objeto do revisionismo de suas próprias histórias, tendo, por força das circunstâncias eleitorais, deixado de existir – como se a vida fosse simples assim, fechando os olhos e tudo se apaga, tudo se resolve. Depois de Mônica acusar Dilma – combinando, como não poderia deixar de ser nesse caso, obtusidade e reacionarismo reles – de ser “assassina de criancinhas”, pois Dilma, como mulher e como mulher pública, defende corretissimamente (desculpem pelo josédiaismo) a descriminalização do aborto como uma questão de saúde pública e não um problema policial ou religioso, eis que surge a revelação, mas , na insuspeitíssima Folha de São Paulo, de que Mônica havia realizado ela mesma um aborto em momentos mais apertados de sua vida.

Que alguém banalize a própria história desse modo e nesse nível, que um casal revolva e exponha sua vida de modo tão abjeto e contrário ao bem público e ao direito da mulher sobre seu próprio corpo é inaceitável e revoltante, sendo seguramente um dos momentos mais baixos da vida política brasileira. Um pouco mais, ou melhor, um pouco menos, e teríamos pena dos dois.

Espanta também (será?) que Mônica e José Serra usem do mesmo expediente que Collor usou contra Lula em 1989, quando aquele revelou uma passagem da vida de Lula em que ele e sua companheira haviam recorrido, por motivos e razões que dizem respeito apenas ao casal – e na verdade apenas à mulher, sujeita única e exclusiva do direito a seu próprio corpo – à interrupção da gravidez. O que se esperaria de pessoas decentes é que, a vivência de uma experiência que é qualquer coisa menos banal e que deixou marcas profundas em Mônica, como ela mesma contou a suas alunas na Unicamp, a passagem por um evento tão forte, sensível e tocante pudesse levá-los a ter uma opinião menos desumana e retrógrada sobre o aborto.

Os progressistas somos todos solidários ao sofrimento que o evento impôs ao casal, experiência aliás tão comum em nosso país, ainda que profunda e lamentavelmente marcada pelas desigualdades de classe que separam a prática do aborto em, de um lado, procedimento cirúrgico para umas poucas e, de outro, autoflagelação com risco de morte para a imensa maioria. Nossa solidariedade estende-se a todas essas mulheres, ricas e pobres, vivas e mortas, cada uma marcada profundamente pela dificílima (e dá-lhe José Dias!) experiência de interromper uma gravidez. Repudiamos por isso o retorno à barbárie prepagado por Mônica e José Serra nesse particular. E lamentamos que a oportunidade para uma aula de civismo e humanismo – de amor, que tanta falta faz e que por sinal nunca é demais – tenha sido desperdiçada de forma tão abjeta por Mônica e José Serra.

Em segundo lugar entre os mais desaforados trololós de José Serra está sua insistência, e de certos jornais, como a Folha de São Paulo, em retratar Dilma como terrorista. A causa da repulsa é diferente em cada caso, por isso deixo à leitora decidir qual é pior. O interesse da Folha de São Paulo pela história de Dilma na resistência à ditadura é macabro e asqueroso porque, como se sabe, a empresa dos Frias foi aparelho da famigerada Operação Bandeirantes, vulga OBan, tendo auxiliado a repressão a sequestrar, torturar e matar pessoas que resistiam à ditadura. É uma posição repulsiva porque indica atavismo, um apego genético à tortura e ao assassinato como expedientes políticos, atavismo do qual a família Frias e muitos, mas não todos, de seus funcionários não conseguem se livrar. Mas até aí, pode-se dizer que a Folha de São Paulo continua do mesmo lado em que estava na ditadura – é coerente, por assim dizer; fascinorosa, celerada, mas coerente (aliás, grande merda ser coerente com posições equivocadas, antes a mais desvairada incoerência do que o apego ao erro e ao crime).

