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Não percam

Muita coisa boa dele aqui também

Jonas Mekas, Walden, 1969 (excerpt) from RE:VOIR on Vimeo.

Sobre mãos, armas, carne, vegetais e o problema da censura. Sobre a organização da sociedade e sobre “o que fazer?”. De 1964, muito apropriado para nosso momento:

O tema ainda é atual e as gravuras da abertura são do Oswaldo Goeldi (quer mais?). Acho que fala de uma tentativa de colocar diversas frentes da cultura para pensar o país juntas.

A convivência com fantasmas já rendeu muito assunto aqui no Guaciara.  Andy Warhol já apontava um mundo em que as imagens criadas ou celebradas pela indústria cultural se tornavam entes que não pereciam e conviviam conosco sem vestígios de envelhecimento ao longo dos anos, ressignificando os indivíduos profundamente.

Assim, tornam-se espécie de entidades que habitam o mundo sem muito propósito. No mundo real, Michael Jackson foi o personagem que ressignificou até o seu corpo para se manter como uma imagem “sem espessura, sem nenhuma resistência, algo escaneável, transformado em informação sobre a qual se pode operar qualquer mudança”, nas palavras de Rodrigo Naves.

Vivemos num mundo povoado por imagens trazidas pelo mercado que se tornam canônicas e que começam a adquirir uma vida independente do sujeito, em que até as notícias são ressignificadas e ganham um aspecto novo (os incríveis autotunes no youtube provam isso).

Mas nada chega perto dessa notícia publicada por Ricardo Calil em seu blog nessa semana:

“Tron: O Legado” prometia trazer uma pequena revolução tecnológica: rejuvenescer um ator. No caso, Jeff Bridges, protagonista do “Tron” original, de 1982.

O rosto do ator foi mapeado e rejuvenescido digitalmente. Depois, foi “colado”, ou sobreposto, ao corpo de outro ator mais jovem. O objetivo era dar vida a Clu, espécie de jovem avatar do personagem de Bridges. No filme, o Bridges atual contracena com sua versão jovem. Técnica parecida havia sido usada em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, para envelhecer Brad Pitt. Mas ela reaparece mais sofisticada em “Tron: O Legado”.

Mas qual é a importância da evolução dessa tecnologia? Por que ela pode ser uma revolução? Porque ela pode significar um passo decisivo para concretizar aquela velha fantasia – desejada por muitos, temida por outros – de ressuscitar atores já mortos. Com ela, será possível que Marlon Brando ou Marilyn Monroe, para ficar em dois exemplos, voltem a aparecer em filmes inéditos.

E é justamente isso que George Lucas, o homem por trás de “Star Wars”, pretende fazer. Pelo menos é isso o que garante Mel Smith, um antigo colaborador do cineasta, em uma entrevista ao jornal americano “Daily Mail”. “Ele está comprando os direitos para o cinema de estrelas mortas com a esperança de colocá-las juntas num filme com truques de computador. Assim, Orson Welles e Barbara Stanwyck poderão aparecer ao lado das estrelas de hoje”, contou Smith.

Com essa sintetização da face humana e sua remodelação computadorizada, acho que o mundo atinge um limite da manipulação desses fantasmas canônicos da indústria cultural. O ator em si se torna uma marca sem previsão de expirar. Um velho de setenta anos pode ter vida útil como galã por mais centenas de anos e um defunto sepultado há algumas décadas pode ser estrela de uma superprodução.

Se essa história vingar, a face humana que ganhava eternidade em filmes e na imaginação das pessoas continua ativa como ativo da indústria do cinema e da TV da maneira como desejarem os criadores ao longo dos anos. Os personagens vividos anteriormente pelos atores se tornam entidades coladas a cada cartaz na porta dos cinemas num verdadeiro candomblé da indústria cultural.

O filme aí em cima tem texto, narração e direção de Jean-Luc Godard. Está na Bienal e merece atenção e reflexão em uma situação em que a arte vive de uma necessidade de se adequar aos meios, aos estudos acadêmicos, a um discurso de mercado.

O Je Vous Salue Sarajevo está bem na entrada da Bienal de São Paulo, que tem mais um monte de coisas muito boas, principalmente para assistir. Nesse período de falta de tempo para escrever posts mais consistentes, vale muito a pena ver o vídeo pra puxar um papo aí na caixa de comentários. Segue o texto narrado por Godard na íntegra:

De certa forma, medo é a filha de Deus, redimida na noite de sexta-feira santa. Ela não é bela, é zombada, amaldiçoada e renegada por todos. Mas não entenda mal, ela cuida de toda agonia mortal, ela intercede pela humanidade.

Pois há uma regra e uma exceção. Cultura é a regra. E arte a exceção. Todos falam a regra: cigarro, computador, camisetas, TV, turismo, guerra. Ninguém fala a exceção. Ela não é dita, é escrita: Flaubert, Dostoyevski. É composta: Gershwin, Mozart. É pintada: Cézanne, Vermeer. É filmada: Antonioni, Vigo. Ou é vivida, e se torna a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo. A regra quer a morte da exceção. Então a regra para a Europa Cultural é organizar a morte da arte de viver, que ainda floresce.

Quando for hora de fechar o livro, Eu não terei arrependimentos. Eu vi tantos viverem tão mal, e tantos morrerem tão bem.”

Cena de "The Cool World", de Shirley Clarke

Começa amanhã e vai até o dia 28 de novembro em BH, o evento de cinema em que eu mais aprendi na vida, o forumdoc.bh. Neste ano, são 145 filmes em 18 dias sem dar refresco para o comodismo e com filmes raramente exibidos no assim chamado circuito de arte brasileiro.

Apesar de também se chamar Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte e ter ganhado prestígio por isso em suas 14 heróicas edições consecutivas, o forumdoc é acima de tudo um festival de investigações visuais sobre a sociedade, com uma programação sempre relevante e reveladora. Por causa disso, os catálogos da mostra (a últma versão está disponível na Bibliotoca Telê Santana) tornaram-se publicações importantes para quem se interessa por cinema, antropologia, artes etc. Além disso, é necessariamente organizado por um grupo de verdadeiros aficionados pelo que assistem e é um dos eventos mais legais, divertidos e interessantes que eu já participei.

O Guaciara irá publicar outros artigos sobre as mostras que acontecem na Sala Humberto Mauro e na UFMG até o dia 28/11. Para começar, publicamos o artigo sobre a Direto.doc, maior mostra sobre o cinema-direto norte-americano já realizada no Brasil, com cineastas como Fredrick Wiseman, Ed Pincus, Pierre Perrault, Michel Brault, Robert Drew, Richard Leacock, D.A Pennebaker, e irmãos Maysles.

No dia 20 de novembro, no Cine Humberto Mauro,  Ed Pincus, João Moreira Salles, Ruben Caixeta de Queiroz e Paulo Maia debatem as obras exibidas na mostra.

No texto abaixo o curador da mostra direto.doc, nosso amigo de fé e descontração Paulo Maia (que também é etnólogo e professor do Departamento de Ciências Aplicadas à Educação – Faculdade de Educação / UFMG), fala um pouco sobre a mudança de perspectiva do cinema direto que citando a falsa analogia entre cores  formulada por Jean-Jacques Rousseau em seu famoso Ensaio sobre as origens das línguas: “sem saber pintar para as orelhas, decidiu-se cantar para os olhos”.

Como Paulo conclui: “o cinema-direto coloca o ouvido no lugar do olhar”. O texto, publicado no catálogo do  forumdoc.bh.2010, é imperdível ( e o pessoal do Guaciara inseriu cenas de alguns filmes comentados) e garanto que muita gente vai querer passar dias enfurnado na Sala Humberto Mauro depois dele para ver, escutar e pensar o mundo na frente da tela de cinema. Vale a pena ler até o final.

Salve o direto!1

Paulo Maia2

A perspectiva dominante nas mais diferentes vertentes do documentário é aquela que admite que o cinema se difere de antemão do real e que postula função do documentário capturar a realidade. O efeito de filmar, segundo essa vertente, é o de capturar o real na forma de sons e imagens, a mediação da câmera e do gravador (e do operador), sincrônicos ou não, tende a ser mascarada, em favor de um estilo-técnico-utópico que, como sugere João Moreira Salles de modo arguto, deseja representar um mundo sem consciência de estar sendo filmado.

Essa é, aliás, a impressão, sob suspeita, que temos a respeito de uma filmografia, convencionalmente chamada de cinema-direto norte-americano. O forumdoc.bh.2010 tem a ousadia de arranjar sob a alcunha de direto.doc uma mostra inteiramente dedicada a apresentar e discutir parte da filmografia de uma dezena de realizadores dos Estados Unidos e do Quebéc, que de formas diversas, associadas ou dissociadas, durante os anos 1960, souberam levar a cabo o sonho de através de uma nova técnica, nova possibilidade, potencializar o cinema em direção ao projeto naif, diriam os críticos mais severos, de filmar na duração, som e imagem sincrônicos, os mundos e as pessoas reais.

Um dos desejos da curadoria dessa mostra é o de superar visões totalizantes sobre essa filmografia, vez que os mais de 50 filmes apresentados, nem todos normalmente dependurados sob o guardachuva do cinema-direto, denotam modos criativos e heterogêneos, mantendo a hipótese de um espectador ativo e um cinema que, mais que representa, cria um mundo consciente de que está sendo filmado.

O elemento contumaz, a linha de fuga desse cinema, é menos a imagem, e mais o som, sobretudo o som direto e sincrônico à imagem: eis a nova técnica a serviço do homem. A diferença original entre filmar (imagem, cor) as pessoas, os animais, as plantas e os objetos em um espaço e gravar-lhes o som tende a ser reformulada na medida em que o som “filmado” é linkado, i.e., sincronizado às imagens e o regime da claquete/palma torna-se padrão. Curioso retorno à falsa analogia entre cores e sons tal como formulada por Jean-Jacques Rousseau em seu famoso Ensaio sobre as origens das línguas: “sem saber pintar para as orelhas, decidiu-se cantar para os olhos”. O cinema-direto coloca o ouvido no lugar do olhar.

Les Raquetteurs (1958), de Michel Brault e Gilles Grouxl, é considerado um precursor do direto, filme experimental e de passagem – assim como La Lutte (1961) – em direção ao som direto, sincrônico às imagens. Apesar de ter levado a fama de ícone gerativo do direto – considerando o efeito que viera a causar a   Rouch anos depois –, é o próprio Michel Brault, em entrevista, quem adverte que, ao pé da letra, Les Raquetteurs tem pouco de direto, na medida em que não são muitos os momentos do filme em que o som é sincrônico. Filmada em 35 mm, a produção não pôde contar com uma câmera leve e silenciosa. Nessa fase de transição, o cinema quebequense ainda estava lidando com limitações tecnológicas relacionadas à câmera – sobretudo o barulho acentuado das de 35 mm e das primeiras câmeras portáteis em 16mm que interferiam na captação do som –, e os gravadores de áudio, pesados demais, além da dificuldade inicial em sincronizar, ainda que a posteriori, o som e suas imagens. Foi certamente o silêncio das câmeras portáteis que permitiu que o cinema falasse.

A história do cinema-direto narra o engajamento gradual em uma nova dimensão sonora, dona das imagens, que passa a ter o mesmo peso ontológico que estas últimas no cinema. Nos filmes de Pierre Perrault, por exemplo, a relação imagem e som é utilizada de forma bem peculiar. A imagem em alguns momentos simplesmente ilustra uma cena sonora. Um exemplo: Perrault recorda que certa vez havia gravado em seu famoso magnetofone uma história contada por “Le Grand-Louis” a respeito de um galo que lhe intrigou imensamente. Era fantástica, contudo, “pas des image!”. O jeito, confessou, foi a posteriori arranjar imagens não filmadas durante o momento em que o velho narrava a história, capturadas exclusivamente para ilustrar a história contada por Grand-Louis, um homem do povo. No Canadá, o direto corria na corrente contrária às peças de rádio, rompera com a linguagem formal e artificiosa das representações ordinárias, em favor de levar para a tela de cinema o povo quebequense, pois o verdadeiro, diríamos, não é um ser imaginado e roteirizado de forma a encarar uma personagempadrão, mas como nos diz Marcel Mauss, o verdadeiro é o melanésio de tal ou tal ilha, é Roma, é Atenas. Verdadeiro, nos termos desse cinema, é a fala de Alexis, Marie e Leopoldo da Île-aux-Coudres no magistral Pour la suite du monde (1962). Um bom filme de cinema direto é aquele que sabe escutar e dar palavra a toda gente, como sugere Nísio Teixeira em ensaio para este catálogo. Novo cinema, nova nação.

A mostra direto.doc está dividida em duas ou três vertentes do cinema-direto norte-americano dos anos 1960. A americana, propriamente dita, teve em Robert Drew e naqueles realizadores que se reuniram em torno dele sua expressão mais emblemática. Primary (1960) foi realizado por ele e pelo coletivo Drew Associates, cujos parceiros mais conhecidos eram Robert Leacock (grande fotógrafo que em 1948 já filmara com Robert Flaherty sua última obra, Louisiana history), os irmãos Albert e David Maysles (famosos por terem filmado juntos um dos maiores documentários do rock, Gimme Shelter, que narra de forma dramática a tragédia no concerto dos Stones em dezembro de 1969 em Almont) e D.A. Pennebaker (que imortalizou as imagens de outra estrela do rock, jovem, charmoso e, por vezes, arrogante: o lendário Bob Dylan, no conhecido Dont look back (1967), focado em uma turnê pela Inglaterra dos anos sessenta).

