Numa excelente discussão sobre política industrial aqui no Guaci, eu acabei puxando a sardinha para a cultura e sobre a aposta mal feita no cinema como política de consolidação econômica de um setor da cultura no Brasil

Hoje li na Pitchfork uma boa matéria sobre como os países nordícos, Reino Unido e o Canadá lidam com a questão do investimento público na cultura e como fomentam a indústria musical. Acho que é importante ler isso pra entender inclusive o forte papel do Estado no desenvolvimento da criatividade. O bem-estar social é uma ferramenta de fomento à criatividade. A economia também pode se fortalecer quando se dá possibilidade de se criar novas coisas, em acreditar no potencial e em dar ferramentas para se viver do que se faz melhor. Seguem alguns trechos da matéria aí abaixo, em minha sofrível tradução:

Enquanto os músicos americanos esperam que a legislação modelo de Obama para a saúde pública — finalmente assinada na última semana, depois de um ano de debates acalorados e concessões –, alivie suas preocupações sobre os crescentes custos da sáude, países como Suécia, Noruega e Canadá facilitam a vida das bandas para elas focarem na criatividade oferecendo não só saúde pública universal, mas também dinheiro vivo. Todo ano, milhões em dinheiro público vai para gravação, promoção de artistas, vídeos, shows, turnês, festivais–  até mesmo showcases nem festivais importantes nos EUA como o South By Southwest ou a CMJ Music Marathon. (…)

Ao longo da última década, a Suécia, talvez não coincidentemente, se tornou umplayer global na música  indie. Assim como o Canadá , em que o governo também apoia a música pop.

(..) Mas o financiamento público de bandas não é um consenso para todos. Em alguns países, o fomento é uma maneira de promover a cultura nacional frente a dominação comercial da música americana; na Suécia e na Inglaterra é também um meio de proteger um premiado e rico produto de exportação(…).

A Noruega é um  dos países mais ativos no patrocínio aà música. O Conselho de Artes da Noruega tem um orçamento de 126,3 milhões de coroas norueguesas, ou US$21,4 milhões para música em 2010. No mesmo sentido, o Fundo Lyd Og Bilde (destinado a música e audiovisual) aumentou sua verba em 5,5%em 2010 para 28,7 milhões de coroas (US$4,9 million). As duas organizações patrocinam tunês e gravações para pretendentes a estrelas do pop como Annie, para a singer-songwriter Sondre Lerche e artistas que vão do hip hop infantil ao free jazz, passando por metal extremo. (…)

Na Noruega e em outros países com patrocínio público para a música, um comitê de pessoas da cadeia produtiva da música é que geralmente decidem quem vai receber o financiamento. (…)
Quando se trata de música, o Conselho de Artes da Suécia é responsável em direcionar o dinheiro para grupos musicais, orquestras e outris grupos, enquanto o Comitê de Bolsas para as Artes recnhece os artistas individuais. O Conselho de Artes da Suécia 11,5 milhões de Coroas Suecas (US$1,65 milhões) por anos para cerca de 145 grupos, mais 24 milhões (US$3,3 milhões) para casas de show, 222 milhões (US$30,9 milhões) para organizações regionais de música e 64 milhões (US$8,9 milhões) para a Concerts Sweden, que, no entanto está em seu últimoano de atividades. O Comitê de Bolsas para as Artes direciona cerca de  19 milhões ($2,7 million) para músicpos todo ano. E existe ainda a Export Music Sweden, que já organizou dois SXSW showcases com a Câmara Sueca de Comércio, em Austin, Texas. (…)

No Canadá, o arranjo é diferente. Dinheiro público e privado vão para o patrocínio de artistas canadenses. O Canada Council for the Arts concede bolsas para artes visuais, enquanto a FACTOR, uma organização público-privada que reúne o governo do País e donos de empresas de rádio no Canadá financia a cadeia produtiva da música com mais de 14 milhões de dólares canadenses (US$13,6 milhões).Ao mesmo tempo, o  Canadá também tem a legislação, que demanda uma porcentagem do conteúdo  da TV e do rádio a produção local.