A posição de Serra, no entanto, é mais desconcertante, uma vez que ele próprio, durante a ditadura, mobilizou-se contra ela – pelo que sinceramente parabenizo aquele rapaz idealista, aquela boa alma que se apagou completamente, mais que isso, que se virou do avesso na versão atual de José Serra. Que ele e seus aliados, usem a mesma retórica, os mesmos termos e palavras que a ditadura usou para perseguir o próprio Serra, beira o incompreensível. (Se bem que, me dirá a leitora atenta a nossa história política recente, os tucanos superaram sua “questão” com a ditatura há muito tempo: desde que se tornaram unha e carne com o PFL/DEM; Índio da Costa e o PFL/DEM, por razões óbvias – porque eram a ditadura! -, jamais tiveram qualquer questão com ela, a ditadura).

Os tucanos dirão que isso tudo não passa de “cálculos de finório”, oportunismo de uma figura que está para ser derrotada definitivamente e que, por isso, usa de todos os expedientes disponíveis, da exposição acafajestada da vida privada de sua esposa ao beija-mão de seus antigos algozes, para tentar vencer, custe o que custar. Concordo, e acho que a leitora também. Mas acho que o Brasil perde demais, demais mesmo, com uma figura tão abjeta como Serra. E não sou só eu: amigos e parentes tucanos ou deixaram de votar no Serra por causa de suas imundícies ou simplesmente passaram a fazer campanha pela Dilma.

O Brasil não só pode mais, o Brasil merece muito mais. Merece, entre outras coisas, uma oposição moderna, progressista e comprometida com a verdade – bem o contrário do circo de horrores que Serra vem nos oferecendo. Ainda bem que domingo acaba.

Se tem uma coisa que faz toda a diferença é a militância do PT. Principalmente os representantes da esquerda festiva (da qual faço parte e tenho muito orgulho).

1 –  É um partido de verdade que concentra um apoio espontâneo incomparável a outros na história da democracia brasileira. Muito disso por que é um partido de base que constrói suas propostas em reuniões que vão das menores cidades à cúpula federal.

2- É um partido sem preconceito com nenhum grupo social. Não tem rejeição à ninguém e não quer fazer essa imagem de jovem certinho de gel procurando emprego em multinacional (e até esses são bem-vindos). O partido é aberto a todos e tem muito orgulho dessa diversidade.

Se o segundo turno teve uma coisa boa, foram essas lindas manifestações de alegria e comprometimento com o país para combater o spam da maldade tucano. Seguem alguns exemplos, quem tiver mais, pode mandar:

O abraço à bandeira em Brasília

Serra não Mamãe em Fortaleza

O incrível Abraço da Contorno em Belo Horizonte

E agora só pára no domingo vamos continuar a campanha cheia de felicidade e ânimo, estamos bem na pesquisa, mas o primeiro turno nos mostrou que eleição só se ganha com os votos na urna. Deixa o ódio pra eles! E vamos trabalhar!

Nojinho!

“Se há um traço distintivo do tucano paulista é seu ódio ao povo e ao país.”

1) Foi o que declarou o jornalista Paulo Sotero, tucano da velha guarda, em evento no MIT logo após o primeiro turno das eleições – “é triste dizer, mas infelizmente meus amigos tucanos têm verdadeiro nojo do povo brasileiro”, disse ele, tapando o nariz, indicando o sentimento da elite brasileira, e em especial da paulista, em relação aos nossos iguais;

2) é o que falou o neotucano Francisco de Oliveira em entrevista à Folha de São Paulo, num rompante de lucidez em meio a um monte de bobajadas;

3) é o que se depreende de uma fala da arqui-tucana Eunice Durham, professora do Departamento de Antropologia da USP, ex-secretaria nacional de política educacional do governo FHC, em evento do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP ano passado: “eu sei que o que eu vou falar é extremamente reacionário (cuma?, num credito, repete), é extremamente reacionário (nó!, falou mesmo!), mas a USP não pode jamais deixar de ser uma universidade pra elite. Esse é um dos instrumentos para São Paulo assumir a liderança da Federação”.

Duas coisas me chocaram: primeiro, o despudorado uso do qualificativo reacionário, que até onde se sabe é na verdade um desqualificativo. Sempre pensei no PSDB como uma direita conservadora enrustida, envergonhada de seu reacionarismo – à mercê de eventuais e quando muito apenas parcialmente compreendidas leituras de clássicos brasileiros como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda –, perdida entre um programa de modernização conservadora e conservação moderna, geneticamente entreguista (suas origens intelectuais são o udenismo) e fundamentado no rentismo que é a nossa marca desde a colônia (quer dizer, rentismo daqueles que têm o privilégio – previlégio, dizem os ilustradíssimos tucanos: “nossa, que pessoas estudadas, que chique, falam até francês, que previlégio poder privar com vocês em nossos convescotes higienopolitanos, e agora me vêm com esse peão analfabeto, se vier aqui vai subir pelo elevador de serviço que é o lugar dele, até essa nobilíssima instituição brasileira do tempo da vovó (vovó era iaiá, senhora de escravos) eles atacam, gente sem Deus no coração, valha-me minha Nossa Senhora…” – de não trabalhar) -, envergonhada de se declarar francamente reacionária; tirando, claro, Geraldo Alckmin, de um reacionarismo pelo menos autêntico, “de berço”, diria ele, e declarado pra quem quiser ouvir (não que alguém queira, claro).

Em segundo lugar e igualmente chocante, notei um cacoete mental/intelectual/moral dos tucanos paulistas que até então vinha me passando batido (mea culpa, mas é tanta besteira que os caras falam que às vezes fica difícil acompanhar), em especial dos que vão se empoleirar lá na USP: a incapacidade, a recusa de se referirem ao Brasil como “o país”, usando em vez “a federação” para se referirem ao… país que atende pelo nome de Brasil. Federação, ou seja, uma união passageira, frouxa e revisável, jamais a ideia de um país que partilha um destino comum. E lá foi a professora, federação pra cá, federação pra lá, a federação isto, a federação aquilo, e nada, porra nenhuma de o país, o Brasil, e isso tudo coroado pelo inesquecível “eu sei que o que eu vou falar é extremamente reacionário…”.

Ora, quem conhece a elite paulista sabe o ódio, o desprezo, o nojo, como disse o insuspeitíssimo Paulo Sotero para uma platéia de brasilianistas (por sinal, todos concordaram com a descrição de Sotero de seus amigos tucanos), que ela tem pelo restante do país. A guerra civil de 1932 de São Paulo contra o resto do país ainda emociona essa turma; o sentimento antinordestino é considerado sinal de pureza racial e moral; o racismo não é caso de polícia (mas o aborto é…); e o desprezo pelos menos afortunados, pelo povo brasileiro, é apresentado como sofisticação intelectual e seriedade no trato da coisa pública – só porque eles negam à imensa maioria do povo brasileiro o mínimo, o de comer, para que se possível o Brasil continue um dos países mais desiguais e injustos socialmente em todo o mundo.

Mas o desprezo não é apenas pelo povo brasileiro, é também pelo Brasil, vindo daí os primorosos e sofisticadíssimos argumentos que José Serra e sua turma usam para defender a privatização da Petrobrás e a entrega do pré-sal para as multinacionais do setor de petróleo e gás: “o Brasil não tem capacidade de explorar o pré-sal, o brasileiro é incapaz, só quem consegue fazer isso são os gringos, por que vamos gastar tempo e dinheiro para tentar explorar o pré-sal por conta própria, por vaidade, por nacionalismo?, vamos entregar tudo pros gringos e eles nos passam uma fração da renda, nem precisaremos trabalhar, além do mais, somos incompetentes etc. e tal”. Isso descreve perfeitamente os tucanos, que quebraram o país não uma, nem duas, nem três, mas três vezes e meia e que sempre que pegam uma estatal deixam ela em frangalhos financeiros e operativos só para que um esperto apareça com a brilhante ideia de privatizá-la. Mas não descreve os brasileiros em geral e o Brasil.

FHC já disse que “um presidente tem que tomar medidas impopulares!”, e dá-lhe bater no peito, dá-lhe sorrir com ar triunfante (“nossa, o Fernandinho é tão inteligente, tão capaz, vai ser presidente um dia…”, dizem que disse uma tia sua uma tarde muitos anos atrás). Mas se impopular=contra o povo, e se o povo elege os governantes para fazer o bem, de onde ele tirou essa ideia de que o governante deve necessariamente agir contra os interesses do povo?

O problema, leitor, é que o PSDB é programaticamente antinacional e antipopular. E ainda acha graça nisso. Não vejo graça nenhuma. Você vê?

P.S. Concordo com a Professora Eunice: o que ela falou é EXTREMAMENTE REACIONÁRIO.

Rumo ao imaginário

Quem mora no Distrito Federal sabe que a campanha aqui tem um componente de pura bizarrice no programa eleitoral televisivo. O componente atende pelo nome de Weslian Roriz que já prometeu: cancelar todas as multas dos eleitores brasilienses, levar o Papai Noel (azul, lógico) para as cidades-satélite e criar estações de metrô em cidades que nem existem.

Quando eu era criança, meu pai falava sobre um antigo candidato à prefeitura de BH que prometa levar o mar pra capital mineira e que iria acabar com as subidas. Depois desse ídolo infantil do período eleitoral, só ia ter descida.

O engraçado é que essa conjunção de promessas absurdas tomou conta da campanha do Serra também, a ponto de, em Minas Gerais, ele ter dificuldade de mobilizar prefeitos também por causa da dificuldade que ele impõe a eles ao aumentar o mínimo para R$600.

Serra prometeu obras do PAC que já existem; o tal 13º do Bolsa-Família, mudanças nas cobranças dos Royalties do petróleo que são impraticáveis; e outras bizarrices de um candidato disposto a rifar até a mãe.

O sub-editor de Economia da revista Carta Capital, André Siqueira, decidiu fazer algumas contas e demonstrou objetivamente que o candidato do PSDB não tem como cumprir as promessas que vem fazendo.

Como mostra o site Carta Maior, mesmo se ele fizesse um corte de 30% nos gastos (o que implicaria em fim de contratações para o setor público e diminuição de bolsas e de editais públicos), Serra não teria o dinheiro necessário. Vamos ao texto no site:

Consta no Orçamento de 2011 a proposta de elevar o salário mínimo para 538,14 reais. Serra propõe desembolsar 61,86 reais a mais por assalariado, para atingir os 600 reais. Apenas essa promessa de campanha custaria, portanto, 12,3 bilhões de reais. O montante é próximo ao orçamento total do programa Bolsa Família, atualmente em 13,7 bilhões de reais. Aliás, criar uma parcela a mais para o programa acrescentaria 1,14 bilhão de reais ao cálculo – em valores correntes. Finalmente, há o reajuste dos benefícios da Seguridade Social. Nesse caso, apelo ao cálculo do economista do Ipea, Marcelo Caetano, que avaliou em 6,2 bilhões de reais o esforço adicional exigido pelo presente oferecido pelo tucano aos aposentados e pensionistas.

No total, assinala o jornalista da Carta Capital, as promessas de Serra custariam cerca de 19,6 bilhões de reais aos cofres públicos. André Siqueira consultou, então, o especialista em contas públicas, Amir Khair, ex-secretário de Finanças de São Paulo, para indagar sobre a viabilidade das promessas de Serra, que batem de frente, sempre é bom lembrar, com as críticas que o próprio candidato e seu partido fazem ao que consideram ser “excesso de gastos” do governo Lula. Em primeiro lugar, Khair lembra que o gasto federal corresponde a uma parcela de 43% dos desembolsos totais do setor público. O restante fica a cargo das prefeituras e estados. Em segundo, assinala, cerca de 80% do orçamento federal está legalmente engessado com salários e outras obrigações constitucionais.

Considerando a pouca margem de manobra que resta ao Executivo, Khair imagina que um “choque de gestão”, – a receita preferida do PSDB – permitiria um corte de aproximadamente 30%. Seria um “sacrifício extraordinário”, diz o economista, e equivaleria a 2,58% do gasto público nacional, algo em torno de 9,9 bilhões de reais. Ou seja, mesmo se fizesse isso, Serra estaria conseguindo apenas a metade dos recursos necessários para cumprir suas promessas de aumentar o salário mínimo para 600 reais, de reajustar em 10% as aposentadorias e de conceder um 13° pagamento ao Bolsa Família. “E ele continua a criticar o endividamento público. Ao mesmo tempo em que promete elevar gastos sociais, ampliar investimentos e cortar impostos. Como, José?”, indaga o jornalista

Ou seja, para além do conservadorismo em relação aos direitos de minorias e a guinada em direção à religião, será um governo nascido ou na base do estelionato eleitoral (assim como o malfadado FHC de 98) ou na base de um arrocho que tornará mandatos federal, estaduais e municipais impraticáveis.