Clique no link ao lado para ler o resto do texto (more…)

Faz muito tempo que vejo artistas tentarem incluir a imagem no espaço real que depois se torna outra imagem. Uma imagem dentro de outra imagem. Uns artistas obtiveram maior sucesso, outros menos. Um artista brasileiro, Wagner Morales, faz isso muito bem, No entanto, nunca vi ninguém fazer de maneira tão bem feita quanto Apichatpong Weerasethakul. Ao que tudo indica, ele é um grande cineasta e ganhou Cannes no último ano. O cinema asiático é um dos mais interessantes da autalidade, talvez o mais, ser grande entre os grandes já não é fácil, imagina ser o maior. Em homenagem ao  trabalho do talandês, posto  outros vídeos com entusiasmo

PS:  Vai Soninha!

Na terça, depois de um fim de semana lindo, assisti o blockbuster Tropa de elite 2. Devido ao sucesso do filme anterior, a sequência se tornou um dos assuntos favoritos do botequim. Mas convenhamos, que besteira.

 

Não falta nem bigode no PM

Honestamente, achei o filme uma bela merda. Não desgostei por motivos políticos ou pela interpretação que ele faz do Brasil, o que incomodou foi a  forma mesmo. Me lembrou inclusive, em alguns momentos, o Cronicamente Inviável do Sérgio Bianchi (que eu também não gosto). Tem a mesma fotografia fraca, a mesma dramaturgia televisiva, mas ao invés de ser uma caricatura, esse filme pretende um tom heróico. Notamos isso sobretudo pela trilha sonora. A do filme do Bianchi reproduz o que existe de mais muzak na Bossa Nova, o outro é metal nacional anos 90. É um filme que se parece com a linguagem mais pobre da pintura acadêmica XIX.

O heroísmo acadêmico de Jean Leon Gêrome, em 1872

Uma das heranças do academicismo em pintura foi combinar um tratamento anódino da imagem, distante da vida, sem marcas de pincelada, com um tom heróico. É isso que o filme, como boa parte dos blockbusters americanos faz. Dispõe o lugar do bem e do mal, organiza os conflitos em torno de uma cegueira em torno do bem, comunga os personagens em torno de um ideal nobre em passagens previsíveis e sem contaminação.

Embora busque ser um retrato do nosso tempo, uma crítica moral, aos descaminhos, à desordem, a anomia que tomou conta da sociedade (típicos do pensamento conservador, que vê como desvio o que parece ser sistêmico), o diretor transforma o mundo em um lugar de gente que auto-reprime os seus impulsos corruptos incontroláveis e gananciosos manipuladores. O homem é maldoso, vai fazer merda, só quem tem a disciplina ascética das barbies do 300 segura essa bronca. Agora tudo longe, tudo pra ser admirado adorado, mas não vivido. Como um reino da fantasia.

Assim, a construção da torpe gangue de milicianos em nada tem a ver com os esquadrões da morte, com os empresários da cidade, com um mercado de justiceiros que vem da ditadura militar. Pelo contrário, é um negócio de inovadores. Um investimento de risco, feito por gente que descobre um novo nicho de mercado. Pôxa vida, conta outra. Aqui não é conto dos irmãos Grimm não maluco, é muita treta.

Tropa de Elite

Tá certo, não é o tipo de cinema que eu gosto. Não tem nenhuma imagem bonita, nenhuma cena desconcertante. Aliás, pela grana, achei bem mambembe. Os cenários parecem com os dos especiais da televisão, sem particularidades compositivas. Tudo feito pra chocar. A violência aparece como obscuridade da alma, daqueles lugares em que a iluminação não atinge, tal como aparece nos piores pintores românticos.

O filme é esteticamente pobre. Baseia-se em caracterizações caricaturais e em um ritmo truncado.

Os personagens são pouco verossímeis e algumas cenas beiram o rídiculo. A cena do barco dos milicianos é um horror. Moralista, boboca e trata como escroques os caras porque eles andam com uma porção de putas. Os personagens, a começar pelo capitão Nascimento (aí tenente coronel) têm a profundidade de um pires.

Outra cena bastante constrangedora, e inverossímil, é a reunião do chefe da milícia com os seus apoiadores políticos. O cara fica com um cano na mão dando tiro pra cima ao lado do governador de estado e do secretário de segurança? Faz favor né… Se isso acontece tá na capa dos jornais no dia seguinte. Fora a burrice reiterada do personagem central. O sujeito ocupa um cargo político e, ao invés de mobilizar apoios, age como um justiceiro. Que estupidez é essa?