No Reino Unido, segundo maior exportador de música atrás só dos EUA, o dinheiro público para a música popular tem um papel especial. A generosa cadeia de escolas públicas de arte e e apoio governamental permitiram que a nação que nos deu Beatles,  Rolling Stones e The Who nos desse os Smiths, Jesus and Mary Chain, Gang of Four, Blur e tantos outros . As escolas de arte são diferentes agora e um programa de governo para os músicos no desemprego tem sido tudo mas não desmantelado.

Um desses esquemas de financiamento foi o Enterprise Allowance Scheme (EAS), criado durante a gestão Thatcher, ajudava beneficiários do seguro desemprego a lançarem seu primeiro disco sem sair do benefício. Um famoso beneficiário foi o fundador da Creation RecordsAlan McGee. [Nota do Lauro: A matéria explica que o dinheiro serviu para muitas bandas fecharem contrato e aparecerem no cenário musical. (...)]

O EAS não existe mais (…). E as escolas de arte que já formaram tantos nomes da música britânica se tornaram mais utilitárias nas últimas décadas, contribuindo decisivamente para um declínio da na qualidade da música da Grã-Bretanha. “Todas as escolas de arte são centros de design industrial e perderam o espírito de permitir que pessoas em uma idade crucial de apenas ir lá, aprenderem, curtirem sem necessariamente saberem o que querem”, diz Jamie Hewlett (fundador dos Gorillaz e criador da Thank Girl). “Crianças e adolescentes não são permitidos a experimentar suficientemente.”

A organização britânica UK Music está para publcar um documento delineando as estratégias para a indústria musical em 2020 e o governo vai contar com uma parte majoritária dessa visão de acordo com o CEO da UK Music, Feargal Sharkey, ex-vocalista dos Undertones. Ele argumenta que as indústrias criativas contribuem com 6,3% a 6,4%  da economia britânica.

“É simples. A indústria quer trabalhar com o governo britânico para garantir que a próxima geração de jovens artistas, músicos, cantores, compositores e intértpretes tentham todo tipo de ajuda e apoio que eles poderiam ter. Nós somos muito bons nisso e podemos provar”, diz Sharkey.

A Grã Bretanha já tem o  Arts Council England, com um orçamento de 575 milhões de libras (US$879 milhões) direto dos contribuintes e a Lotteria Nacional para gantar com a promoção de artes no biênio 2009-2010 . Mais do que os suecos ou noruegueses, a Inglaterra parece focar nas artes visuais. Por outro lado, o PRS for Music Foundation– uma organização independente sem fins lucrativos — tem um papel central no finaciamento de apresentações musicais de todos os gêneros. Não existem dados oficiais auditados, mas a PRS for Music Foundation distribuiu pelo menos 1,1 milhão de libras (US$1.7 milhão) em bolsas em 2009 (…). Entre outras coisas a fundação também custeia programas como o British Music Abroad, que enviou 24 shows britânicos para o SXSW neste ano.

Dentro da Grã-Bretanha vários países têm seu próprio Fundo das Artes. A Escócia, por exemplo, tem o  Scotland Arts Council, que apóia nove entre as 13 1que se apresentaram no SXSW neste ano. O orçamento do departamento de música é de aproximadamente de  14 mihões de libras (US$21,3 milhões) entre  2009 e 2010, o que inclui includes £9,75 milhões para Iniciativas de Música Jovem, um programa nacional de educação musical, enquanto o resto do dinheiro apóia principalmente músicos na Escócia e a divulgação da música escocesa internacionalmente.(…)”

A matéria ainda trata de questões importantes como aposentadoria e seguridade social para os médicos, mas fica claro que sem organização social dos músicos e sem um programa cultural claro que pense nossa produção artística inserida como uma indústria,  é difícil termos qualidade, quantidade e uma vida em que os artistas vivam do que fazem.

Em uma boa entrevista, o cantor e compositor Rômulo Fróes aponta as dificuldades da nova geração de músicos brasileiros de conquistarem mercado. Acredito que o investimento do Estado pra dinamizar essa produção e de casar com a educação podem ser um passo. Em alguns lugares como em Minas Gerais e nas experiências da Abrafin e do Circuito Fora do Eixo, muita coisa tem sido feita.

Nas duas principais capitais, tal movimentação ainda é muito pequena no Brasil. Talvez por causa da longa relação dos artistas com a indústria do disco e da mídia. O comportamento ainda coloca esse pessoal no século passado ao se relacionar com a música. E viver em um mundo de comparações com antigos modelos.

Mais do que nunca, é hora dos artistas se organizarem e terem um posicionamento político. Formularem estratégias de sobrevivência e pensarem a sua atuação do ponto de vista artístico e simbólico, mas também da importância que o trabalho deles têm dentro da economia brasileira e da visibilidade do País no mundo.

O Fábio Maleronka Ferron é um dos grandes amigos que eu  e os outros proprietários deste espaço eletrônico têm. Nos conhecemos na faculdade de ciências sociais, mas não nos  tornamos sociólogos. Eu virei crítico de arte e ele trabalha com política cultural.

O Fábio, além de torcedor do bugre de Campinas,  já atuou em espaços importantes, como o SESC do Rio de Janeiro e o Ministério da Cultura. Hoje, é produtor cultural e emplaca os mais diferentes projetos.

Diante do debate recente sobre a Lei Rouanet, publicou o texto seguinte no site Cultura e Mercado. O artigo tem o ponto de vista de quem trabalha com o financiamento cultural. Acho uma perspectiva rica.

Não é a primeira vez que o blog discute política cultural e da outra vez o assunto rendeu. Aproveito a temporada de colaborações ilustres e posto o texto do Fábio:

Financiamento, imaginação e universo simbólico

(Fábio Maleronka Ferron)


Por falar em Godard:Quando ouço falar em cultura, puxo meu talão de cheque.

Michel Picolli em "O desprezo", de Godard: "Quando ouço falar em cultura, puxo meu talão de cheque".

É muito comum a confusão entre o mecenato e o financiamento da cultura no Brasil.

Durante alguns anos, orientei estágios de produção cultural, naturalmente com pessoas que estavam começando a ter sua primeira experiência profissional. Em geral a primeira demanda do estágio era saber como enquadrar  projetos, já que quando começaram a atuar, a Lei Rouanet já estava consolidada há muito tempo e também já tinha cumprido seu papel pós Collor.

Como produtor, soube de inúmeras histórias de projetos encomendados por empresas para produtores. Os leitores também devem saber de outras  tantas. Acho que a confusão entre a Lei e o financiamento talvez tenha alguma razão aí, apesar de não ser justificada. Quando se dá um processo de encomenda de projetos, a Lei,  da forma como está hoje, implica na perda do que talvez seja pedra mais preciosa da gênese cultural: a imaginação. Ou, no fim das contas, da criatividade.

Penso que o primeiro problema a ser enfrentado, se quisermos pensar algumas décadas para frente é o papel da Universidade. A Universidade em que estudei, a USP, desenvolve pouquíssimas pesquisas sobre economia da cultura, mapeamentos de cadeias produtivas e novos modelos de crédito cultural. O caso é pior no desenvolvimento de tecnologia. A não ser por iniciativas isoladas – só para dar um exemplo do fórum que estamos discutindo – as novas mídias são para Universidade uma abstração. Tenho também muita esperança que as Universidades privadas atuem no fomento de atividades culturais, mas esse é um mundo que me parece mais distante.

Nesse contexto, não é possível esquecer de articular a escola pública, a cultura e o papel que a Universidade (e as demais instituições) tem no financiamento de pesquisas e no apoio aos professores, que nela atuam. Com um bom trabalho, nesse sentido, provavelmente teremos em alguns anos artistas e produtores, talvez até melhores que nós.

As empresas devem investir em cultura. Todos concordam com essa afirmação. Mas por que investem tão pouco?

Todos nós, produtores, devemos estimular as empresas que lançam Editais, participando como proponentes das iniciativas do gênero. Não tenho dúvida que para as empresas o Edital é a melhor forma de financiar a cultura. A empresa terá , a cada Edital lançado, um numero grande de proponentes, o que já é uma forma de divulgação. Também, terá que realizar a análise de mérito e seleções através de bancas de análise transparentes. E as premiações dos contemplados ganharão um outro caráter, com muito mais representatividade e visibilidade.

Não podemos mais ver os Editais como um instrumento de financiamento. Nesse caso, o ovo e a galinha nascem juntos. O financiamento e a forma dele.