Nesse sentido, no ato com os ambientalistas, Dilma Rousseff ganhou a convicção do meu voto (até então votava nela por seu trabalho no governo Lula) ao argumentar com os manifestantes do Greenpeace por que não assinaria o compromisso pelo desmatamento zero:

Não faço leilão político para receber apoio. Eu faço propostas que eu sei que são viáveis. Cada um de nós aqui quer o desmatamento zero, mas há uma diferença entre querer e fazer, há todo um processo. Hoje o que nós assumimos é [redução do] desmatamento de 80% [na Amazônia] de tolerância zero com o desmatamento em qualquer bioma.”

Pode até soar antipático, mas sinceramente, só se governa conhecendo e admitindo os limites do estado brasileiro. Quando a candidata do PT defende a expansão do papel do Estado com  base na viabilidade econômica das propostas, ela está de fato agindo como uma postulante ao governo brasileiro e não como uma apresentadora de programa de auditório eleitoral.

Atualização: Propostas de Serra criam gasto de R$ 46 bilhões

Não é do nosso feitio tomar partido gratuitamente. Menos ainda deixar passar batido as tentativas da grande imprensa de difamar pessoas que sabemos ser sérias e comprometidas com a vida pública brasileira.

Pedro Abramovay sempre teve a fama, entre nós, contemporâneos na Universidade de São Paulo e próximos por amizades em comum, de ser um sujeito sério. Precoce, foi o ministro da justiça mais jovem da história do país ao assumir como interino com a ausência do titular da pasta.

Reproduzimos abaixo a nota de Abramovay em resposta às acusações da revista Veja dessa semana.

 

 

Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.

A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.

Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho.

Apesar de ver meu nome exposto desta forma, não foi abalada minha fé na capacidade de transformação de nosso país e tampouco na crença da importância fundamental de uma imprensa livre para o fortalecimento de nossa democracia.

Pedro Vieira Abramovay
Secretário Nacional de Justiça


Eu vou lá, e você pra onde vai?

Eu vou lá, e você pra onde vai?

A campanha da Dilma está na reta final. Se você está assustado com o tom do que vem contra a Dilma,  se prepare, ainda vai piorar. O que a gente tem de fazer é responder na internet e na rua.

Por isso, participe do máximo de eventos pela campanha da Dilma. Amanhã(sábado, dia 23), o pessoal de BH organiza o Abraço na Contorno. Tem tudo pra ser um dos acontecimentos mais bonitos da campanha.

E na quinta, dia 27, acontece o Dia Nacional de Mobilização Dilma Presidente! Não dá pra perder, consulte o diretório do PT em sua cidade ou os sites da campanha da Dilma (ou este). Se não souber de nada, junte seus amigos, suas bandeiras, camisetas e adesivos e vá pra rua festejar em favor da candidatura.

Eu, irei participar do Abraço à bandeira na Praça dos Três Poderes em Brasília, às 19h. O pessoal do DF que acompanha o Guaci é convidadíssimo a participar. A mobilizaçãoé indispensável para garantirmos a vitória no dia 31 de outubro. Vamos pra rua pessoal, faltam nove dias. Até lá, não dá pra parar.

Atualização por Tiago Mesquita: Eleitores da Dilma, segue o lindo material de campanha feito pela minha querida amiga Julia Liberati no espírito DIY: http://diylma.com/

Se existe uma mentira que pegou nos bicos dos tucaninhos das redes sociais é a de que a imprensa vive sob ameaça no Brasil de Lula. O argumento não resiste a uma olhadela nas bancas de jornal. Duvida? Olha um greatest hits anti-Lula na imprensa nos últimos anos nesse link.