Além disso, o Freix.., ou melhor, Fraga, é um clichê ambulante. Professor de história, é o cara dos direitos humanos. Seu escritório é decorado com imagens dos rebeldes que perderam, dos rebeldes que morreram. Aí vem o kit completo: Che Guevara, MST (que não morreu e nem perdeu), Marighella, revolução de outubro, Human rights watch, etc. Nem em uma possível loja rebels.com ele conseguiria tamanha cascata.

E por que o político é honesto? Porque está contra tudo o que está aí. Por isso, seu gesto é tão pouco efetivo. Como o Nascimento, ele age contra a democracia. Não tenta organizar as forças políticas legitimamente eleitas, e a sociedade civil, pra emplacar suas políticas públicas. Brada contra a maldade. Ou seja, como no debate eleitoral, o bom político não é o que faz política, mas o que confirma tudo o que um senso comum televisivo reafirma com gosto. É um amontoado de lugares comuns.

Bem, enquanto isso, as políticas públicas são feitas com o consentimento ou não do grande capital. Mas isso não interessa, interessa o concurso do mais puro. Tem uma fala do Capitão Nascimento que a mula condena a necessidade do Freixo, ops, Fraga ter necessidade de poder. Meu chapa, sem poder não se muda nada. E não é a sua lei do mais forte, com soldados treinados pra peitar a banda podre que resolve alguma coisa. Calma aí.

Portanto, além do filme ser tosco, sua tese central é pueril, infantil e autoritária. Como se o que existisse fosse uma forma das pessoas lucrarem com o poder público. Não por acaso, o próximo filme dele é sobre o mensalão.

Agora, quero ver falar da ligação disso com o poder econômico, dos empresários legais e legítimos que financiam os filmes dele. Pois o que ele chama de “sistema”, é um conjunto de práticas arraigadas, que independe das pessoas e da ganância. Aliás, quer lutar contra isso, construa um contra-poder que garanta a participação das pessoas nas decisões. Senão, babou.

A transformação está relacionada à proposição de formas de atuar diretamente na sociedade, de propor leis, não de fugir da raia. Mas isso é outro assunto … O problema é se identificar com uma imagem, sem profundidade, sem vida, que parece um santo que baixa e faz o personagem ter uma superioridade moral depois de ter tido um batismo de sangue.

O caso é que você sai do cinema, o pessoal comemora a luta do São Jorge contra o Dragão, a luta de um contra todos os membros do Leviathan e o mundo continua do mesmo jeito. Não se aprende nada e se tem a impressão de se ter acompanhado um chato barulhento e que te cutuca de dois em dois minutos por quase duas horas. Ainda bem que não deu sono.

PS: Outras leituras do filme aqui e aqui

Gostou dos quadrinhos? Então saca o reclame! Oportunidade boa:

Segue a programação dos cursos que vou ministrar esse semestre, com o intuito de pagar a mensalidade de um Opala novinho que descolei lá no forró do tadeu. vai pela ordem dos dias da semana:

1- segundas-feiras, das 19 e 30 às 21 e 30 na Loja Cachalote (vide anexo). é um curso de “História da Arte Contemporânea” em um ambiente informal. turmas pequenas onde vamos discutir alguns temas da arte contemporânea com um computador a tiracolo onde eu passo imagens e filminhos e até musiquinhas. maiores informações no fone (11) 3676 0796 e no (11) 2738 4057.

2- terças-feiras das 13 e 30 até 15 e 30 no Collégio das Artes. chama “análise de portfólios” ou análise de projetos”. lá debatemos as obras dos artistas participantes e até da sua. se vc quiser participar. foi uma idéia que roubei da Juliana Monachesi e do Guy Amado e não pretendo devolver tão cedo. a não ser que eles peçam, é claro. contatos: (11) 3064 4740 e (11) 2738 4057

3- quartas-feiras, das 18 e 30 às 20 30, no instituto Tomie Ohtake. esse é um “Curso de História da Arte Contemporânea” também. um pouco diferente, por motivos que vocês vai ter que, literalmente, pagar pra ver. o curso vai de 11 de agosto e 24 de novembro. contatos pelo fone: (11) 2245 1900 e (11) 2738 4057.”


Vou falar o quê? Assista até o final, o Dunguinha serelepe depois de mais um dia nos subterrâneos.

E por falar no mundo mágico de Walt Disney, já já um texto do Rafa sobre o jogo místico entre Gana e Uruguai. Quem assistiu presenciou um dos pontos altos do futebol de Copas do Mundo. Parecia filme hollywoodiano, cheio de emoção de voltas e reviravoltas. Foi fodidamente bom!

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