Na minha perspectiva, o setor financeiro tem uma responsabilidade maior do que as empresas. Deve ser o primeiro setor a dar patrocínio direto. Também deve formular mecanismos de incentivo ao crédito e estimular as pequenas e novas empresas, já que normalmente cabe a elas dar agilidade e inovação ao mercado cultural. Os Bancos não têm feito nada nesse sentido.

Da mesma forma, como se pode ver em algumas iniciativas recentes, os Institutos dos Bancos têm o papel de estimular o debate, a crítica e o jornalismo cultural.

 

Wu-Tang Clan: Cash Rules Everything Around Me, C.R.E.A.M./Get the money; dollar, dollar bill, yall  imagem de Andy Warhol (1960)

Wu-Tang Clan: "Cash Rules Everything Around Me, C.R.E.A.M./Get the money; dollar, dollar bill, y'all." Imagem de Andy Warhol (1960)

Vou apenas citar, pela pressa, o Sistema S, as ONG´s, os Institutos , os mecenas, Meios de Comunicação e por aí vai.

Um outro setor fundamental, como existe em todas as áreas, a área de cultura também tem sua tigrada. Essa área era representada por coronéis culturais mas agora passa por modificações.

No caso do poder público, nas esferas federal, estadual e municipal acho que o Estado deve sim regular o mercado. Tenho receio, no caso da cultura, de que nosso país seja transformado no país dos modelos híbridos entre mercado e Estado. Não há nenhum componente nacionalista nesse argumento. Como todos sabem, alguns dos problemas enfrentados pelo presidente americano são decorrentes desse tipo de processo.

Muitas das preocupações desse texto estão ligadas ao financiamento através da construção de um universo estético e simbólico. Tomara que daqui a algumas décadas, quando superarmos nossas terríveis desigualdades, não nos tornemos uma país como a Itália, que teve uma das tradições mais criativas e bonitas do ocidente pós guerra, e que virou a Itália de hoje. Um país rico e vulgar. Evoé.

Noffa, que susto!

Noffa, que susto!

A polícia federal voltou a toda ontem. Prenderam a Eliane Tranchesi da Daslu por sonegação e anunciaram o Mensalão da Camargo Corrêa. Até agora, os partidos envolvidos no rolo são DEM, PSDB, PMDB, PDT, PSB e PP. Até agora, já aparece mais.

A Camargo Corrêa é uma grande fonecedora do governo de São Paulo. E também teve um crescimento enorme no governo federal no último ano.

Alguns já negaram participação. A acusação é que houve  intermédio da Fiesp no rolo todo.

Pelo jeito o Gilmar Mendes vai ter muito trabalho na emissão de habeas corpus nos próximos dias.

Cálice sagrado

Cálice sagrado

Não é mistério pra ninguém que fortunas no Brasil foram construídas a partir da dilapidação dos bens públicos. Tal processo se dá no roubo puro e simples do patrimônio, no perdão de dívidas, nos incentivos governamentais, nos empréstimos nunca pagos etc. Na fórmula clássica de socialização das dívidas e privatização dos lucros . Muita gente boa já escreveu sobre o tema e talvez o exemplo recente mais claro disso seja a privatização das teles que ainda dá o que falar com Daniel Dantas e sua camarilha. Mas a bancada ruralista e os bancos brasileiros não me deixam mentir o quanto o orçamento estatal já construiu capas de Caras.

Por isso,  tenho dúvidas cada vez maiores em relação ao que se tornaram as leis de incentivo à cultura em todo território nacional. Acho que o Estado deve investir nas manifestações culturais e artísticas do País e na construção de equipamentos culturais e acervo (bibliotecas, teatros, salas de exposição, casa de show, escolas de artes, acervo público de museus e o escambau). Também concordo que se estimule uma indústria cultural eficiente e grande no Brasil.

O problema é que em vários pontos essas legislações (federais, estaduais e municipais) se tornaram um monstrengo. Por um lado, subsidiam Globo Filmes, Sub Broadways e artistas de grande gravadoras. Por outro, esses mecanismos fazem que parte  boa dos artistas brasileiros transformem o Estado no seu maior freguês. O único portador de ingresso que importa.