Tá bom, tá bom, as capas aí já foram exibidas em toda rede e mesmo assim insistem na cascata. Pois bem, a insuspeita Folha on line noticia hoje que o Brasil sobe 13 postos no ranking mundial de liberdade de imprensa (pois é 13 mesmo, como os de Dilma, #coincidência #sabotagem #valetudo?). Vamos ao que diz a matéria:

A ausência de violência grave contra a imprensa e uma maior sensibilização do poder público em relação ao acesso à informação também motivaram o salto do país. “Por último, o Brasil tem uma das comunidades mais ativas na internet”, diz o comunicado. (…)

Benoît Hervieu, responsável pelas Américas da RSF, minimizou a troca de acusações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parte da imprensa nacional durante a campanha eleitoral. “A posição da mídia ao dizer que as palavras de Lula são uma ameaça à imprensa é exagerada.”

É lógico que dizer que a profissão de jornalista é um mar de rosas e que a liberdade é lenamente respeitada é uma ofensa aos meus companheiros de trabalho. Casos como o do jornalista F. Gomes, que foi assassinado depois de denunciar um esquema de compra de votos em troca de pedras de crack, comprovam isso.

A imprensa em pequenas cidades – como a que eu nasci: Pouso Alegre – é também um cenário pródigo para se coletar histórias de jornalistas silenciados pelos mandatários locais. É só parar o ouvido e escutar absurdos. O responsável pela Repórter Sem Fronteiras confirma:

Ainda existe uma forte censura prévia no Brasil. Nos últimos anos vimos uma multiplicação de ataques nesse sentido”, diz Hervieu. Para ele, a Justiça brasileira sofre influência de políticos e toma decisões “ridículas, como proibir a citação de nomes e sobrenomes em reportagens”

Mas é inegável que a liberdade deveria começar nas redações que ainda estão bem distantes desse papel. A demissão de Maria Rita Kehl (por um bizarro “delito de opinião”) e a proibição do Falha de S. Paulo é um exemplo de que a liberdade de imprensa deveria começar no quintal deles.

Mas até aí, os jornais deveriam começar também a falar sobre os oposicionistas que só falam com a imprensa quando a pauta é deles ou, pior, sobre governador que não aceita dar explicações sobre a demissão de um diretor da empresa pública responsável pela obra mais importante do governo do maior estado do Brasil:

Enquanto Paulo Preto ainda não era um perigo eleitoral, Goldman fazia questão de alertar Serra sobre o sujeito, o governador ignorou:

Por meio de um e-mail enviado ao então governador José Serra em novembro de 2009, o seu vice à época, Alberto Goldman, classificou como “vaidoso” e “arrogante” o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Na mensagem, Goldman diz que o ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) “fala mais do que deve, sempre”. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo na edição desta quarta-feira (13).

De acordo com a nota, o vice analisava as entrevistas concedidas por Preto e pelo secretário de Transportes Mauro Arce, em razão da queda de uma viga nas obras do Rodoanel. “Parece que ninguém consegue controlá-lo. Julga-se o Super-Homem”, escreveu Goldman. Na época, Preto autorizou que as construtoras mantivessem a mesma estratégia de instalação das vigas que desabaram. “Não (…) tenho qualquer poder de barrar ações. Mas tenho o direito, e a obrigação, de opinar e tentar evitar desgastes desnecessários”, afirmou Goldman na ocasião.”

Mas o Paulo Preto é um cisco no meio de um mar de apatia da imprensa paulista em cobrir o governo estadual. Em Minas Gerais então nem se fale, mas lá é na base da mordaça mesmo.

Em São Paulo, o modus operandi é usar a justiça para CENSURAR quem se posiciona contrariamente ao partido. Como diz o Raphael Tsavkko: “O Tucanato é famoso por tentar censurar e efetivamente censurar jornais, blogs, sites e até mesmo o Twitter.” Vale a pena ler o artigo dele sobre a ameaça a liberdade de expressão com a censura da Revista do Brasil e do Blog do Artur Henrique em que ele mostra como os tucanos escondem tudo pra debaixo do tapete forçando o segredo de justiça.

