04/03/2011
Seleção com cautela ……….. (por enquanto)
Posted by Tiago Mesquita under Uncategorized | Tags: Asiko Rock Group, Caetano Veloso, Danielson, FAMUTRE, Hendricks & Ross, Ian Dury, Kanye West, Lambert, The Special AKA, Uncategorized |Leave a Comment
05/11/2009
O ultrapassado e o sicofanta
Posted by Lauro Mesquita under brasil | Tags: brasil, Caetano Veloso, FHC, Vale do Rio Doce |[43] Comments

Ex-presidente e ex-sociólogo, o sicofanta maior da nação também teve seus momentos tropicalistas em Coimbra
Não fosse o Tiago e o Gua Gua estaria as moscas. Eu tô enterrado na mudança de trabalho e cidade que eu preparo aqui. O Jay também tá enrolado com o final de semestre e com os perhaps da vida. Só o gêmeo mais jovem constrói, ainda que a carga do fim de 2009 também esteja bem pesada pra ele.
E eis que Caetano Veloso (com uma forcinha do Estadão) entrou no jogo eleitoral. Em sua defesa do voto em Marina Silva, o cantor diz que ela é uma versão de Lula misturada com Obama. Seria uma Lula sem cafonice. Nada mais superficial com tintas de politizado que isso. Parece um metaleiro que gosta do Carlinhos Brown por que ele toca no Sepultura, foi aceito no clube. Se vergonha alheia matasse, só essa expressão tinha causado um genocídio na República Odara.
Não para aí, na mesma entrevista, ele defende Roberto Mangabeira Unger, o antagonista que tirou Marina do Ministério. Ou seja ele quer o simbolismo de Marina, mesmo sem saber o que o governo dela quer dizer. É muito parecido com sua adesão ao Gabeira. Não importa se o Armínio Fraga tá na jogada, não importa que o ex-deputado tenha participado do Parlamenturismo. O importante é que ele é do mesmo nicho social que Caetano. Marina não é, mas tem um discurso aceito.
Na entrevista, chama Lula de analfabeto e, com isso, tenta arrumar briga com um de seus maiores desafetos, o lingüista Marcos Bagno. Já falamos dele aqui no Guaciara e Caetano, em sua experiência blogueira, sempre o pintou como um arauto da ignorância. E fala da “grossura” de Lula pra jogar aquele cuspinho que afoga o inimigo.
Depois, emenda-se a falar do programa econômico “de direita” de Lula. Repete o velho argumento de que Serra no poder orquestraria medidas econômicas mais progressistas. Eu, sinceramente, tenho dificuldade de entender o que o Caetano Veloso quer dizer com isso.
Ainda mais quando diz que um governo que aposta no impacto econômico do gasto social é de direita. A batalha de passar a dívida em dólar para dívida em real é direita? A ascensão social seria fruto de medidas de direita? E a cessão de crédito do bancos públicos contra todos os interesses privados? Agora na crise, por decisão do governo, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal abriram as torneiras do crédito – anêmico nos bancos privados. Foi isso que freou a onda de demissões das empresas privadas brasileiras.
O governo também trabalhou pesado na área fiscal. Pode ter um custo no futuro, mas como escreve José Paulo Kupfer:
Na área fiscal, a desoneração de impostos para a compra de material de construção, automóveis e eletrodomésticos animou os consumidores e garantiu um ritmo razoável de produção. Não à toa, o setor automotivo brasileiro virou case internacional, com vendas recordes mês a mês, apesar da grave crise. Na construção civil, um novo e amplo programa de financiamento de habitação e estímulo setorial (“Minha casa, minha vida”) nasceu dando certo numa das faixas de renda (de três a dez salários mínimos), embora ainda patine na faixa mais baixa.”
Caetano disse que tinha de estudar, mas reclama da ignorância do governante. Assim como FHC, ele reclama do governo, chama de autoritário e aparelhador. Também repete o discurso mais antigo e mitológico do inchaço da máquina pública. As contratações do setor público e o olho para a descentralização das medidas têm criado um novo caldo de cultura político, distante das metrópoles e isso acontece na área social, econômica e cultural. Mas a miopia antiquada e conservadora de Caetano e de Fernando Henrique sofre para ver isso.
Caetano dá de barato e “esquece” de mencionar a área da Cultura. Afinal é a sua turma que impede que 90% dos artistas tenham acesso às mesmas verbas que os latifundiários culturais do grupo dele. Para essa desigualdade, ele não clama por Marina. No latifúndio da cultura ninguém mexe. Não vale a pena nem conhecer a contra-proposta.
É engraçado que o sickoFHanta mór tenha escrito um texto só alguns dias antes de Caetano. O ex-presidente e ex-sociólogo, do baixo de sua impopularidade (em enquete do Uol, ele injustamente perdia até pro Collor e pro Sarney na pergunta: “quem foi o melhor presidente do Brasil?”), reclamava do que chama de “autoritarismo da maioria”, segundo ele o governo desrespeita as regras do jogo e a iniciativa privada.