Na concepção desses artistas, a produção deve seguir o ritmo dos prêmios e leis de incentivo.Os sujeitos criam já tendo em mente a possibilidade de levar aquele prêmio ou encaixar-se naquela lei. Fazem projetos que sejam palatáveis para os organismos governamentais e, posteriormente, para os departamentos responsáveis das empresas. Por isso, o sujeito precisa contratar (ou ser contratado por) um sistema que envolve produtores culturais, assessores de imprensa e o escambau. E só isso, na visão dele, pode viabilizar seu disco, sua peça, seu livro ou o que for.

Antes mesmo de dar a primeira nota, ele tem de ter CNPJ, registro na OMB, um DRT e mais um monte de siglas.

O engraçado é que essas leis são muito novas e até menos de 30 anos atrás, as pessoas faziam filmes, produziam peças e gravavam música (independente inclusive, é só ver os Elomares e Dércios Marques da vida) sem nenhum carimbo estatal. O sujeito fazia aquilo lá por que era o que ele se comprometia a fazer e tomava o risco que fosse pra que seu trabalho fosse bem-sucedido.

Nessa cultura do zero a zero, a produção de obras de arte tem muito mais a ver com manter a roda girando e com se inserir na lógica dos curadores de tais leis e prêmios do que com a necessidade de se expressar e/ou de dar continuidade a um projeto estético. O produto é feito para ganhar o prêmio, não é o incentivo que existe para bancar a criação. Assim, o dinheiro público que podia melhorar os acervos de arte e de história, incrementar as bibliotecas, criar programações e espaços que animassem o meio de arte e criassem um mercado viável, vai para sustentar uma boquinha dos clientes do Estado.

Sem pedir permissão

Sem pedir permissão

É por isso que eu fico satisfeito quando vejo uma cena como a rap de São Paulo (e todas as suas ramificações). O meu amigo André Maleronka talvez seja a pessoa que mais me mostra coisas interessantes nesse sentido. E foi ele que me indicou um circuito funciona sem pedir permissão pra ninguém (essa matéria dele é primorosa nesse sentido). E não se tratam de artistas que preferem o amadorismo, mas que crescem profissionalmente de maneira independente mesmo, construindo um território deles e dentro de uma lógica própria e sem preocupação com subsídios ou legislações.

Nas letras e nas bases, a coisa é cada vez mais variada e eu acredito que, mesmo que lentamente, alguns dos grupos têm buscado temáticas próprias. E tudo varia tanto quanto é diferente a vivência e o jeito de falar dos bairros de São Paulo mesmo, como mostra a matéria de outro grande amigo, o Arthur Dantas na revista +SOMA.

Outras experiências como a Cooperifa (uma das coisas mais legais onde eu estivo no ano passado graças ao João e a Renata) e em grande parte, a produção de funk e de rock independente no Brasil também é sempre feita a partir de auto-financiamento e de uma estrutura que nada tem a ver com o Estado.

Em todos esses casos a produção de artes pouco tem a ver com instituições desde o começo, são músicos sem formação musical, atores e escritores sem preparo formal. Tudo é feito na absoluta necessidade de se construir uma linguagem que reflita na vida das pessoas. Desse tipo de caldo cultural já saiu um artista de primeiro time como o Mano Brown. Outros virão ou já estão aí bem distantes do Estado.

* Atualização 18h32 – O governo vem promovendo uma discussão pela internet sobre a reforma da Lei Rouanet. Todo mundo que se interessa pode acompanhar pelo blog que o Ministério da Cultura criou sobre o tema.

A caveira econômica promete ficar por uns meses

A caveira econômica promete ficar por uns meses

Para Robert Brenner, professor da Universidade da Califórnia, a crise econômica que estourou em agosto passado é o ponto alto – ou baixo? – de um ciclo de estagnação iniciado na década de 1970.

Em 2002 – já sete anos atrás – Brenner escreveu, para a introdução à edição brasileira de O boom e a bolha (editora Record, 2003):

Hé poucos sinais de que a economia mundial, ou a dos Estados Unidos, tenha conseguido superar o longo declínio, isto é, o extenso período de crescimento lento que começou por volta de 1973. Em consequência, a economia americana, e, generalizando, a economia mundial tiveram, e continuarão tendo, dificuldades para evitar uma volta à estagnação, ou a algo pior.

Em entrevista ao Jornal do Brasil de março de 2008, Brenner avalia as causas e consequências da crise para o mundo e para países como o Brasil.

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