Na verdade, cada um usa sua mordaça, pra uns é o calaboca, para outros uma mordaça econômica. O excelente NaMaria News mostra que um terço da circulação da editora Abril vem de compras, sem licitação, do estado de São Paulo:

ED. ABRIL / FUND. CIVITA CONTRATO / LINK D.O. VALOR
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola (DE’s/Ofs.Pedags/Escolas) SÓ HÁ 2 REGISTROS EM DO – onde e quando o contrato inicial? ~ 42/2199/04/04 (ver DO 29/12/04) ~14/jan/05 326.880,00
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola ~ 15/1063/07/04 ~23/out/2007 408.600,00
220.000 assinaturas da Revista Nova Escola – edições 216 a 225 – solicitado pela CENP para o “Ler e Escrever” ~ 15/1165/08/04
(ver DO 1/10/2008 ) ~ 25/out/2008
3.740.000,00
415.000 exemplares Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2008 ~ 15/0543/08/04 ~23/abr/2008 2.437.918,00
430.000 exemplares Edições nº 7 e 8 do Guia do Estudante Atualidades Vestibular ~ 15/1104/08/04 ~22/out/2008 4.363.425,00
430.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.08 + 20.000 Revista do Professor ~ 15/0063/09/04 ~11/fev/2009 2.498.838,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 09 + 25.000 Revista do Professor ~ 15/0238/09/04 ~16/jun/2009 3.143.120,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.10 + 27.500 Revista do Professor ~ 15/0614/09/04 ~29/ago/2009 3.249.760,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem 2009 + 27.500 Revista do Professor ~ 15/00024/10/04 ~ 2/abr/2010 3.177.400,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.11-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº5 ~ 15/00473/10/04 ~ 15/jun/2010 3.328.600,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 12-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº6 ~15/00762/10/04 ~17/ago/2010 3.328.600,00
PARCIAL 25.527.661,00
3.000 assinaturas Revista Recreio ~15/0181/08/04 ~29/mar/2008 1.071.000,00
6.000 assinaturas Revista Recreio ~15/0182/08/04 ~29/mar/2008 2.142.000,00
5.155 assinaturas Revista Recreio ~15/0670/08/04 ~12/ago/2008 1.840.335,00
25.702 assinaturas Revista Recreio ~15/0149/09/04 ~17/abr/2009 12.963.060,72
2.259 assinaturas Revista Recreio ~ 15/0528/09/04 ~1/set/2009 891.220,68
PARCIAL 18.907.616,40
95.316 Atlas Nacional Geographic vols. 1 ao 26, sendo 3.666 exemplares de cada volume ~ 15/00273/09/04 ~ 28/mai/2010 733.200,00
5.200 assinaturas da Revista Veja - (Sala de Leitura) ~ 15/00547/10/04 ~ 29/mai/2010 1.202.968,00
5.449 assinaturas da Revista Veja - (Sala de Leitura) ~ 15/0355/09/04 ~20/mai/2009 1.167.175,80
TOTAL 52.014.101,20

A Bolsa Imprensa do governo paulista é generalizada e, segundo a NaMaria, come R$ 250 milhões sem licitação. Por isso, não há o que se estranhar quando o Tarso Genro diz que setores da imprensa serviram como bloco de sustentação de Serra. Com uma verba dessas quem não levantaria suspeitas?

O pior é que os veículos são refratários a críticas e  contam com a conivência e até com a defesa dos andares debaixo, mesmo quando colunista constrange os seus profissionais. Quer exemplos, assista a Marilena Chauí:

Hoje a Folha publicou outra manchete que parece servir única e exclusivamente como atração da campanha tucana.

E sinceramente acho que isso é o maior perigo à democracia. Um país em que os editores calam repórteres que vão longe demais e onde dirigentes não pagam nada por se recusar a responder à imprensa (fora os mega-orçamentos de Minas e São Paulo).

Por isso, o Brasil só pode continuar subindo postos no ranking mundial de liberdade de imprensa com um governo que trata a imprensa com critérios claros e igualdade, inclusive na distribuição de patrocínios.  Além disso, blogs e twitters devem informar sobre a imprensa e sobre qualquer coisa sem o cerceamento de políticos, grandes veículos e empresas de comunicação. A Liberdade deve valer para todos, grandes e pequenos.
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 83 other followers