O argumento é claramente uma reação às cobranças do governo e dos fundos de pensão público contra a diretoria da Vale do Rio Doce.
O curioso é partir de um presidente que mudou as regras do jogo enquanto ele estava em andamento para garantir a sua reeleição. Fernando Henrique seguiu o Fujimorismo em voga na época para garantir o seu segundo mandato (o mesmo ideal que se repete agora no governo Uribe, na Colômbia). Além disso, foi um dos poucos governos a reconhecer o ditador nipo-peruano. E lá não tinha referendo, era pau e pedra. Se tivesse no poder, estaria se congraçando com os golpistas de Honduras, assim como fizeram os deputados da sua base parlamentar. O príncipe agora me vem falar no tal autoritarismo popular para questionar o papel brasileiro na crise?
Sinceramente, qualquer comerciante de porta de boteco sabe que o papel do governo é fomentar a economia – quem sabe do dinheiro que sai do BNDES e entra na Vale do Rio Doce com certeza não duvida disso. É difícil encontrar também alguém que não tenha uma idéia que uma tonelada de minério e uma viga de metal têm valores muito diferentes. Por que não produzir ferro? E não precisa ser muito inteligente para saber que sem a ação do Estado, o Brasil mergulharia na crise assim como os outros países mergulharam.
Agora, por que o Fernando Henrique não abriu o bico, quando a Vale saiu demitindo funcionários com medo da crise? Quando o presidente Lula reclama da falta de investimentos da maior empresa privada do país, ele tá reclamando da falta de iniciativa do setor privado, que prefere mamar nas tetas das medidas do governo federal, reclamar de impostos e não tem empreendedorismo para mudar nada. Além disso, como me disse o Tiago, o ex-sociólogo vulgariza a interpretação de Francisco de Oliveira em O ornitorrinco, sobre o papel dos sindicalistas nos fundos de pensão.
O ex-presidente e ex-sociólogo e o cantor, precisam conhecer melhor o Brasil que mudou muito e para melhor na ausência deles. Caetano padece de um conservadorismo deslumbrado e ignorante e Fernando Henrique de um rancor mal esclarecido, que nem seus companheiros tucanos acompanham mais. Se a oposição for essa, tá difícil do Brasil ter alguma possibilidade de alternância de poder conseqüente em um futuro próximo. Melhor.
04/10/2009
Gracias Mercedes
Posted by Tiago Mesquita under música | Tags: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, música, Mercedes Sosa, Milton Nascimento, Violeta Parra |[5] Comments
30/06/2009
Pina Bausch (1940 – 2009)
Posted by Tiago Mesquita under dança | Tags: Caetano Veloso, dança, datas, Michael Jackson, Pablo Picasso, Pina Bausch, The Fall |[2] Comments
Muita gente famosa morreu nesses dias, alguns de talento superior. Se a dança perdeu Michael Jackson, o seu maior entertainer na semana passada, hoje ela viu ir uma de suas maiores artistas: Pina Bausch.

Pina Bausch em ensaio em Wuppertal
Os dois pensavam o movimento corporal como poucos, mas Pina Bausch, para mim, é um dos maiores símbolos da alegria de viver e de fazer o que se faz. Ela adorava o Brasil e esteve aqui várias vezes. Como eu sou besta, só a vi uma vez. O suficiente para cair de amores. Foi como da primeira vez que eu escutei The Fall ou vi uma tela do Picasso, me converti em um adorador com o pouco que conhecia.
Assim, se a morte de Michael Jackson me deixou perplexo pela tragédia que ele representava, a de Pina me deixou triste pela alegria que ela fazia questão de demonstrar. Tanta, que no carnaval desse ano, resolvi começar as comemorações com um lindo e tocante vídeo da Pina Bausch.
Em 2000, Caetano Veloso tentou falar de sua adoração de Pina Bausch, no fim falava de tudo, mas muito pouco de Pina. Começava o texto Aquela coisa toda assim:
Não sou dançarino. Já na estréia de Livro vivo, em São Paulo, eu deliberadamente fazia, num determinado momento, gestos repetitivos, maquinais-obsessivos, num estilo que muitos associam ao trabalho de Pina Bausch: era um aceno a essa artista que me apaixona.
E terminava de um jeito que parece ser muito verdadeiro:
E Pina Bausch? Lá vai Caetano, dirão, olhando para o próprio umbigo, escrevendo sobre si e sobre o que vai escrevendo sobre si. Mas não é. É que entrar em contato com uma artista grande como Pina é arriscar-se a passar por mudanças que requerem auto-reexame. Em outras palavras: a quem me dá a vida não posso oferecer nada menos do que isto: a minha vida.
O Caetano adora falar dele, mas nisso ele não poderia ser mais preciso. Então, melhor vermos a beleza da arte da Pina Bausch. Aqui, um lindo documentário de 2006 sobre a artista. Depois, sua dança:




